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segunda-feira, 12 de abril de 2021

"Ó tempo! Ó costumes!"



Esta frase foi pronunciada por Cícero (advogado e filósofo) há mais de 2000 anos (70 a.c.), criticando a perversidade moral dos homens do seu tempo, após este ter conseguido que o corrupto governador da Sicília Caio Verres fosse destituído do cargo. Num tempo paradoxal, de corrupção ao ar livre, inspirado em Cícero: "até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência?".

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Jorge Coelho





Um dia, já lá vão mais de 10 anos seguramente, no histórico e benquisto café "Bigosses" em Esposende, em conversa com um amigo ele diz-me: "uma das pessoas que mais aprecio na política é Jorge Coelho". Sinceramente conhecia e conheço pouco o seu lado político. Acompanhei desde sempre a quadratura do círculo e mais recentemente a circulatura do quadrado onde foi durante anos um dos bons comentadores. Mas passei a conhecer um pouco melhor a pessoa através de pequenos gestos discretos. Quando entrei na associação "Acreditar" através da "Caso" da Universidade Católica, na colaboração que tivemos com o IPO do Porto, ouvi falarem em Jorge Coelho e que era alguém que tinha entrado para a Associação e estava a ajudar crianças que eram doentes oncológicos. Soube que tinha tido cancro no ouvido e  que ficou impressionado com a quantidade de crianças que tinham cancro. Nunca deixou de ajudar e tinha uma preocupação social intrínseca e genuína, de quem sentia o que fazia como poucos. 

domingo, 28 de março de 2021

Bom contraste

 



Depois de uma semana em que um dos temas do país foi a Goundforce e o protagonismo de um empresário que ficamos a saber que conseguiu capital sem capital (financiamento bancário - oferecendo como garantia de pagamento as próprias acções - para investir na empresa quando a adquiriu) e que deixou de pagar aos seus trabalhadores, alguns marido e mulher que ficaram sem dinheiro para as necessidades básicas como dar de comer aos filhos. Em bom contraste, em polo assimétrico temos o empresário Rui Nabeiro que faz hoje 90 anos. Acabo de ver uma entrevista pelos 90 anos e no final o jornalista descreveu de forma simples o exemplo deste distinto e nobre empresário : "há pessoas que sabem mesmo ser maiores".

sexta-feira, 26 de março de 2021

Opus Dei



Por vezes, há assuntos que devem ser trazidos à opinião e debatidos mas apenas e tão só quando isso possa trazer algum benefício ou valor à discussão. O perturbador acontece quando de forma indirecta instrumentaliza-se o tema, como forma de contornar o essencial em desvalor do secundário. Aqui estou a referir a Opus Dei, que parece ter sido instrumentalizada e colocada propositadamente para desviar as atenções. Os nomes dos deputados que pertencem à Opus Dei foram tornados públicos e parece que nenhum deputado actualmente pertence à Opus Dei. Assim criticar a Opus Dei e a igreja de forma gratuita e comparar com a Maçonaria parece um exagero, porque uma coisa não tem a ver com a outra. Mas abrir a caixa de pandora é ir mais além e divulgar determinadas seitas que existem e são subsidiadas, ocultas, que operam entre gabinetes do poder político, onde o contacto é permanente e o poder de influência ilimitado. Veja-se a título de exemplo o caso recente das barragens da EDP. Foi a Opus Dei, a Maçonaria ou a seita oculta? Talvez não seja assim tão difícil. Excluída a primeira, restam apenas duas.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Prof. Cordeiro Tavares

 


Na vida podemos ter muitos professores mas há sempre aqueles que deixam uma marca inabalável, não apenas pela seu lado intelectual mas sobretudo pela soberba humanidade. Recentemente soube do falecimento do nosso tão querido professor de funcionalismo público Cordeiro Tavares. Um desabafo imediato: era um extraordinário ser humano. Um amigo que fazia parte da família que é e sempre foi a Universidade Católica. Quando acabas de falar com uma grande amiga e percebes o carinho fantástico que existe entre a maioria dos professores e alunos. Queria apenas partilhar aqui uma história. Esta história passou-se com uma rapariga que tinha acabado a licenciatura e candidatou-se a concurso público para uma autarquia local. A rapariga cumpriu todas as etapas com êxito, mas na parte da entrevista achou estranho ter sido ultrapassada por uma colega, a qual nem sequer tinha passado por todas as provas que a candidata em causa teve de passar, e, acabou por ter ficado em segundo lugar e não conseguiu a vaga de emprego. A rapariga ficou tão abalada e revoltada que acidentalmente desabafou com este nosso amigo e prof. Cordeiro Tavares, que lhe disse para não se preocupar que esta situação não ia ficar assim e ele próprio ia ajudar e resolver. O prof. Cordeiro Tavares pegou no telefone, ligou para o presidente do município e disse que estava a caminho da sua autarquia e queria saber passo a passo de tudo o que se passou no concurso público em causa, ao que o presidente ficou estupefacto e tentou evitar de todas as formas essa consulta e esse acesso, mas sem sucesso. O presidente pediu ao prof. para aguardar um dia ou dois, mas tal pedido foi recusado. Entre vários telefonemas, o presidente acabou por encontrar uma solução e comunicou que iria abrir duas vagas e que entravam as duas candidatas, ou seja, para evitar que a sua eleita não fosse excluída por ilegalidades no concurso, manteve a escolhida e abriu vaga para a rapariga em questão. Esta é uma de muitas das histórias deste nosso amigo que partiu. Deixou várias aprendizagens e merece ser lembrado porque mais que um professor, era um amigo dos alunos, de todos aqueles que com ele se cruzaram e isso é que faz a diferença. 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Vacinação: direito à vida





Talvez seja o momento de as pessoas usarem a denúncia anónima para evitar situações graves como as da vacinação a pessoas sem prioridade e para proteger a vida daqueles que mais necessitam da vacina. O que estamos assistir é simples: pessoas sem prioridade estão a colocar em risco (e poder tirar) a vida de outras pessoas com prioridade. Esta é a equação e o que está acontecer. As pessoas devem denunciar estas situações, não necessitam de identificação (daí ser uma denúncia anónima) e podem salvar vidas. Estas pessoas devem ser responsabilizadas criminalmente (inclusive o Estado ao nível da responsabilidade civil, se tiver envolvido). Imaginemos a situação de uma pessoa que morre e estava nos critérios para receber a vacina e ficou provado que houveram pessoas vacinadas naquela zona geográfica ou local que não cumpriam os critérios nem tinham prioridade perante aquela pessoa. Quem responde? Alguém terá que responder e ser punido. 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Malak

Vacinação de Políticos



É uma imoralidade vacinar um político quando ainda existem profissionais de saúde que não foram vacinados. Na saúde privada está quase tudo por vacinar. Mas é uma também um populismo não vacinar, por exemplo, o Presidente da República ou o Primeiro Ministro. Agora vacinar 240 deputados sem critério é uma brincadeira, mesmo sendo titulares de um órgão de soberania como é a Assembleia da República. Um dia destes corremos o risco de ver uma peixeira vacinada e ainda faltarem profissionais de saúde por vacinar. 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Valha-nos o Marcelo





Não concordando com a realização das eleições num momento crítico e excepcional como da actual pandemia, conseguimos eleger o Presidente da República e ainda bem que foi o Marcelo, porque significa que ainda somos sensatos e pretendemos a estabilidade democrática. Mas existiram sinais e o destaque (criado pelos próprios candidatos) foi para o partido Chega, para o ultraneoliberalismo. Não foi uma surpresa, porque estava à vista de todos, era perceptível que tal crescimento tinha e tem um objectivo: entrar em força no parlamento (com número significativo de deputados) nas eleições legislativas. Isto merece uma reflexão política, mas talvez essa reflexão tenha de ter outros protagonistas políticos, porque os actuais têm demonstrado uma inquietante incapacidade e anacrónica incompreensão política. Ignorar o partido Chega não resolve o problema. Criticar o Chega não impede o seu avanço. Uma das boas soluções passa por reflectir sobre o actual sistema político, sobre a eleição dos políticos e sobre os seus contributos para o país, individualmente, por exemplo, cada um dos 240 deputados da Assembleia da República. Um estudo recente constata que maioria dos portugueses (cerca de 60%) gostariam de mudar sistema eleitoral e eleger os deputados à Assembleia da República. Medidas como estas poderiam ser o ponto de viragem e acho que são medidas como estas que as pessoas procuram, desejam uma mudança a vários níveis políticos. E o problema é que as pessoas que votaram Chega pensam que foi um voto contra o sistema, mas talvez tenha sido em erro, porque o discurso é contrário aquilo que acontece na realidade, onde inclusive muitos dos protagonistas são ex. militantes e simpatizantes do PSD e do CDS. A queda acentuada do PSD e o suicídio político do CDS foram e são uma bomba de oxigénio para a aplicação prática de um programa político exótico. A continuação do negacionismo agravará o problema e tornar mais forte qualquer força política como o Chega que navega nas suas águas, onde o grande capital humano está facilmente ao seu alcance em detrimento da crise e da gritante falta de credibilidade dos políticos. Este negacionismo da realidade existe dentro dos partidos quanto aos dissidentes, e a suas práticas de solucionar tais problemas geraram o descontentamento que é agora igualmente capitalizado por uma força política como o partido Chega. Se dúvidas houvesse quanto aos responsáveis pelo surgimento e crescimento de um partido como o Chega, basta assistir aos discursos da noite eleitoral de ontem, com a excepção de Marcelo Rebelo de Sousa.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Kamala Harris

 


É a vice-presidente dos E.U.A. e será alguém de quem espero muito politicamente, porque o mundo precisa de mais pessoas como Kamala Harris. 

(donald trump): traição imperfeita




Era um queda anunciada, apenas só imprevisível quanto à sua forma e desfecho. A invasão do capitólio foi um acto criminoso e a investigação apurará quem foram os seus agentes. Trump ao longo deste tempo foi plantando sementes da sua queda e o crescimento das suas sementes seria inevitável. As fake news e as mensagens de ódio são apenas alguma das sementes que cresceram de forma galopante e a invasão do capitólio foi a traição imperfeita que nunca a América irá perdoar. 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Confinamento estranho




Este confinamento tem sido estranho desde do início. Ontem, todos assistimos ao aglomerado de filas e filas para votarem e ainda não ouvimos qualquer palavra de censura a repudiar tais aglomerados. Assistimos a um jantar do partido político Chega que juntou 170 pessoas em Guimarães. Fui durante a semana a uma bomba abastecer o carro e eram só pessoas a fumar e a tomar o café da parte de fora e a conversarem uns com os outros. Saímos para ir à mercearia (que voltaram aos tempos da década de 80) e temos de nos desviar das pessoas em passeios higiénicos, a correr e com o cão (em aglomerados). Vemos os transportes públicos cheios de gente. Passamos perto de uma escola e vemos os alunos em aglomerados de 5. E por aí ainda conseguimos ver pessoas sem máscara. Infelizmente já tive de confrontar gentilmente uma senhora que estava sem máscara à minha frente num local, a qual justificou que estava com comichão no nariz. Eu compreendi delicadamente o seu surto de comichão mas fiz entender que o surto de covid-19 era pior, que fizesse o favor de colocar a máscara que era perigoso. Não gostei de o fazer porque não sou fiscal, mas há pessoas que não entendem a realidade e complexidade do problema do país. Podemos e devemos aplicar medidas mais duras e fiscalizar, mas se a responsabilidade de cada um não mudar, continuaremos a lutar contra o tempo. E há uma coisa: aqueles que cumprem e são extraordinários a cumprir (respeitando todos os profissionais de saúde) não poderão pagar por aqueles que voluntariamente não querem cumprir. Ninguém quer ou pretende ter um país parado e/ou fechado, mas o que não podemos ter é um país sem pessoas, sem as suas gentes.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Elogio ao Grupo Nabeiro



Num momento diferente e anormal, de alteração de circunstâncias a todos os níveis, há que destacar o que é bom e distinto, quem faz diferente. Não precisa de elogios, porque é um grupo que fala por si, mas quando em plena pandemia ouvimos ou temos oportunidade de ler que o grupo Nabeiro compra refeições a restaurantes em dificuldades para ajudar famílias carenciadas percebemos a razão pela qual ainda existem empresas que são um exemplo e que merecem um destaque nacional, pelas suas boas práticas sociais, pela responsabilização social.

sábado, 9 de janeiro de 2021

Presidenciais: esbofeteada à Ilias Kasidiaris




Estes debates presidenciais têm sido extraordinários ao nível do insulto e estão cada vez mais perto do nível de debate das eleições gregas em 2012, quando recorreram ao uso da força para impor as suas posições políticas. Não estiveram longe disso, principalmente no debate entre Marisa Matias e André Ventura, mas faltou a esbofeteada à Ilias Kasidiaris, quando este deputado da extrema-direita (do partido Aurora Dourada) agrediu a deputada comunista em directo num debate na televisão grega. Embora a deputada do partido comunista só ter sido esbofeteada depois de Ilias ter deixado o aviso ao atirar em direcção a esta um copo repleto de água.

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Pandemia: o outro lado invisível


Hoje, no momento em que escrevo este artigo registaram-se mais 90 mortes em Portugal por Covid-19. Mas o chocante é saber que desde 1920 (altura da gripe espanhola) não havia registo de tanta gente a morrer num ano. Mas o preocupante é que apenas metade dessas mortes são por Covid-19. O que se passa com Portugal? Quem explica as restantes mortes por silêncio? Os idosos são encostados nos lares de uma forma sufocante, não havendo resposta a um problema que já estava anunciado há muito tempo. Não foi a pandemia que fez aumentar o número de idosos em Portugal. As cirurgias e consultas adiadas ou a incapacidade de rastreio tem sido mais um sinal do afastamento das pessoas com menos meios económicos. Não interessa qual o partido político, mas poucas dúvidas restam que há muita gente a ser enganada. A realidade é outra, é invisível. Na realidade invisível as mortes acontecem naturalmente, são ignoradas em silêncio, de uma forma indigente, sem direitos.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Nassima Al-Sada



Por mero acaso, descobri e assisti ao testemunho de Nassima Al-Sada. É apenas mais uma voz silenciada e presa em 2018 na Arábia Saudita por defender os direitos das mulheres, num país que é apenas e tão só o líder na desigualdade de género no mundo. Mas o que me chocou foi perceber que não permitiram o contacto com a família e nem sequer com um advogado. Para além disto são inúmeros os relatos de maus tratos na prisão e as condições miseráveis em que vive. Este é mais um daqueles casos em que deveria haver ingerência nos assuntos internos de um Estado porque viola constantemente leis internacionais e DUDH (Declaração Universal Direitos Humanos). Por curiosidade, a Arábia Saudita, em 1948 não votou contra a DUDH, tendo optado pela abstenção na votação da Assembleia Geral da ONU. Mesmo perante o silêncio ensurdecedor de todos ao seu redor, exigia-se mais pressão diplomática para as constantes violações daquilo que é universal. Mas todos recordamos o recente caso do jornalista e dissidente saudita Jamal Khashoggi (crítico do regime) morto no consulado saudita em Istambul. E lembramos da gravação existente onde este tinha sido interrogado, agredido e morto violentamente na embaixada. É o retrato da insólita impunidade do poder.

Camionistas em Dover




O dia 31 de Dezembro (Brexit) aproxima-se e o problema chocante dos camionistas retidos em Dover são um indício de algo e um teste à prova das autoridades inglesas. Não havendo acordo entre União Europeia e Reino Unido, estão condenados às regras da organização mundial do comércio com todas as taxas aduaneiras. Das duas uma: ou algo vai realmente mal no Reino Unido a nível político ou isto são apenas meras coincidências temporais que tiveram o azar de surgir em simultâneo com a aplicação de determinadas medidas pontuais de estados como a França. Acreditando nas coincidências, uma coisa correu e está a correr mal: deixar ao abandono esta gente ali no meio do nada horas a fio sem desbloquear a situação de forma célere. Por vezes, mesmo quando os actos não podem ser imediatos, as palavras deviam ser obrigatórias, porque todos aqueles que ali estão têm nacionalidade.

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Congresso PCP


A pergunta é simples: porque é que amanhã a maioria dos portugueses tem que estar em prisão domiciliária e os militantes do PCP podem estar num congresso com 600 pessoas? Se a lei permite, o bom senso pune. Mas a lei também permite a suspensão do direito de reunião e participação política, nos termos do artigo 19.º da CRP. Numa situação excepcional como esta, permitir um congresso com este número de pessoas é qualquer coisa de extraordinário, que reflecte bem a impunidade, o descaramento ilimitado e o egoísmo político patente, porque não existe nenhum congresso que seja mais importante que a vida e saúde das pessoas. Em causa não está ser o PCP, mas sim um congresso que está a ser realizado com 600 pessoas, quando todo o resto do país está restrito, com medidas severas e sacrifícios. É perceptível que António Costa não quis ter uma alternativa política, visto ter necessitado do PCP para aprovação do orçamento de Estado para 2021, porque nem sequer teve coragem de dizer que era um mau sinal a realização do congresso. As coligações políticas têm estas consequências, de limitar os partidos nas suas decisões e condicionar os seus pensamentos em detrimento da conservação dos cargos, ou seja, António Costa jamais poderia criticar o PCP, nem que fosse numa ideia e linha de bom senso, porque perderia o seu maior aliado. Mas este momento exigia, no mínimo (não havendo suspensão do direito de reunião e participação política), uma palavra de censura quanto à realização deste congresso. E se, no final do congresso, desse aglomerado de 600 pessoas houver infectados com Covid-19, quantos são os responsáveis políticos a dar a cara? Provavelmente poucos ou nenhum. Na política os números ainda são manobrados pelos humanos e por isso talvez teremos uma "fake news". Esta decisão não protege a saúde dos próprios congressistas do PCP, nem dos restantes portugueses, que posteriormente entrarão em contacto com os mesmos. Isto terá um custo político. Esperemos que não tenha um custo humano.

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Maradona sem igual




Há um lugar onde está Maradona e outro lugar onde estarão todos os outros no mundo do futebol. Quando comecei cedo a jogar futebol, Maradona era já um ídolo, um símbolo, mas mais que tudo isso: era um génio do futebol, que fazia as delícias de quem sonhava e vivia futebol. Ainda recentemente ao ver a série da netflix "Maradona in Mexico" tive a oportunidade e o privilégio, mais uma vez, de admirar este mágico com a bola. Num momento em que o futebol é engolido pela táctica apurada e ilimitada, Maradona é e será sempre o retrato do futebol de rua, do futebol original, do futebol que leva as pessoas ao estádio, do futebol bonito, do futebol clássico que todos sonham e adoram.


sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Restaurantes



Nunca deixei de frequentar restaurantes e, num momento como este, não penso em deixar porque adoptaram todas as medidas necessárias para proteger os cidadãos e porque são milhares de postos de emprego que estão em causa e não vejo razões para deixar de frequentar um restaurante, da mesma forma que temos frequentar tantos outros locais, seja por necessidades básicas, seja por razões profissionais. Ainda hoje tive de ir a um restaurante e tive de esperar pela mesa que estava a ser desinfectada, e, após isso, quando entrei tive obrigatoriamente de desinfectar as mãos e tudo aquilo que chega à mesa é selado com todos os cuidados. A proibição decretada pelo Governo para a restauração é excessiva e não parece fazer sentido. E este exagero tem a agravante de muitos restaurantes terem investido centenas de milhares de euros para cumprir com as regras de higiene e segurança impostas pela DGS. Depois de serem impostas essas condições para reabrirem, obrigar posteriormente e fechar é uma medida excessiva e desproporcionada, sem ter por base uma política lógica e coerente. O perigo que corremos a ir a um restaurante é o perigo que corremos a ir a tantos outros locais, e arrisco dizer que há determinados locais em que o risco é substancialmente maior de uma pessoa ficar infectada com Covid-19, como por exemplo num hipermercado, onde anda tudo à "molhada". E depois há restaurantes com variados tipos de clientela. Alguns não chegaram até aqui. Actualmente, muitos que chegaram estão a descarrilar, e aqueles que ainda sobrevivem, será que amanhã vão ter capacidade para abrir as portas? A decisão do Governo não é nem pode ser fácil, mas tem haver bom senso e mesmo que não tenhamos economia para dar 75% da receita aos restaurantes como fez a Alemanha, 20% não resolve o problema e apenas agrava, quando a solução passaria por manter abertos, talvez com outro controlo e soluções, mas manter abertos. E esta solução para além de não resolver o problema dos restaurantes e não ser muito fiável em detrimento da nossa economia (que é muito frágil), vai abrir a caixa de pandora para outros quererem e poderem reivindicar soluções similares, como por exemplo, o comércio local e outros. E vai desviar o Governo das melhores soluções, que seriam sempre manter os estabelecimentos abertos, evitando fechar e dar o dinheiro que o país não pode dar.