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sábado, 13 de setembro de 2014

Pai do Povo

  
Estaline
(1879-1953)




   Porque razão critica o Parlamento Europeu e seus salários, quando antes de ser eleito já sabia quanto iria ganhar ? Porque sempre criticou e critica esses salários "chorudos", quando sempre teve a ambição de ganhá-los (como também fez na Ordem dos Advogados, onde foi o primeiro bastonário a instituir para si um salário de 5.000 euros líquidos por mês e agora no Parlamento Europeu onde são cerca de 12.000 ou 13.000 euros por mês)? Qual foi o seu objectivo de ir para o Parlamento Europeu, a não ser o salário, já que em termos de ideologia ou ideias políticas quase nem era aceite em nenhum grupo parlamentar europeu? Porque razão terá saído do MPT (Movimento Partido Terra) para criar um novo partido político?
   Foi hà 4 anos na Universidade Católica Portuguesa (que o impediu de voltar) que Marinho Pinto afirmou: "Após a Ordem dos Advogados continuarei a fazer o que sempre fiz: advocacia". Mas quem acreditou? Lembram-se do que disse Estaline um dia e a forma como chegou ao poder na União Soviética? Já tentaram descobrir as diferenças ou, melhor, tudo o que têm em comum? 
   O percurso de Estaline e sua ascenção deveu-se essencialmente à sua propaganda revolucionária. Foi com a morte de Lenine em 1924 (que até hoje ainda não se sabe se não foi o próprio Estaline que o envenenou), que em pouco tempo a sua forma de fazer política ("devolver poder aos trabalhadores") vingou e chegou à liderança do partido comunista e do próprio Estado Soviético , impondo um regime de autêntico terror, bem como uma nacionalização colectiva de todos os sectores da actividade económica, implementando um regime totalitário. 
   O que tem Marinho Pinto a ver com Estaline?
   Estaline, precisamente, antes de chegar ao poder, tinha um discurso de massas (dizer o que querem ouvir num tom drástico e dramático), onde assegurava que era preciso devolver o poder aos trabalhadores, e instrumentalizava as classes com menor instrução e mais fragilizadas para conseguir atingir seus objectivos, que mais tarde, foram atingidos e percebeu-se que todo o seu percurso foi feito de cinismo e de falsidade. Estaline quando chegou ao poder, perseguiu e torturou seus opositores, ficou conhecido pela deportação de trabalhadores para campos de trabalhos forçados na Sibéria (Rússia) e pela forma como mandou construir estátuas e cartazes com a sua imagem por toda a URSS, 
   Marinho Pinto faz o mesmo à anos (percurso Estaline antes chegar ao poder). Posiciona-se mediaticamente junto de uma classe mais idosa e simultaneamente menos instruída, bem como junto daqueles que estão completamente "desprotegidos" na sociedade, em virtude do período que o país atravessa, e tenta num discurso directo e simples canalizar seus destinatários (para além de aproveitar o facto de não existirem políticos fortes e de convicções), porque sabe que é o único que pode trilhar esse caminho, que diga-se: em Portugal é um caminho de ouro, porque são imensas as pessoas que procuram alguém que lhes diga e falem a mesma linguagem. Quanto ao seu percurso, na Ordem dos Advogados, instrumentalizou-a para o seu grande objectivo: a política, não esquecendo que antes de lá chegar chegou afirmar que jamais implementaria um sistema de "numerus clausus" (que significa impôr um número limite de entradas na Ordem dos Advogados), e isso foi uma das bandeiras quando se viu no poder: no cargo de bastonário. Marinho Pinto, bem como Estaline, vive em torno do culto da personalidade à sua pessoa, onde a recente saída do MPT (Movimento do Partido Da Terra) é mais uma prova deste culto da personalidade que claramente pretende instituir e é o retrato deste seu pequeno percurso político.
   Esperemos que percebam que aqui não hà nada de diferente nem de novo, e que, a renovação jamais passa por cultos de personalidade e discursos falsos, desleais e enganosos, porque é vital não deixar que o "pai do povo" regresse ou tenha algum poder político, porque se um dia lá chegar será o "ditador do povo", porque assim reza a história e aqui nada mudou nem vai mudar, a não ser o nome.