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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Eleições 2015







  Uma campanha eleitoral pouco esclarecida e repetitiva. Até as rotinas não mudaram e quando os adversários não convencem, até há tempo para repetir dias de campanha exactamente iguais a outras eleições passadas. Mas, se havia alguém que tinha de mudar a direcção e o rumo deste "costume" político era o PS, o que não o fez e as consequências políticas estão à vista. 
   O PS desde cedo viveu "entalado" num problema: ter um discurso intelectual (que exige debate de ideias) ou ter um discurso mais populista (mais próximo das pessoas). Parece que a ideia de António Costa foi, num momento inicial, seguir por um caminho de discurso mais intelectual, mas rapidamente foi encostado quando lhe começaram a questionar sobre questões importantes da sociedade portuguesa e este sempre "desviou" a conversa, não respondendo ou deixando para mais tarde qualquer tipo de resposta. E o mais grave disto tudo, foi que, essa "deixa" para mais tarde tinha uma justificação: revelar programa eleitoral do PS, que demorou meses, e a oposição agradeceu esse tempo todo de espera. Mas o PS tem ideia que a maioria dos portugueses vai ler ou leu o programa? E um dos erros foi que, qualquer questão era remetida para esse tal programa eleitoral de que a maioria dos portugueses desconhece e nem irá ler. Podia ter encomendado um programa eleitoral, mas tinha-o de explicar e com uma linguagem que o português comum entenda. Quando ainda ontem vimos pessoas que não sabem diferenciar o PAF da coligação PSD/CDS (a dizer que votariam PAF mas jamais votariam na coligação PSD/CDS), pedir para que entendam uma linguagem económica e jurídica de um programa eleitoral é um abuso político. 
   Depois da revelação do programa eleitoral, o PS percebeu que tinha de mudar um pouco o discurso e o rumo ou aconteceria como os socialistas gregos. Percebeu que tinha de fazer algo com impacto. Houve uma ou outra questões interessante, como por exemplo, na Saúde, onde defendeu a descida das taxas moderadoras, mas mesmo aí, nunca soube capitalizar as suas ideias nem debater os problemas de áreas tão importantes como a saúde. Mas o caminho era por aqui. Conseguir entrar em áreas como a saúde, por exemplo, debater seus problemas e propor soluções, num linguagem que os portugueses entendam. Mas nem aqui conseguiu estabilizar em termos políticos e rapidamente optou por entrar no discurso de crítica fácil à coligação. Os debates foram de uma pobreza nunca antes vista, onde o PS, que era quem tinha de fazer algo pela vida, pouco fez, não conseguindo impôr suas políticas, que na verdade, nunca conseguiu durante esta campanha eleitoral. Mas claro, há quem ache que ganhou o Costa ou o Passos, mas isso é opinião dos fanáticos, que para esses nem vale a pena ver os debates, porque a opinião está sempre formada. A partir do último debate com Passos, já em algum desespero e percebendo que o caminho intelectual tinha sido um falhanço, porque não o soube interpretar e aplicar de forma eficaz, entra num discurso mais populista, tentando falar mais para as pessoas, mas mesmo aqui, o discurso não chega de forma eficaz ao eleitorado, e a polémica dos cartazes antecipa o fracasso (a ainda um dia vamos descobrir se não foi uma armadilha de alguém de dentro do seu próprio partido). Ainda ontem, numa política de proximidade, António Costa tenta falar para os portugueses, dizendo que quer "defender " aqueles que mais precisam, mas pouco eficaz, sem aplicação prática, já em desespero. António Costa andou completamente perdido na forma de fazer política (não convencendo nem o centro-esquerda nem a esquerda) , não chegou às pessoas, e, embora pudesse ter sido um bom candidato, não o foi e arrisca-se seriamente a perder as eleições. Talvez fique na história um Governo ter liderado um período de crise económica como foi este período desde 2011, e no momento eleitoral, pouco ou quase nada ser questionado sobre suas principais políticas e sobre forma como estas políticas afectaram a vida dos portugueses.
   Quanto ao PAF, bastou deixar-se "andar", sem grande turbulência, esperando pelos erros do adversário, que foram muitos e suficientes para não fazer grandes mudanças. O PAF acentuou a tónica na recuperação feita desde 2011, e que leva hoje o país a estar sem ajuda internacional, ao mesmo tempo que conseguiu desviar as atenções, porque, se existem bons políticos, também existem maus políticos e esses tomaram más decisões e que tiveram fortes implicações na vida dos portugueses. O período mais inquietante para a coligação foi nos debates, em que Passos Coelho teve de mudar do primeiro para o segundo debate um pouco, mas apenas na forma, não na susbtância, porque essa foi a mesma nos dois lados: debater o passado. O PAF deu-se ao luxo, perante tal fraca oposição, de não ter que justificar quase nada nem a maioria das suas políticas. E para todos percebermos porque isto se passou, é porque o PS em muitos dessas políticas está comprometido também e com "telhados de vidro", mas tinha decidir: ou cautela ou ataque. Maioria dos casos nem sequer decidiu, e a coligação agradece. Não haja dúvidas que este comprometimento político dos partidos com algumas políticas limita os candidatos, mas estes devem fazer escolhas, senão nunca nada mudará. 
   Quanto ao Bloco de Esquerda, a ideia é unicamente e exclusivamente ganhar mais deputados, não interessando sequer quem ganha, desde que consigam mais candidatos, em virtude de nas últimas eleições terem sido "abalroados" eleitoralmente. Catarina Martins tem vindo a melhorar a sua performance e vai subir nas eleições, mas não chega "fazer barulho", é preciso apresentar soluções e equacionar soluções governativas, porque toda a gente ainda se lembra da rejeição do bloco de esquerda em dialogar com a troika, que afastou a maioria dos seu próprio eleitorado, que agora, aos poucos, vai conquistando. 
   A CDU não muda e tem no seu líder já uma lenda e uma figura histórica do partido comunista, que se começa a tornar cada vez mais uma pessoa difícil de substituir. Mas quanto ao discurso, embora a coerência esteja lá, tem pouca aplicação prática as suas políticas. Mas sem dúvida que vai crescer nas eleições, e a figura de Jerónimo de Sousa (das mais populares politicamente) estará inevitavelmente associada a esse crescimento eleitoral da CDU. 
   Quanto ao partido Marinho e Pinto, aqui é conforme estiver a maré e as luas, para ver quando o peixe vem à tona. Se a maré estiver cheia, vai-se para Bruxelas (mas sempre com amor pelo país e pelos pobres) ganhar uns trocos. Se a maré estiver baixa e houver peixe, aí já se volta, manda-se umas "postas de pescada" e lança-se a cana, a ver quem morde o anzol. A ideia não é muito debater política na sua essência, até porque na verdade nem o próprio sabe o que defende. Basta lembrar que em Bruxelas não sabiam sequer a bancada onde o colocar, depois de abandonar o Partido da Terra, partido que o elegeu para o Parlamento Europeu. A ideia é uma obsessão desmesurada pelo poder, de quem pouco interesse tem nos portugueses, a não ser instrumentaliza-los para as suas ideias descabidas, em torno de um homem só: si mesmo, numa ideia de poder absoluto, que foi assim que noutros sítios por onde passou se governou.