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domingo, 27 de novembro de 2016

Churchill


Winston Churchill



   Falar de Churchill é sempre falar de história e do mais enriquecedor que tem a política, é falar de alguém que sempre foi em busca do seu pensamento, independentemente do partido a que estivesse ligado. Foi dos maiores e mais extraordinários oradores da história, e talvez dos poucos políticos cujas intervenções os correspondentes das agências noticiosas tinham ordens para reproduzir na íntegra, e só no Parlamento britânico foram mais de 500 discursos, que a maioria já pude ler, e são deliciosos. Em mais uma das minha incessantes buscas sobre Churchill, encontro uma das suas grandes reformas foi a introdução das pensões de velhice, que espantou toda a gente, ao mesmo tempo que foi a primeira vez que milhões de operários mal remunerados obtiveram meio dia de descanso por semana. Movia-o uma genuína compaixão pelos membros mais desafortunados da sociedade, uma intensa convicção de que era possível tornar a sociedade mais humana e também mais eficaz. 
   Isto revela, mais uma vez, que pertencer a um partido ou ser próximo de uma determinada ideologia não deve impedir o livre pensamento de cada um, e se Churchill foi alguém que ficou na história de uma forma nobre, não foi por ter mudado várias vezes de bancada na Câmara dos Comuns Britânica, mas sim por ter sido fiel aos seus livres pensamentos, e sempre que entendia que devia ser dada protecção a um sector desprotegido da sociedade, soube fazê-lo, sem ficar "atado" intelectualmente ao pensamento horizontal do partido e ser uma "vassoura" nas fileiras do partido.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Sinto-me envergonhado


Crime de Violência Doméstica




   Impressionante escutar os números da violência doméstica em Portugal. O que faz uma mulher estar com alguém que a trata mal? O que leva uma mulher a não denunciar às autoridades uma pessoa que a trate mal, sendo um crime público?
   A APAV (Associacao Portuguesa de Apoio à Vítima) recebe em média 49 queixas diárias, a maioria são efectuadas por mulheres jovens. Hoje, menos que noutros tempos, a justificação para não denunciar estas pessoas às autoridades diminuiu, uma vez, que trata-se de um crime público, e nem sempre foi assim, e quando não era, em média as denúncias aconteciam após 20 ou 30 anos de vitimizacao, na maioria dos casos quando apenas os filhos já tinham saído de casa.
   Já evoluímos e continuamos a evoluir, mas os números mostram que ainda estamos longe e precisamos de continuar a trabalhar e evoluir para combater este flagelo. Talvez não chegue dizer que é preciso denunciar. É preciso mais informação, mais conhecimento, maior punição, mais apoio, e continuar a colocar meios no terreno que permitam a todos, em especial às mulheres perceberem que têm meios para estarem protegidas, e poderem livrar-se do "traste".
   Indissociado destes números não pode estar um cada vez maior e preocupante déficit moral, que também devemos combater, porque os valores são essenciais para o convívio e a boa integração na sociedade, que, infelizmente, cada vez mais que olhamos para o lado, percebemos que temos de inverter este déficit moral e reconstruir uma sociedade com valores bem definidos, que possam primar e ter por base uma sociedade com uma educação fincada nesses valores tradicionais.
   É inaceitável que hoje em dia, em pleno século XXI, haja tantos homens que mal tratam as mulheres, e, que o crime de violência doméstica continue a figurar no topo dos crimes praticados em portugal. Eu sinto-me envergonhado. 


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Obama, um legado incomum


Barack Obama, 44. Presidente dos E.U.A


   Era o dia 20 de Janeiro de 2009, e lembro-me como se fosse hoje. Nesse dia encontrava-me na FEUP e havia um grande ecrã gigante à entrada da biblioteca onde todos poderem assistir ao momento da eleição de Barack Obama. Foi e será sempre um dia histórico, um discurso histórico, uma pessoa histórica.
   Havia a esperança espelhado nos rostos das pessoas, havia pessoas a chorar um bocado por todo o mundo, havia um sentimento mundial de humanidade partilhados por todos nós, ou pela maioria. E era um bom sentimento. 
   O "wes we can" e a forma como Barack Obama conseguiu ganhar, primeiramente, as primárias, e posteriormente a eleição a John MacCain, foi um exemplo a seguir na política, porque foi uma campanha que ganhou genuinamente nas ruas e a angariação de dinheiro que se conseguiu com doaccoes de gente de toda a América foi algo que ficará sempre na memória daqueles que adoram e apreciam a política, a política pura e transparente. Barack Obama mudou a forma como se fazia política ao nível da comunicação com as pessoas, e colocou a comunicação política no lugar certo, perto das pessoas, numa linguagem que todos entendiam, e um respeito por aqueles que lhe deram o voto.
    Olhar hoje para o legado de Obama é olhar para um tempo onde a política fez-se por amor e dedicação, que hà muito não assistíamos. Obama trouxe humanização à política, há muito que era necessário, uma certa "limpeza" ao ambiente político, e, isso deve ser louvado, porque vivemos num tempo onde isso não é sequer pensado, muito menos praticado, e todos os sinais apontam para o contrário. Mas o seu mandato foi apenas esse lado pessoal, esse lado "intuitu personae"? Nao, também existiu o lado político (coisas boas e menos boas), mas desligar este lado do lado político seria um erro.
   A nível político, recebeu o país numa tremenda recessão económica com 10% de desempregados e deixa o país com menos de 4% de desempregados. A América cresce 3,5% por cento, prevendo um crescimento maior ainda este ano. Fez o Obamacare, que estendeu os cuidados de saúde aos mais pobres; acordo nuclear com Irão; acordo com Paris sobre as alterações climáticas; aproximação histórica e o retomar das relações diplomáticas com Cuba (o famoso "aperto de mão" a Raúl Castro no funeral de Nélson Mandela). Lembro-me também da nomeação da Juíza Sónia Sottomayor para o Supremo Tribunal como algo também histórico, pois nunca antes um hispânico tinha ocupado um lugar no Supremo Tribunal Americano. Claro que houveram também coisas menos boas, como a ineficácia no combate ao Daesh; o fracasso na lei das armas e a má relação diplomática com Rússia, mas também neste último mandato as dificuldades aumentaram, devido ao facto de não conseguir passar algumas leis no congresso. E vai deixar a América com uma integridade pouco comum, hoje em dia, na política, ou seja, sem escândalos.
  Para mim foi e será sempre dos melhores presidentes que os E.U.A. tiveram e há algo que jamais poderá ser esquecido: Obama mudou a forma de fazer política e isso é um dos seus maiores legados, um legado incomum. Ainda hoje ao ouvir o seu discurso na Alemanha, no encontro com Angel Merkel, pensava: "Que saudades vamos ter destes discursos, desta forma de fazer e olhar a política".

  

Legitimidade de Quintino Aires


Quintino Aires



   Hoje questionaram-me o que pensava sobre Donald Trump. Uma das questões que me colocaram foi o que pensava que poderia acontecer depois da eleição de Donald Trump. Sinceramente, acho que depois desta eleição, uma possível candidatura de Quintino Aires a qualquer cargo presidencial ou governativo ganha uma certa legitimidade.

sábado, 12 de novembro de 2016

Dr. Rui Silva Leal


Dr. Rui Silva Leal



   Foi sem dúvida, um dos melhores professores que tive, e para além de ser uma grande pessoa, é um extraordinário advogado. Neste momento é advogado de Pedro Dias, a par da sua mulher, Dra. Mónica Quintela, e custa-me ouvir colegas criticarem actuação de outros colegas, e principalmente, quando em causa está um dos melhores advogados do país na área do crime. Acho que fica sempre mal a um advogado criticar ou duvidar de algum colega ou da sua estratégia, e aqui, ontem tive oportunidade de ouvir o Doutor, colega e estimado professor Rui Silva Leal a comentar a razão de terem acautelado a entrega do presumível homicida, e é perfeitamente justificável e inteligente a sua decisão, e mesmo que assim não fosse, todos temos respeitar seu trabalho, porque é dos melhores nesta área, e não tenho dúvidas que para aceitar o caso, é porque acredita que há algo susceptível de defesa.


Trump


Discurso de vitória do 45. Presidente dos E.U.A.




   Talvez, um dia quando se contar a história de 2016, vamos lembrar que estivemos na presença das mais fracas eleições presidências americanas que há memória, com dois candidatos de popularidade muito baixa e onde se discutiu tudo, menos política. Surpreendeu-me, mais por Hillary Clinton, porque esperava mais. No meio disto, houve a vitória de Donald Trump, e, agora? Para onde vai a América?
   Uma noite ao estilo americano, mas desta vez, com o medo de afirmar que o vencedor era Donald Trump. O comportamento, no mínimo e forma elogiada, ridículo do porta-voz de Hillary Clinton pedindo ás pessoas para irem para casa quando às 6 da manha já era visível a vitória de Trump foi o espelho do desastre eleitoral dos democratas. Mas como foi possível este resultado acontecer? 
   Hillary Clinton é uma grande pessoa, mas, teve e tem o problema de não ter conseguido fazer política para todos os americanos, e tocar nas pessoas, porque a mensagem não passou. Quando estive em África, tive oportunidade de conhecer Hillary Clinton, quando esta veio anunciar a extensa do programa "Millenium Change Account", que consistia no financiamento para o desenvolvimento das zonas mais pobres em Cabo Verde. Aí conheci uma pessoa fantástica, de um trato soberbo, com uma urbanidade contagiante e uma sensibilidade arrepiante, com carisma e com um futuro muito promissor, que cativava quem ouvia e escutava suas palavras. Isto para dizer que a partir dali, passei a admirar a pessoa Hillary Clinton.
   Mas, infelizmente, nesta campanha não esteve bem, e fez opções discutíveis, bem como afastou-se do eleitorado, numa estratégia política pouco eficaz. Quem gostou de a ver a dar comícios diariamente rodeada de famosos? Será que isso angariou votos? Eu não gostei. Na minha opinião, fez-la perder e muitos, porque uma coisa, é aparecer uma vez, outra coisa, é aparecer todos os dias. Quem gostou de a ver rodeada das elites, e, insistentemente, aparecendo com o marido a seu lado? Foi um erro, porque a classe que mais vota é a classe média, e essa é uma classe devastada pela crise, e, mesmo que não precisasse de se desligar das elites, devia ter tido outro cuidado nas aparições públicas, e não teve, e isso foi uma das coisas que custou-lhe a eleição. Nunca conseguiu com que fossem transmitidas mensagens políticas fortes, e deixou-se mergulhar nas águas de Donald Trump, onde o discurso deslizava para a demagogia e o populismo cego.Foi demasiado suave na luta política, e mostrou-se demasiado permissiva para uma América que quer alguém decidido e que mostre bem o que quer fazer. E o discurso de continuidade, sem ideias novas, e sobretudo sem a palavra "mudança", foi o seu maior erro, porque nunca prometeu mudança, e a América isso nao lhe perdoou.
   Trump teve a sorte de ter do outro lado uma candidata de continuidade e que nao esteve bem, que permitiu que alguém  como Trump pudesse ser hoje presidente dos E.U.A. Aqui a estratégia foi oposta da de Hillary, e, desde do início, que a palavra "mudança" estava no seu discurso e foram várias as promessas. Desde de impedir a entrada de muculmanos e expulsar 11 milhões de clandestinos que vivem no país; a construção de muro na fronteira do México para impedir a entrada dos violadores; a ordem para mandar prender Hillary; prometeu acabar com ISIS em um mês; acabar com o Obamacare; etc. Será que vai cumprir o que prometeu? Quanto a Hillary duvido muito, e será demagogia pura e dura, e o discurso de vitória (que foi dos mais fraco a que assisti politicamente) já antevê que isso não vai acontecer e, seria , obviamente, um disparate, porque América ainda é uma democracia e tem órgãos próprios para emitir mandatos ou julgar as pessoas, e jamais seria o Sr. Trump a mandar prender alguém. Sinceramente, acho que não irá cumprir maior parte destas promessas (contaremos pelos dedos o que conseguirá) , até porque, o congresso e o senado não permitirão, e, mesmo que o congresso seja Republicano, não podemos esquecer que é um partido fracturado, e que deixou de apoiar Trump a meio da sua candidatura. Mas por muito demagógico e populista que seja o seu discurso (e em parte, perigoso), não podemos deixar de atribuir um certo mérito político, e não devemos cair no erro como fizeram maior dos órgãos norte-americanos, de ignorar a sua vitória, que foi carimbada pelo povo americano. Trump dirigiou-se e falou muito para a classe média, que representa a maioria, e expressões como "drenar o pântano", caíram muito bem nesta classe, que está descontente com o sistema político e urge por uma mudança, e Trump prometeu ser esse espelho, essa esperança. Esta expressão "drenar o pantano" é curiosa, porque é um alusivo contra o sistema e elites, quando na verdade Trump sempre representou, representa e viveu e vive com essas elites, e, esta é mais uma das suas demagogias, mas que muitas das classes para quem falou, não se apercebem disso, e infelizmente, basta-lhes ouvir bonitas palavras. 
   A América merecia mais e melhor, e, se necessitamos de pessoas longe dos actuais sistemas (que é uma boa verdade, e também necessitamos a nível europeu), também necessitamos de pessoas longe de sistemas autoritários passados, que assombraram a vida de milhares de pessoas. Mas, quero acreditar, porque a vida assim faz mais sentido, que Trump poderá fazer o mesmo caminho que Ronald Reagen, que também foi pouco amado na campanha para a Casa Branca, e depois tornou-se num dos melhores presidentes de sempre da América, mas espera, ninguém acreditou nesta última parte pois não?



sábado, 15 de outubro de 2016

Amigos Sírios












   Gente humilde, gente que vive o drama de viver sem saber onde estão seus familiares, se estão bem ou mal, sem saber onde vão ficar, que procuram estabilidade, procuram apenas alguém que os receba, porque também querem viver, viver longe do local que um dia já lhes pertenceu, mas que hoje é uma palco de uma guerra, que jamais podemos adivinhar quando terminará, sem saber se já começou, mas com uma certeza: nunca voltará a ser a mesma Síria. Desde da final do Euro 2016 que ganhei uns amigos, ganhei relatos de pessoas extraordinárias, que procuram o mesmo que nós, e pedem apenas que lhes deixem viver. Hoje, foram vários os Sírios que se juntaram para apelar ao fim do conflito na Síria, e, foi emocionante ouvir alguns relatos, experiências de quem perdeu tudo e não sabe dos seus familiares, e a força de vida, a vontade de, mesmo depois de tudo, ainda querer lutar e vencer na vida.



quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Felicidade por António Guterres


António Guterres - Secretário Geral da ONU



   É uma felicidade poder ver que, foi feita justiça e António Guterres é o novo Secretário Geral das Nações Unidas, por aclamação. 
   No início deste processo, poucos acreditavam que seria possível, uma vez que a história contava que no momento em que os membros permanentes anunciassem o sentido do seu voto, tudo mudaria, e tudo apontava para que o voto não fosse em António Guterres. Até o próprio Presidente da Comissão Europeia, Junker agora felicita e envia uma carta com um coração no final a António Guterres, quando apelou ao voto em outra candidata, sob influencia Russa. Bem, aqui o papel dos Estados Unidos foi determinante, e talvez tenha sido o papel de Samantha Power, a embaixador dos Estados Unidos, que tenha deixado pouco margem à tentativa Russa de escolher uma mulher da Europa de Leste. António Guterres está no cargo com todo o mérito e sem sombra para dúvidas a melhor pessoa para o mesmo, e não havia nenhum outro candidato na corrida que chegasse ao seu valor e experiência, e para além disso, fez uma campanha impressionante, elogiada em todo mundo, tendo os Estados Unidos apelidado mesmo de uma "campanha impressionante, sem precedentes". 
   O mundo enfrenta vários problemas, e precisamos de um homem de diálogo, e, António Guterres é essa pessoa, e os seus 10 anos de Alto Comissário para os Refugiados, bem como toda a sua experiência nacional e internacional acumulada, fazem dele uma pessoa que a todos nos devem orgulhar, essencialmente portugueses.

Evitar o Táxi






   Contra a Uber? Contra o Airbnb? Contra o Uniplaces? Contra todo e qualquer tipo de concorrência empresarial? Protestar é um direito. Agredir e ofender é crime.
   Hoje, ao ver, uma vez mais, o protesto dos taxistas contra a Uber e Cabify, percebi, mais uma vez, que devemos apoiar o surgimento de mais Ubers e mais Cabifys, porque esta forma de "ditadura" sectorial tem de acabar, principalmente quando o alvo atingir são empresas que estão alheias à jurisdição dos países em causa, sendo essa uma responsabilidade dos governos nacionais, e não das empresas, que livremente, e porque é um direito seu, operam nos mercados de trabalho, respeitando todas as suas regras. Se é verdade que pode haver argumentos plausíveis por partes dos taxistas para dialogar, será ainda mais verdade que optar pela violência faz cair qualquer tipo de argumentação. E, quando se protesta contra pessoas que estão a fazer o mesmo trabalho que os protestantes, é no mínimo ridículo, porque aqui, a haver diálogo esse terá sempre de ser com o Governo, porque é quem tem poder para mudar ou alterar qualquer tipo de legislação em vigor, ou mesmo, proibir, como em certos países, a Uber de actuar, o que na minha opinião, seria um erro.

   

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Elogio a António Guterres


António Guterres



   António Guterres merece o elogio de todos, essencialmente dos Portugueses, pela excelente campanha e representação de Portugal na candidatura a Secretário Geral das Nações Unidas. Tive oportunidade de assistir à maioria das suas intervenções e foram muito boas, com um discurso transparente e com qualidade, de quem percebe que um próximo presidente tem de ser um congregador de forcas, e, conseguir enfrentar os desafios globais com que nos deparamos, sendo um dos maiores o dos refugiados, onde tem 10 anos de experiência no terreno. Mas, mesmo após ter vencido 4 votações secretas para o cargo, pode não ser suficiente, porque os votos que irão decidir serão os dos membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (E.U.A.; Reino Unido; Rússia, Franca e China). A Rússia já veio dizer que quer uma pessoa da Europa de Leste, para além da pressão internacional em torno de que seja uma mulher a assumir o cargo, como tem defendido o actual secretário geral, por exemplo. Espero que não, porque António Guterres não merecia esse tratamento, mas está tudo a ser preparado para que na próxima eleição seja indicada uma pessoa (provavelmente da Europa de Leste) e que seja uma mulher. O problema de António Guterres é que não tem apoios de peso, e isso será determinante para suceder ao cargo. Se até agora países como o Reino Unido, ou a própria China (que viu Macau ser transferido para o seu país quando António Guterres era Primeiro Ministro de Portugal em 1999)  não apoiaram a sua candidatura, duvido que o façam brevemente, e, será uma questão de tempo até apresentarem um candidato que que já há muito está em mente, mas estará guardado para próxima votação, onde os seus votos serão decisivos. Esperemos, mais uma vez, que assim não seja, mas todos os indícios apontam para esse caminho, que poderá não ser o melhor.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Regresso do Guarda Fiscal


Antiga Guarda Fiscal (1885 - 1993)
                   

   Ainda só aconteceu substancialmente, mas um dia destes ainda os vamos ver de volta. Talvez até fosse boa ideia retomar e voltar activar a antiga Guarda Fiscal, porque com tanto controlo sobre as pessoas e todos os seus bens, ao menos andavam identificados, em vez de fazer este trabalho na "candonga", que é o que vai acontecer, sem as pessoas saberem e terem conhecimento. As funções agora seriam outras, não no controlo fronteiriço como antigamente, mas ver e fiscalizar, se por exemplo, as pessoas levam o nível de vida de acordo com o que possuem ou que auferem (e esta que tal? Esta era boa não?). 


Portugal vira Estado Totalitário


Josef Stalin, líder da União Soviética de 1927 a 1953

                                                   

   Bem, sinceramente tenho andado um pouco desligado da política nacional, mas sempre que posso vou espreitando, e, é "assustador" o rumo que o nosso país está a ter em termos políticos (nomeadamente em termos fiscais), porque já há muito que em Portugal paga o justo pelo pecador. As novas medidas anunciadas, sobretudo, o levantamento do sigilo bancário a quem tenha depósitos acima dos 50.000 euros é um autentico saque e um princípio basilar da maioria dos estados totalitários, onde vai ser uma correria indiscriminada às contas bancárias das pessoas, violando abruptamente a reserva da vida privada. Em Portugal, este acesso do Fisco tem vindo aumentar (de uma forma desmedida e sem critério) e agora com esta nova medida pode ser mesmo contemplado o acesso sem restrição, onde para obter essa informação vai apenas bastar um telefonema, nem sendo preciso já comprar essa informação. Vive-se cada mais num país de "guardas fiscais", onde o Estado controla as pessoas, inspirado no modelo Venezuelano e em Stalin, instrumentalizando a máquina estatal para concretizar o domínio, fixado num pensamento único.
   Este é um dos caminhos mais perigosos a trilhar, e, vai apenas atacar a classe média, porque a classa alta não tem dinheiro em Portugal (tem apenas trocos para colmatar necessidades básicas) e, mais uma vez, este é um incentivo a retirar o dinheiro dos bancos portugueses, e acima de tudo um conselho: quem poder deve mesmo retirar (se tiver valores acima deste montante) o dinheiro de Portugal.


terça-feira, 30 de agosto de 2016

Sir Markus Luttrell






   Os Estados Unidos da América coleccionam histórias de bravos soldados que, por sorte, cá ficaram e sobreviveram a autênticos milagres. Esse milagre aconteceu com o Seal Markus Luttrell, que tem uma história de sobrevivência absolutamente fascinante e que, mais uma vez, demonstra que os milagres são possíveis de acontecer. Em 2005, numa missão no Afeganistão para capturar e eliminar um dos líderes dos talibas, Markus foi um dos Seal que foi destacado, e, juntamente com mais 3 Seals (ao todo eram 4), viram sua missão abortada porque não mataram dois homens que os descobriram num esconderijo nos montes onde estavam os talibas. Foram perseguidos por mais de 200 talibas (eram cerca de aprox. 200 talibas para 4 americanos) , e de uma forma incrível, Markus, inicialmente com ajuda dos seus 3 camaradas e depois (destes terem sido mortos), com ajuda de moradores de uma aldeia chamada Pashtun ,conseguiu enganar o destino e sobreviver a algo que parecia impossível de fugir. 
   Por vezes, esquecemos que estes são os guardiões de um tempo, um tempo que nos pertence, e que nos querem tirar. Esta pode ter sido uma missão falhada, mas o lado certo era o de Markus e os seus bravos soldados americanos que com ele permanecerem em defesa do país e de "uma parte" do mundo até à morte. 
   
   

domingo, 21 de agosto de 2016

Mesa portuguesa no MPLA


Congresso do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola)



   Está a gerar polémica as declarações de Hélder Amaral do CDS, que foi o eleito (não a primeira escolha) a ir ao congresso do MPLA em Angola. O mesmo disse "que o seu partido está muito mais próximo do MPLA e tem, agora, muitos mais pontos em comum”. Isto criou uma divisão natural no partido e na opinião pública, que se estendeu aos demais partidos, que também fizeram-se representar no congresso, e, com altas figuras. E a questão que se coloca é: Manter o diálogo ou jantar à mesma mesa?
   Posso dizer que nunca vi um tema em que haja tanto medo de proferir opinião como o tema de Angola em Portugal, e digo isto, porque já assisti a conferencias, já ouvi figuras de relevo da sociedade falarem sobre o tema, e, existe um "medo" generalizado, que vem sobretudo do crescente poder económico de Angola e da sua forte presença em Portugal, que se estende aos principais sectores estratégicos. E se esse medo tem situações e acontecimentos que o comprovam, ou todos já esquecemos o que aconteceu a José Pacheco Pereira pelo artigo que escreveu no jornal "O público" sobre Angola ou a determinados jornalistas pelo mesmo efeito, por outro lado, continuarmos a fechar os olhos ao que se passa e ignorarmos o que nos rodeia pode ser perigoso e ter efeitos nefastos a longo prazo.
   O discurso de todos devemos manter o diálogo com Angola nunca esteve em causa e essa é uma justificação já "gasta" usada pelos partidos políticos. Mas alguma vez quebrar o diálogo esteve em causa? Manter o diálogo é diferente de jantar à mesma mesa, e quando se janta à mesma mesa, como fizeram maioria dos partidos políticos portugueses, isso significa que pactuam com a política do MPLA, que é tudo menos uma democracia. 
    E o mais grave, é ainda ouvir um representante do CDS proferir tais palavras, que certamente serão atenuadas por aqueles que se sentam na mesma que ele (aqueles que fazem parte da direcção partido e o enviaram ao congresso) , serão ignoradas por outros (aqueles que não podem discordar publicamente) e alvo de discorda pela maioria (aqueles que ainda respeitam os valores do partido).
   Bem, aqui, talvez quem tenha beneficiado com isto tenha sido o Bloco de Esquerda, que foi o único partido que não se juntou à mesa portuguesa no congresso, por de forma tão simples, ter dito a verdade: "considerar o MPLA uma ditadura". 


"Eu votei e votava Berlusconi novamente João"





   Conhecer e conviver diariamente com uma Italiana já tem o seu próprio desafio, mas quando descobres que ela é uma adepta fervorosa de Berlusconi, aí ainda maior se torna o desafio. Podemos considerar Itália um país "querido" para nós portugueses, e acho, mais que não seja, por fazermos parte aqui do Sul da Europa e estarmos a navegar nas mesmas águas e acomodados na mesma embarcação (embora em quartos diferentes), que para já, pouco sabemos para onde nos levam, a não ser que enfrentaremos mais umas tempestades, enquanto, ansiosamente e juntos, esperamos pela bonança, e jamais perdemos a esperança.
   Disse-me: "Jamais votaria noutra pessoa que não Berlusconi em Itália João". Filha de um dos maiores empresários do ramo alimentar em Itália, disse-me: "Berlusconi sempre ajudou as empresas, e quando ele saiu, houve uma ruptura drástica com essa política e isso afetou muito a Itália, e se olharmos, não está melhor nem para lá caminha". Se para muitos é surpresa ou para outros normal, em Itália o fato de Berlusconi estar sempre sempre associado ás empresas, criou quase que um "costume" obrigatório um seu sucessor ser um inversor dessa política. 
   A verdade é que Itália depois da saída de Berlusconi ficou um país dividido, e, até agora, a solução encontrada na pessoa de Matteo Renzi ainda pode não ter sido a ideal. 


Victor Kuppers: Importância da Atitude

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Terrorismo Salarial



Convenção da Sociedade Anti-Escravidão em 1840




Um grande artigo do Bernardo sobre o "terrorismo salarial em Portugal", de leitura obrigatória. Já o disse várias vezes Bernardo, e acho que ninguém quer sequer debater o problema, e, esta foi, é e continuará a ser uma forma de "escravidão" moderna (uma nova rota de escravos), mais que terrorismo salarial, que se ninguém travar, poderá reduzir e fazer regredir Portugal, porque não é esta a forma de dinamizarmos a economia e potenciar o crescimento económico, e como dizes, e bem no texto, lá fora falar de que há gente em Portugal que trabalha/estagia e não recebe nada é algo de valentes gargalhadas, muitas vezes, na maioria, não acreditam mesmo que isso seja possível. Parabéns pelo texto que se segue.


"Todos os dias, em Portugal, é praticado um tipo de terrorismo, não associado ao que o mundo nos tem acostumado a ver, mas nem por isso menos grave. Quem opera e coordena as acções “clandestinas” são, na maioria das vezes, lobos não solitários. A sua arma preferida é o estágio não remunerado, uma técnica lenta e dolorosa que a longo prazo trará consequências nefastas para um país em declínio. Estágios não remunerados. Um conceito que se inventou e que eu sempre detestei. Um mês, dois meses, três meses, seis meses à experiência, sem remuneração. Pior é que este processo se sustenta, em muitos casos, na mentira. Uma esperança alimentada ao longo dos meses de trabalho (não pago!) de que haverá, eventualmente, repito, eventualmente, uma remota possibilidade de ficar como efectivo caso a pessoa em questão tenha uma boa performance. Esta é a chave para alimentar a farsa e “obrigar” as pessoas a sujeitarem-se aos meses de trabalho não pago, estabelecidos "a priori". Sem se aperceberem estes terroristas, estes lobos, estes chefes, assassinam o entusiasmo e o espírito empreendedor. Deixam cair por terra o esforço de anos de trabalho de alguns pais que lutaram para dar uma educação melhor aos seus filhos. Descredibilizam o ensino, os cursos, as universidades. Mais grave, descredibilizam o valor de quem quer tanto vingar que se dispõem a trabalhar sem ser pago. Claro que todo este terror é também ele sustentado pelos próprios estagiários que, com efeito, se sujeitam a estas condições animalescas, a esta exploração, a esta falta de respeito. Pior do que tudo é pensar que estes lobos têm uma solução pacífica para os seus problemas chamado “estágio IEFP”. Só que para muitos, ainda que o gasto seja pouco, há um gasto. Algo que se pode evitar aproveitando a fragilidade de quem se sujeita, havendo sempre na cartola a frase feita: “Não queres ficar, não fiques. Como tu, há mais 20 mortinhos para entrar.” E é verdade, há mesmo! Por isso é que muitas vezes, quando terminado o estágio se recebe apenas uma palmadinha nas costas e um (às vezes nem) obrigado. É uma espiral recessiva e sem cerimónias. Não se pode aceitar mais o trabalho não pago! Aceitá-lo é tão vergonhoso como a sua própria existência. Falar com qualquer europeu e dizer-lhe que a maior parte dos jovens portugueses se sujeita ao estágio não remunerado é proporcionar-lhes uma valente gargalhada. Gargalhada essa que pode durar toda a noite se mencionarmos aqueles que ainda pagam para estagiar (Como é possível?). “E assim se vive em Portugal”: enquanto uns brincam aos políticos e quem vai mandando manda mal, os portugueses esquecem a importância destas “pequenas” coisas como um jovem trabalhar oito horas por dia e não ser compensado como qualquer outro funcionário. De facto ninguém debate este assunto. Onde estão os partidos políticos? Os estagiários são quem um dia pagará contas, impostos e sustentará Portugal. Se nos esquecermos de lhes transmitir uma boa escola de início, o cenário poderá ser ainda mais desastroso do que aquele em que vivemos. O estágio não remunerado é uma prática de terrorismo extremamente perigosa. Devagar e silenciosamente vai destruindo o país. É preciso travá-lo, dar-lhe a atenção que merece e, sobretudo, arranjar medidas e soluções para o aniquilar".


In Jornal Público, 12-08-2016.


domingo, 14 de agosto de 2016

Marcelo Intangível


Marcelo Rebelo de Sousa



   Quando votei em Marcelo Rebelo de Sousa votei a pensar que seria um Presidente diferente, distinto do seu sucessor e que essencialmente marcaria um tempo e uma forma de fazer política diferente em Portugal. Nunca duvidei que seria diferente, e ver que nos últimos anos em Portugal, foi talvez dos únicos a manter-se igual a si próprio antes e depois das eleições é um motivo de contentamento para todos nós portugueses. Claro que no meio deste "euforismo" presidencial saudável, há sempre quem não viva bem com isso, e, não faltam críticos desta forma de fazer política, vindos de vários quadrantes, mas para esses resta a resignação e a luta infrutífera de mudança, porque acredito que cada vez mais este será o caminho. A política faz-se para as pessoas, porque são elas indirectamente quem tutelam os cargos políticos, e esta imagem de Marcelo abraçar e a confortar um popular revela respeito pelas pessoas e que a política também se faz ali, numa palavra, num gesto ou simplesmente num abraço. 



quinta-feira, 28 de julho de 2016

Imoralidade das Sanções



Jeroen Dijsselbloem



   Vivemos tempos de indecisão política, nomeadamente na Europa, onde ninguém lidera, mas tudo quer ter opinião. Mas, quando a indecisão política se transforma em irresponsabilidade política, tudo muda e ou os Estados reagem ou, mais cedo ou mais tarde, algo acontecerá.
   Portugal cumpriu um programa puro e duro de austeridade durante anos, e, e um dos autores deste programa foi Bruxelas, que, sempre foi defendendo Portugal das medidas tomadas e elogiando o seu comportamento, apelidando mesmo de "bom aluno". Agora, devido ao défice excessivo, Bruxelas preparava-se, de uma forma absurda, incoerente e imoral, aplicar sanções a Portugal e Espanha, num jogo de perigo eminente, onde não estava em cima da mesa apenas a questão política, mas também nacional, e, poderia ser uma jogada classificada de alto risco, com consequências imprevisíveis. 
   E se isto já era um absurdo, ouvir declarações como a do Presidente do Eurogrupo, o Senhor Dijsselbloem, afirmando que se encontra "desapontado por não haver sanções a Portugal e Espanha" demonstra bem como vai esta Europa, e que tem os dias contados (pelo menos o seu modelo de gestão), uma vez que não acredito que os Estados aguentem por muito tempo estas imposições de pessoas sem credibilidade alguma e que apenas vivem diariamente no jogo da especulação financeira, onde se torna fundamental alimentar este clima e continuar a ver os países do Sul da Europa como uns despesistas e todos os outros uns bons exemplos. 
    Uma Europa que discrimina uns Estados em prol dos outros (veja-se o caso da Franca, que tem um défice enorme, mas por ser a Franca, nem sequer se falou em sanções), é uma Europa falida intelectualmente, que jamais vencerá os Estados, porque no dia em que o tentar fazer, a questão deixará de ser política e aí será o fim da Europa que já sonhamos, e que está longe do sonho.
   Uma palavra de apreço para o nosso Presidente da República e Primeiro Ministro, que sempre tiveram um comportamento nacional, de defesa dos interesses nacionais, e que não se vergaram perante uma Europa que cada vez menos defende os Estados por igual.



quarta-feira, 20 de julho de 2016

Turquia, a ambição Otomana

Osman I, fundador da dinastia Otomana



    A dúvida irá sempre prevalecer: tratou-se de um verdadeiro Golpe de Estado o que se passou na Turquia no dia 18 de Julho?
   Não é por mero acaso que a Turquia nunca conseguiu entrar na União Europeia, apesar das inúmeras tentativas aos longos dos anos, e, agora, talvez tenha sido a estucada final. Erdogan, o Presidente da Turquia, não chegou ao poder por acaso, nem esteve na prisão por uma questão de injustiça social. Se não se tivesse suspendido o processo da adesão da Turquia à União Europeia, estaríamos aqui perante um dos maiores problemas do nosso tempo, e com o perigo iminente de termos um ditador a ascender na Europa, sendo que certamente as suas aspirações seriam estar perto da liderança, como sempre o fez na Turquia, até chegar ao poder. 
   O recente golpe de Estado fez perceber que o tempo de negociações da União Europeia com a Turquia foi tempo perdido, e que o autoritarismo e a repressão exercida sobre os golpistas pelo Governo revelam que é um regresso ao passado, a um passado tenebroso, onde existem duas máscaras: a máscara do que se diz e a máscara do que realidade se faz. Erdogan sempre defendeu a Europa, e nas negociações levadas a cabo com a União Europeia prometeu respeitar as liberdades, e mal suspenderam-se as negociações, quebrou tudo o que disse e não quis saber mais disso, começando a revelar-se, e a colocar o autoritarismo, lado a lado com a implementação de uma ditadura camuflada. Sinceramente nunca se soube muito sobre estas negociações e a entrada da Turquia seria uma miragem, porque, por exemplo, como se chegaria a entendimentos na questão nuclear do Irão ou no conflito Israelo- Palestiniano, quando a U.E tem posições completamente distintas? A Turquia tem uma linha de proximidade com o mundo Islâmico, e com os antigos territórios do império Otomano, e as relações com Israel seriam sempre um problema para a U.E.
   Neste Golpe Estado, Erdogan ordenou (se já não estava combinado) a decapitação dos insurgentes e golpistas, tendo sido mortas quase 200 pessoas e perto de 5000 mil foram para a cadeia. E já veio afirmar publicamente que quer a pena capital para os Golpistas, a bem ou a mal.
   Mas, continuamos sem saber se se tratou de um Golpe de Estado, porque como é possível ter sido preparado de forma tão mal? Como é possível um exército (dos maiores da Europa) como o Turco ser facilmente dominado em menos de 10 horas e apenas ter feito o Golpe em duas cidades, esquecendo todo o restante território?
   A Turquia vive em busca do regresso da ambição otomana, de recuperar a influencia no Sudeste Europeu e no Médio Oriente de outros tempos e, não descansará enquanto isso não for uma realidade.