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sábado, 28 de janeiro de 2017

Trumpulhice



Donald Trump, Presidente dos E.U.A.



   Se hà uma ou duas medidas que foram tornadas públicas por Donald Trump que poderiam ser objecto de discussão e fazer algum sentido, todas as outras, na sua maioria, não têm pés nem cabeça e são contrárias a um modelo de democracia representativa. O modo como falou sobre os todos os imigrantes, e a forma como está já agir, impedindo a acesso de entrada, sem qualquer critério, apenas baseado numa decisão irracional, são um indício e uma prova do discurso demagógico e popular de baixo nível. A ideia é colocar um polícia por cada habitante? E o que fazer então com todos os ilegais que estão no país ou tentam ali entrar ? Acabar com eles ? Como vai ser feita essa deportação de milhares? 
   Este é o caminho errado, que nos custou milhares de anos perdidos até à II Guerra Mundial, onde imperavam discursos similares até chegar ao poder, e onde regimes autoritários concentravam na figura de uma só pessoa todo o poder, que teve os resultados horríveis que a história registou e que a todos, que temos memória, nos deve envergonhar. 
   
   

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Trump: guerra comercial?







   Quem ouviu o discurso de tomada de posse de Trump, talvez não se tenha lembrado de um presidente que tenha repetido tantas vezes a palavra "povo". Usou-a tantas vezes que no final do discurso já nem lugar existia para a mesma. E quando isto acontece, de uma forma tão pouco genuína, sem sentirmos uma forte conexão de discurso, perde e torna o discurso enfadonho e pouco eficaz. Mas quanto à substância, uma das principais ideias que está a ser posta em marcha e que deve ser motivo de reflexão (devido à sua importância) são as mudanças nos acordos comerciais internacionais, essencialmente a renegociação do Tratado Americano de Livre Comércio entre E.U.A, Canadá e México e o abandono do Tratado Transpacífico. Ainda é cedo para dizer muito coisa (porque por exemplo, no que diz respeito ao Tratado Transpacífico, irá obrigá-lo a negociar com cada país), mas faz recuarmos um pouco aos anos 30, em que medidas como estas tiveram um enorme impacto a curto prazo, mas pelo contrário, a longo prazo, foram um falhanço, porque basta ver que em 1994, a ideia do tratado de livre comércio era eliminar as tarifas comerciais entre os países, e essa eliminação beneficiou por exemplo, o aumento das exportações para Canadá e México em mais de 200%. Por outro lado, também é verdade, e não posso discordar, que a entrada da China na organização mundial do comércio não veio beneficiar os E.U.A. e causou alguns problemas, porque a China em diversos casos não respeitou e não respeita as regras do comércio mundial. E algumas coisas que Trump diz sobre a China são verdade, embora, claro, não use a melhor linguagem nem o melhor caminho para um diálogo razoável. A China tem sido alvo de várias denúncias por restrições, por exemplo, às exportações de matérias primas, provocando escassez e aumentos de preços no mercado global e conferindo vantagens à sua indústria. Uma guerra comercial não beneficia ninguém, mas perante atitude e já divulgada reacção chinesa, duvido que Trump consiga evitar, a não ser que aceite ceder, o que não parece (e neste ponto bem) , e na realidade, todos devemos questionar; a China foi ou é um verdadeiro parceiro comercial? 
   Esta questão não é tão simples nem se cinge a obrigar as empresas americanas que estão na China, por exemplo, a voltarem para os E.U.A., mas é uma importante questão levantada por Trump, que coloca o dedo na ferida, principalmente quanto à China, que tem aproveitado o comércio internacional para fazer uso e abuso, violando as regras que se comprometerem a cumprir perante todos os países.



quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Despedida de Obama


Barack Obama




   Barack Obama deixará saudades, muitas saudades. Quem assistiu à poucos dias à conferência de imprensa de Donald Trump e assistiu hoje à de Obama só pode estar preocupado, porque, por um lado, vimos a conferencia crispada de Trump, autoritária, de negação e vazio, sem qualquer respeito pelas liberdades, essencialmente a de imprensa, e com um discurso completamente confuso e de fraca oratória. Por outro lado, assistir à conferência de Obama, é logo assistir a um mestre da oratória, com um discurso agradável de ouvir, com forte presença, respeitador do ouvinte (que deve ser uma das maiores qualidades políticas, e nem todos a possuem) e sempre com uma palavra para quem está do outro lado. São pequenos pormenores, mas por exemplo, dar a palavra final a uma jornalista que já o acompanhava como deputado à muitos anos é um gesto bonito, para muitos lógico, mas demonstra a grandiosidade da pessoa e o respeito, a lembrança, o não esquecimento. E também aqui, no aspecto da valorização humana, Obama elevou a América e não é por acaso que sai com 60 % de popularidade. Não falou nem foram abordados temas como por exemplo a Síria, tendo sido pouco questionado sobre o problema dos refugiados, mas também elogio o comportamento dos jornalistas, que souberam respeitar o momento, e perceber que talvez este não fosse o momento para isso, e isso foi Obama que conseguiu fazer: ganhar o respeito de quem todos os dias está do lado de lá: para o bem ou para o mal.
    Despede-se dizendo que sai como um mero cidadão americano, equiparando-se a qualquer um, e isso aproxima-o, mais uma vez, do leque restrito de grandes políticos que ficaram na história, não por quererem gabar o seu lugar, mas por entende-lo como um mero cargo temporário, que pertence ao povo. 
   Para muitos será a despedida, mas, para mim, será sempre um até já, porque não acredito que um político como Obama continue muito tempo longe do palco da sua vida: o político. 


Interrupção discurso Obama


Barack Obama


  Estar assistir na Sic Notícias ao discurso da despedida de Barack Obama e verificar que há uma interrupção do discurso para ouvir Ricardo Salgado a sair do Tribunal X em directo é algo que me transcende e que quero acreditar que foi um mero lapso jornalístico. Mas quando pensava que afinal era mesmo um mero lapso, o directo num determinado local do país para falar sobre os alertas de frio extremo veio mesmo comprovar que talvez seja mesmo uma determinada forma de fazer jornalismo.    Mas mesmo, assim, e porque sou um optimista, vou continuar acreditar que foram meros lapsos e que não voltará acontecer. 


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Salário de 25 euros de Fidel Castro


Fidel Castro, o eterno líder e ditador cubano



   Fidel Castro, o líder que teve honras de Estado com poupa e circunstância em Cuba, escondeu uma verdadeira vida dupla por detrás da sua pessoa, Se por um lado, a maioria do seu povo viver abaixo do limiar de pobreza, Fidel continuava sempre a enriquecer. A fortuna de Fidel Castro chegou a ser colocada pela forbes ao lado de Isabel II, pincipe Alberto do Mónaco e do ditador da Guiné Eqiatorial, Teodoro Obiang. Fidel Castro desviou e utilizou uma parte considerável da riqueza nacional a seu belo prazer, colocando pessoas da sua confiança nas negociatas, mas, por outro lado, jamais declarava o que fosse, a não ser o seu salário mensal de 25 euros (900 pesos). Uma comédia pensa o cidadão comum ? Mas é bem verdade, porque Fidel reinava como monarca absoluto na sua ilha de 11 milhões de habitantes, bem à maneira e ao jeito de um proprietário de terras do século XIX. Mas como era isto possível? Bem, em Cuba, Fidel era a única pessoa que podia dispor de qualquer coisa, apropriando-se, vendendo ou dando o que lhe bem apetecesse, pois só ele podia autorizar a criação de uma empresa estatal, em Cuba ou no estrangeiro. As sociedades "fachada" criadas no Panamá estão a ser investigadas, pois era uma das formas de contornar o embargo da América. Uma das coisas que me impressionou constatar em Cuba foi que, por exemplo, um hoteleiro estrangeiro que contratavam pessoal cubano, nao pagavam ao trabalhador, mas sim ao Estado Cubano, que depois decidia atribuir uma parte ao trabalhador (sempre inferior à do Estado), o que era uma das formas de escravatura existentes ali. 
   O regime comunista imposto por Fidel começou bem cedo quando significativa origem da sua riqueza está na lei criada em 1960, a "reserva del comandante", isto é, resume-se a uma conta particular constituída por fundos retirados da actividade económica nacional, destinada ao uso exclusivo de Fidel, que a utilizava de forma indiscriminada, sem qualquer tipo de controlo. E para quem fica com dúvida acerca desta reserva, deve dissipá-las, porque para além de milhões, até um parque automóvel esta suporta, que servia, por exemplo, para oferecer viaturas a muitos dos seus munícipes (que lhe obedeciam). Embora, como qualquer regime comunista, o montante da reserva é segredo de Estado. Ficou também provado que quando Cuba recebia suvenções provenientes da URSS, Fidel ordenava que fossem retirado milhões para a reserva, em troca de petróleo. Pouca gente sabe, mas por exemplo, Fidel possuía uma marina privada, onde para além do seu iate Aquarama II e de outras embarcações, tinha uma imponente frota de barcos, e, também detinha (para além da frota automóvel da reserva) 20 automóveis de gama alta para seu uso exclusivo.
   A resistência ao embargo americano justificava tudo, e esta mentalidade de pirata das caraíbas de Fidel levou a ter que sujeitar um país à pobreza, isolados num imbondeiro ao largo de uma ilha que poderia ser muito mais que um mero país subdesenvolvido.






quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Mário Soares


Mário Soares na Adesão de Portugal à CEE em 1985




   Lembrar Mário Soares será sempre lembrar alguém que foi e será uma figura da História de Portugal, que marcou decisivamente um tempo, que nos deve orgulhar porque permite-nos hoje estar à mesa redonda a expressar livremente uma opinião, o que não era possível antes de 1974. Podemos gostar mais ou menos da figura, mas jamais poderemos desrespeitá-la ou olhar para o lado e ignorar, porque independentemente da ideologia política, estamos perante alguém que merece respeito pelo seu percurso político de luta em Portugal. São várias as coisas que me afastam do seu pensamento, mas jamais me atreveria a desvalorizar o seu papel e legado, que enriqueceu e deu luz a todos os nossos caminhos de liberdade.
   Se havia muita gente, inclusive no seu próprio partido, que ultimamente já o criticava muito, essencialmente pela sua postura sempre activa, eu acho que esse era o lado interessante de Mário Soares, o lado de quem vivia a política intensamente, com paixão, e a pensar por si. Soares esteve sempre, por exemplo, contra a política de "austeridade", e, se há uns anos, era ridículo essa sua posição, talvez hoje seja mais tida em conta e ouvida, e, talvez falte mais políticos assim que pensem pelas suas cabeças, corajosos, com paixão pela causa.

   
   

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Obrigado Marcelo




Marcelo Rebelo de Sousa

 

   Penso que, não é todos os dias que vemos um político respeitar o voto e a confiança de quem o elegeu, e, num momento em que essa prática está em vias de extinção, fico contente de poder ver que Marcelo Rebelo de Sousa é igual a si próprio. Um obrigado a alguém que, mesmo ainda com pouco tempo de mandato já fez mais do que o anterior em alguns anos, e esse algo pode ser invisível aos olhos de alguns, mas acredito que será visível à maioria dos portugueses, porque o pior cego é aquele que não quer ver, e a política de proximidade não era um direito que devia ser devolvido às pessoas, mas antes um dever de quem exerce cargos políticos, e Marcelo está a mudar um tempo, que já foi assim, e isso merece ser destacado e sem dúvida alguma que foi uma das personalidades em destaque no panorama político em 2016, e acredito que voltará a ser muito em breve, porque é aquele que melhor tem entendido e entende os portugueses.


Tempo da Escrita







   A escrita ultimamente aqui foi-se perdendo, mas com este novo ano, nasce a esperança que voltemos a encontrarmos-nos por aqui, não para mudar algo, mas sim para poder falar sem ser interrompido. Foram uns tempos em que o lugar da escrita deixou de ser a mesinha de cabeceira, mas agora com o regresso, volta a estar perto do livro e a ocupar o seu lugar habitual. Como dizia Fernando Pessoa: " Quando escrevo, visito-me solenemente". Mas, se há outra escrita que permanece em constante mutação, esta será simples, escrevendo para mim mesmo, com a consciência que, poderei não estar sozinho, mas esse nunca será um medo.


sábado, 3 de dezembro de 2016

Somos todos Chapecó


Chapecoense - 29.11.16



   Serei apenas e tão só mais um a escrever algumas palavras sentidas no meio de uma tragédia sem precedentes e que deixou tudo e todos em silencio. Palavras? Nao são bem palavras, mas sentimentos. Sentimentos de solidariedade para com um povo de Chapecó, para toda uma nação brasileira que foram um exemplo no apoio que souberam prestar às vítimas e seus familiares. É tremenda a injustiça da partida, de todas aqueles que mereciam viver aquele momento da final, e mesmo que reste pouco que se possa fazer, esse pouco deve ser o todo que possamos dar, e o povo brasileiro e de todo o mundo tem demonstrado que no momento da união, sabemos dar as mãos e estar juntos.

Fidel Castro



Fidel Castro (1959 - 2008)


   Se fosse preparada a sua morte, talvez não conseguissem passar melhor imagem do que a que foi passada através dos meios de comunicação social. Quem não conhecer a história e ligar a televisão ou mesmo ler os jornais fica completamente sensibilizado com a morte de Fidel e a sua pessoa, caracterizado por um herói do seu tempo, um líder que salvou o seu país. Mas é esta a história e merece ser lembrado desta forma? Bem, não acreditava que fosse lembrado desta forma, ocultando parte da história, e o que mais me assustou foi chegar ao ponto de se comparar com Nélson Mandela, o que só pode ser aceite em tom de comédia ou num sentido irónico. Fidel Castro foi um ditador, que chegou ao poder e a primeira coisa que fez foi assassinar perto de duas mil pessoas que eram seus opositores. Combateu o antigo regime de Fulgencio Batista, que diga-se também que era um regime corrupto e que oprimia o seu povo, e, Castro seguiu muitas das sua práticas quando chegou ao poder, como confiscar as liberdades; impedir as greves; perseguir os religiosos; fechar jornais e prender e executar ao longo de anos os seus opositores, e conta-se que assassinou milhares durante a sua era, sendo que os números públicos apontam para mais de 12 mil pessoas. Fechou o seu país, o que obrigou a saída de muitos cubanos, e, obrigou o seu povo a viver em condições miseráveis, equiparáveis a muitas regiões de África.
   Disse sempre: "a história me absolverá". Nao sei se a história o irá fazer (tenho dúvidas), mas tenho a certeza que na história ficará registado a memória de um homem que foi um ditador brutal, e, que podia ter feito muita coisa de diferente, e, essencialmente, ter desenvolvido o seu país e respeitado os valores de uma nação como Cuba, o que não aconteceu. 


domingo, 27 de novembro de 2016

Churchill


Winston Churchill



   Falar de Churchill é sempre falar de história e do mais enriquecedor que tem a política, é falar de alguém que sempre foi em busca do seu pensamento, independentemente do partido a que estivesse ligado. Foi dos maiores e mais extraordinários oradores da história, e talvez dos poucos políticos cujas intervenções os correspondentes das agências noticiosas tinham ordens para reproduzir na íntegra, e só no Parlamento britânico foram mais de 500 discursos, que a maioria já pude ler, e são deliciosos. Em mais uma das minha incessantes buscas sobre Churchill, encontro uma das suas grandes reformas foi a introdução das pensões de velhice, que espantou toda a gente, ao mesmo tempo que foi a primeira vez que milhões de operários mal remunerados obtiveram meio dia de descanso por semana. Movia-o uma genuína compaixão pelos membros mais desafortunados da sociedade, uma intensa convicção de que era possível tornar a sociedade mais humana e também mais eficaz. 
   Isto revela, mais uma vez, que pertencer a um partido ou ser próximo de uma determinada ideologia não deve impedir o livre pensamento de cada um, e se Churchill foi alguém que ficou na história de uma forma nobre, não foi por ter mudado várias vezes de bancada na Câmara dos Comuns Britânica, mas sim por ter sido fiel aos seus livres pensamentos, e sempre que entendia que devia ser dada protecção a um sector desprotegido da sociedade, soube fazê-lo, sem ficar "atado" intelectualmente ao pensamento horizontal do partido e ser uma "vassoura" nas fileiras do partido.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Sinto-me envergonhado


Crime de Violência Doméstica




   Impressionante escutar os números da violência doméstica em Portugal. O que faz uma mulher estar com alguém que a trata mal? O que leva uma mulher a não denunciar às autoridades uma pessoa que a trate mal, sendo um crime público?
   A APAV (Associacao Portuguesa de Apoio à Vítima) recebe em média 49 queixas diárias, a maioria são efectuadas por mulheres jovens. Hoje, menos que noutros tempos, a justificação para não denunciar estas pessoas às autoridades diminuiu, uma vez, que trata-se de um crime público, e nem sempre foi assim, e quando não era, em média as denúncias aconteciam após 20 ou 30 anos de vitimizacao, na maioria dos casos quando apenas os filhos já tinham saído de casa.
   Já evoluímos e continuamos a evoluir, mas os números mostram que ainda estamos longe e precisamos de continuar a trabalhar e evoluir para combater este flagelo. Talvez não chegue dizer que é preciso denunciar. É preciso mais informação, mais conhecimento, maior punição, mais apoio, e continuar a colocar meios no terreno que permitam a todos, em especial às mulheres perceberem que têm meios para estarem protegidas, e poderem livrar-se do "traste".
   Indissociado destes números não pode estar um cada vez maior e preocupante déficit moral, que também devemos combater, porque os valores são essenciais para o convívio e a boa integração na sociedade, que, infelizmente, cada vez mais que olhamos para o lado, percebemos que temos de inverter este déficit moral e reconstruir uma sociedade com valores bem definidos, que possam primar e ter por base uma sociedade com uma educação fincada nesses valores tradicionais.
   É inaceitável que hoje em dia, em pleno século XXI, haja tantos homens que mal tratam as mulheres, e, que o crime de violência doméstica continue a figurar no topo dos crimes praticados em portugal. Eu sinto-me envergonhado. 


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Obama, um legado incomum


Barack Obama, 44. Presidente dos E.U.A


   Era o dia 20 de Janeiro de 2009, e lembro-me como se fosse hoje. Nesse dia encontrava-me na FEUP e havia um grande ecrã gigante à entrada da biblioteca onde todos poderem assistir ao momento da eleição de Barack Obama. Foi e será sempre um dia histórico, um discurso histórico, uma pessoa histórica.
   Havia a esperança espelhado nos rostos das pessoas, havia pessoas a chorar um bocado por todo o mundo, havia um sentimento mundial de humanidade partilhados por todos nós, ou pela maioria. E era um bom sentimento. 
   O "wes we can" e a forma como Barack Obama conseguiu ganhar, primeiramente, as primárias, e posteriormente a eleição a John MacCain, foi um exemplo a seguir na política, porque foi uma campanha que ganhou genuinamente nas ruas e a angariação de dinheiro que se conseguiu com doaccoes de gente de toda a América foi algo que ficará sempre na memória daqueles que adoram e apreciam a política, a política pura e transparente. Barack Obama mudou a forma como se fazia política ao nível da comunicação com as pessoas, e colocou a comunicação política no lugar certo, perto das pessoas, numa linguagem que todos entendiam, e um respeito por aqueles que lhe deram o voto.
    Olhar hoje para o legado de Obama é olhar para um tempo onde a política fez-se por amor e dedicação, que hà muito não assistíamos. Obama trouxe humanização à política, há muito que era necessário, uma certa "limpeza" ao ambiente político, e, isso deve ser louvado, porque vivemos num tempo onde isso não é sequer pensado, muito menos praticado, e todos os sinais apontam para o contrário. Mas o seu mandato foi apenas esse lado pessoal, esse lado "intuitu personae"? Nao, também existiu o lado político (coisas boas e menos boas), mas desligar este lado do lado político seria um erro.
   A nível político, recebeu o país numa tremenda recessão económica com 10% de desempregados e deixa o país com menos de 4% de desempregados. A América cresce 3,5% por cento, prevendo um crescimento maior ainda este ano. Fez o Obamacare, que estendeu os cuidados de saúde aos mais pobres; acordo nuclear com Irão; acordo com Paris sobre as alterações climáticas; aproximação histórica e o retomar das relações diplomáticas com Cuba (o famoso "aperto de mão" a Raúl Castro no funeral de Nélson Mandela). Lembro-me também da nomeação da Juíza Sónia Sottomayor para o Supremo Tribunal como algo também histórico, pois nunca antes um hispânico tinha ocupado um lugar no Supremo Tribunal Americano. Claro que houveram também coisas menos boas, como a ineficácia no combate ao Daesh; o fracasso na lei das armas e a má relação diplomática com Rússia, mas também neste último mandato as dificuldades aumentaram, devido ao facto de não conseguir passar algumas leis no congresso. E vai deixar a América com uma integridade pouco comum, hoje em dia, na política, ou seja, sem escândalos.
  Para mim foi e será sempre dos melhores presidentes que os E.U.A. tiveram e há algo que jamais poderá ser esquecido: Obama mudou a forma de fazer política e isso é um dos seus maiores legados, um legado incomum. Ainda hoje ao ouvir o seu discurso na Alemanha, no encontro com Angel Merkel, pensava: "Que saudades vamos ter destes discursos, desta forma de fazer e olhar a política".

  

Legitimidade de Quintino Aires


Quintino Aires



   Hoje questionaram-me o que pensava sobre Donald Trump. Uma das questões que me colocaram foi o que pensava que poderia acontecer depois da eleição de Donald Trump. Sinceramente, acho que depois desta eleição, uma possível candidatura de Quintino Aires a qualquer cargo presidencial ou governativo ganha uma certa legitimidade.

sábado, 12 de novembro de 2016

Dr. Rui Silva Leal


Dr. Rui Silva Leal



   Foi sem dúvida, um dos melhores professores que tive, e para além de ser uma grande pessoa, é um extraordinário advogado. Neste momento é advogado de Pedro Dias, a par da sua mulher, Dra. Mónica Quintela, e custa-me ouvir colegas criticarem actuação de outros colegas, e principalmente, quando em causa está um dos melhores advogados do país na área do crime. Acho que fica sempre mal a um advogado criticar ou duvidar de algum colega ou da sua estratégia, e aqui, ontem tive oportunidade de ouvir o Doutor, colega e estimado professor Rui Silva Leal a comentar a razão de terem acautelado a entrega do presumível homicida, e é perfeitamente justificável e inteligente a sua decisão, e mesmo que assim não fosse, todos temos respeitar seu trabalho, porque é dos melhores nesta área, e não tenho dúvidas que para aceitar o caso, é porque acredita que há algo susceptível de defesa.


Trump


Discurso de vitória do 45. Presidente dos E.U.A.




   Talvez, um dia quando se contar a história de 2016, vamos lembrar que estivemos na presença das mais fracas eleições presidências americanas que há memória, com dois candidatos de popularidade muito baixa e onde se discutiu tudo, menos política. Surpreendeu-me, mais por Hillary Clinton, porque esperava mais. No meio disto, houve a vitória de Donald Trump, e, agora? Para onde vai a América?
   Uma noite ao estilo americano, mas desta vez, com o medo de afirmar que o vencedor era Donald Trump. O comportamento, no mínimo e forma elogiada, ridículo do porta-voz de Hillary Clinton pedindo ás pessoas para irem para casa quando às 6 da manha já era visível a vitória de Trump foi o espelho do desastre eleitoral dos democratas. Mas como foi possível este resultado acontecer? 
   Hillary Clinton é uma grande pessoa, mas, teve e tem o problema de não ter conseguido fazer política para todos os americanos, e tocar nas pessoas, porque a mensagem não passou. Quando estive em África, tive oportunidade de conhecer Hillary Clinton, quando esta veio anunciar a extensa do programa "Millenium Change Account", que consistia no financiamento para o desenvolvimento das zonas mais pobres em Cabo Verde. Aí conheci uma pessoa fantástica, de um trato soberbo, com uma urbanidade contagiante e uma sensibilidade arrepiante, com carisma e com um futuro muito promissor, que cativava quem ouvia e escutava suas palavras. Isto para dizer que a partir dali, passei a admirar a pessoa Hillary Clinton.
   Mas, infelizmente, nesta campanha não esteve bem, e fez opções discutíveis, bem como afastou-se do eleitorado, numa estratégia política pouco eficaz. Quem gostou de a ver a dar comícios diariamente rodeada de famosos? Será que isso angariou votos? Eu não gostei. Na minha opinião, fez-la perder e muitos, porque uma coisa, é aparecer uma vez, outra coisa, é aparecer todos os dias. Quem gostou de a ver rodeada das elites, e, insistentemente, aparecendo com o marido a seu lado? Foi um erro, porque a classe que mais vota é a classe média, e essa é uma classe devastada pela crise, e, mesmo que não precisasse de se desligar das elites, devia ter tido outro cuidado nas aparições públicas, e não teve, e isso foi uma das coisas que custou-lhe a eleição. Nunca conseguiu com que fossem transmitidas mensagens políticas fortes, e deixou-se mergulhar nas águas de Donald Trump, onde o discurso deslizava para a demagogia e o populismo cego.Foi demasiado suave na luta política, e mostrou-se demasiado permissiva para uma América que quer alguém decidido e que mostre bem o que quer fazer. E o discurso de continuidade, sem ideias novas, e sobretudo sem a palavra "mudança", foi o seu maior erro, porque nunca prometeu mudança, e a América isso nao lhe perdoou.
   Trump teve a sorte de ter do outro lado uma candidata de continuidade e que nao esteve bem, que permitiu que alguém  como Trump pudesse ser hoje presidente dos E.U.A. Aqui a estratégia foi oposta da de Hillary, e, desde do início, que a palavra "mudança" estava no seu discurso e foram várias as promessas. Desde de impedir a entrada de muculmanos e expulsar 11 milhões de clandestinos que vivem no país; a construção de muro na fronteira do México para impedir a entrada dos violadores; a ordem para mandar prender Hillary; prometeu acabar com ISIS em um mês; acabar com o Obamacare; etc. Será que vai cumprir o que prometeu? Quanto a Hillary duvido muito, e será demagogia pura e dura, e o discurso de vitória (que foi dos mais fraco a que assisti politicamente) já antevê que isso não vai acontecer e, seria , obviamente, um disparate, porque América ainda é uma democracia e tem órgãos próprios para emitir mandatos ou julgar as pessoas, e jamais seria o Sr. Trump a mandar prender alguém. Sinceramente, acho que não irá cumprir maior parte destas promessas (contaremos pelos dedos o que conseguirá) , até porque, o congresso e o senado não permitirão, e, mesmo que o congresso seja Republicano, não podemos esquecer que é um partido fracturado, e que deixou de apoiar Trump a meio da sua candidatura. Mas por muito demagógico e populista que seja o seu discurso (e em parte, perigoso), não podemos deixar de atribuir um certo mérito político, e não devemos cair no erro como fizeram maior dos órgãos norte-americanos, de ignorar a sua vitória, que foi carimbada pelo povo americano. Trump dirigiou-se e falou muito para a classe média, que representa a maioria, e expressões como "drenar o pântano", caíram muito bem nesta classe, que está descontente com o sistema político e urge por uma mudança, e Trump prometeu ser esse espelho, essa esperança. Esta expressão "drenar o pantano" é curiosa, porque é um alusivo contra o sistema e elites, quando na verdade Trump sempre representou, representa e viveu e vive com essas elites, e, esta é mais uma das suas demagogias, mas que muitas das classes para quem falou, não se apercebem disso, e infelizmente, basta-lhes ouvir bonitas palavras. 
   A América merecia mais e melhor, e, se necessitamos de pessoas longe dos actuais sistemas (que é uma boa verdade, e também necessitamos a nível europeu), também necessitamos de pessoas longe de sistemas autoritários passados, que assombraram a vida de milhares de pessoas. Mas, quero acreditar, porque a vida assim faz mais sentido, que Trump poderá fazer o mesmo caminho que Ronald Reagen, que também foi pouco amado na campanha para a Casa Branca, e depois tornou-se num dos melhores presidentes de sempre da América, mas espera, ninguém acreditou nesta última parte pois não?



sábado, 15 de outubro de 2016

Amigos Sírios












   Gente humilde, gente que vive o drama de viver sem saber onde estão seus familiares, se estão bem ou mal, sem saber onde vão ficar, que procuram estabilidade, procuram apenas alguém que os receba, porque também querem viver, viver longe do local que um dia já lhes pertenceu, mas que hoje é uma palco de uma guerra, que jamais podemos adivinhar quando terminará, sem saber se já começou, mas com uma certeza: nunca voltará a ser a mesma Síria. Desde da final do Euro 2016 que ganhei uns amigos, ganhei relatos de pessoas extraordinárias, que procuram o mesmo que nós, e pedem apenas que lhes deixem viver. Hoje, foram vários os Sírios que se juntaram para apelar ao fim do conflito na Síria, e, foi emocionante ouvir alguns relatos, experiências de quem perdeu tudo e não sabe dos seus familiares, e a força de vida, a vontade de, mesmo depois de tudo, ainda querer lutar e vencer na vida.



quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Felicidade por António Guterres


António Guterres - Secretário Geral da ONU



   É uma felicidade poder ver que, foi feita justiça e António Guterres é o novo Secretário Geral das Nações Unidas, por aclamação. 
   No início deste processo, poucos acreditavam que seria possível, uma vez que a história contava que no momento em que os membros permanentes anunciassem o sentido do seu voto, tudo mudaria, e tudo apontava para que o voto não fosse em António Guterres. Até o próprio Presidente da Comissão Europeia, Junker agora felicita e envia uma carta com um coração no final a António Guterres, quando apelou ao voto em outra candidata, sob influencia Russa. Bem, aqui o papel dos Estados Unidos foi determinante, e talvez tenha sido o papel de Samantha Power, a embaixador dos Estados Unidos, que tenha deixado pouco margem à tentativa Russa de escolher uma mulher da Europa de Leste. António Guterres está no cargo com todo o mérito e sem sombra para dúvidas a melhor pessoa para o mesmo, e não havia nenhum outro candidato na corrida que chegasse ao seu valor e experiência, e para além disso, fez uma campanha impressionante, elogiada em todo mundo, tendo os Estados Unidos apelidado mesmo de uma "campanha impressionante, sem precedentes". 
   O mundo enfrenta vários problemas, e precisamos de um homem de diálogo, e, António Guterres é essa pessoa, e os seus 10 anos de Alto Comissário para os Refugiados, bem como toda a sua experiência nacional e internacional acumulada, fazem dele uma pessoa que a todos nos devem orgulhar, essencialmente portugueses.

Evitar o Táxi






   Contra a Uber? Contra o Airbnb? Contra o Uniplaces? Contra todo e qualquer tipo de concorrência empresarial? Protestar é um direito. Agredir e ofender é crime.
   Hoje, ao ver, uma vez mais, o protesto dos taxistas contra a Uber e Cabify, percebi, mais uma vez, que devemos apoiar o surgimento de mais Ubers e mais Cabifys, porque esta forma de "ditadura" sectorial tem de acabar, principalmente quando o alvo atingir são empresas que estão alheias à jurisdição dos países em causa, sendo essa uma responsabilidade dos governos nacionais, e não das empresas, que livremente, e porque é um direito seu, operam nos mercados de trabalho, respeitando todas as suas regras. Se é verdade que pode haver argumentos plausíveis por partes dos taxistas para dialogar, será ainda mais verdade que optar pela violência faz cair qualquer tipo de argumentação. E, quando se protesta contra pessoas que estão a fazer o mesmo trabalho que os protestantes, é no mínimo ridículo, porque aqui, a haver diálogo esse terá sempre de ser com o Governo, porque é quem tem poder para mudar ou alterar qualquer tipo de legislação em vigor, ou mesmo, proibir, como em certos países, a Uber de actuar, o que na minha opinião, seria um erro.

   

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Elogio a António Guterres


António Guterres



   António Guterres merece o elogio de todos, essencialmente dos Portugueses, pela excelente campanha e representação de Portugal na candidatura a Secretário Geral das Nações Unidas. Tive oportunidade de assistir à maioria das suas intervenções e foram muito boas, com um discurso transparente e com qualidade, de quem percebe que um próximo presidente tem de ser um congregador de forcas, e, conseguir enfrentar os desafios globais com que nos deparamos, sendo um dos maiores o dos refugiados, onde tem 10 anos de experiência no terreno. Mas, mesmo após ter vencido 4 votações secretas para o cargo, pode não ser suficiente, porque os votos que irão decidir serão os dos membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (E.U.A.; Reino Unido; Rússia, Franca e China). A Rússia já veio dizer que quer uma pessoa da Europa de Leste, para além da pressão internacional em torno de que seja uma mulher a assumir o cargo, como tem defendido o actual secretário geral, por exemplo. Espero que não, porque António Guterres não merecia esse tratamento, mas está tudo a ser preparado para que na próxima eleição seja indicada uma pessoa (provavelmente da Europa de Leste) e que seja uma mulher. O problema de António Guterres é que não tem apoios de peso, e isso será determinante para suceder ao cargo. Se até agora países como o Reino Unido, ou a própria China (que viu Macau ser transferido para o seu país quando António Guterres era Primeiro Ministro de Portugal em 1999)  não apoiaram a sua candidatura, duvido que o façam brevemente, e, será uma questão de tempo até apresentarem um candidato que que já há muito está em mente, mas estará guardado para próxima votação, onde os seus votos serão decisivos. Esperemos, mais uma vez, que assim não seja, mas todos os indícios apontam para esse caminho, que poderá não ser o melhor.