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sábado, 25 de abril de 2015

Elogio

   
Cerimónias do 25 de Abril




   Hoje, o Presidente da República (num discurso pouco entusiasta) fez um apelo que devia mesmo ser seguido pelos nossos governantes: criar condições para trazer os jovens de volta a Portugal. Talvez tenha sido o maior erro do país, quando deixou fugir e continua a deixar os jovens de poderem fazer as suas vidas em Portugal. Mas só há uma forma de tal acontecer: fazer reformas, que foram prometidas mas não avançaram nem foram executadas. Porque enquanto não forem feitas reformas, como por exemplo, a tão aguardada reforma do Estado, a mudança será lenta e demorará anos acontecer, porque vai moldando-se à realidade, que é igual em certos sectores há anos. 
    


25 de Abril: céu com nuvens

 
25 de Abril




    Não foi apenas um dia, não foi apenas mais uma sessão, não foi apenas mais um jantar, não foi apenas mais um discurso, não foi apenas mais um feriado, foi o 25 de Abril, um dia que mudou Portugal para sempre, mas que passados 40 anos, é desejado pela maioria, e ocultamente indesejado por alguns dissidentes que se escondem por trás das nuvens. As nuvens existem e ignorá-las é perigoso, basta domesticá-las e impedir que as mesmas causem estragos, porque o céu limpo foi a nossa maior conquista, e custou-nos anos de ditadura. 



sexta-feira, 24 de abril de 2015

Autoritarismo ou Infelicidade

  







   A um dia do 25 de Abril, será que podemos mesmo dizer que há quem queira assombrar o significado desse dia e talvez apagar a história? Ou antes, terá sido uma mera infelicidade de um grupo de pessoas, que no momento do pensamento, não conseguiram ir além às 4 paredes que os rodeavam?
   O debate surge em detrimento do novo diploma sobre cobertura jornalística das eleições e dos referendos regionais, que seria uma espécie de fiscalização aos meios de comunicação social, que iriam ter de enviar um plano antes do início da campanha eleitoral e isso seria avaliado por uma comissão mista. Bem isto infelizmente, mostra que afinal o país não deve apenas se preocupar com os "discursos populistas" como forma de chegar ao poder e aplicar censura e regimes piores que a democracia. Isto revela, a ser verdade, que o perigo pode estar também mesmo entre "alguns" (porque devem ser ressalvados os que não seguem tal linha) deputados da nação, que de forma "camuflada" e pouco transparente, se escondem atrás dos diplomas para tentar mudar algo, que jamais conseguiriam dando a própria cara.
   Mas, também duvido que tal diploma fosse sequer constitucional, pois o princípio da liberdade de imprensa consagrado no artigo 38.º da C.R.P  (Constituição da República Portuguesa) impediria que tal acontecesse, bem como o princípio da liberdade de expressão consagrado no artigo 37.º da C.R.P. E até quem pensou em tal diploma esqueceu por momentos tais direitos.
   Perdoe-se tal esquecimento, rasgue-se o diploma e vamos acreditar que tratou-se de uma infelicidade e o fato de amanhã ser 25 de Abril não passou de uma mera coincidência.
   

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Lampedusa

  
Imigrantes Ilegais a chegar à Itália




   São 02:40 da madrugada e mais um barco tenta chegar a Lampedusa, será que chega com sobreviventes? 
   Em outrora, eram os eritreus e afegãos. Hoje são os sírios que tentam fugir à guerra civil que assola o seu país, arriscando as vidas, porque a alternativa não existe. Foi em 2011 que a Europa ficou "gelada politicamente" perante o flagelo dos milhares de tunisinos que chegavam aquela ilha. Em 2014, a Itália recebeu mais de 140 mil imigrantes ilegais, sem contabilizar os que não chegaram. Até quando a Europa vai continuar a fechar os olhos a este problema e, ao mesmo, tempo desafio europeu?
   A Europa tem dito que é difícil lidar com tantos imigrantes a tentar entrar no continente europeu, mas por exemplo, têm ideia que só o Líbano recebe mais refugiados que toda a União Europeia? Não serão necessárias medidas de salvamento imediatas, em vez de insistir-se em programas de acção comunitários que tardem em aparecer, ao contrário do número de imigrantes, que aumentam a cada dia que passa, e sem solução à vista?
   Recentemente, a União Europeia reagiu aos maus-tratos aos imigrantes no centro de acolhimento destes em Lampedusa, onde inclusive alguns foram obrigados a ficarem "nus" perante as autoridades para desinfectar suas roupas, ameaçando a Itália com acção nos tribunais. Mais uma vez, a Europa, reage tarde e de forma fraca e que não resolve o problema. 
   Ainda hoje, foi noticiado que foram resgatados imigrantes queimados junto à ilha de Lampedusa.
   É incrível, que a Europa continue assistir de forma passiva ao problema central da imigração ilegal, e, no concerne aos problemas que daí advém, como por exemplo, o caso dos centros de acolhimento destes imigrantes, tenha reacções de conflito, que são uma pura consequência da sua falta de acção, e só acontecem por não agirem e não tomaram medidas de prevenção e salvamento imediatas.
   Enquanto a Europa não reage, esta noite mais um barco tentará chegar a Lampedusa.




quinta-feira, 2 de abril de 2015

Visita a Unidade de Cuidados Continuados Santo António

    

Cuidados Continuados






    É a área onde o país mais sofre, onde as pessoas mais sofrem, e sempre que é preciso que um cuidado de saúde para salvar uma vida esteja próximo, esse cuidado tem de estar próximo e tem de estar disponível. O primeiro e mais importante dos bens é a saúde. Se há área em que o Estado não pode prescindir dos direitos básicos a todos que deles precisam essa área é a área da saúde. Não conhecia a Unidade de Cuidados Continuados Integrados de Santo António em Barcelos, e, após uma visita que fiz a uma estimada amiga, percebi a importância de se investir nestas unidades, porque estamos a investir nas pessoas, e porque são cada vez mais as pessoas que precisam destes cuidados. 
    Ouvir, por exemplo, uma mãe que deixou de trabalhar há 10 anos, em virtude de um filho ter ficado completamente paralisado, e ter de fazer 2 horas de autocarro diárias para o visitar, e, agora com esta nova unidade, poder tê-lo mais perto de casa, faz acreditar que é possível evoluirmos e garantirmos mais dignidade e esperança de vida. Não podemos querer uma sociedade que permite que haja uma pessoa que vá para, por exemplo, 300 quilómetros longe de casa, e que, para além de, na maioria dos casos, ter de sofrer pela sua doença, ter também de sofrer porque não tem os seus familiares ou amigos próximos de si.
     A vida não dura sempre. Não podemos esquecer que aquilo que toca aos outros, também nos irão tocar um dia, e, quando vemos unidades destas de pé, como o caso desta, devemos agradecer à Santa Casa da Misericórdia de Barcelos e ter esperança que mais sigam o exemplo, sempre para melhor, e sempre a pensar no outro, naquele que sofre e sofre muito. 


Jorge Coelho: Dissidência ou inteligência?

 
Jorge Coelho



   Antes demais, o regresso de Jorge Coelho à política é de louvar , porque o seu percurso enriqueceu a política, pois basta lembrar quando assumiu as suas responsabilidades políticas pela tragédia em Castelo de Paiva, em 2001, demitindo-se das funções governativas e pedindo a abertura de um inquérito. Foi por mero acaso, e numa feira do livro, na apaixonada área política que me deparei com o seu livro e digo que fiquei mesmo surpreendido pelo que vi escrito ali, não só pela luta que travou com a doença grave que teve, mas essencialmente pela forma genuína e sincera da sua escrita.
   As suas recentes palavras criticam ferozmente François Hollande, o presidente Francês, onde o mesmo afirma que as suas políticas são um fracasso e um desastre, e que jamais podem ser seguidas, porque os resultados estão à vista. Estas palavras surgem também num momento após a visita de António Costa a Hollande, que até no calendário e agenda política tem pouca habilidade, pois Hollande é um derrotado em França e na Europa. 
   Talvez fosse bom o PS ouvir mais o Jorge Coelho, porque sem dúvida não estamos perante uma voz dissidente, mas sim uma voz inteligente.
   


quinta-feira, 12 de março de 2015

Violência Doméstica: fim ao hábito

 
Denuncie a violência doméstica




    No dia 8 de Março, comemorou-se o dia da mulher, um dia com significado e representa uma luta histórica, ao mesmo tempo, que, a violência doméstica continua aumentar e a ser o crime que mais assola o nosso país. Em pleno século XXI, será admissível continuarmos a assistir a mulheres (as que mais são vítimas) terem de sujeitarem-se a serem agredidas, física e/ou psicologicamente por homens?
   Em Portugal, a violência doméstica exercida sobre as mulheres representou, infelizmente, um "costume" (uma prática que era constante), um hábito, onde a sociedade aceitava que isso acontecesse, em virtude do poder exercido pelo homem sobre a mulher, que hoje cada vez mais começa a ser partilhado, mas ainda longe de atingir a igualdade.
    A última vez que lidei com um caso de violência doméstica, a pessoa chorou à minha frente e tinha medo de fazer o que fosse, porque do outro lado estava uma pessoa agressiva, que "habituou-se" a ser assim, a ter uma relação de poder absoluto sobre a outra pessoa; "habituou-se" a falar alto; "habituou--se" a ser mal-educado; "habituou-se" a desvalorizar quem tinha a seu lado; "habituou.se" a decidir; "habituou-se" a não ouvir um "não"; "habituou-se" a ter sempre presente a pessoa que agredia; "habituou-se" ao hábito.
     Mas será um "costume" de idades, que apenas está reservado a certas gerações?
   Se partilhar um caso de uma mulher de 25 anos que, após uma discussão com o namorado, o mesmo lhe atirou um "candeeiro" à  cabeça, tendo de ser hospitalizada, percebe-se que não é um problema apenas de gerações, embora reconheça que houveram gerações onde esse hábito era assustador e completamente aceite pela sociedade, onde ninguém abordava o tema e o mesmo não era crime.
    Devemos continuar a lutar para que acabe o "hábito", porque é inadmissível a sujeição a tal hábito, porque nada justifica os maus tratos físicos ou psíquicos. Pegue no telefone e denuncie, não tenha medo. Basta ligar à polícia e denunciar, não é preciso fazer queixa, porque é um crime público.
   

sábado, 7 de março de 2015

BES - Parte IX (Amnésia Seletiva ou Síndrome de Korsakoff)

   






   Ninguém se lembra de nada quando vai à comissão de inquérito ao BES na Assembleia da República. Será amnésia natural, seletiva ou mesmo Síndrome de Korsakoff?
   Na verdade, esta incapacidade de não se lembrarem dos acontecimentos ocorridos em determinado tempo é preocupante, porque esta doença pode causar a morte. Se lembrarmos as inquirições de Moreira Rato ou Zeinal Bava, no mínimo, uma amnésia seletiva ou mesmo Síndrome de Korsakoff (um tipo de amnésia muito grave). Este Síndrome pode mesmo atingir o seu grau máximo, quando, por exemplo, se comprove que um doente confunde a sua mulher com um chapéu (como já aconteceu com um doente que padecia de tal doença). Mas, porque razão a doença só se manifestou após a queda do BES? E como é possível, após a fraude e burla comprovado a milhares de clientes, não haver ninguém atrás das grades? 
   

sexta-feira, 6 de março de 2015

Portugal: 5ª Economia mais lenta do mundo?

   






   Talvez fosse o momento de perceber que a burocracia em Portugal ainda continua a ser o principal problema no país para quem tenciona investir e isso atrasa-nos. Um dia, o presidente do Grupo Pestana disse que no tempo em que construía um hotel em Portugal, construía 5 ou 6 noutro país (deu o exemplo do Brasil), e disse que se o processo fosse menos moroso, investia mais no país. Uma das coisas boas que aconteceu no governo de Sócrates foi o Simplex, e mais medidas e programas destes seriam bem vindas. Seria bom que se tentasse perceber as razões que levam os empresários a investir noutros países e não em Portugal, e as principais dificuldades dos empresários portugueses (suas queixas e o que podia melhorar), porque, caso contrário, continuaremos a ser uma economia de país sub desenvolvido.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Chris Kyle

Chris Kyle, em combate no Iraque onde esteve de 1999 a 2009




   Fez-se Justiça ao condenar-se Eddie Routh a prisão prepétua sem possibilidade de liberdade condicional, após matar Chris Kyle, o "Sniper Americano". Este ano os Óscares desiludiram, não por surpresa ou admiração, mas sim por uma questão de justiça e talvez de mudança, o filme "Sniper Americano" merecesse mais e a prova disso é o facto de o filme ter batido recordes de audiências. O filme é muito mais que um filme, é um exemplo de luta e sacrifício por um país, de quem dá a vida pela sua nação. É incrível saber que Chris Kyle, o "Sniper Americano", a denominada "Lenda Americana" (por ter sido o atirador de elite mais letal da história militar americana) , não morre em combate (por sorte), e, após 4 missões no Iraque, tendo-se retirado em 2009, acaba por falecer morto por um colega seu, Eddie Routh, com seis balas. 
   Por vezes, esquece-se e não se dá valor a estes combatentes, e, é doloroso ver alguns que ficaram paralisados, com diversas incapacidades para a toda a vida a passar dificuldades, quando é obrigação de um país e de uma nação valorizar estes homens, que dão a vida pelo país e isso é um lugar que está apenas reservado aos heróis.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Boa Posição da JSD

   
Ordem dos Advogados






   Recentemente, a JSD, na voz do seu presidente, Simão Ribeiro, veio defender a mudança das regras no acesso à ordem dos advogados, onde aponta o dedo às taxas e emolumentos desproporcionados, aos estágios não remunerados e exames de acesso que avaliam conhecimentos já avaliados. É de aplaudir esta tomada de posição da JSD, do seu presidente, pois, infelizmente, cada vez mais vivemos num tempo de corporativismo, em que entende-se que deve-se proteger os que já exercem as profissões e vedar o acesso aos jovens. Sempre defendi e não vou deixar de defender que as regras que hoje existem na ordem dos advogados, impostas pelo anterior bastonário Marinho e Pinto são um "absurdo", porque jamais avaliam os conhecimentos que deviam avaliar (os académicos porque estamos a falar de jovens que saem das faculdades) e porque esses conhecimentos que deviam ser avaliados já são avaliados nas faculdades. É cómico ouvir a atual bastonária afirmar "que estes exames são necessários para a formação de bons profissionais", insinuando que as faculdades não fazem o seu papel, porque na verdade este é um ataque às faculdades. Mais, a bastonária defende que o advogado tenha de possuir mestrado para entrar a ordem dos advogados, o que, mais uma vez, mostra que é o "vale tudo" para impedir o acesso à ordem. Mas alguém acredita que uma pessoa com mestrado possa ser melhor advogado do que um colega que não tenha mestrado? No máximo, pode ser melhor numa área específica, mas não significa que vá ser melhor nas restantes áreas, porque a ideia do mestrado é a pessoa especializar-se, e, tem uma vertente pouco prática e mais académica, quando a advocacia é puramente prática e aquilo que tem de teoria, na maioria das vezes, um licenciado com estudo consegue estar à altura. Por exemplo, eu tirei uma especialização na área do direito societário (empresarial), mas isso significa que vou ser melhor advogado por ter este mestrado que um colega que tenha apenas licenciatura? Não acho, posso ser melhor e aí tem lógica na área do direito societário, mas isso não deve ser um critério para impedir o acesso à profissão ao colega do lado, por não ter essa especialização.
    Voltamos ao mesmo, que é basicamente procurar barreiras para impedir o acesso dos jovens à profissão, e isso é um retrato do tempo, que esperemos que mude. 


sábado, 21 de fevereiro de 2015

Manuela Ferreira Leite?

   
Manuela Ferreira Leite




    O PSD tem avançado candidatos atrás de candidatos para as eleições presidenciais, e o pior é que os seus próprios "eventuais" ou "forçados" candidatos também não têm facilitado a vida ao partido. Há uma coisa na política que é muito comum: no início de uma carreira política ninguém se atreve a desobdecer ao partido ou a colocar-se à frente deste, mas quando a carreira política já é longa ou já não precisam do partido, aí já tudo muda e há até quem vá mesmo contra o partido e suas decisões. Ultimamente Manuel Ferreira Leite tem sido mais uma voz crítica à atual liderança do PSD do que uma apoiante e, recentemente, quando a mesma deixou no ar a hipótese de ser candidata a Bélem, só pode ser uma brincadeira. Marcelo Rebelo de Sousa já veio dizer que a mesma reúne as condições, mas é ela e mais umas centenas de políticos, se formos a ver por esse prisma. Porque na verdade a principal condição é: conseguir votos, e essa jamais a mesma reúne, depois da sua fraca passagem na política. Mas isto é preocupante, porque se Manuel Ferreira Leite pode ser uma candidata à Presidência da República, será que em breve, e por este andar, vamos ouvir, por exemplo, o nome de Carlos Abreu Amorim? 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Extraordinário D. Manuel Clemente

  
Dom Manuel Clemente




 Se há pessoas que merecem estar onde estão, D. Manuel Clemente é uma dessas pessoas. Qualificar D. Manuel Clemente é muito difícil, porque estamos na presença de um enorme ser humano, de uma pessoa fantástica e a quem todos devemos estar gratos, porque temos ali alguém que vai fazer a diferença, como já fez por onde passou, pelo Porto. Há alguém no Porto que esqueça D. Manuel Clemente? Não acredito, porque fez um trabalho extraordinário e esteve presente junto dos que mais precisavam, porque ele é assim, e isso é das suas maiores virtudes, saber estar perto. Quando me lembro do Papa Francisco, se há pessoa que tem semelhanças essa pessoa é Dom Manuel Clemente, e arrisco mesmo dizer, que no dia em que houver sucessão e se Dom Manuel Clemente estiver presente, será sem dúvida um dos nomes apontados para Papa, porque tem qualidades humanas para ocupar tal cargo e, mais importante, é uma das pessoas certas para continuar o trabalho do Papa Francisco, que esperemos que dure eternamente, faça-se esse milagre.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Autoridade Supranacional Alemã ou União intergovernamental?




Bandeira União Europeia





   Será que estamos perante uma união europeia ou uma (des)integração europeia? As recentes declarações de Merkel sobre "perda de soberania para países incumpridores" são um indício do tempo ou ou o começo do fim da cooperação? Será esta forma de descapitalizar os Estados periféricos, provocando o seu endividamento, uma solução e um caminho para a Europa?
   Pedindo ao tempo para voltar atrás, em 1947, após a II Guerra Mundial, realizou-se o congresso de Haia, onde juntou a grande "nata" do pensamento europeu, onde estiveram presentes, figuras como Winston Churchill, Robert Schumann, Jean Monnet e Paul Reynaud. Neste congresso, haviam os defensores de duas correntes políticas: corrente federalista, que reclamava a criação de uma federação política, a ideia dos "Estados Unidos da Europa" e a corrente mais pragmática, aqueles que, não querendo abandonar a soberania dos Estados, acreditavam nos contactos intergovernamentais e num ambiente de cooperação. Mas, aqui já havia uma dificuldade, que todos reconheciam, e que era a seguinte: como coinciliar o objectivo da unificação da Europa, a que todos queriam aspirar, mas que implicava a aceitação de instituições dotadas de poderes supranacionais efectivos - com a permanência e intangibilidade da soberania dos Estados, que era avessa a a todas as forma de ingerência externa nos assuntos de cada um?
    Passados todos este anos, a dificuldade - que foi reconhecida no congresso de Haia e, ao mesmo tempo, camuflada, porque foi nesse congresso que se conseguiu criar o "Movimento europeu", que mais tarde daria origem à união europeia - é actual e é a questão principal em torno do debate e troca de acusações a que temos assistido entre a Alemanha e a Grécia.
   A Alemanha, Angel Merkel, veio dizer e defender que quer a perda de soberania para os países incumpridores (barril de pólvora), o que é um ataque pleno à Grécia, e, se em 1947, houve entendimento que essa soberania não poderia ser posta em causa (embora todos reconhecessem essa dificuldade) através do diálogo em Haia, agora a Alemanha tenciona intervir directamente na ingerência dos assuntos internos da Grécia, colocando em causa mesmo a sua soberania. Mas, será que esta forma é uma forma de resolver ou solucionar algum problema ou é um contributo para a desintegração europeia? A Alemanha coloca-se numa posição supranacional, quando na verdade deveria colocar a "bola" do lado grego, deixando os mesmo apresentar seus soluções, e, não à partida, condenar suas políticas e, mais grave, tocar em assuntos de "soberania", que são assuntos basilares do projecto europeu, e que jamais algum Estado abdicará dele, e, no momento em que acontecer, o povo faz cair seus governos. E quem o diz é a história, porque foi sempre assim, ou alguém acredita que algum Estado abdicará da sua soberania? Se algum o tivesse feito, não haveria anos de guerra como os que houve, e os Estados não caracterizavam as relações entre si como caracterizam: relações de poder, onde em último recurso, recorrem ao uso da força. E, não é desculpa nem justificação para este comportamento perigoso da Alemanha o programa de Governo Grego - que na verdade, todos devemos reconhecer que tem medidas radicais e difíceis de serem executadas - porque se continuar este discurso e ataques à Grécia, teme-se o pior, principalmente, se o discurso da "perda da soberania" estiver em cima da mesa. Pedia-se uma forma mais inteligente de diálogo (a Europa merecia), e uma melhor adaptação à realidade, porque foi isso que fizeram no passado os "pais fundadores da Europa", porque se impusessem suas ideias de uma forma autoritária, jamais teriam construído esta Europa, e manteriam as suas nações individualizadas.
   O "Movimento europeu", antes mesmo de haver uma Europa, alertou para o problema da "soberania" dos Estados, e reconheceu que no dia em que fosse colocada em causa a soberania de um Estado, talvez tudo deixasse de fazer sentido.  



    


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Jordânia aplica Lei de Talião

   
Piloto Jordânio Muah Al-Kaseasbah



   É impressionante assistir a tal maldicência humana e está a ficar incontrolável, mas o mais grave de tudo isto é a indiferença e incapacidade internacional. A Jordânia respondeu à execução do piloto jordano pelo Estado Islâmico, e, vai decapitar esta quarta-feira uma Jihadista. A Jordânia quebra assim o "costume" até agora praticado de acção internacional enfranquecida ou políticas de diálogo falhadas e avança para a resposta, com decapitação, fazendo fé à lei de talião: "olho por olho, dente por dente". Será que a Jordânia abriu um precedente que pode ser usado por outros países (um precedente perigoso) ? Será esta a melhor solução? Não parece, mas a história diz que já foi solução, e aparece quando não existe outra melhor, ou nem sequer exista outra, como de momento. Não terá a comunidade internacional a ser completamente vencida perante esta ameaça? Até ao momento sim, e já há muito que deixou de ser apenas uma ameaça para o Médio Oriente. 
   
   

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Auschwitz: a memória




Prisioneiros de Auschwitz na "Marcha da Morte" em direcção ao crematório
Auschwitz, 20 de Maio 1940 a 27 de Janeiro de 1945.




   "Mais uma menos uma, não importa". Este é o testemunho de quem trabalhava às ordens do regime nazi em Auschwitz , e perante a confrontação de uma pessoa que estava alia para morrer, que diz: "Você ontem quase me matou", responde com indiferença, porque mais uma menos uma, ali era mesmo irrelevante, chocante tal indigência humana. Nos testemunhos dos já poucos sobreviventes vivos, uma das coisas que mais me impressionou, por ter sido até descrita com quase mais emoção que o testemunho, foi a palavra "memória" e "esquecimento", pedindo que jamais se esqueça o que se ali passou. E, porque é incrível, saber e conhecer a maior atrocidade da história da humanidade, e, ao mesmo tempo, assistir à ascensão da ideologia nazi (sendo discutível se tal sequer possa ser considerado ideologia) em certos países, como no caso da Grécia, onde recentemente nas eleições legislativas gregas, foram a terceira força política, elegendo 17 deputados para o parlamento nacional, estando o seu líder preso, bem como líder parlamentar e mais 12 elementos, acusados de homicídio; atentado à bomba; lavagem de dinheiro; extorsão; participação em tráfico de seres humanos; contrabando e agressões físicas. As pessoas que votaram e votam neste denominado "partido" não podem ter memória, ou se a têm, não se apercebem das suas falhas. Estes senhores que foram detidos andavam "assaltar" o seu próprio povo e assassinar ao "desbarato" os mais fracos e aqueles que entendiam não ser gregos e mereciam ser expulsos do país (foi assim começou Hitler a explicar o "despejo" dos judeus), sendo que ultimamente, a célula criminosa, já recebia dinheiro em troca de protecção de certas pessoas, onde a função incluía, se fosse necessário, dissipar pessoas. Urge voltar a questionar: como é que alguém vota num partido que descreve Hitler como "uma grande personalidade e fez o que deveria ter feito". 
   Tenho dúvidas que o povo grego tenha toda a informação sobre a Aurora Dourada, e, que possa haver uma parte da população que acredita que esta forma de agir e pensar possa assolar novamente um território, seja ele a Grécia ou qualquer outro, porque ainda temos memória. Talvez fosse o momento de respeitar a história e impedir que estas forças possam ser consideradas sequer legítimas para ir a umas eleições, porque o direito dos direitos será sempre, mas sempre, e em primeiro lugar, o direito da dignidade humana. E é obedecendo a essa máxima, que no antigo campo de extermínio de Treblinka, está escrito em várias línguas "Nunca mais".



sábado, 24 de janeiro de 2015

Desapoderamento Grego

  

Alexis Tsipras, líder Syriza




   Uns afirmam que são fenómenos políticos temporários, outros que vieram para ficar, mas a verdade é que o Syriza na Grécia pode estar a horas de uma vitória, e será esta a vitória sobre a Europa? Não terá o comportamento europeu de alguma "chantagem" e erradas estratégias ter servido para o aumento de tal fenómeno político? Será o nascer de uma nova esperança na Europa? 
   Num país onde o número de pobres já ascende a 3 milhões, o retrato de um povo diz-nos que  estes olham para o sistema partidário e político como absolutamente desapoderados, incapazes de fazer ou mudar o que quer que seja, procurando alternativas, a esperança em alguém capaz de os mobilizar. 
   Mas, se Alexis Tsipras vencer, será um partido de extrema-esquerda a liderar a Grécia, o que não deve ser ignorado. Em primeiro lugar, porque o extremismos nunca foram bom aliados das democracias, e chegar ao Governo e aumentar as pensões e o salário mínimo não resolve os problemas, podendo agravá-los, porque no extremismo, nada pode estar acima da ideologia, e sacrificar um país pela ideologia pode ter resultados severamente negativos. Mas, por outro lado, temos admitir que a política desenvolvida pela Europa mostrou resultados desastrosos e actualmente prova que é insustentável, tendo obrigatoriamente de ser mudada. E, quanto à Grécia, cometeu um erro fatal: humilhou os gregos, fazendo chantagens e criando uma espécie de "guerrilha", quando era evitável tal cenário, se as coisas fossem discutidas e debatidas noutros termos, e sem ingerência nos assuntos internos do país da forma tão autoritária como aconteceu. É nesta lacuna deixada pela Europa, neste vazio de soluções e estratégias falhadas que nascem os movimentos extremistas, onde procuram explicar ao povo sofrido que a solução existe e só é preciso haver esperança e mudança. 
   Uma coisa é certa: a Europa terá de aprender e perceber que se olhar para o lado mais uma vez, tudo o que deu pode perder-se, e, talvez a Europa de Robert Schumann, seu criador, tenha de ser novamente pensada e idealizada.
   

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Saúde: estado de sobrevivência?

   







   Hoje em dia, será admissível que um doente não seja visto no tempo adequado? Será que estamos perante um estado de sobrevivência na saúde?
   O acesso à saúde por todos é um direito fundamental, plasmado na Constituição da República, mas infelizmente, um direito que é fraco para uns, e forte para outros. Somos dos países mais desiguais no acesso aos cuidados de saúde, onde o sistema público de saúde está "doente", e o remédio para a sua cura demora a chegar, e enquanto isso, sofrem os mais frágeis. Foi há uns dias, que tive em conversa com um provedor de uma santa casa da misericórdia e entre os vários problemas, debatíamos a questão das pessoas que tinham de recorrer por exemplo a uma urgência (sobretudo pessoas idosas) e esperavam num hospital público 4/5 horas, quando não era o dia todo, como contou. Estamos a falar de pessoas, algumas que fizeram descontos que ascendiam aos milhares de euros, e não têm um sistema público de saúde digno que lhe devia ser oferecido. Contei-lhe um exemplo que acho que sensibiliza qualquer pessoa. Um dia, num restaurante, um empregado confidenciou que estava há um ano há espera de uma consulta de neurologia, e já tinha desmaiado duas vezes. Perguntei: Não há possibilidade de conseguires consulta mais cedo? Ao qual me respondeu: Não, sou pobre, não tenho dinheiro para ir ao privado a um especialista. Passado poucos dias, e logo no momento em que se tinha encontrado uma solução para consulta mais cedo, soube-se que a pessoa teve de ser internada de urgência e tinha a ver com o problema que tinha na cabeça. Era grave e já não voltou do hospital.
   As soluções podem ser variadas, e parece passar essencialmente por ter mais médicos nos hospitais e maior investimento em equipamentos, mas antes disso, deve passar por olharem para o doente como uma pessoa, um ser humano e não permitir que haja listas de espera de consultas de 1 ano, e, num hospital, onde estejam 70 doentes, não permitir que haja algum que esteja ali encostado ou esquecido horas, deve haver uma maior controlo dessas situações, porque podemos mudar, e devemos sair deste estado de sobrevivência na saúde.




Importância da nossa voz



Malaia Yousafzai




   Num momento em que a ameaça terrorista assola os nossos corações, os nossos povos, a luta tem de continuar e o combate ser feito, porque quando as dúvidas surgem, Malaia mostra que elas devem ser dissipadas, porque não há nada como a importância da nossa voz, sobretudo quando ela tenta ser silenciada.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Churchill

   

Winston Churchill





   Sem dúvida, um dos maiores políticos de todos os tempos. Sou suspeito para falar de Winston Churchill, porque para além de ser para mim uma referência política, foi alguém que soube liderar e decidir, num tempo onde uma má decisão tinha como consequência a guerra. Ou alguém já esqueceu a pessoa que fez frente a Hitler em 1940? Nunca mais me vou esquecer, quando adquiri o primeiro livro dele, na antiga e tão carismática feira do livro do porto nos aliados, que, foi o início de uma verdadeira colecção. O próximo será "The Churchill Factor" , de Boris Johnson, em que mostra como um homem foi capaz de fazer a diferença, porque na verdade sem Churchill, Hitler teria ganho a guerra em 1940. Hoje, o jornal "expresso" traz na sua revista "Winston Churchill", e questiona "Porque precisamos dele hoje"? 
    O semanário "Expresso" não podia ter sido mais feliz, ao escolher a figura de Churchill para perceber a falta que faz figuras políticas como Churchill. E para quem conhece o percurso desta figura incontornável, sabe que a sua popularidade não nasce por acaso, e deve-se em parte ao fato de se ter colocado ao serviço do seu povo e país, de ignorar o "Carreirismo político" (das coisas mais importantes hoje na política, infelizmente), tendo mesmo defendido a independência financeira dos políticos (não depender da política para ganhar a vida) e por ter falado verdade sempre aos seus cidadãos.
   São muitas as lições que essencialmente a Europa tem levado, e esta última em França, que seja mesmo a primeira e a última, porque o tempo de tomar decisões é agora, e não amanhã. Como dizia Churchill " Porque a vida dá lições que só se dão uma vez".