Pesquisar neste blogue

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Papa Francisco


Visita do Papa Francisco a Portugal - Santuário de Fátima - 12.05.17




   Simples e humilde, chegou e partiu com uma humanidade ímpar, que todos sentimos e que ficará para sempre nos nossos corações. Poder ter participado nas cerimónias em Fátima juntos daqueles que considero como uma família e poder ser apenas mais um ali no meio de mais de 500 mil pessoas significou muito, por ser católico e por ser alguém que admira e se identifica com a totalidade da mensagem deste Papa. O tom da mensagem e a própria mensagem centrada nas causas originais da religião católica , preocupada com aqueles que mais precisam e os mais desfavorecidos, é retomado por este Papa de uma forma genuína e cumprindo como sua configuração teológica essencial, encarando-a como uma expressão irrenunciável da sua própria essência. Aliviar a miséria humana, cuja vista causa tanta aversão à nossa sensibilidade, é uma prioridade. Devemos ser o rosto visível de uma fé invisível, e termos a percepção interna daquilo que somos e fazemos, para que os outros, mesmo sendo não crentes ou até os inimigos, percebam também o papel e a mensagem. Um dia, e não foi por acaso, um escritor pagão (que nada tinha a ver com Cristianismo, tendo o paganismo mesmo chegado a negligenciar os pobres) escreveu: "É inacreditável a determinação com que as pessoas dessa religião se ajudam umas às outras nas suas necessidades. Não se poupam em nada, o seu primeiro legislador meteu-lhes na cabeça que eles eram todos irmãos". Isto é o que nos distingue, sermos diferentes no poder e alcance de ver o outro, e obedecer aos valores intrínsecos daquilo em que acreditamos.



 

Unicidade de Salvador Sobral


Salvador Sobral


   Um festival completamente descredibilizado (sim ou já esquecemos que até já os "Homens da Luta" estiveram na Eurovisão?), que já poucos viam, e que, de forma surpreendente, este ano, fez-nos estar "colados" à televisão, para ver alguém que, de uma forma simples e com uma unicidade pura, ganhar e colocar a música portuguesa e o nosso país no topo, e orgulhar-nos da sua prestação. Uma lufada de ar fresco, com uma autenticidade e letra brilhante, que jamais será esquecida. Obrigado Salvador Sobral.


   

terça-feira, 9 de maio de 2017

Intemporal Crise Refugiados







   Mais 200 refugiados desaparecidos no "inferno" do mediterrâneo e tudo na mesma. Adenda-se o problema e cria-se o hábito, algo que já se vê como normal. A tomada de consciência do problema sem solução está criar uma verdadeira "manta de trapos" na Europa, onde a preocupação actual está centrada em os países receberem refugiados, esquecendo que o problema principal não está resolvido, e que continuam a morrer milhares a fugir da guerra. Perturba ouvir uma notícia sobre , por exemplo, estarem desaparecidos 200 refugiados ou por exemplo, como ja aconteceu, terem morrido 400 refugiados no mediterrâneo e já nem existirem reacções, encarando tal acontecimento como uma coisa normal, que temos de aceitar.
     É bom os países receberem refugiados, mas se não se combater a raíz do problema e procurar uma solução que evite estes milhares de mortos, isto vai agravar-se, e vai chegar um momento em que os países não vão poder aceitar mais, e aí, já com milhares instalados nos diversos países na Europa, tudo será diferente, e ignorar o problema como agora será mais difícil.

(In)Sensibilidade Policial







   Há coisas que não nos podem ser indiferentes. Se por um lado, o papel da polícia é fundamental e merece todo o nosso respeito pela missão de garantir a segurança e paz pública, por outro também há situações em que deve haver bom senso e equilíbrio na tomada de decisões, principalmente quando estamos a falar de situações urgentes, que exigem um elevado grau de compreensão. Assistir a um casal de Bragança que saiu às 3 da manhã para chegar cedo ao IPO, porque tem uma criança com um tumor na cabeça, estacionar o carro num sítio que estava sujeito a multa, e ver o polícia imediatamente a multar, quando o senhor tentava explicar que teve estacionar porque o filho tinha ir para o tratamento de quimioterapia.
   Eu compreendi o trabalho do Polícia, mas compreendi ainda mais o caso do pai que teve de estacionar ali o carro, urgentemente, e garantir que o seu filho chegava a tempo ao tratamento, numa situação que deve ser sempre desculpável, apresentando prova no momento, e ter alguma sensibilidade, porque cada caso é um caso. Se há casos que merecem ser excepção ao código da estrada para a proibição de estacionamento são estes. porque está em causa a vida das pessoas, e essa também é uma obrigação do Estado: garantir cuidados básicos de saúde e imediatos para garantir uma vida, porque a saúde é o bem mais importante.
    A coima deve servir como uma repreensão ou um castigo para alguém que infringe a lei, mas também tem de medir a gravidade dos comportamentos sancionados e perceber se se enquadram no sentido e alcance da lei.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Votos Jovens em Le Pen



Marine Le Pen



  Uma das grandes surpresas é sem dúvida o voto dos jovens em Le Pen. Uma candidata que tem entre as propostas, mais rigorosamente, entre o seu manifesto, a saída do euro e a realização de um referendo sobre a permanência na União Europeia, qual o beneficio para os jovens de medidas deste âmbito? O discurso demagógico a que temos assistido baseia-se em "solgans", mas não aprofunda esses mesmo slogans, nem interesse nisso têm, porque por exemplo, para um jovem que hoje, através do acordo de Shengen, tem a possibilidade de andar livremente pela Europa, acha que no futuro voltando haver barreiras e fronteiras isso será um sinal de progresso e melhorará as suas vidas? Surpreende-me e preocupa-me perceber que grande parte dos votos de Marine Le Pen são oriundos das camadas mais jovens da população, porque o futuro são os jovens, e quando se revêem em pensamentos nacionalistas como os de Le Pen devemos todos estar de olhos bem abertos.
   Compreendo alguns testemunhos a que assisti, embora entenda que tem haver resistência para não se cair facilmente nestes discursos demagógicos, que são fáceis de "encher" carruagens. Por exemplo um jovem francês que votou Le Pen diz: "Votei Sarkozy e nao vi nenhuma mudança, . Votei em Hollande e não vi nenhuma mudança. Então desta vez votarei Le Pen, veremos o que ela fará". Não deixa de ser um testemunho a levar em conta, que é consequência do descrédito da política e dos políticos, que faz emergir um discurso anti-sistema, que infelizmente está a ser captado pelo extremismo, ao invés de ser utilizado por outros franjas mais moderadas das sociedades. 


Jantar com Israelitas






   Quando estás num hotel e, tens de optar entre o buffet ou "La Carte", e de repente o amigo e também chefe do restaurante diz-te: "Tem a certeza que quer Buffet hoje?" . E lá vou eu para o buffet e mais um grupo de quase uma centena de Israelitas, mais um alemães e uns míseros portugueses. De repente, chego ao buffet, e vejo uma Israelita a colocar o mesmo garfo com que tira a salada a tirar por exemplo o polvo e a massa. Continuo acompanhar a colega, e reparo que quando chega a parte dos rissóis, coloca a mão e não usa o utensílio apropriado para o efeito, e aí comecei a preocupar-me, mas o pior, infelizmente, ainda estava para acontecer. Sento-me e ao meu lado, ligeiramente perto de onde me encontrava, estava a mesa dos queijos com uma grande variedade, e para minha estupefacção reparo numa senhora com um pão numa mão e a outra mão num queijo arrastando o mesmo com a mão para dentro do pão. Por fim, no momento da sobremesa, ao ir buscar o melão, reparo que os amáveis Israelitas usavam a colher das saladas para tirar o melão, o que era mau demais, e levava a que ninguém comesse sobremesa. 
   No fim, para além de tantos outros episódios idênticos e caricatos, percebi que isto tem de ter algo a ver com a sua cultura, e a questão é: porque é que os Israelitas comem com as mãos? Ao falar com o gerente, ele diz-me que na cultura deles as coisas são diferentes e que existe o hábito de comer com as mãos, ou seja, não significa que sejam porcos ou mesmo sujos, apenas que para eles o conceito de limpeza funciona dentro de outros critérios. 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

"Passa culpas" Sírio






   As recentes autópsias na Síria confirmaram o uso armas químicas. Como é que a comunidade internacional pode aceitar isto? Será que a solução vai ser apenas a utilização do mero e ineficaz inquérito? Como é que é possível as Nações Unidas ainda não terem condenado este ataque químico na Síria (nem ter sido aprovada nenhuma resolução nesse sentido)?
   A forma como as Nações Unidas está a lidar com a questão Síria faz lembrar, por vezes, alguns governos nacionais, como o português, onde quando há algo grave que se está a passar ou queremos saber o que se passou em concreto, lançamos mão de um "inquérito", que é um instrumento que se banalizou, por excesso de má utilização e que, maioria das vezes, serve apenas para "ganhar" tempo, sabendo que nunca irá ser obtido o resultado pretendido. Aqui já no passado foi utilizado o inquérito para investigar uso de armas químicas e o que aconteceu? Nada. O governo Sírio ignorou completamente. E o que fazer? Tudo fica travado no momento em que os membros permanentes do conselho de segurança da ONU não chegam acordo, e quando estão em pólos opostos, como o caso da Rússia e da China, de um lado, e o caso da França ou dos Estados Unidos do outro, talvez seja previsível que o caminho terá ser outro. A mesa das negociações está a servir para alguns países, como o evidente caso Russo, se sentarem apenas nos aperitivos e depois irem embora, e adiar sempre o problema, porque esse é o objectivo, vetando tudo o que for contra o seu aliado, e, isso é uma bola de neve. Será que a intervenção militar é o caminho? Este actual seguramente não é.
   Infelizmente, continuamos assistir ao doloroso "passa culpas" Sírio no seio da comunidade internacional, ao mesmo tempo, que estão a morrer milhares de inocentes de uma forma bárbara, completamente desumana e sem apoio internacional.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

"Peço desculpa aos portugueses"



quarta-feira, 22 de março de 2017

Indignam-se os pobres. Calam-se os ricos.



Jeroen Dijsselbloem, Presidente do Eurogrupo e Ministro Holandês




  O presidente do Eurogrupo e Ministro Holandês Dijsselbloem afirmou que "não se pode gastar o dinheiro em copos e mulheres e depois pedir ajuda", numa referência alusiva aos países do sul. Perante isto houve uma onde de indignação, que se justifica pela posição que o mesmo ocupa e pela indefinição do alcance das suas palavras, mas não oculta parte da verdade da sua afirmação. 
   Depois de ter assistido e acompanhado o escândalo dos "cartões black" em Espanha, percebi que este "sistema" estava alastrado (e ainda está, só que a maioria das pessoas desconhece-o, porque está bem disfarçado) em todos os países do sul da Europa de uma forma implacável. O sistema dos "cartões black" é o sistema que se foi alastrando nos sistemas políticos e principalmente nas instituições financeiras (como também na maioria dos órgãos dos Estados, nacionais e locais), que permite aos titulares desses órgãos o uso de cartões de crédito sem limite. Em Espanha, no início de 2008 (período que deu início uma das piores crises da nossa história), o Governo iniciou um longo e devastador programa de austeridade ao seu povo. Nesse período de início da crise até 2012, ficou provado que Rodrigo Rato, ex gerente FMI e do Bankia, gastou fortunas no uso desses cartões em gastos pessoais, sendo que um dos factos apresentados provou que o arguido gastou em joiás, bolsas Louis Vuitton, festas em boates e viagens mais de dois milhões de euros, sendo que estes gastos também já vinham desde de 2003, mas aumentaram com a crise, a partir de 2008, tendo totalizado um valor de 12 milhões. Ou seja, este Senhor fazia estes gastos, enquanto via as pessoas devastadas com a crise a ir ao seu banco levantar as poucas poupanças que já lhes restavam para fazer face a necessidades básicas do dia-a-dia. E o que aconteceu ao Bankia? Foi nacionalizado. Quem pagou estes gastos em copos, festas, boates e mulheres? Os contribuintes. E depois o que aconteceu? Espanha teve de pedir ajuda. 
   Não definiu o alcance da sua afirmação e das suas palavras, mas se o fizesse, e poupasse a maioria das pessoas, referindo-se sem medos e rodeios apenas a uma elite "política" da qual também faz parte (e onde sabe que isto acontece e é um "costume" : mulheres e copos), talvez as pessoas entendessem melhor a ambiguidade das suas palavras, e reduzissem o seu grau de indignação, ou até, anulassem essa mesma indignação. 


Trabalho na União Europeia


Plaza de la Virgen - Valência




   Em menos de duas semanas, fui seleccionado, e, tive de fazer as malas e partir para Espanha, Valência, aquela que seria a minha segunda casa em 2016. Após os testes, que incluíram organismos atrás de organismos (até para uma fundação espanhola realizei testes e ainda hoje recebo correspondência diária), reuniões vias skype e contactos com representantes da União Europeia, chega o momento de assinar e abraçar o desafio.
   Chego a Valência, e, debaixo de um calor húmido e sufocante, sou recebido pela pessoa que ficou responsável pela minha estadia e por fazer o meu "welcome" no parque científico da Universidade de Valência, que foi o meu local de trabalho, prestando assessoria jurídica a uma multinacional. Sou levado para Moncada, onde já tinha reserva no hotel local, simpático e com vários turistas. 
   Estaria os primeiros dias no hotel, para ter tempo de procurar um local onde pudesse ficar nos próximos tempos. O primeiro dia foi de conhecer o meu local de trabalho, onde pude conhecer ao pormenor com visita guiada o parque científico da Universidade de Valência (em Paterna) e as empresas que ali estavam a trabalhar, e fiquei impressionado, com o investimento feito no parque e o todo o seu potencial. Desde empresas tecnológicas que criavam simuladores para a fórmula 1 a empresas que, por exemplo, estavam a procurar descobrir a cura para uma determinada doença. Havia pessoas de várias nacionalidades, derivado de empresas estrangeiras que ali estavam, e isso foi e é uma mais valia num ambiente de trabalho cada vez mais multicultural. Lembro-me de várias, longas e agradáveis conversas travadas com americanos (que almoçavam sempre na hora dos portugueses), bem como indianos e, por exemplo, chineses. No final do dia, levaram-me ao hotel, com a promessa que nos dias seguintes iria ser levado a uns locais para decidir sobre o alojamento. 
   Os dias passaram..
  Fui visitando alguns locais e após recomendação de uma colega de trabalho, vou conhecer um local, e aí fico a viver com uma Italiana, que foi sua colega de trabalho numa anterior empresa e agora trabalhava noutro local, pessoa de confiança. O quarto andar na rua de Orihuela seria o meu refúgio por uma temporada. Após estar instalado, fui conhecer a cidade com Juan Fran, um colega de trabalho, sem dúvida uma das grandes pessoas que conheci, um farmacêutico de idade com uma inteligência de saudar, que me levou às famigeradas tapas, que para quem me conhece bem, sabe que é um martírio, derivado do problema que ganhei em África. Conheci os sítios de paragem obrigatória como a cidade das artes e das ciências, mas, tive oportunidade de conhecer certas histórias, como por exemplo, a razão pela qual Valência é conhecida como a cidade dos "arrozais" (onde tive oportunidade de conhecer os seus arrozais lindíssimos ao longo de longas estradas repletas de campos verdes), sendo uma cidade que viveu sempre muito da agricultura, e isso nota-se saindo um pouco da cidade, bem como por exemplo, perceber porque a pesca foi perdendo seu fulgor, e as suas zonas deram lugar aos barcos que levam hoje os turistas às ilhas baleares.
   Valência é hoje uma cidade em constante mutação, e depara-se hoje com um dilema: ser uma cidade de turismo médio-alto ou ser apenas uma cidade de turismo médio, ou seja, aproximar-se e receber um turismo mais ao estilo de Barcelona ou mais ao estilo de Benidorm. Actualmente é uma cidade de passagem (de quem fica uns dias), que recebe um pouco de tudo, mas com preços de turismo médio-alto, que ainda não sabe receber da melhor forma os turistas (opinião partilhada pelos próprios valencianos). É notório que o crescimento do turismo não foi devidamente acompanhado pela região, e isso nota-se na falta de preparação no atendimento ao turista, em comparação com outras cidades e até países, mas faz parte do próprio crescimento. 
   As reuniões "políticas" no quarto andar da rua Orihuela serviam para debater estes assuntos, e, era interessante, reunir à mesma mesa (muitos eram colegas e amigos da Italiana com quem vivia que mesmo não sendo uma adepta da política, muitos dos seus amigos eram e gostavam de jantar e ficar horas a debater) pessoas de diferentes quadrantes políticos, desde do deteriorado e "quase" acabado PSOE (com saída de Pedro Sanchez), ao PP de Mariano Rajoy, passando pelo Podemos (que ganhava simpatizantes e já está aos poucos a perder o seu estado de graça) e Ciudadanos de Albert Rivera. Era interessante debater com os meus vizinhos e amigos espanhóis, porque temos muitas coisas em comum, e ao nível do sistema financeiro e bancário, por exemplo, Espanha tem problemas idênticos a Portugal. Lembro-me de debatermos o caso do Bankia espanhol, em que o Presidente roubou milhares de euros, fala-se em 12 milhões entre 2003 e 2012, e também dos "cartões black", em que usaram cartões crédito para pagar despesas pessoais sem limite e sem declararem nada ao fisco. Também debatemos, por exemplo, o problema do facto da economia espanhola não ter acompanhado e não conseguir absorver a produção e o volume de qualificados que o país produziu, um problema bem real em Portugal e para qual ainda não foi encontrada resposta(s).
   A par do debate político, não podiam faltar os jogos de futebol, e a oportunidade de conhecer exemplos de vida incríveis, como o caso dos meus amigos Sírios, que viam comigo os jogos de Portugal, onde a final contra a França foi um dos melhores momentos que já passei, abraçado a amigos que não conhecendo o nosso país, gritavam como se fosse a sua pátria e choravam como se fossem portugueses. Nunca mais me vou esquecer (espero voltar, pode ser que seja em breve) do sonho que me confessaram que tinham: ir a Fátima. Disseram que tinham esse sonho de visitar Fátima em Portugal, e eu disse-lhes que os entendia, e que se tivesse no lugar deles, também provavelmente teria esse sonho, porque Fátima é indescritível e eu tenho a sorte de ser de um país que me permite conhecer esse sítio maravilhoso, do qual estarei em Maio, para receber o nosso Papa Francisco.
   Foi uma experiência enriquecedora, de quem adora viajar e conhecer, de quem adora viver na plenitude a vida. Quero agradecer a todos aqueles me ajudaram desde do primeiro dia e que foram fantásticos, e em especial pelo almoço surpresa no último dia antes de vir embora, que demonstrou o carinho que tinham por mim e que também tive e tenho por vocês. A todas aquelas pessoas que estiveram sempre comigo, e que nunca me abandonam, porque essas são eternas, o meu obrigado. 


 



   

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Retrato de Dadaab



Refugiados de Dadaab



Campo de Refugiados de Dadaab , no Quénia





   Desta vez, foi no Quénia que o Governo tentou fechar o campo de refugiados de Dadaab, o maior do mundo, com cerca de 300 mil pessoas ali alojadas, mas, felizmente, o tribunal, numa decisão histórica e inédita, impediu o seu encerramento. A maioria são refugiados da Somália que fogem da violência, pobreza e da perseguição. Também aqui a comunidade internacional tem de procurar soluções de integração para estas pessoas, sob pena de clima de coação e pressão sob os refugiados continuar aumentar. O Governo do Quénia justifica o encerramento com o facto de este estar a ser usado por militantes islâmicos como campo de recrutamento. Mas se isto acontece, a melhor solução é encerrar e desalojar quase 300 mil pessoas? Pode considerar-se uma solução dar 335 euros a cada um e regressarem imediatamente ao seu país, não resolvendo em nada o problema? Esperemos que o Governo com esta decisão deixe de tentar o fecho do campo de refugiados, e, as Nações Unidas consigam (até aqui não conseguiram), juntamente com o Governo, encontrar uma solução, que evite o desalojamento.
   Um crise global e um dos maiores problemas do nosso tempo, que urge combater, e as Nações Unidas não pode nem devem continuar a ter um comportamento passivo, sob pena de o número de refugiados continuar aumentar (sendo já o maior desde da II guerra mundial). E questões como a solidariedade dos países mais ricos devem ser analisadas, pois são os países mais pobres que continuam alojar o maior número de refugiados.

Toca de Cavaco






   Cavaco Silva decidiu sair da toca para anunciar o seu livro "Quinta-feira e outros dias", num ataque pessoal a várias pessoas e a partidos, demonstrando mais uma vez (se houvesse dúvidas) que era a pessoa errada no cargo errado, principalmente no seu último mandato. O homem ressentido, amargurado e ferido politicamente, que até chega atacar Pinto Monteiro, o antigo Procurador Geral da República, é o retrato de quem tenta a todo custo fazer ajustes de contas politicamente, quando esta forma de fazer política está cada vez mais obsoleta e desgastada, e mesmo descredibilizada. Será que o país quer assistir a ataques pessoais entre Cavaco e Sócrates? Não favorece o PSD, partido que sempre representou, e, talvez seja mesmo o seu fim politicamente, de alguém que já estava com uma popularidade muito baixa (devido ao seu fraco desempenho em Belém) e agora, com este livro, consegue ainda ficar com pior imagem, e declarar ao país que já não está no pleno das suas capacidades, e é pena, porque poderia-se ter salvaguardado e ter-nos poupado a mais este triste episódio, completamente evitável.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Marcelo e a Alcateia







   A história é dura e ensinou-nos que, na política, os tempos de glória são difíceis de prolongar no tempo, não pela vontade popular, mas pela vontade individual e política daqueles que integram as fileiras dos partidos, sejam eles ou não apoiantes da pessoa. E quando se faz política para e a pensar nas pessoas isto era inevitável. Mas alguém que faça uma análise política mais profunda com conhecimento de causa acha que foram as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa a defender Mário Centeno no caso CGD que levou à saída dos lobos todos da toca para atacar o Presidente? E há que realçar o facto de os Lobos terem saído todos ao mesmo tempo, em fila indiana, a ganir, e facilmente identificados, como quando as escolas vão em visitas de estudo com as crianças e levam todas um boné, por exemplo amarelo, para saber que são todos da mesma turma. 
   
   

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Retrato do Tempo



Refugiado Sírio

Indulto Digno



Joaquim Silva, dono da marca Victor Emmanuel



   Joaquim Silva, o famigerado "Rei das Camisas" Victor Emmanuel, que estava preso em Custóias foi libertado por um indulto atribuído pelo nosso Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa. O que chama atenção neste caso, e deve levar-nos todos a reflectir, é se realmente faz sentido a obrigação de pagar ao Estado prevalecer sobre a obrigação de pagar aos trabalhadores? Neste processo, em que foi preso por não entregar cerca de 3 milhões ao Fisco e cerca de 1 milhão à segurança social, ficou provado que não beneficiou de um único cêntimo no que diz respeito a estas quantias que não foram entregues ao Estado, tendo sido canalizadas para pagamento de salários a trabalhadores e pagar a fornecedores.
   Um indulto justo, que para além deste facto, foi merecido por razões humanitárias, uma vez que, desde 2013, se encontrava doente, tendo sido mesmo considerado "inimputável", e tido um comportamento exemplar, que, infelizmente, nem sempre é acompanhado pela justeza das penas aplicadas.


domingo, 5 de fevereiro de 2017

Elogio a Justin Trudeau


Justion Trudeau , Primeiro-Ministro do Candá



   No meio da escuridão Americana, do caos no Médio Oriente e da incerteza na Europa, ainda existe esperança e ainda existem pessoas com o pensamento que nos trouxe até hoje, e uma dessas pessoas é Justin Trudeau, o primeiro ministro do Canadá, que disse publicamente: "para aqueles que fogem de perseguições, terrorismo e guerra, os canadianos vão receber-vos, independentemente da vossa fé. A diversidade é a nossa força". Não podia estar mais de acordo, e ficar feliz por saber que ainda existem pessoas com um pensamento solidário, que entendem que o combate ao terrorismo não se faz eliminando pessoas e barrando a sua entrada arbitrariamente, só porque tiveram o azar a má sorte de terem origem muçulmana, terem nascido no país que está em guerra e onde nasceu e prolifera o grupo terrorista ISIS. Este Decreto de Trump que impede os 7 países de origem muçulmana de entrarem nos E.U.A. é uma acto bárbaro, que agora foi travado e bem suspenso, mas que independentemente de isto ter acontecido, o povo tem rapidamente perceber a perigosidade de quem os lidera, sob pena de as consequências poderem ser devastadoras, similares a outros tempos, que assombraram milhares de vidas. 




sábado, 28 de janeiro de 2017

Trumpulhice



Donald Trump, Presidente dos E.U.A.



   Se hà uma ou duas medidas que foram tornadas públicas por Donald Trump que poderiam ser objecto de discussão e fazer algum sentido, todas as outras, na sua maioria, não têm pés nem cabeça e são contrárias a um modelo de democracia representativa. O modo como falou sobre os todos os imigrantes, e a forma como está já agir, impedindo a acesso de entrada, sem qualquer critério, apenas baseado numa decisão irracional, são um indício e uma prova do discurso demagógico e popular de baixo nível. A ideia é colocar um polícia por cada habitante? E o que fazer então com todos os ilegais que estão no país ou tentam ali entrar ? Acabar com eles ? Como vai ser feita essa deportação de milhares? 
   Este é o caminho errado, que nos custou milhares de anos perdidos até à II Guerra Mundial, onde imperavam discursos similares até chegar ao poder, e onde regimes autoritários concentravam na figura de uma só pessoa todo o poder, que teve os resultados horríveis que a história registou e que a todos, que temos memória, nos deve envergonhar. 
   
   

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Trump: guerra comercial?







   Quem ouviu o discurso de tomada de posse de Trump, talvez não se tenha lembrado de um presidente que tenha repetido tantas vezes a palavra "povo". Usou-a tantas vezes que no final do discurso já nem lugar existia para a mesma. E quando isto acontece, de uma forma tão pouco genuína, sem sentirmos uma forte conexão de discurso, perde e torna o discurso enfadonho e pouco eficaz. Mas quanto à substância, uma das principais ideias que está a ser posta em marcha e que deve ser motivo de reflexão (devido à sua importância) são as mudanças nos acordos comerciais internacionais, essencialmente a renegociação do Tratado Americano de Livre Comércio entre E.U.A, Canadá e México e o abandono do Tratado Transpacífico. Ainda é cedo para dizer muito coisa (porque por exemplo, no que diz respeito ao Tratado Transpacífico, irá obrigá-lo a negociar com cada país), mas faz recuarmos um pouco aos anos 30, em que medidas como estas tiveram um enorme impacto a curto prazo, mas pelo contrário, a longo prazo, foram um falhanço, porque basta ver que em 1994, a ideia do tratado de livre comércio era eliminar as tarifas comerciais entre os países, e essa eliminação beneficiou por exemplo, o aumento das exportações para Canadá e México em mais de 200%. Por outro lado, também é verdade, e não posso discordar, que a entrada da China na organização mundial do comércio não veio beneficiar os E.U.A. e causou alguns problemas, porque a China em diversos casos não respeitou e não respeita as regras do comércio mundial. E algumas coisas que Trump diz sobre a China são verdade, embora, claro, não use a melhor linguagem nem o melhor caminho para um diálogo razoável. A China tem sido alvo de várias denúncias por restrições, por exemplo, às exportações de matérias primas, provocando escassez e aumentos de preços no mercado global e conferindo vantagens à sua indústria. Uma guerra comercial não beneficia ninguém, mas perante atitude e já divulgada reacção chinesa, duvido que Trump consiga evitar, a não ser que aceite ceder, o que não parece (e neste ponto bem) , e na realidade, todos devemos questionar; a China foi ou é um verdadeiro parceiro comercial? 
   Esta questão não é tão simples nem se cinge a obrigar as empresas americanas que estão na China, por exemplo, a voltarem para os E.U.A., mas é uma importante questão levantada por Trump, que coloca o dedo na ferida, principalmente quanto à China, que tem aproveitado o comércio internacional para fazer uso e abuso, violando as regras que se comprometerem a cumprir perante todos os países.



quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Despedida de Obama


Barack Obama




   Barack Obama deixará saudades, muitas saudades. Quem assistiu à poucos dias à conferência de imprensa de Donald Trump e assistiu hoje à de Obama só pode estar preocupado, porque, por um lado, vimos a conferencia crispada de Trump, autoritária, de negação e vazio, sem qualquer respeito pelas liberdades, essencialmente a de imprensa, e com um discurso completamente confuso e de fraca oratória. Por outro lado, assistir à conferência de Obama, é logo assistir a um mestre da oratória, com um discurso agradável de ouvir, com forte presença, respeitador do ouvinte (que deve ser uma das maiores qualidades políticas, e nem todos a possuem) e sempre com uma palavra para quem está do outro lado. São pequenos pormenores, mas por exemplo, dar a palavra final a uma jornalista que já o acompanhava como deputado à muitos anos é um gesto bonito, para muitos lógico, mas demonstra a grandiosidade da pessoa e o respeito, a lembrança, o não esquecimento. E também aqui, no aspecto da valorização humana, Obama elevou a América e não é por acaso que sai com 60 % de popularidade. Não falou nem foram abordados temas como por exemplo a Síria, tendo sido pouco questionado sobre o problema dos refugiados, mas também elogio o comportamento dos jornalistas, que souberam respeitar o momento, e perceber que talvez este não fosse o momento para isso, e isso foi Obama que conseguiu fazer: ganhar o respeito de quem todos os dias está do lado de lá: para o bem ou para o mal.
    Despede-se dizendo que sai como um mero cidadão americano, equiparando-se a qualquer um, e isso aproxima-o, mais uma vez, do leque restrito de grandes políticos que ficaram na história, não por quererem gabar o seu lugar, mas por entende-lo como um mero cargo temporário, que pertence ao povo. 
   Para muitos será a despedida, mas, para mim, será sempre um até já, porque não acredito que um político como Obama continue muito tempo longe do palco da sua vida: o político.