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terça-feira, 29 de agosto de 2017

Coreia do Norte até quando?


Praça Kim Il Sung, em Pyongyang, Coreia do Norte





   Desta vez, fomos acordados com a notícia de mais um míssil balístico da Coreia do Norte, que atravessou o Japão, em mais uma provocação, que a qualquer momento pode ter resposta, e gerar uma onda de destruição sem precedentes na história. Até quando a comunidade internacional vai tolerar estes comportamentos e ameaças da Coreia do Norte? 
   Talvez até ao dia em que representar uma ameaça para os E.U.A., e aí talvez seja o início do fim da Coreia do Norte e do seu regime. Se tal acontecer, será destrutivo para ambos, porque as perdas serão enormes, mas sem sombra de dúvida que será o fim da Coreia do Norte. E o problema não se resume ao facto de estar Trump à frente dos E.U.A., porque o programa de armamento da Coreia é uma verdadeira ameaça ao mundo, segundo a ONU, e mesmo já tendo sido alvo de sanções muitos duras, a Coreia continua a ignorar o que a ONU diz, e a fazer o que bem lhe apetece. Foi convocada mais uma reunião do Conselho de Segurança da ONU após mais esta provocação, mas temos de ter em mente que a Coreia violou todas as resoluções aprovadas pelo Conselho de Segurança, por isso, a Coreia é um problema sério, que talvez só vá perceber quando for obrigada pelos países, com recurso a algo que jamais ponderavam fazer há alguns meses. 
   O Japão e as suas forças armadas não responderam, mas esperemos que a Coreia do Norte jamais pondere fazer um teste perto de Guam, porque aí será o início do conflito que ditará o fim da Coreia do Norte. Mas se há uns tempos, arriscaríamos dizer que o líder coreano não seria tão estúpido ao ponto de fazer isso, porque seria suicida, actualmente, perante tais avanços, cada vez menos podemos ficar boquiabertos. Embora, perante tudo, é racional acreditar que se, para a Coreia a guerra seria uma autêntico suicídio, para o E.U.A. também não seria nada interessante, e teria consequências desastrosas, tanto a nível económico como geopolítico, porque acabaria sempre por envolver outros países, como por exemplo a China e o Japão.
   Esperemos que a diplomacia, culminada com as duras e inevitáveis sanções económicas, sejam suficientes para interromper este avanço coreano, mas jamais tal "paciência estratégica" pode ser o mote para a Coreia do Norte continuar a desenvolver o seu programa nuclear.



quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Vou tentar







   Não tem sido fácil voltar a escrever, mas agradeço a várias pessoas que pediram para que o faça. Não sei se vou conseguir ter um ritmo que já tive, devido a compromissos profissionais, mas vou tentar, tanto a nível nacional como internacional. 

domingo, 20 de agosto de 2017

Ramblas





   Quando menos se espera, lá aparece alguém a querer incomodar a nossa forma de vida. Desta vez o atentado foi em Barcelona e na bonita zona das Ramblas. Não foi assim há tanto tempo que estive num hotel mesmo em plena zona das Ramblas onde aconteceu o atentado. E perceber que já não estamos seguros em nenhuma parte é algo inquietante, mas que jamais nos deve fazer recuar e deixar de viver de acordo com os nossos valores ocidentais.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Venezuela por um fio




Hugo Chávez em 1992, numa tentativa de golpe
 de estado ao governo de Carlos Andrés Pérez



   A madrugada de 4 de Fevereiro de 1992, liderada pelas forças armadas venezuelanas, com o tenente coronel Hugo Chavez a ser figura de proa, suscitada pelo combate à corrupção, deve hoje ser lembrada por aqueles que integram as tropas venezuelanas, e pensar que a liberdade que um dia reivindicaram e pela qual lutaram está em vias de extinção e se nada fizerem, ficarão perante a escuridão dos dias, onde talvez nem uma luz de candeeiro poderão acender.
   Um país onde um regime que já perdeu eleições há um ano e nunca respeitou a liberdade (a liberdade que um dia já foi o solgan do chavismo para chegar ao poder em 1999) é bem ilustrativo da instrumentalização deste tipo de pensamento e regime totalitário, em que o equilíbrio e o bom senso desaparecem fugazmente para preservar o lugar e posto de poder, que infelizmente é um traço de originalidade deste estilo de pensamento, que jamais poderá ser equiparado ao socialismo, como Chavez ironicamente queria cantar aos setes ventos. Quando chegou ao poder, e nos primeiros anos, conseguiu na verdade ter políticas socialistas que baixaram radicalmente a pobreza, mas esses foram instrumentalizados, e hoje são aqueles que sofrem na linha da frente com as políticas do regime que um dia lhes fez acreditar que iam defendê-los. Mas o ódio conspirativo contra os Estados Unidos que caracterizou os últimos anos de Chávez e ainda hoje é a "motivação" do atual regime, começou por ser o grande declínio do Chavismo, porque serviu como arma de arremesso de traços de um regime totalitário, que nunca quiseram assumir, mas que é demasiado evidente e impossível de esconder.
   Em 2009, o país entrou numa crise tão profunda, que chávez chegou a propor aqueles que um dia pediu que lhe dessem a mão que tomassem menos banhos para economizar água e energia. Sim e hoje em 2017, o massacre sobre o seu povo com base na defesa de um regime "roto" e que já quase tem a cabeça coberta de água, tem os dias contados, porque os venezuelanos não vão aceitar continuar a ser enganados, em prol de uma tentativa desmesurada de manter o poder.
   

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Levanta-te Eusébio, somos campeões!






   "Levanta-te Eusébio, traz a Amália do Panteão Nacional e vem festejar connosco". Foi à um ano que metemos os franceses no bolso, de uma forma tão nossa, tão autêntica, tão única, tão memorável que teve um sabor especial. Passou um ano, mas parece que foi ontem, que todos vivíamos este momento tão especial, e por muitos mais anos que passem, 10 de Julho de 2016 ficará para sempre registado na nossa história, e 2016 será sempre recordado como o ano em que fomos campeões da Europa contra os nossos amigos franceses.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Eloquência de Adriano Moreira


Adriano Moreira



   Devíamos ter a oportunidade e o privilégio de poder ouvir mais vezes vozes como Adriano Moreira, pela elevação e eloquência de discurso. Em entrevista hoje à RTP3, um dos pontos em que Adriano Moreira tocou foi no facto de cada vez menos darmos ênfase ao discurso inteligente, em prol do fraco e "mesquinho" discurso, de sermos subordinados ao discurso barato, desprovido de qualquer inteligência. E este sem dúvida que é um dos maiores perigos da nossa sociedade actual.


Medina Carreira


Medina Carreira


   Conheci-o numa conferência no Palácio da Bolsa no Porto. Lembro-me como se fosse hoje. Cheguei atrasado, numa sala cheia de pessoas que conheciam e admiravam o seu outro lado, de alguém que tinha uma visão como poucos, a visão com sustentação e inteligência. Infelizmente, a televisão criou uma imagem errada da pessoa de Medina Carreira, e que felizmente tive oportunidade de testemunhar que foi uma imagem errada e exagerada. Por vezes, podíamos não gostar de uma outra opinião, e eu cheguei a não gostar e mesmo não concordar, mas jamais negava a importância e relevância da sua opinião e do seu pensamento livre. Medina Carreira era um pessoa distinta e inteligente, que fundamentava tudo aquilo que afirmava, e soube deixar-nos o testemunho e o legado de que ainda vale a pena dizer-se o que se pensa e ter princípios e valores, mesmo que tentem convencer-nos do contrário. 


terça-feira, 20 de junho de 2017

Inevitáveis testemunhos de Pedrógão








   Depois das coisas acontecerem, é quase irresistível refletir sobre o que teria sido se as coisas fossem feitas de forma diferente. Mas a verdade dos testemunhos que todos estes dias fomos ouvindo por parte dos populares que viviam em Pedrógão Grande e arredores obrigam-nos a fazer essa reflexão, porque não podemos aceitar que passado mais de 30 anos sobre o incêndio de Armamar possamos voltar a ter tantas perdas humanas, de forma tão trágica e tão pouco compreensível. Sim, tão pouco compreensível, porque por muito que quem quer que seja venha-nos dizer que fez-se o máximo que se podia fazer, isso não é verdade, e os testemunhos das pessoas e as falhas provam isso mesmo. 
     Sinceramente, o que mais arrepia e deixa a pensar um país aqui são os testemunhos das pessoas que tentaram e conseguiram sobreviver, e são vários aqueles que afirmam que chamaram bombeiros e ninguém apareceu; que foi a GNR que disse às pessoas para irem por aquele estrada (estrada que vitimou 47 pessoas); que avisaram já depois da tragédia que havia pessoas idosas sozinhas e isoladas e que morreram sozinhas, abandonadas e carbonizadas. E porque razão as comunicações falharam? Porque razão não houveram estradas cortadas ? Porque razão faltaram pessoas que percebam das florestas ? Porque razão deixaram morrer-se pessoas nas suas aldeias carbonizadas ? Será que podemos aceitar isto assim de ânimo leve? Seria um grande erro se fosse feito. 
   Talvez nestas coisas nem sempre a racionalidade opera, e, nada disto que precisa de ser reflectido e invertido (sim não precisa agora de apuramentos porque maioria das pessoas sabe onde estão as falhas e desde 1965 que estão identificadas e são as mesmas) tem a ver com o papel que deve ser sempre enaltecido dos bravos bombeiros. Os bombeiros fizeram o seu trabalho e deram o seu melhor, como sempre o fazem, mas isso não deve ser o "tapa olhos" relativamente a todas as falhas que existem à sua volta, porque infelizmente, sem saberem, muitas vezes, os bombeiros e toda a sua bravura são o escape daqueles a quem devemos acarretar responsabilidades.
   Infelizmente, desde 1965, quando foi elaborado o relatório dobre "Princípios básicos da luta contra incêndios na floresta privada portuguesa", que se discute o problema e fala-se na importância do planeamento florestal e na adopção de sistemas de prevenção e combate assentes na profissionalização dos seus agentes. Por exemplo, fará sentido, quando existe um incêndio, vermos as pessoas a fugir de suas casas sem qualquer sentido de orientação e, mais grave, serem orientadas por elementos da GNR de forma completamente errada (como aconteceu neste incêndio)? Por exemplo, porque não há faixas de segurança em torno das habitações? E porque não existem locais seguros identificados pelas autoridades ou destacados no terreno para as pessoas fugirem dos fogos? São medidas como estas que talvez pudessem representar uma evolução relativamente ao passado, mas não é isso que acontece. O que vemos são pessoas a morrerem isoladas nas suas aldeias, por falta de assistência, querendo-nos convencer que não era possível fazer nada, mas eu não fiquei convencido, e espero, que como eu, sejamos mais a pensar desta forma, porque se hoje, com os meios disponíveis, as pessoas qualificadas, e o conhecimento que temos não conseguimos evitar estas situações, quando vamos conseguir?



domingo, 18 de junho de 2017

Tragédia sem voz


Pedrógão Grande



   Profundamente chocado. Eu ainda não acredito, e talvez demore acreditar que tenham morrido 61 pessoas num incêndio aqui tão perto de nós, tão perto dos nossos corações. Sem comunicações, isolados no tempo e no mundo, centenas de habitantes desta vila que poucos conheciam até ao momento da tragédia não puderam sequer pegar num telefone e ligar a um familiar ou amigo. Ver pessoas que perderam as suas vidas carbonizados ao tentarem fugir numa via de circulação é doloroso e reduz drasticamente qualquer apelo humano que possa ser feito, perante tal brutal perda.
   Uma tragédia que fez do silêncio a sua principal arma, retirando o pouco que já havia para tirar a gentes que são o rosto de um país isolado, cercado por floresta abandonada, que poucos querem saber, onde as portas estão sempre abertas, e a voz é pouco ouvida, sendo que desta vez foi mesmo calada, da pior forma, sem dignidade.
   Um combate desigual, onde de um lado, dizem que existe muito apoio e nada mais seria possível fazer, e do outro ouvimos as vozes roucas dos poucos que sobreviveram, queixando-se da falta de ajuda e de apoio, dizendo que ninguém lhes foi socorrer, ficando entregues uns aos outros, desorientados e acreditando no milagre da sobrevivência.
   Resta o sentimento, estarmos todos juntos a pensar nas vítimas desta triste tragédia.


quinta-feira, 1 de junho de 2017

Colaboração Premiada








   A figura da colaboração premiada, inspirada no nosso país irmão, o Brasil, está nas propostas de trabalho do grupo do Pacto para a Justiça. Na verdade, isto consiste em premiar alguém que colabore com a investigação criminal, mas a atenuação da pena já não será suficiente para nosso sistema? Em que termos a colaboração de um arguido na investigação criminal poderá isentar a sua pena ou mesmo suspendê-la? 
   À primeira vista, parece-me um tema que necessita de um amplo debate, para não cairmos na tentação de premiar a mentira, as denúncias falsas. Nós já contemplamos no nosso sistema a figura da especial atenuação da pena para quem colabore com a Justiça, e mesmo que esse benefício só seja aplicado na fase de julgamento, um "arrependido" que comece logo a trabalhar e colaborar desde início com a investigação tem outro tratamento, e, aqui ao instituirmos e formalizarmos esse tratamento, poderemos ganhar prova, mas perder segurança jurídica se não houver uma definição exacta dos termos em que arguido será beneficiado com a sua colaboração. 
   Por outro lado, todos nós, mesmo aqueles que não são agentes da justiça, têm conhecimento que os grandes processo de combate à Máfia não teriam existido se alguns dos seus membros não tivessem falado e explicado detalhes da sua organização criminosa. Mas também, no Brasil, temos recentemente um caso em que podemos avaliar esta figura, acerca do processo Lava Jacto. Neste caso no início foram redigidos 18 acordos escritos de colaboração, e a Justiça Brasileira diz que foi graças a esses acordos que foram recuperados milhões de euros e investigados dezenas de pessoas, embora aos olhos da comunidade internacional, o sucesso do caso ainda está por provar.
   Sinceramente, acho que não estamos preparados para implementar a colaboração premiada nos mesmos moldes que existe no Brasil, e a ser pensada a sua introdução, seria necessário um amplo consenso, discussão, estudo e inclusivé colaboração com países como E.U.A, Espanha e Itália, a par do Brasil, onde já existe para o combate à criminalidade grave, que é a finalidade desta figura. Seria uma prenda para o Ministério Público, mas com as constantes fugas do segredo de justiça, exigiria outra cultura, e teria de haver uma definição ao milímetro de todo o procedimento de colaboração e sua premiação, sob pena de termos o nome e a cara do "bufo" na CMTV ao mesmo tempo que este colabora com a investigação.




segunda-feira, 15 de maio de 2017

Papa Francisco


Visita do Papa Francisco a Portugal - Santuário de Fátima - 12.05.17




   Simples e humilde, chegou e partiu com uma humanidade ímpar, que todos sentimos e que ficará para sempre nos nossos corações. Poder ter participado nas cerimónias em Fátima juntos daqueles que considero como uma família e poder ser apenas mais um ali no meio de mais de 500 mil pessoas significou muito, por ser católico e por ser alguém que admira e se identifica com a totalidade da mensagem deste Papa. O tom da mensagem e a própria mensagem centrada nas causas originais da religião católica , preocupada com aqueles que mais precisam e os mais desfavorecidos, é retomado por este Papa de uma forma genuína e cumprindo como sua configuração teológica essencial, encarando-a como uma expressão irrenunciável da sua própria essência. Aliviar a miséria humana, cuja vista causa tanta aversão à nossa sensibilidade, é uma prioridade. Devemos ser o rosto visível de uma fé invisível, e termos a percepção interna daquilo que somos e fazemos, para que os outros, mesmo sendo não crentes ou até os inimigos, percebam também o papel e a mensagem. Um dia, e não foi por acaso, um escritor pagão (que nada tinha a ver com Cristianismo, tendo o paganismo mesmo chegado a negligenciar os pobres) escreveu: "É inacreditável a determinação com que as pessoas dessa religião se ajudam umas às outras nas suas necessidades. Não se poupam em nada, o seu primeiro legislador meteu-lhes na cabeça que eles eram todos irmãos". Isto é o que nos distingue, sermos diferentes no poder e alcance de ver o outro, e obedecer aos valores intrínsecos daquilo em que acreditamos.



 

Unicidade de Salvador Sobral


Salvador Sobral


   Um festival completamente descredibilizado (sim ou já esquecemos que até já os "Homens da Luta" estiveram na Eurovisão?), que já poucos viam, e que, de forma surpreendente, este ano, fez-nos estar "colados" à televisão, para ver alguém que, de uma forma simples e com uma unicidade pura, ganhar e colocar a música portuguesa e o nosso país no topo, e orgulhar-nos da sua prestação. Uma lufada de ar fresco, com uma autenticidade e letra brilhante, que jamais será esquecida. Obrigado Salvador Sobral.


   

terça-feira, 9 de maio de 2017

Intemporal Crise Refugiados







   Mais 200 refugiados desaparecidos no "inferno" do mediterrâneo e tudo na mesma. Adenda-se o problema e cria-se o hábito, algo que já se vê como normal. A tomada de consciência do problema sem solução está criar uma verdadeira "manta de trapos" na Europa, onde a preocupação actual está centrada em os países receberem refugiados, esquecendo que o problema principal não está resolvido, e que continuam a morrer milhares a fugir da guerra. Perturba ouvir uma notícia sobre , por exemplo, estarem desaparecidos 200 refugiados ou por exemplo, como ja aconteceu, terem morrido 400 refugiados no mediterrâneo e já nem existirem reacções, encarando tal acontecimento como uma coisa normal, que temos de aceitar.
     É bom os países receberem refugiados, mas se não se combater a raíz do problema e procurar uma solução que evite estes milhares de mortos, isto vai agravar-se, e vai chegar um momento em que os países não vão poder aceitar mais, e aí, já com milhares instalados nos diversos países na Europa, tudo será diferente, e ignorar o problema como agora será mais difícil.

(In)Sensibilidade Policial







   Há coisas que não nos podem ser indiferentes. Se por um lado, o papel da polícia é fundamental e merece todo o nosso respeito pela missão de garantir a segurança e paz pública, por outro também há situações em que deve haver bom senso e equilíbrio na tomada de decisões, principalmente quando estamos a falar de situações urgentes, que exigem um elevado grau de compreensão. Assistir a um casal de Bragança que saiu às 3 da manhã para chegar cedo ao IPO, porque tem uma criança com um tumor na cabeça, estacionar o carro num sítio que estava sujeito a multa, e ver o polícia imediatamente a multar, quando o senhor tentava explicar que teve estacionar porque o filho tinha ir para o tratamento de quimioterapia.
   Eu compreendi o trabalho do Polícia, mas compreendi ainda mais o caso do pai que teve de estacionar ali o carro, urgentemente, e garantir que o seu filho chegava a tempo ao tratamento, numa situação que deve ser sempre desculpável, apresentando prova no momento, e ter alguma sensibilidade, porque cada caso é um caso. Se há casos que merecem ser excepção ao código da estrada para a proibição de estacionamento são estes. porque está em causa a vida das pessoas, e essa também é uma obrigação do Estado: garantir cuidados básicos de saúde e imediatos para garantir uma vida, porque a saúde é o bem mais importante.
    A coima deve servir como uma repreensão ou um castigo para alguém que infringe a lei, mas também tem de medir a gravidade dos comportamentos sancionados e perceber se se enquadram no sentido e alcance da lei.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Votos Jovens em Le Pen



Marine Le Pen



  Uma das grandes surpresas é sem dúvida o voto dos jovens em Le Pen. Uma candidata que tem entre as propostas, mais rigorosamente, entre o seu manifesto, a saída do euro e a realização de um referendo sobre a permanência na União Europeia, qual o beneficio para os jovens de medidas deste âmbito? O discurso demagógico a que temos assistido baseia-se em "solgans", mas não aprofunda esses mesmo slogans, nem interesse nisso têm, porque por exemplo, para um jovem que hoje, através do acordo de Shengen, tem a possibilidade de andar livremente pela Europa, acha que no futuro voltando haver barreiras e fronteiras isso será um sinal de progresso e melhorará as suas vidas? Surpreende-me e preocupa-me perceber que grande parte dos votos de Marine Le Pen são oriundos das camadas mais jovens da população, porque o futuro são os jovens, e quando se revêem em pensamentos nacionalistas como os de Le Pen devemos todos estar de olhos bem abertos.
   Compreendo alguns testemunhos a que assisti, embora entenda que tem haver resistência para não se cair facilmente nestes discursos demagógicos, que são fáceis de "encher" carruagens. Por exemplo um jovem francês que votou Le Pen diz: "Votei Sarkozy e nao vi nenhuma mudança, . Votei em Hollande e não vi nenhuma mudança. Então desta vez votarei Le Pen, veremos o que ela fará". Não deixa de ser um testemunho a levar em conta, que é consequência do descrédito da política e dos políticos, que faz emergir um discurso anti-sistema, que infelizmente está a ser captado pelo extremismo, ao invés de ser utilizado por outros franjas mais moderadas das sociedades. 


Jantar com Israelitas






   Quando estás num hotel e, tens de optar entre o buffet ou "La Carte", e de repente o amigo e também chefe do restaurante diz-te: "Tem a certeza que quer Buffet hoje?" . E lá vou eu para o buffet e mais um grupo de quase uma centena de Israelitas, mais um alemães e uns míseros portugueses. De repente, chego ao buffet, e vejo uma Israelita a colocar o mesmo garfo com que tira a salada a tirar por exemplo o polvo e a massa. Continuo acompanhar a colega, e reparo que quando chega a parte dos rissóis, coloca a mão e não usa o utensílio apropriado para o efeito, e aí comecei a preocupar-me, mas o pior, infelizmente, ainda estava para acontecer. Sento-me e ao meu lado, ligeiramente perto de onde me encontrava, estava a mesa dos queijos com uma grande variedade, e para minha estupefacção reparo numa senhora com um pão numa mão e a outra mão num queijo arrastando o mesmo com a mão para dentro do pão. Por fim, no momento da sobremesa, ao ir buscar o melão, reparo que os amáveis Israelitas usavam a colher das saladas para tirar o melão, o que era mau demais, e levava a que ninguém comesse sobremesa. 
   No fim, para além de tantos outros episódios idênticos e caricatos, percebi que isto tem de ter algo a ver com a sua cultura, e a questão é: porque é que os Israelitas comem com as mãos? Ao falar com o gerente, ele diz-me que na cultura deles as coisas são diferentes e que existe o hábito de comer com as mãos, ou seja, não significa que sejam porcos ou mesmo sujos, apenas que para eles o conceito de limpeza funciona dentro de outros critérios. 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

"Passa culpas" Sírio






   As recentes autópsias na Síria confirmaram o uso armas químicas. Como é que a comunidade internacional pode aceitar isto? Será que a solução vai ser apenas a utilização do mero e ineficaz inquérito? Como é que é possível as Nações Unidas ainda não terem condenado este ataque químico na Síria (nem ter sido aprovada nenhuma resolução nesse sentido)?
   A forma como as Nações Unidas está a lidar com a questão Síria faz lembrar, por vezes, alguns governos nacionais, como o português, onde quando há algo grave que se está a passar ou queremos saber o que se passou em concreto, lançamos mão de um "inquérito", que é um instrumento que se banalizou, por excesso de má utilização e que, maioria das vezes, serve apenas para "ganhar" tempo, sabendo que nunca irá ser obtido o resultado pretendido. Aqui já no passado foi utilizado o inquérito para investigar uso de armas químicas e o que aconteceu? Nada. O governo Sírio ignorou completamente. E o que fazer? Tudo fica travado no momento em que os membros permanentes do conselho de segurança da ONU não chegam acordo, e quando estão em pólos opostos, como o caso da Rússia e da China, de um lado, e o caso da França ou dos Estados Unidos do outro, talvez seja previsível que o caminho terá ser outro. A mesa das negociações está a servir para alguns países, como o evidente caso Russo, se sentarem apenas nos aperitivos e depois irem embora, e adiar sempre o problema, porque esse é o objectivo, vetando tudo o que for contra o seu aliado, e, isso é uma bola de neve. Será que a intervenção militar é o caminho? Este actual seguramente não é.
   Infelizmente, continuamos assistir ao doloroso "passa culpas" Sírio no seio da comunidade internacional, ao mesmo tempo, que estão a morrer milhares de inocentes de uma forma bárbara, completamente desumana e sem apoio internacional.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

"Peço desculpa aos portugueses"



quarta-feira, 22 de março de 2017

Indignam-se os pobres. Calam-se os ricos.



Jeroen Dijsselbloem, Presidente do Eurogrupo e Ministro Holandês




  O presidente do Eurogrupo e Ministro Holandês Dijsselbloem afirmou que "não se pode gastar o dinheiro em copos e mulheres e depois pedir ajuda", numa referência alusiva aos países do sul. Perante isto houve uma onde de indignação, que se justifica pela posição que o mesmo ocupa e pela indefinição do alcance das suas palavras, mas não oculta parte da verdade da sua afirmação. 
   Depois de ter assistido e acompanhado o escândalo dos "cartões black" em Espanha, percebi que este "sistema" estava alastrado (e ainda está, só que a maioria das pessoas desconhece-o, porque está bem disfarçado) em todos os países do sul da Europa de uma forma implacável. O sistema dos "cartões black" é o sistema que se foi alastrando nos sistemas políticos e principalmente nas instituições financeiras (como também na maioria dos órgãos dos Estados, nacionais e locais), que permite aos titulares desses órgãos o uso de cartões de crédito sem limite. Em Espanha, no início de 2008 (período que deu início uma das piores crises da nossa história), o Governo iniciou um longo e devastador programa de austeridade ao seu povo. Nesse período de início da crise até 2012, ficou provado que Rodrigo Rato, ex gerente FMI e do Bankia, gastou fortunas no uso desses cartões em gastos pessoais, sendo que um dos factos apresentados provou que o arguido gastou em joiás, bolsas Louis Vuitton, festas em boates e viagens mais de dois milhões de euros, sendo que estes gastos também já vinham desde de 2003, mas aumentaram com a crise, a partir de 2008, tendo totalizado um valor de 12 milhões. Ou seja, este Senhor fazia estes gastos, enquanto via as pessoas devastadas com a crise a ir ao seu banco levantar as poucas poupanças que já lhes restavam para fazer face a necessidades básicas do dia-a-dia. E o que aconteceu ao Bankia? Foi nacionalizado. Quem pagou estes gastos em copos, festas, boates e mulheres? Os contribuintes. E depois o que aconteceu? Espanha teve de pedir ajuda. 
   Não definiu o alcance da sua afirmação e das suas palavras, mas se o fizesse, e poupasse a maioria das pessoas, referindo-se sem medos e rodeios apenas a uma elite "política" da qual também faz parte (e onde sabe que isto acontece e é um "costume" : mulheres e copos), talvez as pessoas entendessem melhor a ambiguidade das suas palavras, e reduzissem o seu grau de indignação, ou até, anulassem essa mesma indignação. 


Trabalho na União Europeia


Plaza de la Virgen - Valência




   Em menos de duas semanas, fui seleccionado, e, tive de fazer as malas e partir para Espanha, Valência, aquela que seria a minha segunda casa em 2016. Após os testes, que incluíram organismos atrás de organismos (até para uma fundação espanhola realizei testes e ainda hoje recebo correspondência diária), reuniões vias skype e contactos com representantes da União Europeia, chega o momento de assinar e abraçar o desafio.
   Chego a Valência, e, debaixo de um calor húmido e sufocante, sou recebido pela pessoa que ficou responsável pela minha estadia e por fazer o meu "welcome" no parque científico da Universidade de Valência, que foi o meu local de trabalho, prestando assessoria jurídica a uma multinacional. Sou levado para Moncada, onde já tinha reserva no hotel local, simpático e com vários turistas. 
   Estaria os primeiros dias no hotel, para ter tempo de procurar um local onde pudesse ficar nos próximos tempos. O primeiro dia foi de conhecer o meu local de trabalho, onde pude conhecer ao pormenor com visita guiada o parque científico da Universidade de Valência (em Paterna) e as empresas que ali estavam a trabalhar, e fiquei impressionado, com o investimento feito no parque e o todo o seu potencial. Desde empresas tecnológicas que criavam simuladores para a fórmula 1 a empresas que, por exemplo, estavam a procurar descobrir a cura para uma determinada doença. Havia pessoas de várias nacionalidades, derivado de empresas estrangeiras que ali estavam, e isso foi e é uma mais valia num ambiente de trabalho cada vez mais multicultural. Lembro-me de várias, longas e agradáveis conversas travadas com americanos (que almoçavam sempre na hora dos portugueses), bem como indianos e, por exemplo, chineses. No final do dia, levaram-me ao hotel, com a promessa que nos dias seguintes iria ser levado a uns locais para decidir sobre o alojamento. 
   Os dias passaram..
  Fui visitando alguns locais e após recomendação de uma colega de trabalho, vou conhecer um local, e aí fico a viver com uma Italiana, que foi sua colega de trabalho numa anterior empresa e agora trabalhava noutro local, pessoa de confiança. O quarto andar na rua de Orihuela seria o meu refúgio por uma temporada. Após estar instalado, fui conhecer a cidade com Juan Fran, um colega de trabalho, sem dúvida uma das grandes pessoas que conheci, um farmacêutico de idade com uma inteligência de saudar, que me levou às famigeradas tapas, que para quem me conhece bem, sabe que é um martírio, derivado do problema que ganhei em África. Conheci os sítios de paragem obrigatória como a cidade das artes e das ciências, mas, tive oportunidade de conhecer certas histórias, como por exemplo, a razão pela qual Valência é conhecida como a cidade dos "arrozais" (onde tive oportunidade de conhecer os seus arrozais lindíssimos ao longo de longas estradas repletas de campos verdes), sendo uma cidade que viveu sempre muito da agricultura, e isso nota-se saindo um pouco da cidade, bem como por exemplo, perceber porque a pesca foi perdendo seu fulgor, e as suas zonas deram lugar aos barcos que levam hoje os turistas às ilhas baleares.
   Valência é hoje uma cidade em constante mutação, e depara-se hoje com um dilema: ser uma cidade de turismo médio-alto ou ser apenas uma cidade de turismo médio, ou seja, aproximar-se e receber um turismo mais ao estilo de Barcelona ou mais ao estilo de Benidorm. Actualmente é uma cidade de passagem (de quem fica uns dias), que recebe um pouco de tudo, mas com preços de turismo médio-alto, que ainda não sabe receber da melhor forma os turistas (opinião partilhada pelos próprios valencianos). É notório que o crescimento do turismo não foi devidamente acompanhado pela região, e isso nota-se na falta de preparação no atendimento ao turista, em comparação com outras cidades e até países, mas faz parte do próprio crescimento. 
   As reuniões "políticas" no quarto andar da rua Orihuela serviam para debater estes assuntos, e, era interessante, reunir à mesma mesa (muitos eram colegas e amigos da Italiana com quem vivia que mesmo não sendo uma adepta da política, muitos dos seus amigos eram e gostavam de jantar e ficar horas a debater) pessoas de diferentes quadrantes políticos, desde do deteriorado e "quase" acabado PSOE (com saída de Pedro Sanchez), ao PP de Mariano Rajoy, passando pelo Podemos (que ganhava simpatizantes e já está aos poucos a perder o seu estado de graça) e Ciudadanos de Albert Rivera. Era interessante debater com os meus vizinhos e amigos espanhóis, porque temos muitas coisas em comum, e ao nível do sistema financeiro e bancário, por exemplo, Espanha tem problemas idênticos a Portugal. Lembro-me de debatermos o caso do Bankia espanhol, em que o Presidente roubou milhares de euros, fala-se em 12 milhões entre 2003 e 2012, e também dos "cartões black", em que usaram cartões crédito para pagar despesas pessoais sem limite e sem declararem nada ao fisco. Também debatemos, por exemplo, o problema do facto da economia espanhola não ter acompanhado e não conseguir absorver a produção e o volume de qualificados que o país produziu, um problema bem real em Portugal e para qual ainda não foi encontrada resposta(s).
   A par do debate político, não podiam faltar os jogos de futebol, e a oportunidade de conhecer exemplos de vida incríveis, como o caso dos meus amigos Sírios, que viam comigo os jogos de Portugal, onde a final contra a França foi um dos melhores momentos que já passei, abraçado a amigos que não conhecendo o nosso país, gritavam como se fosse a sua pátria e choravam como se fossem portugueses. Nunca mais me vou esquecer (espero voltar, pode ser que seja em breve) do sonho que me confessaram que tinham: ir a Fátima. Disseram que tinham esse sonho de visitar Fátima em Portugal, e eu disse-lhes que os entendia, e que se tivesse no lugar deles, também provavelmente teria esse sonho, porque Fátima é indescritível e eu tenho a sorte de ser de um país que me permite conhecer esse sítio maravilhoso, do qual estarei em Maio, para receber o nosso Papa Francisco.
   Foi uma experiência enriquecedora, de quem adora viajar e conhecer, de quem adora viver na plenitude a vida. Quero agradecer a todos aqueles me ajudaram desde do primeiro dia e que foram fantásticos, e em especial pelo almoço surpresa no último dia antes de vir embora, que demonstrou o carinho que tinham por mim e que também tive e tenho por vocês. A todas aquelas pessoas que estiveram sempre comigo, e que nunca me abandonam, porque essas são eternas, o meu obrigado.