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quarta-feira, 11 de abril de 2018

Síria: só Donald Trump?







   Impressionante, chocante, assustador, tenebroso, trágico, apavorante e arrepiante são algumas das palavras para descrever as imagens e os relatos que chegam de Ghouta Oriental, na Síria. A ONU já pediu uma investigação imparcial ao recente ataque químico, que fez 500 mortos, entre eles crianças, onde as imagens entram pelas televisões dos espectadores pelo mundo fora. Mas enquanto a ONU pede uma investigação, mais uma centena ou milhares de pessoas já morreram entretanto, porque, depois da investigação, serão tomadas medidas, que irão a votos e dificilmente passarão no Conselho de Segurança, onde crónicos membros permanentes vetarão, como é seu apanágio. Custa ter de admitir que Donald Trump - ao seu estilo pouco assertivo - bem como o presidente Macron, têm sido os únicos a endurecer o braço de ferro com o regime Sírio e a Rússia. Theresa May só recentemente se juntou publicamente. Será assim tão difícil conseguir saber se foram usadas armas químicas, quando a ONU tem homens no terreno? O que mais será preciso acontecer para haver uma reacção concertada da comunidade internacional contra estas atrocidades?

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Lula da silva: instrumentalização ou epidemia?






   Lula da silva foi, talvez, das figuras mais importantes do Brasil, e marcou decididamente um tempo. Tirou milhões de pessoas da pobreza, mas o mais importante, foi dar oportunidade a pessoas que nada tinham, e essa oportunidade traduziu-se em coisas simples, como, por exemplo, ter um cartão de débito, e ter um mínimo de subsistência. Em 10 anos, o programa "bolsa família" tirou 36 milhões de pessoas da pobreza extrema. Mas por ter retirado milhões de brasileiros da pobreza não merece ser julgado e ir preso? 
   Não, não é por isso, nem alguma vez se podia pensar nisso. A subversão das coisas e a rapidez com que é feito impede, por vezes, uma análise independente e justa. Independentemente disso, toda a pessoa é igual perante a lei, mas o problema é que estamos a falar de um processo que foi politizado, num país onde a credibilidade dos políticos está próxima do patamar zero. Da mesma forma que o envolvimento do poder político se estendeu a Temer, que igualmente deveria ser julgado e preso, e bloquearam o seu julgamento, que, de qualquer forma, voltará um dia, e aí terá poucas hipóteses de se livrar. Mas, e porque tudo o que se está a passar no Brasil com julgamento de Lula um dia vai ser descoberto, esperemos que a justiça funcione para os restantes políticos com a mesma celeridade que aconteceu com Lula da Silva, não por uma questão de gosto ou partidarização, mas por uma questão mesmo de Justiça. Se para uns é razoável, à luz do nosso sistema, não é aceitável que alguém seja condenado sem ter havido o trânsito em julgado da decisão, sem poder esgotar todas as possibilidades de recurso. É perigoso afirmar que Lula da Silva está inocente, da mesma forma que é igualmente perigoso afirmar que é culpado, estando mais próximo deste último, visto ter sido já julgado por tribunais, mas ao mesmo tempo, aqueles que o julgaram, envolveram este processo - mais que o que ele já estava - num processo meramente político.
   A dúvida que fica é se, com esta mediatização do caso Lula, e com a politização oferecida ao caso, houve instrumentalização do caso para atingir certos fins ou trata-se mesmo de um efeito epidémico sem retorno na justiça brasileira.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Retrato dos Tempos : Síria

Goutha Oriental

Goutha Oriental

Goutha Oriental

Goutha Oriental

sábado, 17 de março de 2018

Professor Manuel Linda





  Em primeiro lugar, os meus parabéns ao meu amigo e professor Manuel Linda, o novo Bispo do Porto. Por vezes, o difícil não é escolher alguém para um cargo, porque isso é fácil, e há sempre alguém disponível. O difícil é escolher a pessoa certa e ter a possibilidade de escolher alguém com a humanidade e capacidade para o cargo como o Padre Manuel Linda. Esta oportunidade é extraordinária e certamente o vai ajudar a fazer o bem a quem mais precisa, e vai ser reconhecido pelas gentes do Porto. 
   Não quero estar aqui com regionalismos, mas há uma coisa que tem ser dita: o Porto é diferente e essa diferença vê-se em tudo, e até aqui nesta nomeação feita pelo Vaticano nota-se essa diferença, porque, mais uma vez, o cargo agradece a pessoa. Isto é o que ainda resiste e torna diferente o Porto : os cargos agradecem às pessoas. Como professor, foi extraordinário, e como pessoa é extraordinário. Recordo aqui um artigo que fiz neste mesmo blogue, em 14.09.2009, sob o título "Eutanásia - relatório que Tony Blair encomendou a especialistas", o qual, com as suas palavras amigas, e surpreendentemente, porque nunca lhe comentei que tinha tal blogue, foi comentar. 
   O difícil agora será ficar, e já não chegar ao topo, e tenho a certeza que o amigo Manuel Linda permanecerá nesse topo e agora está no lugar que merece e poderá fazer a diferença de uma forma mais abrangente e com mais meios, e fá-lo-á, que eu sei. Porque aqui, e para quem entende a mesma língua, chegar ao topo significa ajudar mais pessoas, nada mais.
   Deus o abençoe e ajude amigo nesta nova missão.
   
   

sábado, 3 de março de 2018

Síria: quantas mais crianças terão morrer?



Hadi Huden, menina Síria qu confundiu câmara fotográfica com cano de uma arma




   Imperdoável a guerra que somos forçados assistir perante e omissão ou falta de acção dos Estados, que, continuam a "varrer" para debaixo do tapete aquilo que todos vemos, mas que, na verdade, poucos querem assumir: o massacre do século XXI. ONU até quando vamos resistir?  Quantas mais crianças terão de  morrer para que o mundo reaja?
   O que temos assistido na Síria é um autêntico e repugnante conflito de interesses entre Estados, que mata milhares de civis a cada dia que passa, onde as recentes e chocantes imagens de Ghouta Oriental retratam bem a indiferença de quem mata, sendo milhares de crianças mortas e milhares feridas, ao mesmo tempo que os pedidos de apoio das populações são a cada segundo, de todo o lado da Síria.   Os atos praticados pelas tropas do regime são atos de terrorismo, e trata-se de um massacre, que poucos querem reconhecer, porque não têm coragem ou porque chocam com poderes de outros Estados com os quais não querem problemas, como por exemplo a Rússia ou a própria China. Mas neste ponto a ONU ou encontra uma solução para contornar os vetos dos membros permanentes do seu conselho de segurança (Rússia e China) ou teremos que reconhecer que, quando o mundo precisar da ONU para se impôr ao Estados, ela jamais poderá ajudar, e, assistiremos ao "sangrar" das potências e à sua luta pelos poderes, ou seja, o poder entre Estados.
   Uma Síria olvidada -num conflito onde morre uma criança em média por hora -que os Estados irão pagar caro, se continuarem a olhar para o lado. As crianças não valem dinheiro, mas são e serão sempre o nosso futuro. Na Síria, vemos uma guerra de todos contra todos, onde, no fim, as vítimas são os civis.
 

domingo, 21 de janeiro de 2018

Larry Nassar



Larry Nassar 



   Falar de Larry Nassar, aquele que foi médico da selecção americana de ginástica já vale de pouco ou quase nada, porque este vai passar o resto dos seus dias entre 4 paredes, espreitando por entre as grades o mundo que existe lá fora, e que não soube aproveitar. 
   Após verificar o caso, o testemunho de Chelsea Markham deve deixar e encorajar todos aqueles que alguma vez viram ou um dia possam ver algo que indicie abuso sexual, maus tratos ou outro crime a denunciar e não ficarem calados. Chelsea Markham tinha o sonho de ser ginasta de topo. Foi com essa idade entregue aos cuidados do criminoso Larry Nassar (já não é médico - isso acabou - agora é um criminoso), e um dia, ao sair da sua visita, chorou e contou à mãe que este a tinha molestado e tocado com os dedos, sem luvas, na sua vagina, e que não diria a ninguém porque poderia prejudicar o seu sonho. Ficou traumatizada e deixou a ginástica. Teve vários problemas com drogas e suicidou-se em 2009. A sua mãe não denunciou Larry e hoje diz que não se consegue perdoar. A par deste testemunho que acabou em tragédia, é igualmente chocante o de Kyle Stephens, que passou os domingos com o criminoso, sendo este um amigo da sua família. Enquanto sua mãe preparava o almoço de domingo, este brincava com as crianças, até que chegou o dia em que abusou sexualmente de Kyle, quando tinha 6 anos, e quando teve coragem de contar aos pais, estes não acreditaram. Estes são apenas 2 dos 90 testemunhos de abuso sexuais praticados por Larry conhecidos, porque faltam aqueles que ainda não tiveram coragem de denunciar. Há aqui uma coisa que deve exigir reflexão: o facto de os pais não denunciarem os crimes, e em alguns testemunhos, ignorarem inclsuivamente e de forma chocante os avisos das crianças.
   No meio do choque, do crime, do trauma, do desespero, do irracional, há outra questão tem ser respondida: "Após ouvidas 90 testemunhas de abuso sexual por aquele que foi médico da selecção durante mais de 20 anos, onde estão os outros que foram cúmplices destes crimes" ? 
   Em tempos era apenas um direito (e mal), mas hoje, em pleno século XXI, é um dever de todos denunciar estes crimes, e, olhar para o lado ou fazer que não é connosco, ou mesmo, não acreditar devido ao estatuto social da pessoa é um erro, porque quem menos pensamos que possam cometer estes crimes são, muitas das vezes, os principais suspeitos.
    Na cela onde está o criminoso Larry, há mais camaratas por preencher.


quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Benesse partidária à sucapa





    
    Será que é possível haver uma aprovação de alterações legislativas, na véspera de Natal, relativa ao financiamento dos partidos e a culpa ser mesmo apenas de quem aprova a lei? Nós, enquanto sociedade, não temos obrigação de reagir, de agir, de dizer que não concordamos com tal benesse à sucapa?
   Uma lei que permite aos partidos políticos receberem mais dinheiro, não pagarem impostos e ainda livrarem-se de várias situações ainda aguardar julgamento é caso para todos enquanto sociedade reflectirmos, como povo e pensarmos se todo este modelo que construímos faz sentido actualmente, não por não haver outra forma que não seja a democracia, mas sim porque pode haver mais democracia dentro da própria democracia.
   Isto que se passou deve envergonhar-nos a todos, enquanto país. Aos deputados, por terem a ousadia e o descaramento de aprovarem uma lei destas à sucapa, em 16 minutos, sem discussão, e aos cidadãos, à sociedade, por estar sem força, sem ânimo e adormecida no tempo, desvalorizando os ataques que o seu povo vai sofrendo, mas que ela, sem os seus cidadãos, nada pode fazer.
   

Elogio a Anna Muzychuck





   Há momentos em que devemos levantar as mãos e aplaudir, e sem dúvida que a decisão de Anna Muzychuck, campeã mundial de Xadrez, em recusar-se a competir na Arábia Saudita por causa das restrições impostas às mulheres no país, é um destes casos. Se por um lado, não necessitava de usar o véu, teria de usar obrigatoriamente camisola de gola alta, num país onde uma mulher ainda necessita de autorização de um homem para, por exemplo, abrir uma conta bancária, abrir um negócio ou viajar e continua a ser tratada de uma forma inferior ao homem. São atitudes e gestos como estes que marcam a diferença e abrem espaço para o progresso e a mudança, num tempo em que já não podemos admitir que uma mulher seja subjugada e mal tratada desta forma.

Raríssimas







   A Raríssimas é uma instituição sem fins lucrativos, fundada em Abril de 2002 para apoiar todos os cidadãos portadores de doenças menos comuns e todos aqueles que com eles se correlacionam. É isto que está no site. Um instituição onde não há lucro, e que beneficiam de um estatuto diferenciado pelo serviço social que prestam. Depois de tudo o que se ouviu e foi tornado público, devemos ponderar e saber dividir as coisas. Uma coisa é a instituição e o serviço meritório que presta, e, que tanta falta ao nosso país instituições que apoiam estas pessoas com doenças raras. Outra coisa são as pessoas que se apoderam dos cargos para servir-se em vez de servir os outros, e , aqui, seguramente que a raríssimas não é o único caso, raríssimas há muitas. Mas, se há razões para condenar, e aqui o comportamento da presidente foi pouco ético e infeliz ao referir "foi uma cabala muito bem feita", em contraponto com as provas de que aos meninos da instituição era servida comida fora de prazo, por exemplo, o que não pode ser aceitável.
   Uma boa solução seria criar uma entidade para fiscalizar estas instituições, e perceber se o dinheiro que é atribuído chega aos principais destinatários e é aplicado para o fim a que se destina, que algumas vezes, este dinheiro é instrumentalizado e acaba por não ser aplicado para os fins que deveria ser, e é isto que tem de ser combatido, porque se for fiscalizado, minuciosamente, dificilmente estas situações que foram relatadas voltam a repetir-se, porque tudo isto é má utilização dos fundos públicos, aqui subsídios públicos.
   Não devemos, jamais, é confundir as instituições com as pessoas titulares dos seus cargos e órgãos sociais, porque se, neste caso, se provar algumas acusações que são feitas à presidente da raríssimas, esta deve ser condenada, mas a instituição deve continuar o seu trabalho, que é importante para a sociedade e para o país.


2017?



 Artigo 171.º  do Código Penal Português

 Abuso sexual de crianças 

 1 - Quem praticar acto sexual de relevo com ou em menor de 14 anos, ou o levar a praticá-lo com outra pessoa, é punido com pena de prisão de um a oito anos.

 2 - Se o acto sexual de relevo consistir em cópula, coito anal, coito oral ou introdução vaginal ou anal de partes do corpo ou objectos, o agente é punido com pena de prisão de três a dez anos.

domingo, 12 de novembro de 2017

Panteão Nacional desde 1836


1836 - Panteão Nacional

2017 - Panteão Nacional




   Foi em 2014 que, por despacho (8356/2014) Jorge Barreto Xavier (secretário de estado à data) teve a diferente e inovadora ideia de permitir que se possa alugar o Panteão Nacional para "jantaradas". Os preços variam entre os 750 euros e os cinco mil euros, conforme se pode ler no despacho. O grave não é terem sido as pessoas da Web Summit, que são os últimos culpados (na verdade nem culpados são, porque estava aberto ao público e tiveram um gesto de louvar e enaltecer ao pedirem desculpa), mas sim quem permitiu e autorizou que tal jantar fosse permitido, e principalmente os anteriores que já foram lá realizados.  Jorge Barreto Xavier ainda veio tentar justificar-se com a ideia de que no despacho vem frisado  que "podem ser rejeitados os pedidos que colidam com a dignidade dos monumentos", ou seja, na verdade isto é o mesmo que não dizer nada, porque tudo o que é permitido no despacho pode desde logo colidir com a dignidade de tais monumentos (qualquer aluguer do espaço colide com dignidade dos monumentos), logo para quê sua criação? Por vezes, mais vale não se dizer nada, do que justificar aquilo que não tem justificação. Quem criou o despacho foi com a ideia de permitir e alugar o espaço a quem quisesse sem restrições, porque não há espaço para excepções aqui neste diploma, porque criar uma excepção seria impedir o seu diploma na totalidade. E se este Governo também tinha conhecimento e nada fez também agiu mal.
   Quando a perda de valores e princípios possa ter chegado aos altos cargos da nação devemos evitar o seu alastramento e estancar a sua proliferação, porque um local onde estão aqueles que se distinguiram pelos mais altos serviços prestados ao país deve ser preservado e respeitado. Foi em 1836 que Passos Manuel, através de decreto mandou construir o Panteão Nacional, e jamais podemos permitir que haja a "banalização" de um local tão sagrado e inspirador para todos nós enquanto portugueses. Ali estão aqueles que serviram o país de forma exemplar, que lutaram e elevaram o nome de Portugal. 

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Elogio à Simplicidade






  Nunca vi o meu voto ser tão respeitado e nunca tive tanto orgulho em alguém em quem votei. Se fosse hoje, votava duas vezes em Marcelo Rebelo de Sousa, porque nunca houve ninguém que o merecesse tanto. Para fazer o bem a quem mais precisa, por vezes, basta um gesto ou palavra com um abraço. Quando o azar nos bate à porta, temos de pensar que a missão principal de todos e a obrigação é estar ao lado destas gentes, e evitar o sofrimento, porque o país ainda sofre e sofre muito, ao ver estas gentes completamente devastadas.
   Elogio à simplicidade de alguém que nos representa de uma forma que nos enche a alma.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Marcelo salva a face





   Marcelo, de uma forma lúcida e olhando com olhos de ver para o país, fez ontem uma declaração que respeita todos aqueles que perderam as suas vidas estes dias nos incêndios e suas famílias. Salvou a face de um país que tinha vergonha em todas as declarações governativas que até ali tinham sido proferidas. Haja alguém que se coloque no lugar daqueles que perderam seus familiares, suas casas, suas economias, seus animais, o trabalho árduo de anos e anos de sacrifícios. Estamos a falar de pessoas que lutaram sozinhas com as mangueiras de suas casas contra os fogos, tendo algumas mesmo perdido a vida nesse combate.



terça-feira, 17 de outubro de 2017

Passividade pouco compreensível


Manifestação em Espanha pelas 4 mortes nos incêndios



   Aqui na vizinha Espanha, na Galiza,  morreram 4 pessoas nos incêndios, e foram milhares aqueles que saíram à rua gritando tarjas como "fogos nunca mais", exigindo a demissão do presidente do governo regional, por incompetência na defesa das populações. Deixemos de lado o medo pelas palavras, e haja coragem em assumir que estas 41 mortes já confirmadas isola-nos no tempo, e atira-nos para uma visão de país de terceiro mundo. 
   Ontem, quando assisti à declaração do primeiro ministro não quis acreditar, porque se há coisa que não foi feita foi tudo o que deveria e poderia ter sido feito para evitar estas mortes. A par da ministra, foi mau demais o que se ouviu, e não se pode olhar para o lado depois de mais uma tragédia destas. 
   O que faz um povo ser tão passivo perante o poder político? Começa a ser preocupante esta passividade, e a forma como o poder político consegue "dominar" e "acalmar" um povo perante tragédias desta magnitude. Como é possível perante 41 mortes em tão poucos dias, o povo continuar sereno, como se fosse uma inevitabilidade? Acho mesmo que começa a ser um caso sério esta passividade pouco compreensível de um povo que vê os seus serem dizimados de uma forma arcaica, sem haver responsabilidades, esperando, mais uma vez, que o tempo seja o curador de todas as feridas que ainda ficaram por sarar.
   

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Mortes Inaceitáveis









   Mais uma tragédia em Portugal, e neste momento já estão 29 mortes confirmadas, em consequência dos vários incêndios que assolam o país. Num momento em que as pessoas lutam com que podem, muitas isoladas, sem qualquer protecção e orientação, o Secretário de Estado da Administração Interna veio dizer que "Não podemos ficar à espera dos bombeiros". Se há coisa que vemos e as televisões nos mostram são as pessoas, em muitos casos, sozinhas, unidas com as suas populações, a combaterem os fogos. Haverá alguém que veja a sua casa cercada por um incêndio e não faça nada? 
   O cenário que nos chega mostra uma pessoa grávida a fugir das chamas em contra-mão na A25, outras três encontradas mortas em suas casas e tantos outros por aí a tentar, igualmente e em desespero, fugir à perseguição das chamas.
   Como podemos repetir os mesmos erros? Em Pedrogão vimos pessoas a morrerem dentro das suas casas por falta de auxílio, e aqui igual. Em Pedrogão vimos pessoas a morrerem nas estradas por falta de informação (em alguns casos até informação prestada incorrecta) e aqui igual. Em Pedrogão não vimos um plano para retirar as pessoas das casas atempadamente, e aqui igual. Em Pedrogão existiam milhões investidos para os combates aos incêndios e o pouco aceitável aconteceu e aqui também.
   Estamos todos com as famílias daqueles que perderam as suas vidas, e devemos fazer tudo para evitar mais mortes, mas já há uma coisa que não podemos evitar: a tragédia. Estamos perante mais uma tragédia nacional, e, não é admissível nem aceitável estas mortes, essencialmente da forma repetida como aconteceram, quando existem milhares de pessoas destacadas e milhões investidos exclusivamente para evitarmos, no mínimo, uma tragédia com números de mortos desta natureza, que nos chocam, nos vergam e entristecem um país. 


    

domingo, 15 de outubro de 2017

Aquecimento Global








   Num momento em que todos nos deparamos com o problema do aquecimento global, e, os recentes estudos apontam para o aumento dos indícios que comprovam esse aumento do aquecimento, assistimos a um triste retrocesso americano, sem nenhuma razão que possamos aceitar. Ainda é aceitável, em pleno século XXI, ponderar a influência da humanidade no aumento global das temperaturas? 
   Conseguir alcançar o acordo de Paris sobre as alterações climáticas durou anos de negociações, e quebrá-lo agora seria um retrocesso mundial. Depois de Bush ter quebrado com o Protocolo de Quioto (com o mesmo argumento que Trump, de que interferia na economia americana) , o protocolo deixou conseguir cumprir suas metas quanto às emissões de gases de efeito de estufa. Mas nem tudo foi mau, e o surgimento, por exemplo, das energias renováveis, deve-se me muito a este protocolo, bem como o apoio que foi dado a países em desenvolvimento, como por exemplo, a ampliação das suas florestas e espaços verdes. 
   A ONU terá aqui um papel decisivo, e esperemos que demova Trump deste retrocesso, e o convença da importância desta redução para o bem da humanidade e da sua existência. Juntamente com a China, os E.U.A representam metade das emissões de carbono a nível mundial. 
   Deve ser dado exemplo da Alemanha, que conseguiu reduzir os seus gases efeito-estufa sem diminui seu PIB. Num momento em que os avanços ficaram aquém do esperado, e, o degelo num recente estudo do New York Times é referido como um problema que adenda-se a cada dia que passa (veja-se o recente fenómeno da Antárctida onde abriu-se um buraco do tamanho da República Checa), é fundamental e urgente que o Acordo de Paris seja cumprido.



quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Elogio a Marcelo

Mafra - 05.10.1910



   Mais uma vez, neste 5 de Outubro, Marcelo soube ter elevação e fazer um discurso inteligente, ponderado e optimista. Este apelo e promoção do presidente a uma política transparente, em que se assuma humildemente o que correu bem e o que correu mal é uma defesa da democracia, onde este dia é um dos seus expoentes máximos. Soube pedir respeito e prestígio, por exemplo, para as nossas Forças Armadas, numa clara alusão a Tancos, mas sem nunca perder a compostura nem entrar numa crítica deselegante ou desestabilizadora, até porque não há razões para isso.


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Isaltino Morais





   Talvez tenha sido a vitória mais surpreendente da noite, de alguém que todos os candidatos tentaram colocar fora desta corrida, como se já tivessem algum pressentimento do que se viria a passar. Gostaria de saber quais as razões da população de Oeiras para dar a vitória a Isaltino Morais, e com maioria absoluta, depois de ter sido condenado a uma pena de prisão de 7 anos, perda de mandato, com condenação em todas as instâncias judiciais, por ter desviado milhares de euros enquanto autarca, fraude fiscal, abuso de poder, corrupção e branqueamento de capitais.

Rescaldo Eleições Esposende






   Houve uma grande derrota e uma grande vitória em Esposende. A grande vitória foi do PSD, que sem sombra de dúvida, ganhou de forma clara, sem muita margem de contestação. Mas não é por ter 60% que deixa de ter apresentado uma das piores listas dos últimos anos, em termos de valores e nomes. E isso deve exigir uma reflexão para se tentar perceber qual a razão para meia dúzia de pessoas com influência económica continuarem a decidir sobre o futuro de Esposende (em privado algumas até fazem trocem daqueles que hoje votaram massivamente neles).
  A grande derrota foi do PS e do CDS. O PS não existiu, sendo que se a maioria das pessoas nem sabia do nome do candidato, e mesmo que não soubesse do nome, a imagem e os seus cartazes não ajudavam à cativação, por muito esforço que se fizesse. E se PS com esta conjuntura não tem melhor candidato, algo vai muito mal, e não é de hoje. Já o CDS, na mesma linha, escolheu um candidato sem expressão, que fez uma campanha pobre, e que, conseguiu piorar os resultados e contribuir para a vitória do PSD. O JPNT não ficou de lado, e foi também um dos derrotados desta noite, de uma forma menos penosa que os que os restantes, porque não tem máquinas partidárias. Mas, talvez tenham tido demasiadas pessoas inexperientes e "puras" politicamente, que na política paga-se caro, e faltou uma oposição mais dura e mais veemente. Foi notória a falta de uma oposição forte durante a campanha, e era necessário para mostrar que há melhores e mais capazes para o cargo.
   Há uns tempos, alguém dizia: "Um dia destes vou para a câmara, ainda vou ver quando vou para lá como Vereador, quando me der mais jeito". E não é verdade que aconteceu?
   Esposende merece que as pessoas estejam de alma e coração nos cargos para os quais foram eleitos, mas o verbo merecer é diferente do verbo acontecer.

sábado, 30 de setembro de 2017

Referendo na Catalunha






   Este referendo na Catalunha é apenas surpresa para quem nunca lá esteve, mas se este precedente vencer, podem outros reivindicar tal autoridade, como, por exemplo a Comunidade Valenciana ou Andaluzia? Com que legitimidade poderá ser colocada em causa? Regresso dos nacionalismos? Será que a ilegalidade do refendo chega para justificar a sua não admissão?
   Quando estive em Barcelona, lembro-me de falar com um empregado de um hotel sobre este tema, que vivia há muitos anos na cidade, e, uma das coisas que me dizia era que as pessoas dali não eram espanhóis, eram Catalães, e diferentes da maioria das pessoas do resto de Espanha. E esta forma de estar de quem vive na Catalunha tem uma razão de ser: estamos a falar da região mais rica de Espanha, onde não precisam de mais nenhum dos outros povos e estamos a falar de uma região que representa aprox. 20% do PIB espanhol. Lembro-me igualmente de contactar com a Catalunha quando estive a trabalhar em Valência, e estava em causa um negócio de milhares de euros, e eles queriam ter um tratamento diferente do resto de Espanha, e queriam ser tratados de forma diferente, e inclusivamente, se em Madrid tivesse a acontecer o negócio de uma forma, eles queriam que fosse de outra. Até no turismo eles gostam de enaltecer a diferença, e, gostam de ser a região que recebe o turismo de "elite", o designado "bom" turismo, ao contrário, por exemplo, de Benidorm, que recebe um turismo mais fraco, tudo em termos económicos. 
   Esta ideia de nacionalismo existe e não pode ser ignorada, mas não pode ser, ao mesmo tempo, tolerada a qualquer custo, e, à revelia das regras de um estado democrático. E esta forma autocrata da Catalunha não pode ser aceite, nem sobrepor-se à decisão do Tribunal Constitucional Espanhol, que considerou ilegal o referendo.