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quinta-feira, 23 de julho de 2015

Rui Rio e Belém

  
Rui Rio



   Gostava de ver Rui Rio a Primeiro-Ministro de Portugal. Talvez possa ser um "erro" estratégico Rui Rio ser candidato presidencial, isto porque tenho poucas dúvidas que daria um excelente Primeiro-Ministro de Portugal, porque tem um perfil de que o país precisa, com provas dadas na Câmara Municipal do Porto. Poucas dúvidas terei que também será um bom Presidente da República, mas acho que o país precisaria mais de um Primeiro Ministro com este perfil e valor. Na entrevista dada à Rtp, quando lhe perguntam se já decidiu a sua candidatura a Belém, este responde: "Daniel, estou a ponderar, porque fazer uma campanha custa dinheiro e não quero ficar a dever a ninguém e só avanço se tiver dinheiro ou financiamento, independentemente de ter o apoio ou não do partido". Quantos políticos falam e agem desta forma em Portugal?


quarta-feira, 22 de julho de 2015

Proposta Deputado António Filipe



António Filipe




   Foi hoje a votação final na Assembleia da República o novo estatuto da ordem dos advogados. A proposta sobre a "remuneração do estágio", apresentada pelo deputado do PCP, António Filipe, foi chumbada. O curioso é que, por exemplo, um dos deputados que votou contra não o fez de acordo com a sua consciência, porque já chegou a tornar pública a sua ideia, e mais grave, já tive oportunidade de o ouvir pessoalmente, e tinha uma opinião firme nesta matéria, contrária à do seu voto. Nestas matérias, mais que partidos ou pessoas, deve imperar a nossa consciência, o nosso saber. A proposta do deputado António Filipe sobre a obrigatoriedade de remuneração do estágio de advocacia dificilmente poderia ser rejeitada se imperasse o bom senso. Mas, é do PCP, e mesmo que seja uma boa proposta, não pode ter um voto a favor de outra bancada, porque o nosso sistema está totalmente partidarizado. Mas fica o registo de uma boa proposta do deputado António Filipe.


domingo, 19 de julho de 2015

TEDxLisboa

domingo, 12 de julho de 2015

Saída Temporária da Grécia?

   




   Bem, quando o bom senso devia ser um imperativo nas reuniões com a Grécia, eis que uma das propostas é: "a saída temporária da Grécia por um período de 5 anos". Quem não tiver acompanhar o que se passa na União Europeia, diria que tudo isto é uma brincadeira, onde as consequências são impossíveis de quantificar. Num momento em que todos deviam lutar por um "acordo", defendendo a Europa, a Alemanha faz uma proposta infeliz e que diz muito desta liderança europeia. Vamos acreditar que esta proposta foi um "desvario" alemão, porque caso seja ponderada e discutida, e , mais grave, aceite, seria o fim da Europa, que não acredito que seja aceite pelos restantes estados membros. Esta proposta é um apelo à desunião, quando as propostas deviam ser um apelo à união.


quarta-feira, 1 de julho de 2015

Escravidão Moderna

   





   Um dia, a história fez-nos chegar ao conhecimento os tempos da escravatura, em que um escravo (ser humano) era visto como mercadoria. Desde 1836, altura em que foi abolida a escravatura, que tal palavra não se fazia ouvir nos corredores do mercado de trabalho em Portugal.
   Entraram hoje em vigor as novas regras do CPAS (Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores), que obrigam, todos os inscritos na Ordem dos Advogados a pagar, já no próximo ano, 191 euros mensais (escalão mais baixo obrigatório) e 242 euros em 2020, independentemente de o advogado ganhar 250 euros mensais ao final do mês ou ganhar 20.000 euros mensais. Quando soube disto, pensei que não fosse possível tal "atrocidade", mas o incrível é que estas coisas (e não queria dizer isto mas torna-se inevitável) começam a só ser possíveis mesmo num país como Portugal, onde só uma completa "ignorância" pode levar alguém aprovar um diploma deste tipo, desta forma tão infeliz e ingénua.
   Mas como é que podem obrigar, por exemplo, um advogado que ganhe pouco, ou mesmo um advogado estagiário que, por exemplo não ganha ou que ganha uns "trocos" a pagar tanto como um advogado que aufere um salário "chorudo" ao final do mês? Antes disso, como pode alguém pagar se não auferir rendimento? Será que por este andar qualquer dia os sem abrigo vão ter de pagar IRS pelas esmolas que recebem a arrumar carros?
   Uma coisa começa a ser certa cada vez mais: alguém vai ter de pagar estas injustiças e estas novas formas de escravatura moderna, que se vão acumulando na sociedade portuguesa, e que eram perfeitamente evitáveis.


segunda-feira, 29 de junho de 2015

Sábias palavras


Cavaco Silva




  Bem, se as coisas estavam agitadas e num ambiente de turbulência em detrimento da questão grega, com as declarações do nosso presidente Cavaco Silva, pelo menos ao nível da aritmética e astrologia, ficamos mais descansados, a fazer fé no que foi dito. Em primeiro, quando o nosso presidente diz: "Se a Grécia sair ficam 18". Depois de ouvir estas palavras, lembrei-me também que se a minha avó não morresse, ainda hoje estava viva. Em segundo, quando diz: "O euro não vai fracassar, é uma ilusão o que se diz. O crescimento económico português não será afectado". Já no passado, quanto ao caso BES, o Sr. Presidente teve sábias palavras, principalmente quando disse: "Portugueses podem confiar no BES".


domingo, 28 de junho de 2015

Tragédia Grega


Ésquilo, o pai da tragédia grega





   Em outrora da história, foi Ésquilo quem inaugurou a tragédia grega. Hoje, com o programa de financiamento a terminar na próxima terça-feira, a pergunta urge: quem o fará desta vez? de quem é a (ir)responsabilidade política? Ultimato Europeu ou iniciativa grega? Há lugar para o diálogo? O país aguenta até dia 05 de Julho, dia do referendo? É uma decisão sensata ou dilatória? 
  O que define um grande político é a capacidade de predizer aquilo que vai acontecer amanhã, daí a uma semana, no mês e ano seguintes. E ter a capacidade, no fim, de explicar porque não aconteceu nada assim. Era bom que se antecipasse o que aí vem, evitando, o que cada vez se torna mais provável, à medida que as horas avançam: bancarrota grega. Pouco sabemos sobre o que passa ao pormenor em Bruxelas. Soube-se que o Syriza queria aplicar uma taxa de 12% sobre lucros das empresas acima de 1 milhão; reforma do IVA  (manter escalões, onde por exemplo, o mais baixo, cobre medicamentos); aumentar o IRC e aumentar a contribuição de solidariedade (só para quem tem rendimentos anuais acima 12 mil euros). O governo grego afirma no documento que apresentou em Bruxelas que a maior fonte de receitas será obtida através da reforma do IVA, e é aqui um dos pontos que gerou controvérsia. Bruxelas não aceitou, pedindo que aumentassem a taxa sobre a energia para 23% e aumentassem a taxa sobre os medicamentos, bem como impostos incidissem mais sobre as pessoas, e não sobre as empresas. Mas isso é como pedir a uma Testemunha de Jeová para fazer uma transfusão de sangue. Estamos a falar de um partido de esquerda radical, que tem uma ideologia, e obviamente não podemos estar à espera que as propostas fossem muito diferentes das apresentadas, bem que algumas até podiam ser mais radicais, e foram defendidas dentro do Syriza. Alguma surpresa? Não parece. Será que a Europa estava e está preparada para implementar novas políticas alternativas à política atual ? Também não parece. Mas chegar aqui, em termos políticos, seria uma inevitabilidade (alternativas políticas), mas não seria inevitável haver um consenso que evitasse mais uns tempos de turbulência na Europa.
 O referendo político, mesmo havendo um "sim" ou um "não", poderá não ser a melhor solução, e indicia que algo vai mal no seio do próprio parlamento grego, principalmente na bancada do Syriza, e aí poderá estar a origem desta iniciativa. A sua legitimidade não se questiona, mas lançar mão deste instrumento apenas neste momento (a 3 dias do programa de financiamento terminar) é pouco sensato. E qualquer um dos cenários é no mínimo "embaraçoso", Caso ganhe o "não", a Grécia poderá ter de sair mesmo do Euro, a não ser que tudo o que se passa em Bruxelas seja uma encenação, que não podemos acreditar. Se ganhar o "sim", vamos ter um Governo a negociar com Bruxelas propostas com as quais não concorda, o que é insustentável em termos políticos.


Professor Marcelo Rebelo de Sousa

 
Marcelo Rebelo de Sousa




   No programa alta definição (programa conduzido de forma excelente pelo Daniel Oliveira), o convidado desta semana foi o professor Marcelo Rebelo de Sousa, e que bom foi ouvi-lo professor.
   Destacou que é no "dar" que está a razão de existir, que na vida há coisas milhões de coisas pouco importantes que nos fazem perder tempo. Lembrou das pessoas que estão doentes, que estão nas fases críticas e terminais da suas vidas, da importância que é dar valor a estas pessoas. Como o percebo e concordo professor. A grande riqueza da vida é saber dar valor mesmo às coisas importantes e que nos fazem felizes, e não perder tempo com esses milhares de coisas menos importantes. Quantos de nós não perde tempo com essas coisas? Acho que todos já o fizemos e temos de aprender e a cada dia que passa saber dar valor ao que realmente merece o nosso valor e encarar de forma normal as coisas menos importantes, porque também aí está a capacidade de sermos inteligentes e conseguir utilizar a inteligência de uma forma sublime, educacional e com elevação.


domingo, 21 de junho de 2015

PS de (Cha)Co(s)ta

 






  Sem dúvida, este será um caso de estudo político. Como é que alguém que já chegou a ter a maioria absoluta em sondagens (ver :http://www.jn.pt/paginainicial/nacional/interior.aspx?content_id=4187336), pode agora estar a perder as eleições para a maioria PSD/CDS?
  António Costa tinha uma boa imagem junto da opinião pública e era apreciável a sua maneira de estar na política (porque tinha qualidades e um percurso interessante) , mas a partir do momento em que passou a ser líder do PS, a gestão da sua imagem e a forma de fazer política mudou e tornou-se muito fraca, tendo aniquilado em parte as possibilidades de ganhar eleições. Em primeiro, na escolha das pessoas. Rodeou-se da "velha guarda" , alguns nomes que já nem o coveiro se lembrava. Ir buscar algumas pessoas demonstrou que seria "mais um", igual a tantos outros, que bebia o sistema partidário como ninguém e a ambição era partidária e não nacional. António Costa tinha um posicionamento no PS como Rui Rio tem no PSD, mas perdeu esse crédito de alguma independência que as pessoas viam nele e a prova de que esse crédito existia está nas primeiras sondagens de 2014, onde davam a maioria absoluta ao PS, Em segundo, confrontado perante a opinião pública para tomar posição sobre diversas matérias, adiou sempre a resposta, contornando a mesma, demonstrando e passando a imagem de que não queria comprometer-se com "nada", o que passou a imagem de calculista político. Em terceiro, no que concerne a propostas e ideias (a parte que correu melhor mas veio tarde e não apaga os erros anteriores), aqui as coisas correram um bocado melhor, principalmente no momento da apresentação, onde há coisas que merecem elogio, mas, o problema veio posteriormente no esclarecimento de António Costa sobre os pontos do programa. Quando questionado, demonstrava sempre fraca argumentação e remetia para terceiros esclarecimentos. Em quarto e por fim, o discurso político (talvez ponto crucial). Tem um discurso pouco emotivo e que está longe das pessoas, onde revela dificuldade em ser ouvido e mostra pouca vontade e garra em mudar as coisas, porque o discurso está longe de ser nacional. Um discurso onde os portugueses não se revêem, com ziguezagues constantes, pouco credível (o que não acontecia antes de ser líder do PS) e confuso. Basta lembrar a posição relativamente ao caso da Grécia, onde inicialmente colocou-se do lado de Tsipras, e mais tarde, para se afastar desse radicalismo, tornou o seu discurso próprio radical, ao afirmar que afinal "Tsipras era um tonto".
   A política deve ser feita para as pessoas, e quando esta é feita mais a pensar no partido do que no país, o resultado é um cartão vermelho ao candidato, mesmo que este até tenha qualidades, porque tem de demonstrar naquele momento. Não vence quem ganha uma ou duas batalhas, mas sim quem ganha a guerra. E se António Costa entrou perto da maioria absoluta, em pouco tempo tudo mudou e já está em risco de perder as eleições, e mais grave ainda, ser alvo de chacota política por aqueles que esperaram por este momento: apoiantes de António José Seguro. 
    


sábado, 20 de junho de 2015

Impasse Grego




Yanis Varouf
akis e Alexis Tsipras



  Num país onde, após 2008, o ajustamento levou à queda de 37% nos salários; queda de 48% nas pensões; onde o número de funcionários públicos diminuiu 30%; o consumo caiu 33% e o défice 16%, por sua vez, disparou o desemprego para os 27%; o trabalho não declarado atingiu os 34%; a dívida pública ultrapassa 180% do PIB; a pobreza e a fome tiveram aumentos associados a estados de guerra e a capacidade produtiva deixou de existir. Perante isto, será que administrar o mesmo antibiótico ao doente é uma boa solução? Admitindo que é preciso tomar antibiótico, será que utilizar o mesmo do passado (sabendo que não resultou) é aceitável? Impressiona ver pouca gente discutir os efeitos do antibiótico aplicado anteriormente e a sua pouca ou quase nula eficácia. O debate centra-se em duas saídas: pagar ou não pagar, desviando-se do principal problema: futuro grego.


domingo, 14 de junho de 2015

CONFAP

  
Confederação Nacional das Associações de Pais





 A Confederação Nacional de Associação de Pais veio defender que os alunos deveriam apenas ter um mês de férias no Verão. Mas a ideia é repensar a escola para o bem dos alunos ou a ideia é ter onde deixar os filhos nas férias de Verão?
   A escola precisa ser pensado no seu todo, desde do tempo em que os alunos passam na sala de aula, passando pela forma de ensinar, até aos métodos de avaliação aos alunos e professores. Mas, para isso é preciso haver vontade e dinheiro. Primeiro, porque a escola pública está cada vez mais pobre, e, não vale a pena andar com "floriados" nesta questão, porque quando não há investimento, é difícil conseguir proporcionar boas condições aos alunos e melhorar seus desempenhos escolares. A ideia de haver apenas um mês de férias tem de ser "compensatória" para os alunos, porque serão sempre eles os beneficiados ou prejudicados, e acho que tem valer mesmo a pena, caso contrário, se for para ter onde os deixar, daqui a pouco será que vamos ter alguém a defender que no Natal seja apenas dia de férias o 24 e 25 de Dezembro? Tem de se acabar com a ideia de haver estas "decisões" que eram prática no passado, onde decide-se sem pensar nos destinatários, e sem ponderar se haverá aceitação dos seus destinatários: alunos. 
   Acho que, por exemplo, esta ideia seria interessante, se ao encurtar os três meses de férias para 1, os dois meses fossem para contacto com empresas (inclusivé atividades); visitas culturais ou de estudo; concursos (com convidados para estimularem desde cedo a criatividade como acontece nos E.U.A.); voluntariado; programas de integração com a comunidade e estruturas locais;  etc. Acho que a ideia deve ser sempre a pensar no aluno.
   A CONFAP tem ideia que quando fala num maior "aproveitamento dos alunos fora das paredes da sala de aula" tem noção que isso não acontece essencialmente por falta de dinheiro? Por exemplo, porque razão a escola pública não promove a prática de todos os desportos como acontece no privado (inclusivé pagando para irem representar escola internacionalmente, como no caso do surf acontece em certos colégios)? Porque razão não promove mais visitas e viagens aos alunos? Porque não oferece mais apoio escolar aos alunos? Porque razão não trata todos os alunos por igual? Porque razão não promove conferências nacionais e internacionais nas escolas? 
    Mas claro que o único problema não reside no dinheiro. Em segundo estão as pessoas e o modelo de gestão. Acho que devia-se alargar as escolas às empresas, e permitir que nos seus modelos de gestão estejam presentes empresas. Os atuais modelos de gestão estão esgotados e os resultados não são animadores. Lembro-me ter andando em escola pública, e nos anos que lá passei, se tentar olhar para grandes alterações sofridas na escola, não consigo lembrar, a não ser terem "pintado" 2 pavilhões e tudo se mantinha igual no resto. Mas isto também tem muito a ver com a visão e a estratégia definida para o ensino pela tutela, que nestes anos (e parece continuar) olha apenas para resultados nos finais dos semestres, o que é uma visão cada vez mais ultrapassada.




sábado, 6 de junho de 2015

Greve dos Enfermeiros

 





   Desta vez, senti a greve, porque bateu-me à porta. Já o disse, mas volto a dizer: se há área em que o Estado não pode prescindir da sua presença e garantir os direitos básicos a todos que precisam deles, essa área é a da saúde.
   Cheguei ao Hospital, dirigi-me à recepção, onde fui informado que teria consulta marcada para as 15 horas, mas seria por outro médico. Aguardei pela minha vez, e, quando chamaram o meu nome, dirigi-me à consulta, onde tinha três médicos a receber-me. Entrei, cumprimentei educadamente os médicos, e após esse cumprimento, ouvi do outro lado o seguinte: "Em primeiro, já deve saber que o médico não está, e só poderá agora vir daqui a duas semanas, porque foi ele que o operou e só ele pode decidir o que fazer quanto ao seu tratamento. Quanto ao curativo, como sabe há greve e não temos enfermeiros para lhe fazerem o curativo ". Respondi o seguinte: "Coloque-se na minha situação e na dos demais doentes que aqui estão, acha que vou esperar mais duas semanas, após ter sido operado, quando já estou há 15 dias imobilizado? ". Não tiveram resposta, e ficaram imobilizados mentalmente, dizendo apenas que nada podiam fazer e teria que voltar noutro dia ao Hospital (comportamento negligente). Saí da consulta, fui à recepção, onde aceitaram devolver o dinheiro se quisesse, porque eu não tive uma consulta e expliquei isso, as quais amavelmente (sem culpa nenhuma, coitadas) compreenderam e informaram também que o médico não viria mais em princípio, ou seja, as pessoas todas que ali estavam e tinham sido operadas por aquele médico e que iriam voltar daqui a duas semanas para a consulta, já não seria com o médico que as operou. Após sair do Hospital, como sabia onde o médico estava (e tinha como lá ir e com quem falar para ir lá), consegui ir ter a outro Hospital onde mesmo estava, e, consegui ser atendido, fazer o curativo e resolver o meu problema, mas a verdade é que os restantes doentes tiveram de ir para casa, e, alguns irão mesmo só daqui a 2 semanas ao Hospital (consequência do comportamento negligente anterior), podendo agravar o seu estado de saúde, porque quando estive com o médico, ele disse-me: "Sim, tínhamos mesmo hoje de fazer o curativo e começar o tratamento".
   Perante isto, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses já admitiu continuar a fazer mais greves enquanto não houver melhores condições de trabalho, principalmente valorização da carreira de enfermagem. Mas, e apesar de serem compreensíveis os argumentos, não haverá outras e melhores formas de conseguir reivindicar seus direitos sem atingir os doentes, que são sempre, directamente, os afectados? Esta "banalização" da greve não poderá ser ela própria perigosa e virar-se contra quem a promove, a longo prazo, se não houver um limite?
    Quanto aos serviços mínimos, que a lei obriga, algo falhou, e não foram cumpridos, porque naquele Hospital, não havia um enfermeiro ao serviço. Aqui, o Sindicato dos Enfermeiros vangloria-se e justifica-se no acordo de 20 anos que existe para prestação desses serviços mínimos. Mas, houve falhas e o Governo devia ter utilizado, com base na lei, a requisição civil, porque o cumprimento dos serviços mínimos é uma obrigação imposta por lei, e que quando não é cumprida, deve o Governo lançar mão da requisição civil.
   A greve, até agora não conseguiu alterações nas condições de trabalho dos enfermeiros (que era a finalidade) mas conseguiu degradar as condições de saúde de muitos doentes.


terça-feira, 2 de junho de 2015

Avaliação dos Professores









   Desta vez, foi Bill Gates a defender uma ideia cada vez com mais adeptos, a qual partilho , de que a melhor forma de avaliar os professores não é através de um mero resultado, de um "passou" ou "reprovou", de um "fraco" ou "muito bom", mas sim dar-lhes uma avaliação que permita melhorar a sua prática docente e que isso tenha efeitos na sua relação com o aluno. Quantos os professores que passam nas ditas provas de avaliação e posteriormente não conseguem ter uma boa prática docente? Não conseguem ter impacto positivo junto dos alunos? Não conseguem ter uma metodologia de sucesso? Não conseguem melhorar o seu ensino ou mais grave ainda, não conseguem perceber que precisam de melhorar a sua prática docente?
   No vídeo, vemos que umas das professoras utiliza um vídeo na aula (uma das ferramentas usadas para o melhoramento da sua prática docente) e explica como isso a ajuda nas suas próprias reflexões de ensino, nas notas que toma, e o mais importante de tudo: no seu crescimento pessoal enquanto professora. 
   Este é o caminho, capacitar os professores com ferramentas úteis para estes melhorarem a sua prática docente, e encontrar formas de avaliação entre os alunos (que avaliam os professores) e os professores (que avaliam os alunos), porque os resultados são espelho das boas práticas.



sexta-feira, 29 de maio de 2015

Missionários Nepal


Nepal



  Missionários uma vez, missionários toda a vida. "Só hoje senti que o rumo a seguir me levava para longe. Senti que este chão já não tinha espaço para tudo que foge. Não sei o motivo para ir, sei que não posso ficar. Não sei o que vem a seguir, mas quero procurar. Hoje deixei de tentar erguer os planos de sempre. Aqueles que são para outro amanha que há-de ser diferente. Não quero levar o que dei, nem sequer o que é meu. Hoje parece vai estar um pouco de céu. Só hoje esperei já sem desespero que a noite caísse. Nenhuma palavra foi hoje diferente do que já se disse. E há uma força a vencer". 
   Estamos juntos :)


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Espectáculo Marinho e Pinto

   
Marinho e Pinto




   Bem, mudou de cidade, mas mesmo assim mantém a caravana em Portugal. Numa altura em que manter um circo e a sua tradição não é tarefa fácil, Marinho e Pinto continua a aposta e, mesmo mudando os artistas, não abdica de vingar nas suas lides. Desta vez o espectáculo foi no Partido Democrático Republicano e a entrada era livre, em que, o aparecimento de uma lista concorrente foi o motivo da sua fúria, que, surpreendentemente não se conteve e quase deitava tudo a perder e perdia a compostura, revelando mesmo a sua pessoa, que, ainda poucos conhecem, porque estes "tiques ditatoriais" são apenas uma amostra. Quando viu a lista concorrente, com um número significativo de pessoas, assustou-se e disse mesmo que queriam "tomar o partido", ou não terá sido antes o mau hábito de quem não suporta concorrentes e quer tudo à sua maneira e feitio? E o mais cómico foi acusarem a igreja maná de tentar à "força" levar eleitores a votar e à última hora, não aceitando esses membros. Então não são todos iguais perante a lei ? Esta xenofobia não atrai espectadores, e têm ter cuidado, até porque a multiculturalidade só traz benefícios e riqueza ao discurso, mas talvez as pessoas estejam-se aperceber que a ideia não é essa, mas sim tomar o poder a qualquer custo, seja a passar por cima de quem for, rejeitando as etnias e aniquilando os concorrentes. Bem, não há forma deste triste espectáculo acabar.

    

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Ramadi, Iraque

  
Conquista da cidade de Ramadi no Iraque pelo Estado Islâmico





    Desta vez foi a conquista da cidade de Ramadi, que estrategicamente, é uma vitória que coloca os sunitas do Estado Islâmico perto da capital Bagdade, o que representa um perigo iminente para a comunidade internacional e toda a sua estratégia. Se à derrota dos E.U.A até ao momento, é esta, e Obama aqui vai ter de repensar a política no Iraque, porque, se chegar o dia em que não haja outra solução a não ser enviar militares, já será um falhanço. Se houve falhanço assumido e reconhecido dos E.U.A, esse ocorreu em 2003 com a invasão do Iraque, mas agora a situação é outra e incomparável com 2003. E, as consequências que daí advieram foram o surgimento da Al-Quaeda e do ISIS, sendo que este último foi formado por ex- membros Al-Quaeda, sendo que o líder o ISIS foi líder da Al-Quaeda em 2010. No Iraque, o ISIS tem resistido (diga-se de uma forma algo fácil e surpreendente) aos ataques aéreos da comunidade internacional e aos ataques dos militares iraquianos (que não têm capacidade) e continuam avançar a cada dia que passa, cometendo atrocidades e massacres em massa. Em Ramadi o massacre já contabiliza 500 mortos. Não deixa de ser inquietante assistir a esta incapacidade internacional, que, está a falhar, e, perceber que a mudança de estratégia não acontece porque vive assombrada pelo medo de se voltar a falhar, um medo que teve um tempo e uma história, que pouco ou nada tem a ver com a actual.


Velho Autoritarismo Policial

  
Polícia agride Adepto em Guimarães





   Era o jogo que podia dar ao título ao Benfica, e, mais uma vez, Guimarães foi palco de "pancadaria", "furtos", "ofensas à integridade física", houve de tudo como na mercearia da Dona Deolinda. Até o "Rambo" andava à solta em Guimarães. Mesmo não sendo o dos "filmes", causou estragos e abusou do uso da força. Embora tenha desiludido quando fugiu para casa do pai, porque o "Rambo" dos filmes nunca desiste e quando bate em alguém, depois não foge, dá a cara. Independentemente de haver adeptos que não souberam comportar-se (como era previsível ou não? com quanto tempo se preparam estes jogos?), jamais a autoridade policial deve ser substituída pelo autoritarismo policial. Isto parecia previsível e foi notório (ainda mais para quem esteve no estádio de Guimarães) que a polícia arriscou cometer falhas graves, e não teve "mão" nem soube controlar a situação, nem estava preparada para os adeptos que vieram de Lisboa (o que surpreende). O polícia "Rambo" de Guimarães (que pelos vistos já tinha uns quantos processos) agrediu um adepto que estava com um filho e com o pai de uma forma bárbara (que configura crime), comportando-se como um marginal e não como um polícia. São estas maçãs podres que infectam a nossa sociedade e apodrecem os nossos sistemas, neste caso o policial que devem ser deitadas foras. E, porque há polícias excelentes e que fazem um excelente trabalho e são um exemplo, por esses, devemos deitar fora estas maçãs podres do sistema policial, que tencionam "desenterrar" o velho autoritarismo policial, que tanto mal fez ao nosso país em outrora na história..
 



sábado, 16 de maio de 2015

Bullying

  
Bullying




  O paradigma atual diz-nos que temos dividir a palavra crime da palavra bullying, mas não será apenas uma questão de tempo? Porque razão já houve proposta governativa e não se avançou? Porque razão há partidos que já apresentam propostas há 10 anos e não são aprovadas? 
   Atualmente, e infelizmente, o bullying ainda não é crime. Mas é já um vício antigo dos fracos, que se apoderam da fragilidade do inimigo para ameaçar ou forçar alguém a fazer algo. Só que há bullyings e bullyings. Quem já não passou por tal situação ou assistiu? Quem não se lembra de chamar Mrs. Bean a uma colega da escola ou quem não se lembra de em certas escolas se chegar ao sétimo ano e ter de ir à pia ou ao poste (chegar mesmo a ser identificado e recebido na escola pelos mais velhos) ? 
  Deve-se criminalizar, mas não chega. O problema tem a ver com a carência grave de meios humanos para prevenir e acompanhar e intervir sobre o fenómeno da violência em meio escolar. E para essa prevenção, a criação de mais gabinetes (como foi enunciado numa das propostas apresentadas) acho que pode ser um dos caminhos de resolução, se houver um acompanhamento mais personalizado do aluno, porque criar gabinetes ou colocar um psicólogo com 1000 ou 2000 alunos não é solução, nem se a função for ter consultas meramente de apoio, sem atrair ou responsabilizar o aluno. A ideia terá de ser atuar em contexto escolar e também fora da escola, sendo um acompanhamento permanente, que possa estar mais perto de resolver o problema, e não atenuá-lo, porque a ideia deve ser resolver e solucionar o problema do aluno. 
    Quando estive envolvido no projeto "Porto de Futuro", que ajudava crianças com dificuldades escolares (onde cada uma tinha uma "espécie" de tutor), uma das coisas pelas quais o projeto funcionava bem tinha a ver com a sinalização das crianças e todo o trabalho que era feito nesse campo, chegando sempre ao conhecimento do tutor tudo sobre o menor (lembro-me por exemplo do caso de um miúdo que chegou à escola com um olho pisado e já tínhamos informações do que tinha acontecido, quem e como foi). Aqui, também me parece que a sinalização dos "agressores" (bullying) nas escolas deve merecer um trabalho individual e deve ser uma das apostas, com uma fiscalização apertada e descrita quase diária, e atuando antecipadamente, ou seja, ter equipas especializadas a trabalhar nesse problema.
     A nível político, não se entende como ainda não foi criminalizado o bullying e como foi abolida a discussão sobre o tema em algumas bancadas (há quem não esqueça o tema). Há partidos que apresentam propostas há dez anos sobre o tema, como o CDS, tendo o PS apresentado uma proposta durante o Governo Sócrates que acabou mesmo por caducar, com a razão de que os meios de prevenção existentes eram insuficientes. Proposta essa que foi rejeitada pelos partidos mais à esquerda. Mas, se por um lado, quer-se mais prevenção, não podemos ignorar que também deve haver repressão, medidas repressivas e a criminalização do bullying não deve ser posta em causa nem confundida com a necessidade da existência de medidas preventivas.
    Talvez já seja tempo de deixarmos de pronunciar a palavra "bullying" isoladamente, e, passarmos a falar e pronunciar a palavra como "crime de bullying", passando a ser da família de palavras do "crime", e marcar presença no Código Penal, punindo seus responsáveis.



terça-feira, 12 de maio de 2015

Não se explica



Santuário de Fátima
 


É Fé. Não se explica, sente-se e vive-se. Nós cristãos caminhamos juntos, porque há alguém que nos ensina a viver, a dar e a receber. 

sábado, 9 de maio de 2015

Reino Unido: O Golpe dos Conservadores


David Cameron, líder do partido dos conservadores e Primeiro-Ministro do Reino Unido





   Uma dupla do vitória do partido dos conservadores no Reino Unido. A primeira junto dos eleitores, e, a segunda junto de todas as sondagens, que apontavam para uma disputa renhida entre os trabalhistas e os conservadores, quando o resultado final ditou a maioria absoluta com 39% dos votos para partido de David Cameron, elegendo 331 deputados. Faz lembrar, num paralelismo com Portugal, o que se sucedeu com o CDS nas últimas eleições, que também as sondagens lhe apontavam resultados pouco animadores, e no final, houve surpresa na hora do voto. Para lembrarmos tal surpresa equiparada a estas últimas eleições britânicas, temos de remontar aos tempos da segunda guerra mundial, em que Churchill, após vencer a guerra, foi derrotado inesperadamente nas urnas.
    Destas eleições, deve-se destacar também a derrota do Ukip e do eurocepticismo , um partido anti europeu , que tinha obtido um excelente resultado nas eleições europeias e agora só elegeu um deputado, o que é um bom sinal para o país. O seu líder tem uma visão fechada nas suas fronteiras, onde não consegue pensar além dessas barreiras, instrumentalizando e ridicularizando a europa para ganhar votos. Tinha mesmo um slogan : "Votar no Ukip é um voto para deixar a União Europeia". Talvez seja bom não esquecer aqui a promessa de David Cameron, que prometeu, se ganhasse as eleições, fazer o referendo sobre a permanência do Reino Unido na UE.
    Outra das surpresas da noite foi a ascensão do partido nacionalista escocês, que elegeu 56 deputados dos 59 disponíveis, quando anteriormente tinha apenas 6 na Câmara dos Comuns. Este resultado fez rapidamente esquecer a derrota dos escoceses quando do referendo sobre a independência do seu país. Uma das promessas que o seu líder já fez saber foi que vai pressionar David Cameron para cumprir a promessa do referendo sobre a permanência do Reino Unido na UE. Para esta vitória contribuiu a pesada derrota dos trabalhistas, que também aqui tinha uma presença histórica, que cada vez mais esvanece no tempo.
    Pelo contrário, a derrota dos trabalhistas não foi uma surpresa tão inesperada como se apontava, porque o seu líder era pouco carismático e a sua oposição fraca, onde não conseguiu impôr-se nas políticas mais importantes na defesa dos trabalhadores, sendo que, mesmo em alguns casos, não abria "jogo" sobre posições em determinadas matérias (uma "moda" de alguns políticos), que o feriu e acabou por o golpear na hora do voto. Faz mesmo lembrar o caso de António Costa em Portugal, que quando foi eleito tinha alguma popularidade juntos dos eleitores, e que tem vindo a sofrer vários "sismos" pela forma pouco hábil como não defende nem cativa a sua classe (eleitores) e pela incrível e censurável falta de tomada de decisão sobre determinadas matérias, essenciais para a vida do país. O desnorte do partido trabalhista foi visível essencialmente quando, numa aproximação ao Ukip (que defende com unhas e dentes essa bandeira) defendeu o controlo da imigração no Reino Unido. Isto foi uma das coisas que elucidou bem que o partido navegava em águas perigosas, longe dos seus e perdido sem rumo e direcção. Desde que Gordon Brown abandonou o cargo em 2010, o partido não conseguiu fazer mais e melhor. Podendo mesmo recuar mais tempo, acho que Tony Blair ainda mais faz lembrar e assombrar o partido, porque conseguiu entrar no seu eleitorado de uma forma muito inteligente, tendo sido primeiro ministro durante 10 anos, até 2007. Se pensarmos na forma como Tony Blair derrotou John Major, lembremos o famoso modelo para século XXI, onde tinha o grande slogan: "trabalho para os que podem trabalhar e assistência para os que não podem trabalhar", onde deu especial atenção à educação e à saúde, entrando no seu eleitorado de uma forma triunfal.