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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Autárquicas 2013









   O marco e o que ficará na historia destas eleições para reflexão será o fenómeno dos independentes, que merece uma profunda e séria reflexão. Urge questionar: porque razão um independente consegue mais votos que outro candidato apoiado por um partido politico? E porque razão os partidos, ao invés de apoiarem candidaturas com valor, decidem fazer das autárquicas um terreno unicamente de sua posse, onde mais uma vez, internamente, colocam os seus soldados, em detrimento de outros soldados, representantes de oposição interna, abrindo guerra dentro da sua própria casa?
   Primeiramente, e um dos maiores erros que esta a ser cometido pelos partidos  é facto de pensarem que o terreno das autárquicas lhes pertence, mas enganam-se, não é de ninguém, aliás, sim tem um dono: o povo. Como dizia Ronald Reagan: "este é um cargo de custodia temporária, que vos pertence". Os partidos devem rever o seu papel, as suas gentes, e pensar qual a razão de tais fenómenos, que eles não surgem nem aparecem por mero acaso, são fruto da decadência e de um aproveitamento inteligente do fracasso de um sistema partidário. Se olharmos para os partidos políticos, estes continuam a fazer tudo como se nada passasse, desde a forma como colocam as pessoas nos lugares até á forma de fazer campanha, tudo se torna e fica igual, oferecendo uma margem cada vez maior áqueles que queiram e tencionem aproveitar o rasto que estes deixam, e, isto pode se tornar uma coisa séria, se nada for feito nas fileiras partidárias. O problema resolve-se com as pessoas, porque tais fenómenos surgem não por oposição aos partidos, mas sim ás pessoas que os governam.
    Dentro do fenómeno dos independentes, temos um dos casos que seguramente ficará registado na historia: candidatura de Rui Moreira á Câmara Municipal do Porto. Aqui, é um dos casos em que os partidos políticos colocaram-se a jeito e deixaram a tal "margem" que falei acima para outras formas de cidadania aparecerem, e crescerem sobre aproveitamento do fracasso partidário. Nesta cidade, o PSD apresenta Luís Filipe Menezes, que entre as propostas apresentadas e que estou a ouvir em directo, pretende prometer este mundo e o outro, entre elas fazer do Bolhão as Ramblas de Barcelona. Como diz Rui Rio: "Menezes vai destruir tudo o que foi feito se for eleito". Rui Rio é  apenas uma das maiores figuras actuais do PSD, e o partido ouvio-o? Claramente que não, deixando ainda margem maior para os tais fenómenos. Como é possível um partido apresentar um candidato a uma cidade governada há anos pelo PSD, sem consultar a pessoa que esteve a frente da autarquia ao longo de 12 anos? Lembro-me que em 2002, quando Rui Rio foi eleito, ninguém imaginava tal vitoria, e se me perguntarem quem acha que vai ganhar no porto, eu respondo: eu acredito que Rui Moreira vencerá, porque as gentes do porto são pessoas inteligentes e vão olhar para a pessoa, não para o partido. 
   Por ultimo, o fenómeno dos candidatos que se candidatam sem o apoio do seu partido, porque desta vez o escolhido é x ou y, porque os sargentos mudaram, e quando mudam os sargentos, quase sempre, á remodelação no quartel. Mas aqui, mais uma vez, os partidos quebram com pessoas, algumas de valor, em detrimento dos seus camaradas. Lógico que qualquer pessoa coloca os seus, mas devia haver mais cuidado nas escolhas, porque é penoso assistir a algumas escolhas, como, por exemplo a de Carlos Abreu Amorim em Gaia. Gaia é um dos casos em que o partido PSD não apoiou Guilherme Aguiar, para apoiar um dos piores candidatos autárquicos, Carlos Abreu Amorim. Também no PS, temos o caso de Matosinhos, em que Guilherme Pinto surge como independente, e, muito provavelmente, vai ganhar as eleições. Aqui, Seguro fez as seus escolhas, e pensou como pensa uma grande maioria dos políticos: quem manda é o aparelho partidário. Talvez algumas derrotas façam estes lideres repensar na forma de fazer as suas escolhas e de estar na politica. Caso não o façam, a margem fica deixada, o caminho aberto para tais fenómenos crescerem, alastrarem-se e estabelecerem-se em território nacional como uma forma de fazer politica.


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Nunca perceberemos mesmo pelo que passaram todos vocês





Forest Whitaker, in "O Mordomo"





   Ao ver o filme "O mordomo", mais que um filme, eu lembrei-me da luta de um povo. Lembrar Martin Luther King é lembrar um ícone, uma pessoa que com pouco fez a diferença, a pessoa que no discurso de um tempo, disse uma coisa tão simples como : "I have a dream", o sonho de que um negro e um branco possam ser vistos da mesma forma, tenham os mesmo direitos enquanto pessoas, e a sua luta resultou na aprovação da lei dos direitos civis e eleitorais, em 1964 e 1965. São pessoas como Martin Luther King que fazem renascer uma nação, levantar um povo, orgulhar-se de um país.
    Há uma coisa que está escrita na década de 60 e jamais poderá ser apagada: o pessoal doméstico negro teve um papel decisivo na história dos E.U.A, porque mostraram que, mesmo a servir, merecem o respeito e os mesmos direitos que qualquer outra pessoa, demonstraram que quando se tem um sonho, deve-se lutar por ele até aos fins dos nossos dias.
   É um período que jamais será esquecido na história e perguntamos sempre: porque tentaram parar John F. Kennedy ? Quem tentou, matou o homem, mas não conseguiu matar o seus ensinamentos e aquilo que nos deixou, ficou o seu legado. A proposta que se tornou lei em 1964 sobre direitos civis deve-se a ele e a tudo pelo que tentou mudar, porque existem os partidos e depois, acima destes, existe uma coisa acessível apenas a algumas pessoas: a capacidade de mudança.
   Como dizia Abraham Lincoln, (também assassinado em 1985, quando era presidente dos E.U.A.) - pessoa que sabe bem o significado da luta - : "o campo da derrota não está povoado de fracassos, mas de homens que tombaram antes de vencer".
   É possível conhecermos todas as histórias, saber o que se passou, conhecer as pessoas, reconhecer o esforço que sentimos, o vosso trabalho, o respeito, a admiração, mas nunca perceberemos mesmo pelo que passaram todos vocês.
 


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Síria



Vítimas Guerra Civil Síria




Bashar Al-Assad






   A guerra civil na Síria sabemos que começou em 2011, mas quando cessará? E apenas começou em 2011?
   Oficialmente e formalmente, pode dizer-se que começou apenas em 2011, momento em que o Governo de Bashar Al-Assad deu ordens para dissipar todos aqueles que fossem seus opositores, fazendo fé do seu poder autoritário, que faz dele a personagem do regime desde do ano 2000, após morte do seu pai, que governou aquele país desde da década de 70.
   Neste momento, é difícil percebermos o que se passa realmente na Síria  (mas não podemos esquecer que foi um dos países que em 1997 não aderiu à convenção que baniu o uso de armas químicas), sobretudo quanto ao uso de armas químicas ou não pelo regime, mas de uma coisa temos certeza: morrem diariamente milhares de inocentes, fruto de uma política genocida. 
   A comunidade internacional está e estará sempre dividida, porque vive de relações de poder, e sabe-se que do lado de Damasco está a Rússia e a China, que vetarão qualquer intervenção estrangeira na Síria, e do outro lado, estão os E.U.A, Reino Unido e França, sobretudo os países do Ocidente. Mas poderá abrir-se uma caixa de pandora num possível atacar sem autorização do conselho de segurança, principalmente com a Rússia. Não obstante, se nada for feito, os E.U.A. perdem poder e rosto. E volta a velha questão: queremos ser complacentes com políticas como a do regime Sírio ou queremos aproveitar a situação para fazer cair Bashar Al-Assad?
   Não há muitas dúvidas de que um eventual ataque enfraquecerá o regime e abrirá portas para uma transicção de poder, a questão é saber se o ataque levará a Síria a negociar e aceitar um processo político de transicção com bons olhos. E será que um ataque ocidental resolve a crise na Síria ?
    Dúvidas ilimitadas num tempo que não pode ser o da estagnação, porque por cada dia de estagnação morrem milhares de inocentes, mas a acção imediata pode também ser o barril de pólvora por que muitos extremistas anseiam no médio oriente, embora pareça quase inevitável, uma vez que 3 dos membros permanentes do conselho de segurança da ONU (Reino Unido, França e E.U.A) estão de acordo num possível ataque cirúrgico na Síria.
     Algo terá de ser feito. 
    

   

domingo, 18 de agosto de 2013

1º Interrogatório judicial de Lorenzo Carvalho

   





    O que aqui escrevo é por ser português. Sinto essa necessidade, porque gosto demais deste nosso país, depois da entrevista de Judite de Sousa na Tvi a Lorenzo Carvalho (ver em http://www.youtube.com/watch?v=704uGhswYwU).
    Depois de assistir a esta entrevista, questiono apenas: o que foi isto ?
   Tudo foi, tudo se passou, menos uma entrevista. Talvez tenha sido um processo inquisitório, em que uma jornalista vigiou, perseguiu e em público condenou as práticas de uma pessoa. O país assistiu a alguém, neste caso uma jornalista, chamar um jovem, como poderia ser qualquer outra pessoa, e inquiri-lo como se de um 1º interrogatório judicial de arguido detido se tratasse. Sim, afinal talvez tenha sido mesmo um interrogatório judicial em audiência pública, perante um país.
   Eu quero acreditar que este foi um momento menos bom de Judite de Sousa, um dia em que o sol não brilhou na sua casa. Quero acreditar que a mesma já percebeu e arrependeu-se de tal acto, que reza e representa outro tempo da nossa história que ficou marcado, mas felizmente foi ultrapassado e vencido.
   Hoje, é bom viver num país onde qualquer pessoa é livre e faz o que quer e bem lhe apetece com o seu dinheiro, dentro da legalidade. O que fez Lorenzo Carvalho podia ter sido qualquer outra pessoa a fazer, e todos os dias existem pessoas em diferentes países que fazem coisas semelhantes e mais extravagantes e onde está o mal? 
   Vamos acreditar que isto não se volta a repetir, e que uma pessoa possa gastar 3 milhões numa festa e o país respeitar e perceber que isso deve ser visto com bons olhos. Quem quiser ou não estiver bem, que recorra aos tribunais, e expresse suas razões de facto e de direito. Isto porque em tribunal vê-se de tudo. Até já houve quem mete-se uma acção contra o diabo, portanto, nada seria de admirar.
   
 

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Mais do mesmo

   

Robert Mugabe



Crescimento das relações entre Zimbabwe e China





   Outrora Rodésia do Sul, hoje Zimbabwe, falamos de uma nação que se tornou independente em 1980 e vê-se agora dividida entre o retrocesso ou o progresso, mas os sinais são, no mínimo, perigosos.
   Em voga, e na ribalta, estão as recentes declarações do seu presidente, Robert Mugabe, que depois da vitória nas eleições presidenciais de 31 de Julho, disse aos seus opositores: "Enforquem-se. Podem se suicidar se quiseram. Mesmo que morram, nem os cães irão comer a vossa carne. Iremos servir-lhes a democracia num prato". Este é Robert Mugabe, para quem ficou surpreendido com tais declarações, não o conhece. É o mesmo que em 1986 tomou medidas para reprimir os lugares ocupados pelos brancos na assembleia do seu país, mais tarde expropriou-se das suas terras, através da dita reforma agrária.
   É confuso se olharmos para o plano internacional, porque de um lado estão os E.U.A. e do outro está a China que tem vindo a crescer e acentuar as suas relações económicas com Zimbabwe, e, mais se torna, se olharmos para a Europa. Não podemos esquecer que este foi o mesmo que, em 2007, foi recebido com honras de Estado em Portugal, na cimeira U.E-África, e que continua no poder com complacência europeia ou a Europa já tem uma posição vinculativa?
   Só há uma posição possível: censura ao regime.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Joaquim Pais Jorge: bastava um memofante

   



   Esta é a história de um Senhor que foi nomeado para Secretário de Estado do Tesouro do Governo de Portugal, para negociar os contratos "swaps" que o mesmo outrora negociou com o Estado, enquanto director do Citibank (mas que não se lembra) e que se viu na derrapagem e no buraco que os portugueses vão ter de pagar. Não fosse isto conflito de interesses, e dizia-se que é preciso ter um descaramento e uma falta de ética e sentido de Estado impressionante. Mas vão mandar o Sr. Joaquim Pais Jorge embora? Acho que pode ser exagerado. A meu ver, tudo isto se resolveria com uma boa dose de memofante e teríamos um secretario de Estado com memória de elefante, e jamais se esqueceria das três vezes que esteve em São Bento.

domingo, 14 de julho de 2013

Gram Vikas


   




   Decidi partilhar aqui o exemplo de Gram Vikas, que para mim representa a forma fantástica como ajudou o seu povo, as suas pessoas, percebendo o que elas necessitavam. No vídeo que partilho aqui com vocês vê-se que Gram Vikas detectou que existia um problema: água contaminada. As suas gentes viviam com menos um dólar por dia e 75% das pessoas estavam contaminadas.
   Quando era pequeno, um dia virou-se para seu pai e perguntou: "pai porque é que aquelas pessoas morrem todas contaminadas?". O pai disse-lhe que era assim e para deixar estar, mas Vikas não se resignou e percebeu que era preciso mudar a mentalidade, a educação das pessoas. A água ficava contaminada porque como não tinham sanitários na aldeia, as pessoas faziam as suas necessidades no rio e contaminavam as águas. É importante frisar que antes de Gram Vikas mudar a vida destas pessoas, o Governo tentou fazê-lo, tendo postos 2 casas de banho na aldeia. Sabem o que aconteceu? As pessoas iam às casas de banho e bebiam a água das sanitas, ou seja, não resolveram o problema, porque os problemas resolvem-se juntos das pessoas, percebendo-as e educando-as.
    A água contaminada provocava doenças, que matavam milhares de pessoas e fazia com que aquelas pessoas vivessem pouco tempo, algumas nem chegavam à idade adulta. O que fez o governo foi não atacar o problema, foi fazer o contrário de Gram Vikas. Gram Vikas começou falar com as pessoas, nomeou um líder local que explicasse as coisas às suas gentes e aos poucos foi sendo compreendido na comunidade e aproveitou os recursos da aldeia para juntos construirem e mudarem aquela aldeia.
   As pessoas na aldeia iam buscar água a um poço que ficava a alguns quilometros da aldeia e com o problema da água contaminada, depois de conseguir explicar às pessoas como se faz, Vikas mudou mentalidades e melhorou significamente e para sempre a vida daquelas pessoas, passando haver água potável. Porque razão o Governo não resolveu o problema e Gram Vikas resolveu?
   A resposta é que o Governo não trabalhou as pessoas e Gram Vikas trabalhou e preocupou-se com as pessoas, foi sempre a sua primeira preocupação, porque percebeu que só resolveria o problema se mudasse os hábitos, educasse e explicasse às pessoas aquilo que o Governo não fez.
   Simplesmente fantástico o exemplo do nosso Gram Vikas, de quem ensina como fazer e resolver o problema das pessoas. Não podia estar mais de acordo e lembro-me de quando estive em África, quando trabalhei com crianças e adolescentes de rua, e a câmara municipal para resolver o problema das crianças dava dinheiro a uma associação para lhe dar comida e elas pegavam na comida, vendiam e consumiam droga e isto era um ciclo alimentado anos e anos, porque não atacaram o problema. Nós resolvemos o problema porque fomos falar com as crianças, juntamo-nos a elas, e juntos criamos uma escola onde tentamos educá-las, valoriza-las e integra-las na comunidade.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Momento Cavaco Silva


   





   Por vezes, a melhor forma de tentar perceber este país é questionar: porquê só agora ? 
  O Presidente da República fez-me lembrar aquela pessoa que vai a um restaurante e pede um prato de valor elevado, e, não conseguindo pagar, no fim fica a lavar pratos, ou seja, arriscou como aqueles que em outrora arriscaram quando assinaram os famigerados contratos swaps. Foram muitas as reuniões com os partidos políticos durante este tempo, muitas foram as reuniões do Conselho de Estado, muitas foram as reuniões com os empresários, porquê só agora? Mas será que alguém acredita que o PS (que tem uma posição firme desde há muito tempo) vai aceitar coligar-se num governo de salvação nacional com PSD e CDS? O mais provável é o PS ausentar-se de um governo de salvação nacional (porque o seu líder infelizmente só vê eleições à frente, embora haja internamente outras pessoas com mais valor como António Costa), o CDS recusar governar nas mesmas condições que anteriormente existiam e o PSD dificilmente aguentará este governo pelo menos com os mesmos protagonistas. Acho que a ideia de um governo de salvação nacional é boa, mas não nesta fase, em que os comandos e os fuzileiros de ambos os partidos políticos já estão no terreno a disputar guerras internas e não existe diálogo, daí entender que com estes líderes políticos actuais, principalmente PSD e PS será quase impossível um governo desse tipo. Talvez com outro tipo de liderança ou protagonistas seja possível aplicar esta ideia, porque assim neste quadro actual é inexequível. Há quem diga que os políticos têm de ser responsáveis e entenderem-se, e acho que a maioria das pessoas pensa dessa forma, mas entre a teoria e a prática existe uma linha que os separa, e, pensar que vai haver essa responsabilização fica à observação de cada um, olhem para o que se tem vindo a suceder.
   Com este quadro político, o que poderá acontecer é estes sujarem os pratos, ou seja, rejeitarem, e aí terá de ser o presidente a lavar esses mesmo pratos sujos perante o país. E chegados a este ponto, coloca-se a questão: que independente pode assumir o país ? Não podemos esquecer o exemplo de Itália, onde o Sr. Monti nas últimas eleições conseguiu 10% dos votos, o que diz muito da opinião pública a respeito desse cenário. Mas, por outro lado, estamos em Portugal e pode ser que não se suceda da mesma forma, mas é um risco.

terça-feira, 9 de julho de 2013

(De)missão Paulo Portas






    A pergunta que faço: foi uma demissão de Paulo Portas ou por trás disto, havia uma missão?
   Começando pelo acto de demissão, e, embora simpatize com a pessoa em questão, acho que foi talvez dos piores momentos, senão mesmo o pior momento de Paulo Portas na vida política, porque escolheu mal o timing, entrou em contradição com o que tinha dito 15 dias antes ("pelo interesse nacional faremos tudo"), não consultou o partido e pôs em risco um país que vive dependente do que os outros vêem, e aquilo que se viu foi uma "zanga política". 
   O acto de demissão, segundo a comunicação social, deveu-se à escolha da ministra das finanças Maria Luís Albuquerque. Aqui, se tal informação foi verdade, o PSD agiu mal (inclusivé o Presidente da República) porque deviam ter consultado o parceiro de coligação, não estivessemos nós a falar de uma pasta decisiva para o país, mas não é motivo para abrir guerra a nível nacional, uma vez que o CDS definiu as condições em que aceitou fazer coligação, e se algo foi quebrado, só tinha de explicar e tornar público os factos, mas o que, mais uma vez o país assistiu, foi a uma espécie de ocultação de informação, que leva as pessoas a pensar que tudo isto foi um triste espectáculo. E Paulo Portas não soube usar a habilidade e inteligência que tanto o caracteriza, porque se o fizesse e falasse para as pessoas, talvez evitasse o caos político.
   Mas, este acto de demissão, que agora voltou a ser de reintegração, resolveu o problema?
  O CDS no governo também tem um grave problema de comunicação, espelhado neste momento de demissão e posterior reintegração. Quem assistiu a isto visto de fora pensa o seguinte: "olha pronto já resolveram o problema, mais uma pasta para este e outra para aquele e as coisas recompõem-se", ou seja, que esta zanga deveu-se a troca de lugares, a poder. Acho impressionante como é que ninguém explica às pessoas o que passa ou realmente passou, porque são elas que suportam as consequências destes actos. Mas, por outro lado e realçando esta crítica de falta de explicação e informação ao país, acho que Paulo Portas conseguiu cumprir a sua missão, colocar-se a vice primeiro-ministro e ter mais poder que o próprio primeiro-ministro.
   Não tenho dúvidas que o governo pode sair mais reforçado com esta remodelação, mas tenho dúvidas sobre a continuidade estável desta relação, desta coligação.


sábado, 22 de junho de 2013

Polémica Funcionários Públicos





    E tudo isto começou mal, e parece que não vai acabar bem.
   Lembrar a forma como os funcionários públicos têm sido tratados é pôr a nu todo um tratamento e uma forma de comunicação e decisão política quase inexistente ou a existir, pouco inteligente, porque não se percebe a razão pela qual este tema tem sido tratado de uma forma tão leviana.
   Tudo isto começou com o corte dos subsídios de férias e de natal em 2011 pelo Governo. Em 2012, o Tribunal Constitucional chumbou o corte de ambos os subsídios. Perante isto, o Governo repôs um subsídio e continuo a cortar o outro, ou seja, em 2013, mais uma vez, a decisão do tribunal constitucional foi no mesmo sentido que a anterior, chumbando o corte no subsídio de férias. Então o que se fez? Pagou-se em duodécimos o subsídio de Natal, e, depois da decisão do tribunal constitucional, esse pagamento passou a ser do subsídio de férias, e assim em Junho (ou Novembro) só se pagará metade. Mas, uma coisa, as pessoas perceberam isso ? Porque razão se quer pagar em Novembro e não em Junho? (têm consciência que várias autarquias e outros institutos já pagaram e bem aos seus funcionários?).
   A questão dos duodécimos não pode ser equiparada a meio subsídio, porque na verdade, esse subsídio que estava a ser pago não era o subsídio de férias, mas sim o subsídio de natal, e nunca outra coisa foi explicada, e o subsídio de férias tinha sido cortado antes da decisão do tribunal constitucional.
   Depois disto, estão a ser pensadas medidas aplicar à função pública, como, por exemplo, o aumento do número de horas de trabalho semanal. Sou contra esta medida em específico, até prova em contrário, ou seja, se me conseguirem provar que a produtividade depende do número de horas de trabalho? Uma pessoa em 3 horas pode fazer mais que outra em 10 horas. Ainda recentemente numa sociedade de advogados um director da mesma virou-se para um estagiário e disse: "você fez mais em 2 meses do que muita gente aqui em 2 anos", o que comprova que a produtividade não depende do aumento do horário de trabalho, aliás isso pode influenciar negativamente a produtividade. Mais uma vez, pergunto: será que vamos voltar a regredir no tempo, e voltar a ter "operários" infelizes no trabalho e fechados 8 horas num "open space" a contar o tempo até que chegue a hora de porem-se andar dali ?
   Não consigo perceber porque razão este Governo trata os funcionários públicos desta forma e mais grave ainda, não lhes explica as medidas, quando na verdade são seus e também "nossa gente" e em vez de os avocar a si e tratá-los, decide afastá-los e discriminá-los, o que me parece pouco inteligente, possível mas cada vez mais limitado no tempo. Percebo que algo tem de ser feito, mas se o objectivo é pensar num futuro melhor para o país e para os funcionários públicos (que até agora tem sido em sentido contrário) pense-se numa séria reforma do estado com pés e cabeça e que trate com respeito tudo e todos.

domingo, 9 de junho de 2013

Lição de vida




 
   Uma grande entrevista com Santana Lopes, que nos diz: "Quando era Primeiro-Ministro toda a gente me ligava e o telemovel nao parava de tocar. Quando deixei o cargo, nem me atendiam o telemovel".  Uma lição de vida de quem, muitas vezes, foi injustiçado na politica, mas sempre soube fazer desta um sitio onde se trabalhava para as pessoas. E continua a sua missao, agora na Santa Casa da Misericordia de Lisboa.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

(Des)Ordem dos Advogados

 




   A guerra continua e parece não ter fim, devido ao facto de a Ordem dos Advogados ser governada por alguém que já demonstrou que é incapaz de dignificar o cargo e todos que o representam. Por vezes, parece que não estamos em Portugal, num país democrático, quando vemos uma classe de gente que vota e elege o Dr. Marinho Pinto para bastonário da ordem dos advogados.
   Desta vez, aqueles estagiários que o bastonário chama de "compradores de licenciatura" conseguiram fazer vingar a lei e com que o tribunal julgasse conforme a mesma e decretasse a suspensão dos exames de aferição em estágio na ordem, uma vez que a lei obriga apenas a ter a licenciatura para aceder à profissão de advocacia(http://www.publico.pt/sociedade/noticia/tribunal-suspende-realizacao-de-exames-de-acesso-a-advocacia-1596311). 
   Para tentarmos perceber as razões da ordem dos advogados, temos de recuar um bocado no tempo. Eu quando entrei na Universidade Católica Portuguesa para tirar o curso de direito no meu tempo, fui à procura de um sonho e ninguém me perguntou se queria fazer o curso segundo o regime pré-bolonha ou o regime de bolonha, ou seja, fui obrigado a ter de fazer segundo bolonha, não tive liberdade de escolha. Quanto a mim, não tendo liberdade de escolha e entendendo que tal é requisito essencial para se poder criticar ou fazer diferença entre "licenciados", não tendo havido isso, caí as palavras contra aqueles que se licenciaram segundo o processo de bolonha. Parece-me que o argumento da ordem em afirmar que os licenciados de bolonha não estão preparados, compram os cursos e não sabem nada da área é um bocado inconsequente, injustificado e procura nos "advogados estagiários" um "bode expiatório" para levar avante as suas políticas não democráticas e retrogradas num tempo que é o nosso, que deve ser o do progresso, e parece mais o do retrocesso.
   Mas, se verificarmos a reacção do bastonário, e tentarmos perceber qual a sua finalidade, tudo se torna mais inteligível e claro. Ontem, no programa "Justiça Cega" na rtpn, pediu-se que o mesmo comentasse, em termos substanciais a decisão do tribunal e qual a resposta do mesmo: "A comunicação social em Portugal é uma vergonha, em específico o jornal público que me está sempre atacar" (palavras do bastonário), ou seja, façamos um refresh da justificação para suas decisões e percebemos que não existe justificação, mas sim ataque a todos aqueles que dizem ou afirmam algo, sem antes o consultar, e desta vez foi o jornal público, que diga-se, ao contrário do que este Senhor diz, é um jornal de referência a nível nacional.
   Relativamente à questão de os licenciados de bolonha não estarem preparados, eu pergunto: para que servem a formações da ordem dos advogados? são estas formações que ensinam os licenciados a estarem preparados para o exercício da profissão? Obviamente que tudo isto é, mais uma vez, show off do bastonário, que gosta disto e de todo o "rock" que envolve o cargo de ser bastonário. Um advogado estagiário aprende mais a dormir do que ao assistir a uma formação da ordem dos advogados, que diga-se, escolhida a dedo por aquele que se diz contra os "tachos", contra os "interesses paralelos", contra os "padrinhos", mas que na verdade, faz igual ou ainda pior, ou não houvesse já quem tivesse perguntado nas formações: "estou na festa do avante e ninguém me dizia" (devido ao grande número de formadores comunistas colocados por este bastonário) ?
   Quando vejo alguém que tenta impedir o progresso de quem amanhã é o futuro, só posso acreditar que isso terá o seu fim, e mesmo que percamos uma ou outra batalha, ganharemos a guerra, porque usaremos a inteligência, a educação, os valores, a ética para fazer valer os nossos direitos, e será reposta a classe que toda a gente sempre respeitou e aprendeu a respeitar ao longo do tempo e da história. 
   Mas é importante deixar claro que, enquanto não mudar o homem, também não mudará a classe.

domingo, 26 de maio de 2013

Carta Aberta ao Governo

    




   Num momento em que o Estado necessita de traçar prioridades, seria bom que o Porto não ficasse excluído dessas prioridades. Esta carta representa a vontade de todos aqueles que, após a lerem, percebem e compreendem que o Porto está a ser alvo de injustiças, e, por tudo isso, pede-se que haja mais respeito pelo Porto. Acreditamos que o Estado vai acabar por repôr o dinheiro que não paga desde 2009 à empresa Porto Vivo, RSU, e respeitar o Porto. Mais uma vez, o Estado que deveria ser o primeiro a dar o exemplo, não o faz, e isso tem repercussões terríveis na vida das empresas e das pessoas.

sábado, 25 de maio de 2013

Retrato do Tempo

Ontem: Em frente ao IPO-Porto

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Grande Martim





   O que, por exemplo, nos E.U.A é visto como uma coisa normal : inovar, infelizmente, em Portugal a cultura - embora a mudar - ainda está longe de uma mentalidade anglo saxónica. Importante perceber que exemplos como o Martim e tantos outros com 20, 30, 40, 50, 60, 70 anos surgem todos os dias nos E.U.A., que é o berço da inovação. Quando se ouve um jovem, mas até podia ser um idoso com 80 anos a criar algo e contribuir para o crescimento do país, isso deve ser motivo de orgulho. Mas claro, existem  sempre pessoas que vão "deitar abaixo" ou criticar o que os outros fazem, mas como já dizia um grande senhor: "quando quiseres conhecer realmente uma pessoa ouve o que ela diz dos outros". Esta Senhora que critica o Martim neste vídeo e as empresas têxteis indirectamente, seria bom deslocar-se até ao terreno e conseguir perceber como muitos sobrevivem e tentam criar postos de trabalho. 
   É fácil criticar quem tenta fazer algo pela vida, quem tenta lutar, e são pessoas como esta Senhora que lutam pela paralização da sociedade, que lutam para que nada mude, que querem que os jovens tirem os cursos e arranjem um emprego sem ganhar um tostão (muitos vivem em plenas "escravaturas" de sociedade); que querem que não haja mudança porque a mudança implica novas mentalidades; ou seja, atingem um estatuto e um nível de vida, e, pensam (erradamente) que já podem falar com a arrogância e falta de humildade, porque do outro lado está um miúdo que tenta criar algo e na sua óptica tem é de ir estudar ou ir po desemprego, ou, ainda, ir trabalhar a custo zero.
   Como diz Branson, com o qual concordo plenamente, nas escolas, seria útil introduzir cadeiras de "criação de negócios", qualquer coisa que tivesse a ver com inovar, criar, produzir, porque de certeza que muitos iriam perceber, desde cedo, o seu caminho. Branson num dos seus best sellers chega mesmo a propor que seria bom, introduzir campeonatos nas áreas dos negócios, disputado entre escolas, fomentado a mentalidade do típico comerciante ou produtor, que um dia chega à grande produção ou ao grande comércio.


sexta-feira, 17 de maio de 2013

Rita Pierson





   Rita Pierson deve ser um exemplo para todas as pessoas que ambicionam ser professores, porque um grande professor não é aquele que rejeita um aluno que tira 2 valores numa escala de 0-20 valores (porque isso é fácil), mas sim aquele que pega nesse aluno e o motiva, o faz acreditar que no próximo exame vai tirar melhor e que ter 2 valores significa que já acertou alguma coisa, e que agora o caminho é melhorar e não piorar.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

TEDx


Aveiro 2013


   Pela primeira vez, nas conferências TEDx em Aveiro e nada melhor que pensar que o amanhã será construído a partir daqui, com o optimismo e a esperança de quem acredita na força de estar aqui e poder fazer algo tão bom ou melhor que alguém que vive ali no 3ª andar de uma rua nos arredores da Lisboa e também há 40 anos construiu algo e conseguiu vencer. Isto porque para vencer basta pensarmos sempre acima do que achamos que conseguimos e lutar, lutar e lutar.



segunda-feira, 6 de maio de 2013

Paulo Portas

   




   Talvez, sem muitas dúvidas, integre o elenco dos melhores políticos no activo na vida política em Portugal. As pessoas podem não gostar, mas estamos perante um político, na essência da palavra. Como, quer se goste ou não, José Sócrates também o é, por exemplo, embora possamos discordar ou concordar com as suas políticas. Ao contrário, e em sentido oposto, vejamos o exemplo de um fraco político, como António José Seguro e, num patamar mais elevado e sem comparação sequer a Seguro (porque este é mesmo muito fraco), mas mesmo assim muito longe de Portas e Sócrates, temos o exemplo de Passos Coelho. 
   Se olharmos para Vítor Gaspar, por exemplo, visualizamos uma nulidade em termos políticos, de quem não é sequer assumidamente político, mas está num cargo político e não sabe viver e perceber a política, que se faz essencialmente para as pessoas. Quando revelamos uma medida ao país, o que se deve fazer é explicá-la, e aí Paulo Portas entende e sabe falar para as pessoas, de uma forma responsável, directa e objectiva, coisa que surpreende o PSD ainda não se ter apercebido, nem aprendido.
    No que concerne ao facto de estarmos perante um governo de coligação, pode ser "estranho" o facto de em termos formais dever ser o 1.º Ministro a explicar as medidas ao país, mas na realidade, em termos substanciais ser Paulo Portas a falar para as pessoas, a explicar o que se passa, a explicar o que aconteceu, a explicar medida a medida. Mas, por outro lado, mais vale haver alguém que consiga falar e explicar algo às pessoas - mesmo que esse alguém não seja Paulo Portas - do que continuar-se assistir ao surgimento de medidas que afectam a vida dos portugueses, sem nenhuma e qualquer justificação, o que não é correcto nem favorece o Governo.
   Não se consegue perceber a razão pela qual este Governo ainda não tem um porta-voz, como tinha o PS, no tempo de José Sócrates, porque seria bom a nível nacional e a nível externo, e resolveria o problema político, que é o drama deste Governo.

sábado, 4 de maio de 2013

Marlon Correia

  






   Acho que o sentimento de revolta é generalizado por todo o país,  com especial sentimento entre os jovens que vivem este momento importante da academia - queima das fitas -, excepto por aqueles que cometeram tal "barbaridade" e, que sendo apanhados, devem ser severamente castigados, sem dó nem piedade. Há pouco mais que uns meros segundos, inscrevi-me num grupo no facebook que tem o nome de: "Queremos Justiça" a favor do Marlon, e, seria uma boa oportunidade para as pessoas pensarem um pouco e reflectir sobre a nossa justiça, sejam agentes da mesma, sejam apenas cidadãos comuns, porque o problema é um problema político.
   Em Portugal continuamos a ter uma moldura penal com limite máximo penal de 25 anos, o que, quanto a mim, qualifico de um "mimo" para a maioria dos criminosos, e, com os fenómenos de criminalidade aumentar - e mesmo que tal não acontecesse - seria bom pensar se tal moldura penal para um homicídio, por exemplo, não deveria ser mais elevada, chegando ao limite de prisão prepétua ? 
   Baterei-me sempre, por pessoas como o Marlon, e tantos outros colegas, companheiros, amigos, que perdem a vida nestas situações, por uma justiça com penas mais pesadas e severas para estes tipos de crimes e que castigue e puna com severidade os seus autores.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Espanha

   




   No âmbito de um trabalho de investigação em que estou, não posso deixar de registar a minha completa surpresa ao perceber que em Espanha não existe o mecanismo da "exoneração do passivo restante". Com excepção das pessoas do direito, toda a gente questiona o que é isso ? A "exoneração do passivo restante" é um mecanismo que surgiu em 2004 em Portugal no âmbito da insolvência, e, permite às pessoas singulares, que estejam em processo de insolvência (quando as pessoas estão incapazes de cumprir com as suas obrigações e as dívidas superam o património disponível), depois de liquidado seu património, estar durante 5 anos a entregar o seu rendimento para distribuir pelos credores, e, ao final desse período, verem extintos todos as suas dívidas e poderem recomeçar uma vida de novo, ou seja, um "fresh-start", e não serem perseguidos toda uma vida pelos credores, tendo sido essa a ideia do legislador. Num país que tem a maior taxa de desemprego da Europa, e o fenómeno do sobreendividamento (cada vez mais estudado) sobe a um ritmo incontrolável, o sistema está estagnado no combate a este fenómeno, mas isso parece-me ser uma questão de tempo, porque, ou Espanha adopta medidas de resposta a este fenómeno, que não têm obrigatoriamente que passar por este mecanismo, ou, pode alastrar-se tipo um polvo este fenómeno, e, chegar a um ponto perigoso, se nada for feito.