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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Pedrógão Grande: a impunidade.





Ninguém entende o que se está a passar. O silêncio consome os inúmeros crimes praticados pelos responsáveis políticos que estiveram envolvidos na tragédia de Pedrógão Grande. Foram milhares os portugueses que doaram bens e contribuíram monetariamente para ajudar todas as pessoas vítimas dos incêndios. Mas, ao fim deste tempo todo, os testemunhos vivos relatam a ajuda que nunca chegou, os armazéns onde os bens estão a deteriorar-se e a distribuição injusta de apoios a quem nunca precisou deles. Há relatos de pessoas queimadas que tiveram de interromper os tratamentos porque não tinham dinheiro para continuar os mesmos, e, ao invés, com conivência de titulares de cargos públicos, outros aproveitaram para trocar "barracas" por casas novas. Os indícios de vigarice e trafulhice entram pelos olhos dentro de qualquer cidadão. Não podemos deixar que a impunidade prevaleça perante a miséria alheia, nem que responsáveis políticos usem e abusem dos seus cargos, com a consciência da sua irresponsabilidade, que, no limite, está limitada, não politicamente, mas criminalmente, porque ainda somos um estado de direito.
Onde está o Ministério Público perante as suspeitas da prática de crimes praticados por responsáveis políticos e titulares de cargos públicos? 


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Guerra Civil no Iémen



Iémen: campo de Al Rebat


   O conflito no Iémen tem tido pouca visibilidade, devido à pouca cobertura dos meios de comunicação social, mas a guerra, que já dura há mais de 4 anos tem feito milhares de mortos e implementou a miséria humana, num momento em que se vislumbra uma pequena luz ao fundo do túnel. Esta luz deve-se ao possível acordo alcançado entre as forças governamentais iemenitas e os rebeldes Houthis para abandonarem o porto de Hodeidah. Este porto é onde entram os bens no país, sendo essencial para a entrada de ajuda humanitária. Mesmo assim, é preciso aguardar, para perceber se o acordo será cumprido, uma vez que o cessar-fogo assinado a 18 de Dezembro foi quebrado. Os números são assustadores. Estamos a falar de um país onde 80% da população precisa urgentemente de assistência e protecção humanitária.
A ajuda humanitária é a única esperança de sobrevivência para milhares de pessoas iemenitas. É inaceitável que milhares de toneladas de comida esteja apodrecer num armazém no mar vermelho, por não ter forma nem ser seguro chegar ao local, ao Iémen. Esta informação da comida a deteriorar-se foi dada pelo chefe humanitário da ONU, Mark Lowcock, e revela as poucas soluções encontradas até ao momento para inverter esta situação de emergência.  A ONU anunciou que vai convocar para dia 26 de fevereiro o evento de comprometimento de alto nível para a crise humanitária no Iémen, de forma a dar resposta às necessidades humanitárias. Enquanto isso, hoje já morreram mais pessoas. Amanhã irão morrer muitas mais. O tempo é escasso, e é necessário agir. Quanto mais dias passarem, mais pessoas morrerão. 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Juiz Neto de Moura





O Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, com voto de qualidade, foi quem teve de desempatar a votação entre pena de multa ou advertência ao juiz Neto de Moura, e optou pela pena mais leve, a mera advertência. Entendeu que houve uma "violação do dever de correcção" por parte do juiz nas palavras proferidas, no caso da mulher que, depois de cometer a traição, foi agredida com uma moca de pregos pelo marido e sequestrada e violada pelo amante.
No acórdão em discussão, pode ler-se o que foi dito: "O adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem. Sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte. Na Bíblia, podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida com a morte. Ainda não foi há muito tempo que a lei penal (Código Penal de 1886, artigo 372.º) punia com uma pena pouco mais que simbólica o homem que, achando sua mulher em adultério, nesse ato a matasse"; "Foi a deslealdade e a imoralidade sexual da assistente que fez o arguido X cair em profunda depressão e foi nesse estado depressivo e toldado pela revolta que praticou o acto de agressão, como bem se considerou na sentença recorrida. Por isso, pela acentuada diminuição da culpa e pelo arrependimento genuíno, podia ter sido ponderada uma atenuação especial da pena para o arguido X. As penas mostram-se ajustadas, na sua fixação, o tribunal respeitou os critérios legais e não há razão para temer a frustração das expectativas comunitárias na validade das normas violadas"; "O adultério da mulher é uma conduta que a sociedade sempre condenou e condena fortemente (e são as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras) e por isso vê com alguma compreensão a violência exercida pelo homem traído, vexado e humilhado pela mulher".
Uma advertência não é a sanção adequada para alguém que desvalorizou os casos de violência doméstica sobre as mulheres, reduzindo o papel da mulher ao de uma escrava do homem, sem direitos, oriunda de qualquer plebe.
Num momento em que a violência doméstica continua assolar o nosso país, como o crime mais praticado em Portugal, decisões como esta, e mais grave, linhas de raciocínio desta índole devem envergonhar-nos a todos enquanto nação.
Não poderia haver outra decisão que não fosse a de aplicar a pena mais grave. Assim, continuamos a não ter pessoas com coragem para tomar decisões que defendam, neste caso em particular, os direitos básicos de qualquer cidadão, sejam eles homens ou mulheres. 


terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Retratos do Tempo


Violência Doméstica 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Venezuela: início do fim de Nicolás Maduro


Nicolás Maduro 



   Já existe uma certeza na Venezuela: o futuro será sem Nicolás Maduro. O presidente que ninguém reconhece (com excepção dos seus famintos partidários), numas eleições em Maio de 2018 que foram tudo menos transparentes e independentes. Eleições essas onde mais de metade da população não foi votar e o governo impediu os seus opositores de votar. A Venezuela é hoje um país à beira do abismo, que empobrece a cada dia que passa, onde o seu presidente governa, desde 2013, com poderes especiais, e faz asneira atrás de asneira. Há muito, que, por exemplo, vários economistas recomendam que Nicolás Maduro abandone o controle de preços e que acabe com o subsídio à gasolina, cujos preços ao consumidor, na Venezuela são os mais baixos do mundo, e que custa ao governo aproximadamente 12 bilhões dólares ao ano (disparando a taxa de inflação, desconhecendo por completo o significado de super hábito). Mas isso implica perda de votos nas suas bases de apoio, e, devido a isso, abdica do interesse nacional, e refugia-se numa ideologia Marxista que já não é uma pura ideologia, mas um delírio. A milhares de kms do socialismo e sem porta aberta a Marx, o vazio ditatorial, rodeado por um conjunto de camaradas fiéis, que nunca desertaram, é o que resta de um regime a cair aos poucos. Uma das últimas medidas foi aumento do salário mínimo (já em desespero), mas impacto não foi sentido, pois foi comido pela inflação, e as dificuldades mantiveram-se e agravaram-se. Prefere alimentar o seu delírio e a ideia demagógica de uma guerra económica contra o capitalismo, para esconder e omitir toda a sua política económica desastrosa que levou e continua a levar o país à miséria.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Quadratura do Círculo: último dia.





Desde dos tempos da faculdade que assisto ao programa da Sic Notícias "Quadratura do Círculo", à quinta-feira à noite, às 23 horas. É o único programa político a que assisto, e que tem uma qualidade ímpar na sociedade portuguesa, pela independência dos protagonistas, bem como pela inteligência, saber e conhecimento. À pouco tempo no New York Times, debatia-se precisamente a escolha de analistas políticos para debater os temas da sociedade e discutia-se a dificuldade em conseguir obter a independência desejada no momento da escolha, sob pena de não ter a audiência planeada, derivado da exigência cada vez maior do leitor, e da própria sociedade da informação, que pressiona o leitor para uma escolha mais exigente. 
Espero que não seja o fim, mas apenas a mudança de canal. Quem gosta de política e de um debate com elevação, gosta da Quadratura do Círculo. Um elogio aos protagonistas, que merecem, pela qualidade dos debates.


segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

"Por favor, parem o Brexit e fiquem connosco"


Câmara dos Comuns 

   Até ao momento, Theresa May tem sido uma desilusão. Acho impensável um país como o Reino Unido estar a "brincar com o fogo" numa situação tão delicada como a que se encontra neste momento. O dia 29 de Março está a chegar e a saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo e sem período de transição seria (a consumar-se) uma catástrofe, de dimensões imprevisíveis. A Sra. May tinha vários planos, mas o que todos vemos é que só existia um e esse foi rejeitado em catadupa pelo parlamento. Não quer um novo referendo, porque entende que seria contrariar os resultados do primeiro obtido e poderia abrir um precedente perigoso, mas, mesmo podendo discutir, refere que não avançaria no parlamento. Na mesma linha, rejeita também a hipótese de suspender o artigo 50.º do Tratado de Lisboa, por ela activado em Março de 2017 para iniciar as negociações da saída. Ou seja, Theresa May não tem um plano de saída, e não quer um novo referendo nem suspender o artigo 50.º. Não suspendendo o artigo 50.º, no dia 29 de Março o Reino Unido deixará de fazer parte da U.E.
Mesmo perante a recusa de Bruxelas para renegociar o acordo chumbado, Sra. May pretende apresentar aos deputados britânicos o mesmo acordo (com alterações pontuais) que foi chumbado, não havendo um plano B. Uma das alterações (veja-se bem como isto anda) passa por isentar cidadãos europeus do pagamento de uma taxa de 65 libras quando se candidatarem a visto de residência permanente no Reino Unido após o Brexit. 
Retirar um país como Reino Unido do livre comércio, tem consequências económicas nefastas, e não se pode retirar uma fábrica que está em Inglaterra para colocá-la noutro país de um dia para o outro, com todos os custos que isso suporta.
Num momento em que a Câmara dos Comuns está mais dividida do que nunca quanto à saída da U.E, com posições diferentes dentro do mesmo partido, Theresa May demonstra pouco espaço para negociação, ao mesmo tempo que não apresenta nenhuma solução. Faltam apenas 67 dias, e, aqui não podia deixar de frisar as tão assertivas palavras da alemã Annegret Kramp (que sucede a Merkel na CDU): "Por favor, parem o Brexit e fiquem connosco. Vamos ter saudades de ir ao pub, de beber chá com leite, mas acima de tudo dos nossos amigos do outro lado do Canal". 





domingo, 30 de dezembro de 2018

Deportação de Taibeh

Taibeh Abbasi


Taibeh foi levada pelos pais do Afeganistão antes mesmo de nascer. Fugiram da guerra, da fome e da miséria. Tinha o sonho de ser médica e foi na Noruega que encontrou esse lugar para sonhar e estudar. Mas tudo mudo quando o governo norueguês tomou a decisão de deportar Taibeh e toda a sua família. O Afeganistão continua a ser um país onde diariamente raptam pessoas, há ataques indiscriminados e confrontos entre grupos armados. Ainda recentemente a Alemanha referiu que o Afeganistão é um sítio inseguro, mortal. Taibeh é uma aluna brilhante e todos os seus professores revelam que seria uma excelente médica. Caso seja deportada, cairá a esperança e o sonho de ser médica, e os seus direitos serão restringidos, ou mesmo suspensos, num país onde as mulheres não são respeitadas. Como Taibeh, são vários aqueles que estão a ser deportados na Europa, sem qualquer análise ou estudo. Só num ano, foram deportadas quase 10.000 pessoas. Este desrespeito dos líderes europeus pelos refugiados e migrantes revela bem a falta de liderança e de uma política capaz de reverter situações de emergência, como a crise dos refugiados. Já assinei a petição, na esperança que Taibeh não seja deportada para o Afeganistão e que possa seguir e concretizar o seu sonho na Europa.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Passividade verga-se a costume





   Somos um povo passivo, onde a maioria da população ganha o miserável salário mínimo, mas, mesmo assim, o tempo de trabalho tira-lhes o tempo que precisavam para reflectir sobre tal injustiça de viver com tão pouco, e de poderem fazer algo para inverter o rumo dos acontecimentos. Conseguiu-se banalizar discursos e todo o tipo de actos em defesa dos direitos das pessoas. O descrédito tem uma razão de ser: a obsoleta partidarização dos direitos básicos das pessoas. O facto de serem sempre os mesmo a defender os mesmos direitos, por incrível que pareça, tornou-se um "costume" apodrecido, que ninguém valoriza, e em vez de mobilizar, desmobiliza e enfraquece o poder da própria democracia. Basta aqui lembrar, por exemplo, o caso do Partido Comunista que, é capaz de ir para a rua defender os direitos básicos das pessoas que acabaram de ser despedidas de uma empresa, ou defender a redução do preço dos combustíveis, ao mesmo tempo que aprova em plenário, na assembleia da república a redução do Iva para 6% para as touradas. São prioridades. Ou o caso do Bloco de Esquerda, que é contra a especulação imobiliária, mas depois tem deputados do seu partido a praticá-la no seu esplendor, e a tirar rendimentos prediais de valor considerável. Em Portugal, nenhum partido representa o povo português na sua essência, e isso explica, em parte, esta passividade.
Os problemas da sociedade não desapareceram, basta para isso ir ao terreno e verificar que existem, apenas estão mais escondidos. O agravamento dos impostos à classe média; aumento do desemprego; redução verbas para fins sociais; indiferença perante a juventude; o preço dos combustíveis; preço dos bens essenciais; portagens; falta de soluções concretas para o envelhecimento da população; ajudas aos mais pobres e mais frágeis; etc. Alguém (que seja do norte do país como eu) já pensou por exemplo, a quantidade de portagens que existem na zona da Maia (não havendo alternativa quando existe trânsito ou acidentes - que acontecem com bastante frequência -, já não falando quando existem obras), ou mesmo as portagens da A28 que ligam Esposende à Póvoa, em que a alternativa é ir por um descampado de pedras e pedregulhos, em labirintos de semáforos até encontrar uma saída. 
Aqui ao lado, em França, a famigerada "greve dos coletes amarelos"congelou os aumentos dos combustíveis e da luz. A estes protestos juntaram-se grupos de extrema direita e extrema esquerda, que têm muita força em França. Isto levou a que Macron fosse obrigado, a partir de dia 15 de Dezembro, a promover um debate sobre impostos e despesas públicas, com vista a alcançar soluções concretas. França é um exemplo para a Europa. É um erro achar que isto foi mero acaso. São vários os governos em França que têm sido humilhados sempre que tentam pôr à prova medidas que afectam o nível de vida da população. E agora o problema agrava-se, porque já se provou na Europa que quanto menos dinâmica for a economia, mais esta é castigada por impostos. Veja-se o caso de Portugal, que foi castigado durante anos, e não houve significativas melhoras no nível de vida das pessoas.
A diferença é que em França as pessoas não são passivas nem são subordinadas aos costumes apodrecidos que, sempre que existe uma greve ou uma manifestação, ou até, um movimento das pessoas, rapidamente se juntam, e avocam a si a luta, inviabilizando o crescimento da luta e, essencialmente, impedindo a mobilização. Mais grave, instrumentalização essas lutas, que, já são encaradas pelos sucessivos governos como verdadeiros "costumes" (práticas constantes e podres), que nada fazem e deixam fazer.
A passividade verga-se ao costume, ou seja, as pessoas habituaram-se ao costume de serem sempre os mesmos a instrumentalizarem as lutas em Portugal, e mesmo esse costume estando apodrecido (e actualmente faz parte do Governo - falo aqui dos partidos de esquerda), as pessoas são passivas, não reagindo às injustiças, que são gritantes em Portugal, mas estão escritas em letras pequenas.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Homenagem ao Dr.Carvalho Guerra





Daqui a 40 ou 60 anos, tenho a certeza que a Universidade Católica terá uma estátua em homenagem ao Dr. Carvalho Guerra, pelo fabuloso e extraordinário contributo que deu em vida à Universidade Católica do Porto, e, sobretudo, pelas suas qualidades humanas. Foi, sem dúvida, e ainda é o pai da Universidade Católica do Porto. Contribuiu para o crescimento da sabedoria humana de uma forma sublime. É uma pessoa distinta, que soube dar ao Centro Regional do Porto da UCP aquilo que lhe faltava: sentido de missão. E que distingue esta universidade de todas as outras. 
Com Carvalho Guerra aprendi que a vida será sempre um sítio melhor se soubermos partilhar, se soubermos olhar para o outro e poder dar a mão. Aprendi que não existe limites para o sonho. Que qualquer um que ali se forma pode ser amanhã CEO numa grande empresa e no dia a seguir trabalhar num bar de praia, e depois voltar novamente a ter sucesso. Aprendi a não ser alguém por ter um estatuto, mas sim por ser aquilo que sou enquanto pessoa. Aprendi que nunca seremos um exemplo, por muito bons que sejamos tecnicamente ou até reconhecidos, se não tivermos alguma qualidade humana. 
Quando nos corredores da Universidade alguém dizia que na conferência do senhor X, ia falar inicialmente o Dr. Carvalho Guerra, a sala enchia, toda a gente ficava de pé, para o ouvir. Fosse para contar as suas experiências com o amigo Mário Soares, ou fosse para contar as vezes que andava pelas ruas do porto ajudar quem mais precisava. Só não marcava presença quando estava impossibilitado, porque valia sempre a pena ouvir alguém que dava gosto ouvir, e aprendia-se sempre qualquer coisa, porque a sua transparência, humildade, saber, ética, moral, transbordavam e contagiava qualquer um.
"Nós somos o que partilhamos". "Os homens não morrem quando deixam de viver. Os homens morrem quando deixam de amar, quando deixam de fazer aquilo que gostam". Ouvir isto é saber que estamos em casa, numa casa que fica eternamente nossa, porque ali somos todos um só. 



quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Iémen, um outro mundo


Iémen


Um país em guerra civil desde 2015, onde está instalada a anarquia, consequência da Primavera Árabe. De um lado o presidente Abdo Hadi, que é reconhecido pela comunidade internacional, e do outro lado os rebeldes xiitas huthi. As resoluções do conselho de segurança da ONU, sobretudo a última proposta pelo Reino Unido, para a passagem, sem obstáculos da ajuda humanitária, não têm sido eficazes, e a morosidade de todo este processo só agrava o problema, e, a cada dia que passa, mais crianças morrem à fome. Ninguém respeita a lei humanitária no Iémen, e, mais uma vez, assistimos à incapacidade dos Estados e da comunidade internacional em reverter esta situação. Ainda recentemente foi interrompido o abastecimento de produtos de primeira necessidade, empurrando milhares de pessoas para a fome e para a miséria. Isto agravou o risco de doenças, sobretudo da cólera. 
O Iémen fica situado numa zona geoestratégica muito importante, ao lado da Arábia Saudita (com quem divide a sua maior fronteira), e é uma porta para Ásia e África. Esperemos que este interesse geoestratégico, principalmente pela imponente força da Arábia Saudita sobre o Ocidente, não seja um impeditivo de denúncia de toda a miséria e fome no Iémen, onde metade da população já passa fome, e se nada for feito, poderá ter consequências imprevisíveis. 
Neste mundo, o que se passa no Iémen é mesmo de outro mundo. 

05.03.2001 - Ponte Hintze Ribeiro


Ponte Hintze Ribeiro - Entre-os-Rios - Castelo de Paiva

Em 2001, o país assistia a uma das maiores tragédias da sua história, onde morreram 59 pessoas, na queda da ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios. É bom lembrar, infelizmente devido a uma tragédia que marcou todos os portugueses, que houve alguém, que soube de imediato avocar a si as responsabilidades políticas, que foi o Jorge Coelho, à data Ministro do Estado e do Equipamento Social, onde afirmou: "A culpa não pode morrer solteira nesse sentido têm que se tirar as consequências políticas. Não ficaria bem com a minha consciência se continuasse". Foi uma atitude digna, de alguém que soube perceber o cargo que ocupava, não por ter alguma responsabilidade pessoal nos acontecimentos, mas pela responsabilidade política, que essa já era impossível de apagar. 
Agora a tragédia bateu à porta de Évora, numa ponte que ligava Borba a Vila Viçosa, e morreram duas pessoas e três estão desaparecidos. Mas, até ao momento, ninguém tem responsabilidade no sucedido. 
Como dizia Winston Churchill: "A vida dá lições que só se dão uma vez". Mas, mesmo assim, há quem não queira aprender com o passado, nem sequer abrir os olhos perante o presente.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Touradas, IVA a 56%.





  Acredito que, daqui a uns anos, ninguém se vá lembrar destes debates de aceitar ou não que um homem atire ferros contra um animal em sofrimento, sob um manto de pessoas aplaudir. Tenho vergonha de saber que existem pessoas neste país que defendem práticas do tempo da idade média, ou seja, as touradas. Há quem entenda que é uma questão cultural, mas trata-se de uma questão civilizacional, e, permitir este acto hediondo é regredir no tempo, e não aceitar a evolução, é ficar fechado em torno de um vazio intelectual, que, voluntariamente não quer aceitar que o mundo em que vivemos é um mundo diferente, e que não deve aceitar este espectáculo ridículo e ancestral, que faz lembrar os piores tempos da nossa história. Nestas discussões em torno da tauromaquia, consegue-se perceber que evoluímos e estamos a evoluir em muitos aspectos, mas, por outro lado, percebe-se que ainda há costumes da nossa sociedade que teimam em não desaparecer naturalmente, porque há forças maiores que o impedem, mas espero que existam pessoas de pulso firme que acabem de vez com este espectáculo degradante que são as touradas. 
   Se não for possível acabar, para já com este circo hediondo, pelo menos que seja taxado, não a 23% (que é o máximo), mas a 56% (crie-se uma taxa única). Discutir a possibilidade de baixar para 6% é uma aberração. Quando temos pessoas pessoas que não conseguem levar um animal doméstico a um veterinário por não terem dinheiro, onde o IVA é 23%, como não conseguem ter dinheiro para comprar ração, que também é a 23%. E aqui ao lado na vizinha Espanha, estes produtos alimentares pagam apenas 10%. E querem ter um IVA a 6% para ver um animal com farpas?

sábado, 10 de novembro de 2018

Nova Caledónia



Nova caledónia

Canacos


A questão era saber se os 175 mil eleitores deste fantástico e deslumbrante arquipélago e território francês desde 19853 (que se situa a 18 mil km de Paris), queriam emancipar-se da França e tornarem-se independentes, num momento em que o mundo assiste a uma "febre" de independentismo, que acordou povos adormecidos, mas que aqui já vinha do acordo de Noumea, assinado em 1998 (que estabelecia que a França permitisse aos habitantes da nova Caledónia decidirem se queriam ou não tornar-se independentes). A questão fez soar os alarmes em Paris, porque estamos a falar de umas ilhas onde se concentram quase um terço das reservas mundiais de níquel. A vitória foi de 56,4% contra 43,6%, e o líder independentista já afirmou que irá reivindicar um novo referendo nos próximos dois anos. A palavra decisiva no referendo como seria de esperar, afinal não coube aos canacos, uma etnia milanésia, que representa 40% da população.
Não deixa de ser interessante este referendo, porque, se de um lado a ideia seria emancipar-se da França, por outro lado, a acontecer, cairia sob a influência da China.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Ubiquidade ou Aleive?




Bem, não se tratasse de um orgão de soberania, que é a Assembleia da República, e talvez não fosse isto um tema, mas o disparate é tal, que não pode, e bem, ser olvidado. Quando estava a ler a entrevista no jornal expresso do deputado do PSD José Silvano, não queria acreditar no que estava a ler, mas, infelizmente, começa a ser normal que diversos deputados não sejam um exemplo para o país, e isto é preocupante. O deputado, formalmente, não faltou a nenhuma das 13 reuniões plenárias realizadas no mês de Outubro, mas, na verdade, foi descoberto que, pelo menos num dos dias, estava em Vila Real, ao mesmo tempo que a sua senha tinha sido validade na reunião de plenário. Alguém entrou no seu computador, introduziu a senha e registou a sua presença. O mesmo ao jornal expresso afirma: "Alguém pode ter validado. Eu não validei. Não sei justificar", fazendo passar a ideia que não sabia de nada, que fizeram tudo nas suas costas. São uns malandros aqueles que assinaram por si sem este saber de nada. Olha que não se faz. Ou seremos todos uns fiéis ingénuos? A falta estaria sempre justificada por estar em "trabalhos políticos", mas a diferença é que não receberia os € 69,19 euros de ajudas de custo a que teria direito por viver fora da área metropolitana de Lisboa.
Um péssimo exemplo, de alguém que, para além de fazer o papel de mau aluno, não assume o erro depois de ter sido chamado atenção e tenta ludibriar os demais quando os factos são incontestáveis.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Indiferença Europeia





O problema agrava-se, e não existe solução, nem sequer tão pouco vontade para reverter o rumo dos acontecimentos. Ontem, abriam telejornais. Hoje, aparecem como notícia no final dos telejornais, e, amanhã talvez desapareçam de vez dos telejornais. Este é o mundo actual em que vivemos, de completa indiferença aos demais, aqueles que fogem da desgraça, da guerra e da miséria. Todos os dias o cemitério de Santa Maria de Rotoli, em Palermo, Itália, recebe migrantes mortos, que tentaram a todo o custo a sobrevivência, mas que, infelizmente, morreram na luta pela sobrevivência. Maioria são indigentes, sem qualquer tipo de identificação, e assim ficam ali, isolados, como se não fossem vidas humanas. São pessoas esquecidas, que nem sequer são identificadas, e ali ficam como se tratassem de personas non gratas.
Os populismos e as políticas de anti-imigração promovem uma europa sem valores, semeando a indiferença ao tema, desviando gastos e reduzindo custos nos apoios já concedidos. Uma europa que se torna cada vez mais irrelevante e dividida e que não assume as suas responsabilidades, olvidando as suas raízes. Uma comunidade internacional que, de forma a obedecer ao princípio da não ingerência (nos assuntos internos de outro Estado), cumpre apenas serviços mínimos, com equipas low-cost reduzidas, que são uma gota no meio do oceano, ou seja, não conseguem evitar as milhares de mortes.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Elogio ao PAN






Evoluir é criminalizar os maus tratos a animais, e Portugal soube evoluir nesse aspecto. Talvez muita gente, inicialmente, pensasse que o PAN (partido dos animais e pela natureza) fosse apenas uma ideia surgida em torno de uma certo populismo, mas isso não aconteceu. O PAN soube trazer para a discussão pública um conjunto de temas e ideias de uma sociedade moderna, que já são regra nos modos de conduta de vários povos europeus. Em Portugal já conseguimos que os animais deixassem de ser coisas perante a lei, passando haver um estatuto jurídico dos animais. E recentemente conseguimos criminalizar os maus tratos a animais. Já houve e há debates em torno da tauromaquia e do circo com animais, por exemplo, e antes da existência do PAN na assembleia da república, não havia discussão pública, nem havia ninguém no parlamento nacional que levasse a debate essas questões.
Se surgirem partidos como o PAN, com determinada relevância para a sociedade, e que saibam posicionar-se no debate de ideias e no contributo para uma sociedade melhor, serão sempre bem vindos.
O PAN merece o elogio.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Jair Bolsonaro, uma ameaça real.


Jair Bolsonaro

   O Brasil enfrenta um dos momentos mais importantes da sua democracia após a ditadura militar de 1985. Uma das coisas que merece um pensamento isolado é o surgimento de fenómenos como Jair Bolsonaro, e perceber a razão de tal surgimento, mas, infelizmente, maioria da classe política, não apenas brasileira, prefere ignorar e resignar-se perante o crescimento vertiginoso de figuras ímpares, que o passado reprovou. Cada vez temos mais pessoas ascender a cargos políticos sem conhecimento do passado, sem conhecimento da história. Mas o povo jamais pode ignorar e esquecer a história. 
   Quem assistiu ao impeachment, lembra-se de Jair Bolsonaro. Foi quem, na votação do impeachment de Dilma Rousseff, dedicou o seu voto ao Coronel Brilhante Ustra, líder do DOI-Codi, a polícia política da ditadura, que torturou Dilma Rouseff durante o regime militar, quando esta era líder da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares. Dilma Rousseff foi presa em 1970, e, foi torturada de uma forma cobarde e cruel, tendo inclusivé perdido dentes após ser esbofeteada. Dilma chega mesmo a relatar o que lhe diziam, enquanto esteve presa: "Eu vou esquecer a mão em você. Você vai ficar deformada e ninguém vai te querer. Ninguém sabe que você está aqui. Você vai virar um ‘presunto’ e ninguém vai saber”, era uma das ameaças ouvidas de um agente público no período em que esteve presa. “Tinha muito esquema de tortura psicológica, ameaças (…) Você fica aqui pensando ‘daqui a pouco eu volto e vamos começar uma sessão de tortura".
   Jair Bolsonaro é alguém que defende que o tempo da ditadura militar no Brasil, de 1964 a 1985, foi uma época gloriosa no Brasil, foram anos de progresso. Para ele, o erro da ditadura foi torturar e não matar. Defende o ditador Augusto Pinochet, aplaudindo o tempo em que matou milhares de pessoas no Chile, reconhecendo que apoia a tortura. Defende que o ex. presidente Henrique Fernando Cardoso devia ter sido fuzilado. Defende que os negros não servem para nada. Trata as mulheres como os homens da idade média.
   A eleição de Jair Bolsonaro significa um retrocesso, um esquecimento do passado e de toda a sua história, bem como um expresso apoio ao regime ditatorial, que torturou e matou milhares de Brasileiros.



domingo, 30 de setembro de 2018

Elon Musk


Elon Musk


   Elon Musk é talvez o empresário que faltava ao mundo dos negócios e arrisca-se a tornar, sem dúvida, uma das figuras do século pelo que tem feito. É uma das pessoas que tenho sempre curiosidade em saber o que está a fazer, porque tem sido simplesmente fantástico. Desde da Zip2, à conhecida PayPal que vendeu por 1,5 mil milhões de dólares ao eBay, foi na Tesla que este impressionou tudo e todos. Se inovação que trouxe com os carros eléctricos já foi esplêndida (a todos os níveis, principalmente ao nível ambiental), o que dizer do carro no espaço ? O Falcon Heavy é algo de extraordinário. Estamos a falar de alguém que pretende concorrer com a Nasa. 
Uma das coisas que li de Elon Musk interessantes foi que se não formos a longo prazo para outro planeta poderemos entrar em extinção, daí uma das suas razões do interesse no espaço.
O que diferencia Elon Musk de todos os outros é pensar mais à frente, e desafiar o próprio ser humano e a sua condição. E, a sua ideia de concorrência é acabar com o produto anterior. Isso é visível nas suas empresas. Veja-se a "Solar City", onde a ideia é fazer energia solar mais barata que energia térmica. Outra é a "HyperLoop" que irá transportar pessoas e coisas por túneis em pressão de ar. Ou a "Openai"que é uma empresa que estuda inteligência artificial sem fins lucrativos. Espectacular é também a "The Boring Company" que promete resolver o problema do tráfego, criando vários túneis para não deixar as pessoas paradas em filas de trânsito.
A sua saída ainda será um dia explicada de outra forma: a real. O mundo pouco ou nada soube sobre isso. O que veio a lume é pouco para uma análise séria. E tentaremos perceber todos quem esteve por detrás do regulador americano, e influenciou tal decisão, e se realmente Elon Musk agiu com a má fé que o acusaram. O tweet "Estou a considerar tornar a Tesla privada por 420 dólares. Financiamento assegurado", apelidado de "fraudulento" pelo regulador, foi o que ditou a sua saída. 
Se normalmente as pessoas são sempre substituíveis nas empresas, neste caso podemos arriscar dizer que não será assim, porque Elon Musk é uma pessoa que será difícil de substituir, e, perde mais a Tesla com a sua saída do que Elon. 

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Importunação Sexual





Bem, quando pensamos que já vimos tudo, afinal ainda não. Não vimos nada. Quando do outro lado está alguém que relata uma história passada num hotel, e refere que é digno de um filme, é ouvir e no fim dizer: "Isto aconteceu de verdade?". Resumidamente, um homem estava num hotel com a mulher grávida e uma filha menor. Entretanto a filha engraçou com uma rapariga (já adulta) que estava também hospedada no hotel, começou a falar com ela e queria inclusive conhecer o quarto dela. Quando estão as duas a falar, chega o pai da menor, e, para além de não parar de olhar a rapariga, entra na conversa. A menor a determinada altura diz para a rapariga :"vamos para o quarto, vamos as duas saltar para as camas". Nesse momento, diz o pai: "o pai também pode ir saltar com vocês?", não tendo obtido resposta. A mulher não estava. No seguimento disso, o pai e a menor acabavam por ir embora, ficando prometido pela rapariga que depois a menor ia conhecer o quarto. À noite, o pai vai levar a mulher grávida a dar uma volta e depois chega ao hotel, apercebe-se que a rapariga estava no bar, leva a mulher e a filha ao quarto, e desce. Vai ter com a rapariga, sempre olhando fixamente para a mesma, e, a determinado momento diz o seguinte: "posso ir saltar contigo para o teu quarto?". Bem, obviamente que a rapariga respondeu que não (já tinha demonstrado que não havia esse interesse anteriormente), e seguiram-se um conjunto de comportamentos e propostas por parte dele que resultaram em importunação sexual. 
Quando, por vezes, desvalorizamos este tipo de crimes, estamos a desvalorizar as mulheres. Nos últimos três, o Ministério Público acusou 232 pessoas por importunação sexual, tendo sido instaurados 870 inquéritos.