Até a Grécia ao terceiro dia após as eleições já tinha Governo. Mas quem ouviu o ainda actual Presidente da República antes das eleições, dizendo que sabia perfeitamente o que fazer, e, depois destas mesma acontecerem, voltar a reiterar que já tinha em mente a sua decisão, até fica estupefacto com a actual indecisão política. Bem, se a ideia era tentar falar com o PS (como deveria ter sido logo de início), começou muito mal, só ouvindo Passos Coelho. Criou um problema onde este nunca deveria ter existido. Mesmo que o PS tenha reunido hoje, o erro já aconteceu. O mais incrível é já ter passado uma semana e estar a agir como se estivesse tudo normal, como se estivéssemos na grandiosa década de 90. Já tivemos de adiar a entrega do orçamento de Estado, mas parece, por agora, que essa é uma questão secundária.
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segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Inércia Presidencial
Até a Grécia ao terceiro dia após as eleições já tinha Governo. Mas quem ouviu o ainda actual Presidente da República antes das eleições, dizendo que sabia perfeitamente o que fazer, e, depois destas mesma acontecerem, voltar a reiterar que já tinha em mente a sua decisão, até fica estupefacto com a actual indecisão política. Bem, se a ideia era tentar falar com o PS (como deveria ter sido logo de início), começou muito mal, só ouvindo Passos Coelho. Criou um problema onde este nunca deveria ter existido. Mesmo que o PS tenha reunido hoje, o erro já aconteceu. O mais incrível é já ter passado uma semana e estar a agir como se estivesse tudo normal, como se estivéssemos na grandiosa década de 90. Já tivemos de adiar a entrega do orçamento de Estado, mas parece, por agora, que essa é uma questão secundária.
sábado, 10 de outubro de 2015
Voto em Marcelo Rebelo de Sousa
Seja qual for o candidato, o meu voto para as Presidenciais será em Marcelo Rebelo de Sousa. A última vez que estive com Marcelo foi na Universidade Católica, numa conversa informal, onde ao seu estilo, contou que gostava de ser Presidente da República. Marcelo é uma pessoa de quem gosto, que está na política de uma forma diferente da maioria dos políticos, onde consegue ter um pensamento próprio e não ser influenciado por pertencer a um partido político. E o encanto da política está nisso, nessa liberdade de pensamento e na pluralidade de opiniões. O seu percurso político não foi um sucesso, mas a sua forma de estar na política essa foi, e ainda é um sucesso, e, não tendo alcançado sucesso dentro dela, conseguiu alcançar fora dela e junto do público. É uma pessoa com sensibilidade social, e para quem o ouve, conhece e acompanha percebe que quando diz : "quero retribuir ao país aquilo que ele me deu" não está a mentir ou ter um discurso bonito para ficar bem na fotografia. É Marcelo a falar. O único candidato que poderia incomodar Marcelo seria António Guterres, pelo reconhecido bom trabalho que tem estado a desempenhar internacionalmente e por ser também uma pessoa que iria conseguir votos em vários sectores e partidos, como irá acontecer com Marcelo. Rui Rio é um candidato forte mas não tem hipóteses com Marcelo e seria o maior erro político da sua vida se fosse candidato, porque é um activo político que está na linha da frente para suceder a Passos Coelho no PSD, e, sendo candidato, perderia e diminuía a sua capacidade e valor político. O PSD está numa encruzilhada política, mas se quer ganhar as eleições presidenciais só tem uma escolha a fazer: apoiar Marcelo.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Rescaldo Eleições
Não houve surpresas. Talvez o menos esperado fosse o resultado do PCP, que pensava-se que tivesse um melhor resultado, mas o PCP tem uma coisa de bom: ganha sempre, seja qual for o resultado. Quanto ao PS, adivinhava-se a derrota, e quanto mais tempo demorassem a chegar as eleições, mais descia o PS e subia o PAF. Mas se há coisa que estas eleições mostraram foi que o PS vive um clima de guerra interna, onde tudo quer o poder e talvez essa ambição descontrolada pelo poder tenha levado o PS ao estado em que se encontra hoje. Mal o PS de António Costa perdeu as eleições, os adormecidos "Seguristas" (estariam estes mesmo adormecidos? Talvez um dia alguém conte a história) saltaram logo da toca, como que fossem militantes e apoiantes do PAF ou do Bloco de Esquerda. E não se esperou um minuto para se falar em eleições internas. Mas se esta ala foi precipitada e não pensou no PS, como é possível ouvir outros socialistas, após o resultado das eleições, dizerem que houve uma pesada derrota da direita, e não admitirem que o PS foi completamente derrotado? Mais que uma ofensa à história do PS, é uma ofensa à democracia não admitir que o PS foi derrotado, ou passaremos a ter um PS que luta para não descer de divisão, o que não parece razoável.
domingo, 4 de outubro de 2015
Voto em consciência
Hoje de manhã, uma pessoa amiga, socialista, ligou-me, estava na fila de espera para votar e diz-me: "Sempre votei no PS, mas hoje sinto que a minha consciência se inclina para votar na coligação, porque acho que o país ainda não está preparado para receber o PS e a coligação, dentro dos possíveis, não esteve tão mal assim e o PS não conseguiu convencer-me a votar.". Ainda são 11 horas da manhã, mas quando pessoas da esquerda se exprimem desta forma, isto mostra muito sobre o sentimento de divisão que existe à esquerda e sobre o resultado de logo à noite. Não posso deixar de concordar, que, o PS esteve muito mal, não conseguiu convencer os portugueses, e a coligação Portugal à Frente esteve melhor, e o seu líder, Pedro Passos Coelho é quem se mostra melhor preparado para liderar os destinos do país.
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
Eleições 2015
Uma campanha eleitoral pouco esclarecida e repetitiva. Até as rotinas não mudaram e quando os adversários não convencem, até há tempo para repetir dias de campanha exactamente iguais a outras eleições passadas. Mas, se havia alguém que tinha de mudar a direcção e o rumo deste "costume" político era o PS, o que não o fez e as consequências políticas estão à vista.
O PS desde cedo viveu "entalado" num problema: ter um discurso intelectual (que exige debate de ideias) ou ter um discurso mais populista (mais próximo das pessoas). Parece que a ideia de António Costa foi, num momento inicial, seguir por um caminho de discurso mais intelectual, mas rapidamente foi encostado quando lhe começaram a questionar sobre questões importantes da sociedade portuguesa e este sempre "desviou" a conversa, não respondendo ou deixando para mais tarde qualquer tipo de resposta. E o mais grave disto tudo, foi que, essa "deixa" para mais tarde tinha uma justificação: revelar programa eleitoral do PS, que demorou meses, e a oposição agradeceu esse tempo todo de espera. Mas o PS tem ideia que a maioria dos portugueses vai ler ou leu o programa? E um dos erros foi que, qualquer questão era remetida para esse tal programa eleitoral de que a maioria dos portugueses desconhece e nem irá ler. Podia ter encomendado um programa eleitoral, mas tinha-o de explicar e com uma linguagem que o português comum entenda. Quando ainda ontem vimos pessoas que não sabem diferenciar o PAF da coligação PSD/CDS (a dizer que votariam PAF mas jamais votariam na coligação PSD/CDS), pedir para que entendam uma linguagem económica e jurídica de um programa eleitoral é um abuso político.
Depois da revelação do programa eleitoral, o PS percebeu que tinha de mudar um pouco o discurso e o rumo ou aconteceria como os socialistas gregos. Percebeu que tinha de fazer algo com impacto. Houve uma ou outra questões interessante, como por exemplo, na Saúde, onde defendeu a descida das taxas moderadoras, mas mesmo aí, nunca soube capitalizar as suas ideias nem debater os problemas de áreas tão importantes como a saúde. Mas o caminho era por aqui. Conseguir entrar em áreas como a saúde, por exemplo, debater seus problemas e propor soluções, num linguagem que os portugueses entendam. Mas nem aqui conseguiu estabilizar em termos políticos e rapidamente optou por entrar no discurso de crítica fácil à coligação. Os debates foram de uma pobreza nunca antes vista, onde o PS, que era quem tinha de fazer algo pela vida, pouco fez, não conseguindo impôr suas políticas, que na verdade, nunca conseguiu durante esta campanha eleitoral. Mas claro, há quem ache que ganhou o Costa ou o Passos, mas isso é opinião dos fanáticos, que para esses nem vale a pena ver os debates, porque a opinião está sempre formada. A partir do último debate com Passos, já em algum desespero e percebendo que o caminho intelectual tinha sido um falhanço, porque não o soube interpretar e aplicar de forma eficaz, entra num discurso mais populista, tentando falar mais para as pessoas, mas mesmo aqui, o discurso não chega de forma eficaz ao eleitorado, e a polémica dos cartazes antecipa o fracasso (a ainda um dia vamos descobrir se não foi uma armadilha de alguém de dentro do seu próprio partido). Ainda ontem, numa política de proximidade, António Costa tenta falar para os portugueses, dizendo que quer "defender " aqueles que mais precisam, mas pouco eficaz, sem aplicação prática, já em desespero. António Costa andou completamente perdido na forma de fazer política (não convencendo nem o centro-esquerda nem a esquerda) , não chegou às pessoas, e, embora pudesse ter sido um bom candidato, não o foi e arrisca-se seriamente a perder as eleições. Talvez fique na história um Governo ter liderado um período de crise económica como foi este período desde 2011, e no momento eleitoral, pouco ou quase nada ser questionado sobre suas principais políticas e sobre forma como estas políticas afectaram a vida dos portugueses.
Quanto ao PAF, bastou deixar-se "andar", sem grande turbulência, esperando pelos erros do adversário, que foram muitos e suficientes para não fazer grandes mudanças. O PAF acentuou a tónica na recuperação feita desde 2011, e que leva hoje o país a estar sem ajuda internacional, ao mesmo tempo que conseguiu desviar as atenções, porque, se existem bons políticos, também existem maus políticos e esses tomaram más decisões e que tiveram fortes implicações na vida dos portugueses. O período mais inquietante para a coligação foi nos debates, em que Passos Coelho teve de mudar do primeiro para o segundo debate um pouco, mas apenas na forma, não na susbtância, porque essa foi a mesma nos dois lados: debater o passado. O PAF deu-se ao luxo, perante tal fraca oposição, de não ter que justificar quase nada nem a maioria das suas políticas. E para todos percebermos porque isto se passou, é porque o PS em muitos dessas políticas está comprometido também e com "telhados de vidro", mas tinha decidir: ou cautela ou ataque. Maioria dos casos nem sequer decidiu, e a coligação agradece. Não haja dúvidas que este comprometimento político dos partidos com algumas políticas limita os candidatos, mas estes devem fazer escolhas, senão nunca nada mudará.
Quanto ao Bloco de Esquerda, a ideia é unicamente e exclusivamente ganhar mais deputados, não interessando sequer quem ganha, desde que consigam mais candidatos, em virtude de nas últimas eleições terem sido "abalroados" eleitoralmente. Catarina Martins tem vindo a melhorar a sua performance e vai subir nas eleições, mas não chega "fazer barulho", é preciso apresentar soluções e equacionar soluções governativas, porque toda a gente ainda se lembra da rejeição do bloco de esquerda em dialogar com a troika, que afastou a maioria dos seu próprio eleitorado, que agora, aos poucos, vai conquistando.
A CDU não muda e tem no seu líder já uma lenda e uma figura histórica do partido comunista, que se começa a tornar cada vez mais uma pessoa difícil de substituir. Mas quanto ao discurso, embora a coerência esteja lá, tem pouca aplicação prática as suas políticas. Mas sem dúvida que vai crescer nas eleições, e a figura de Jerónimo de Sousa (das mais populares politicamente) estará inevitavelmente associada a esse crescimento eleitoral da CDU.
Quanto ao partido Marinho e Pinto, aqui é conforme estiver a maré e as luas, para ver quando o peixe vem à tona. Se a maré estiver cheia, vai-se para Bruxelas (mas sempre com amor pelo país e pelos pobres) ganhar uns trocos. Se a maré estiver baixa e houver peixe, aí já se volta, manda-se umas "postas de pescada" e lança-se a cana, a ver quem morde o anzol. A ideia não é muito debater política na sua essência, até porque na verdade nem o próprio sabe o que defende. Basta lembrar que em Bruxelas não sabiam sequer a bancada onde o colocar, depois de abandonar o Partido da Terra, partido que o elegeu para o Parlamento Europeu. A ideia é uma obsessão desmesurada pelo poder, de quem pouco interesse tem nos portugueses, a não ser instrumentaliza-los para as suas ideias descabidas, em torno de um homem só: si mesmo, numa ideia de poder absoluto, que foi assim que noutros sítios por onde passou se governou.
terça-feira, 29 de setembro de 2015
Reunião Rússia e E.U.A.
Será que os bombardeamentos aéreos são suficientes para eliminar o ISIS na Síria?
Até agora não e duvido que o caminho se faça apenas e tão só pelos bombardeamentos. Talvez esta fosse a questão importante a discutir na reunião, que, infelizmente não trouxe nada de novo ao que já se sabia de uma e outra parte. No passado invadiu-se, por exemplo, o Iraque quase que por uma questão que ainda hoje poucos conseguem perceber, e, hoje quando se precisa de ponderar de forma séria e rigorosa uma estratégia de ocupação militar com a presença de tropas no terreno na Síria, essa situação é completamente excluída. É um erro excluir essa possibilidade, nomeadamente olhando para a forma como o Estado Islâmico tem avançado, como tem crescido, estimando-se que tenha biliões em seus cofres, onde as relações comerciais, por exemplo, para venda do petróleo se têm estendido, não se ficando já apenas pela Jordânia e Turquia. E o mais grave de tudo, que continuam a espalhar a sua política de terror, matando milhares de pessoas, sem terem até ao momento uma oposição veemente à sua política. Mas, se os E.U.A continuam a pensar que é através de agentes locais, financiando guerra contra terror na Síria que vão conseguir solucionar o problema estão enganados e cada vez mais a realidade lhe mostra isso, porque a ideia dos "meninos de recados" tem sido um desastre, porque cada vez mais pensa-se que os milhões que foram dados para financiar essa guerra na Síria foram para pessoas aliadas do Estado Islâmico e o resultado está à vista.
A política externa sempre foi o ponto fraco de Obama, e, num momento em que mais se precisava de uma política externa forte dos E.U.A. ela é completamente inexistente nesta questão do conflito na Síria.
domingo, 20 de setembro de 2015
Eleições Gregas
Pela terceira vez, os gregos votam este ano. É interessante e curioso ouvir a mudança de discurso do Syriza, de um partido que no passado sempre admitiu romper com as medidas de austeridade e agora pretende batalhar por melhorias no programa de austeridade. Fica no ar saber se este Syriza ainda mantém a sua matriz, ou se a matriz pertence agora ao novo partido criado pelos dissidentes do Syriza - a Unidade Popular (que propõe a saída da Grécia do euro e o regresso ao dracma). Nesta campanha, o Syriza não avançou com nada de novo em termos políticos. Longe do discurso entusiasmante que incendiou e abanou a Europa, acabou por ceder e talvez tenha sido a melhor decisão, mesmo que isso tenha provocado o seu isolamento político. Apenas reiterou e comprou um discurso já desgastado de promessas eleitorais: "criar milhares de empregos", mas não disse como iria criar esses empregos. Se no início deste ano, a coligação com a "Nova Democracia" era impensável devido ao radicalismo do Syriza, agora parece mais provável e real. Como em poucos meses as coisas mudaram.
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
Disparates sobre Refugiados
Bem, pensava que era apenas no Natal que se compartilhavam fotos do sem-abrigo, mas afinal percebi que também quando se fala de refugiados, é reavivada a memória e trazida a lembrança daqueles que andam vagueando pelas ruas de Portugal. Pena é que a lembrança seja apenas usada e trazida como arma de arremesso, e não como forma de mudar algo que já existe ou para melhorar a vida das pessoas onde molham a palavra. Os sem-abrigo são um problema social localizada em certas cidades do país, que tem muitas pessoas que todos os dias, no terreno, tentam melhorar e mudar a vida dessas pessoas. Por exemplo, o projeto "Welcome Home", que transforma sem abrigos em guias turísticos das cidades é um deles. Essas pessoas que compararam ou criticaram quem defende ou defendeu os refugiados com o exemplo dos sem abrigo já fizeram algo ou fazem para melhorar a vida dos sem abrigo? Comparar o problema dos refugiados com o dos sem abrigo é mesquinho, porque responder a um problema, não tem como consequência não responder ao outro. E aqui no caso dos sem abrigo é um mau exemplo, porque há boas respostas sociais no terreno, e falam com desconhecimento de causa. No caso dos refugiados, não há respostas nenhumas (estão ainda a ser preparadas).
Mas, infelizmente os disparates estenderam-se também a algumas pessoas que defenderam o acolhimento dos refugiados, nomeadamente no caso da União das Misericórdias e no caso da Cáritas. O caso da Cáritas é muito grave, e, aqui sim é talvez um dos únicos casos que vi que merece veementemente contestação, por ser um autêntico disparate. O disparate veio da boca do presidente da Cáritas, quando veio defender "a entrega das casas que por má sorte e sofrimento dos portugueses foram devolvidas ao bancos, fossem postas à disposição dos refugiados, sendo um grande gesto de altruísmo". Às vezes nem dá para acreditar nestas soluções propostas, por serem tão disparatadas. Se alguma vez isto acontecesse, haveria certamente tumultos sociais e, aqui com nítida sustentação, porque uma coisa é ajudar, outro coisa diferente é tirar a quem precisa para ajudar outrem que também precisa. Mas ainda há pouco tempo, antes das férias judiciais, foi votada uma proposta de lei para protecção da casa de morada de família e foi chumbada. A indiferença às questões da família em Portugal já não é de agora, e devia ser olhada como um caso sério pelos portugueses (mas não é, e na maioria dos casos por manipulação da informação e falta de debate na opinião pública sobre as propostas levadas a discussão e votação na A.R pelos partidos políticos), e, quando essa indiferença vem de uma instituição como a Cáritas, a preocupação ainda devia ser maior. O outro disparate veio da União das Misericórdias, quando questionado sobre a capacidade de acolhimento, disse: "A questão financeira não foi objecto das misericórdias. Veremos como isso se faz, o dinheiro sempre se arranja". Esta declaração acontece quando, em sentido contrário, todos tentam reunir esforços e parcerias para acolher os refugiados de forma concertada e dentro das suas possibilidades. Veja-se o exemplo de Penela, onde estão a tentar apoio das Nações Unidas, já têm o apoio da ADFP (Assistência para Desenvolvimento e Formação Profissional) e SEF, bem como estão a tratar de várias despesas serem pagas com candidaturas a fundos comunitários.
terça-feira, 8 de setembro de 2015
John MacCain não merecia
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| Donald Trump |
Donald Trump, candidato republicano à presidência dos E.U.A., ao seu estilo, teve mais uma infelicidade, sendo que, desta vez, desrespeitou a própria América e sua história, ao dizer que John MacCain não pode ser considerado herói de guerra. Disse: "ele é um herói porque foi capturado. Eu gosto é de pessoas que não se deixam prender". Devemos respeitar todas as pessoas, mas quando falamos de pessoas que estiveram na Guerra a lutar pelo seu próprio país, o dever ainda consegue ser mais elevado, porque aceitaram morrer pelo país. E só quem não conhece a história de John MacCain pode dizer tal infelicidade. Eu conheço a sua história de luta na guerra do Vietname em Hánoi, onde cheguei a poder ver documentado inclusivé a cela onde esteve em condições degradantes, desumanas, e onde foi brutalmente torturado (colocados em jaulas ou mesmo cobertos com terra até à cabeça e deixados pelos guardas vietnamitas ali durante dias ao relento) , tendo ficado várias vezes inconsciente, devido a esses atos de tortura. Lembro-me de ver também o relato de um companheiro seu também capturado e feito prisioneiro que de estar tantos dias sem comer, não se conseguiu levantar da jaula e ali adoeceu. O dia 15 de Março de 1973 foi talvez o dia mais importante da sua vida, porque foi o dia da liberdade, tendo chegado aos E.U.A. com apoio de muletas, ficando com deficiências e feridas para a vida inteira. Deu a vida pelo seu país, e só foi capturado porque o avião onde seguia em solo já vietnamita foi atingido e teve aterrar em emergência, sendo imediatamente cercado. Depois de se conhecer a história de John MacCain, não acredito que haja alguém, inclusivé Donald Trump que possa voltar afirmar, em plena consciência, que John MacCain não pode ser considerado herói de guerra.
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Humanidade levada com as águas
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| Aylan Kurdi, de 3 anos, a criança síria refugiada que partiu da guerra tentando chegar à ilha grega de Kos |
Esta imagem é um símbolo da crise migratória e é daquelas em que um ser humano de verdade fica quase sem palavras, restando apenas apelo à humanidade de quem possa fazer algo, um apelo que vai sendo ouvido às pingas, e isso custa vidas diariamente. Mas independentemente de todas as questões políticas e soberanas (porque cada país tem poder soberano dentro suas fronteiras), será que não se entende que este é um drama humanitário, é preciso agir "já" e que quem foge à guerra, como o caso desta criança, tem o direito a ser acolhida na Europa por nós todos e nós temos a obrigação de fazer algo para as receber ?
Aylan Kurdi fugia de Kobani, onde vivia, para fugir ao conflito entre o Estado Islâmico e as forças curdas, tentando chegar à Grécia, mas ficou pelo caminho, na Turquia, na praia de Bodrum.
O jornal britânico "Independent" questiona e bem : "Se estas imagens com um poder extraordinário de uma criança síria morta levada a uma praia não mudarem as atitudes da Europa em relação aos refugiados, o que mudará?".
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Boa Decisão
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| Pedro Santana Lopes |
Santana Lopes tomou a decisão de desistir da candidatura a Belém. Penso que foi uma decisão acertada, de quem está a fazer um grande trabalho na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (sem dúvida a pessoa certa no lugar certo), e, que, embora tenha valor, não seria o candidato com mais hipóteses de vencer. Parece unânime que aquele que terá mais hipóteses de vencer e que estará melhor posicionado é Marcelo Rebelo de Sousa.
domingo, 30 de agosto de 2015
Cortina de Ferro Húngara e Búlgara
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| Hungria |
É esta a Hungria que queremos inserida na União Europeia, que tanto nos custou a construir? Onde está o respeito pelos valores de uma Europa ainda "normativa"? Como é possível a Europa suportar as medidas que o Governo Húngaro está tomar, como por exemplo, a construção de um muro que divide o país da Sérvia? Será a crise migratória actual a gota que faltava na divisão europeia?
Em tempos, a história lembra-nos que, também outrora foi construído um muro na Alemanha, o Muro de Berlim, que dividiu o país, a Alemanha Ocidental da Oriental, com a finalidade também de evitar e parar o fluxo de refugiados, onde havia ordens para matar a quem tentasse escapar. Foram 28 anos dramáticos, onde perderam-se milhares de vidas humanas. Hoje, também para parar o fluxo de refugiados, sendo que aqui a sua "chegada" ao país, a Hungria ignora a Europa e toma medidas inadmissíveis, como esta ao construir o muro, e prepara-se para tomar ainda mais medidas como responder com "gás lacrimogéneo" perante a invasão dos migrantes. Mas infelizmente, esta ideia não é apenas Húngara e também foi seguida pela Bulgária que construiu um muro na fronteira com a Turquia, para também impedir a entrada de imigrantes.
É preocupante o renascimento de ideias já aplicadas no passado, com efeitos devastadores, que não resolveram o problema e que ficou provado que não foram uma boa solução, e hoje nem sequer deviam ser discutidas, quanto mais aplicadas e seguidas por determinados países, aqui os de leste.
Este é o caminho mais fácil, porque ao impedir e matar os refugiados que tentem entrar num país pode diminuir ou atenuar o problema, mas não o resolve, e mesmo para quem acredita que poderá resolver, será sempre de uma forma que esta Europa já não aceita e deve mostrar isso a quem tenta ressuscitar estas ideias trágicas do passado. Mas felizmente, e por outro lado, já vimos que os principais países da Europa já reagiram com duras críticas a estas medidas, como o caso da Alemanha e da França, o que é um bom sinal.
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Eleições Legislativas
Hoje, António Costa admitiu descer as taxas moderadoras na saúde. Imediatamente assistimos a algumas reacções de "deita abaixo" puro, remetendo para o tradicional governo anterior ou posterior. Não sei se a ideia de António Costa é eleitoral ou não, mas que este tema terá que ser tratado por quem chegar ao Governo, disso acho que não há muitas dúvidas, até porque a diferença de qualidade entre o público e privado na saúde é cada vez maior, e o preço elevado das taxas moderadoras leva as pessoas a pensar antes de escolher ir ao público, a não ser nos casos em que não exista mesmo alternativa.
Em vez de assistirmos aos tradicionais ataques partidários já sem criatividade e brilho (ataques a governos anteriores e atuais), à escolha dos putativos candidatos à presidência da república (que terá interesse logo após as legislativas) , talvez fosse bom entrarmos num cenário de discussão de ideias para as eleições legislativas, de temas importantes para o país (que é o que interessa aos portugueses) e tentar perceber e debater como vamos criar mais emprego; combater desemprego e pobreza; dar resposta ao envelhecimento da nossa população; pagar a dívida; baixar défice; reformas que temos de fazer nas diversas áreas; aumentar poder de compra das famílias; aumentar competitividade das empresas; crescermos economicamente; etc.
sábado, 22 de agosto de 2015
Tauromaquia
Em 1836, as touradas foram proibidas em Portugal, durante o reinado de Dona Maria II, por serem consideradas um divertimento bárbaro e impróprio das nações civilizadas, que seria unicamente para habituar os homens ao crime e à ferocidade. Como é que hoje, em 2015, ainda é permitido este espectáculo/tradição em mais de 100 municípios nacionais? Será que faz parte do património cultural português?
As touradas dividem opiniões e dividem gerações. Por um lado, há quem sustente tal espectáculo pela tradição, pelo costume das terras, ignorando por completo o animal em si mesmo, antes instrumentalizando-o para o espectáculo. Por outro lado, e cada vez mais, são aqueles que defendem que deviam ser abolidas as touradas, pelo sofrimento e maus tratos causados ao animal.
Em 2011, a Federação Portuguesa das Associações Taurinas apresentou na Assembleia da República, na Comissão de Educação Ciência e Cultura, um documento onde apresentava a importância das touradas no nosso país. No início do documento sustentam a posição de ser a favor das corridas de toiros com o argumento de que ao destruírem a Tauromaquia, destroem um símbolo da superioridade da humanidade sobre a animalidade. No documento, defendem que não é tortura, dizendo que "torturar é fazer sofrer um ser que não se pode defender, com o proposito de tirar um benefício sem qualquer risco. As corridas de toiros dão um duelo, um combate onde o toiro deve lutar e mostrar a sua natureza e o homem só pode aceitar participar nesse combate se aceitar pôr a sua vida em risco, não sendo comparável com a verdadeira tortura, como a que sofre, por exemplo, o prisioneiro político". Também negam que pode ser considerado uma bárbarie porque isso "pressupõe algo sem regras, sem educação, rude. Ora, a Corrida de Toiros é um ritual, perfeitamente regulado, onde cada gesto, cada passo, cada atitude tem um significado preciso e valorado. Nada tem, por isso,de bárbaro nem se compara com as verdadeiras barbaridades, como o assassínio ou mutilação indiscriminada de homens, mulheres e crianças que ainda hoje acontecem". É afirmado que a "Corrida de Toiros é,também, de uma riqueza estética inestimável, pois o toureiro cria beleza através de uma dança com a morte, transformando a natureza bruta, a linha recta, o movimento incontrolável, em curvas poéticas e temporizadas. E, a todas as outras artes, o toureio acrescenta esta dimensão única da verdade, da autenticidade, da realidade. Na Corrida de Toiros, a vida é sublimada porque, precisamente, ela pode aí ser tirada". Defendem que "a Corrida de Toiros é, antes de mais e sobretudo, uma Festa. A nossa época, mais do que qualquer outra, precisa de festas. A nossa modernidade faz-nos cada vez mais individualistas, fechados sobre nós próprios, no trabalho ou em casa. Vivemos assoberbados por esta necessidade de cumprir obrigações, de respeitar códigos e regras, sobrando-nos muito pouco tempo para estarmos com a família, e menos ainda para nos inserirmos na comunidade
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muitos já só o fazem através de redes sociais. E é na festa que muitos dos membros da comunidade têm essa hipótese de interagirem entre si, de se reencontrarem, porque a festa se faz na rua, em público, em conjunto".
Na minha opinião, a manutenção deste espectáculo e tradição em volta do culto do toiro faz-me regredir na evolução dos tempos, aos tempos negros da humanidade, em que homens e animais se confrontavam numa arena para gáudio de milhares de espectadores e não poder aceitar uma tradição que nasceu e cresceu nesses tempos onde também era permitido esquartejar pessoas, e, onde queimavam-se pessoas em volta de rituais e tradições, onde o povo assistia e gostava do que via. Os argumentos utilizados pelos protoiro são discutíveis e pouco sustentáveis. Um dos primeiros argumentos é a demonstração da superioridade humana sobre a natureza animal,defendendo que não é tortura, porque é um duelo. Esta posição é pouco sustentável, porque, hoje em dia, em primeiro, já não existe essa ideia de superioridade humana sobre a natureza animal como existiu em tempos arcaicos da nossa história e, depois, os espectáculos acontecem em praças de toiros onde o toiro é completamente dominado e não tem sequer hipótese de se defender, sendo cercado e limitado. A prova disso é ver o famoso espectáculo de Pamplona onde soltam os toiros e estes chegam mesmo a ferir e matar pessoas, o que raramente acontece numa praça de toiros, pois aqui ele está cercado e limitado nos seus movimentos, levando com bandarilhas, que lhe ferem e causam dor. Os protorios afirmam também que a corrida de toiros é de uma estética inestimável porque toureiro cria riqueza através da dança com a morte. Isto é uma defesa filosófica, que pouco tem de discussão, pois pode ter sempre defesa, porque apoia-se na abstração ou subjetividade. Mas quando a defesa de tal espectáculo se sustenta na riqueza da morte de um animal é algo preocupante e que deve ser censurada. Também chegam afirmar que é uma "festa", com a qual ninguém discorda, mas dizer que o povo necessita deste tipo de festas para interagir entre si é exagerado, porque são muitos aqueles que são contra as touradas e cada vez menos os que são a favor. E já foi mais uma prática popular do que é hoje, porque já foi o tempo em que as corridas de toiros pertenciam à plebe, sendo hoje festas também da nobreza, onde o espetáculo é mais arrojado (feito em praças com requinte) , deixando de ser um exclusivo popular, como ainda muitos tencionam fazer valer. Defender as touradas é defender os maus tratos a animais, e, pactuar com um espectáculo que é arcaico e nos faz remontar aos tempos mais negros da história da humanidade, onde a morte na arena é aplaudida e incentivada pela plateia que assiste. Hoje, embora no código civil ainda sejam consideradas coisas, já existe mais respeito pelos animais e o respeito pelo seu sofrimento começa a fazer parte de uma forma de pensar de muitas gentes.
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Lesados BES
Como é possível não haver, sequer, uma palavra para estas gentes? Será que a degradação da imagem do banco, com estas sucessivas manifestações e ataques plenamente justificados ao banco não são suficientes para o estudo de uma solução?
Serão processos que irão durar anos a resolver nos tribunais, mas independentemente da medida de resolução do Banco de Portugal tomada no dia 3 de Agosto de 2014 estar ou não de acordo com a jurisprudência do Tribunal de Justiça da União Europeia (onde existem sentenças contrárias ao procedimento adoptado pelo Bdp na resolução deste caso BES), acho que já devia ter havido uma palavra para estas gentes, a bem de Portugal e da imagem do Novo Banco. E, haver entre os lesados, pessoas emigrantes (como já foi provado), que não sabiam ler nem escrever, algumas agora que passam mal, sem quase dinheiro para comer, quando tinham, por exemplo, 500 mil euros no banco de poupanças, e não fazer-se nada ou não haver uma palavra chega a ser muito mau para quem assiste, aqui os portugueses, familiares, amigos e advogados das vítimas.
Acho que aqui o próprio Estado, uma vez que também emprestou dinheiro ao Novo Banco (juntamente com os restantes bancos), devia ter uma palavra para estas pessoas, porque a falta de solução para esta questão só vai atrasar o problema, e, para além de jamais fazer os lesados desistir, só piora a imagem do Novo Banco, que vive de ter ou não clientes, e, à medida que o tempo passa, os clientes são cada vez menos, e esta postura de todos os envolvidos, principalmente o Bdp, não favorece a credibilidade e confiança no banco.
Depois de mais um dia que passou, quem quer ser cliente do Novo Banco? Poucos ou duvido que alguns, e amanhã, ainda serão menos, porque ainda pouco ou nada foi esclarecido, apenas há a certeza de que muitas pessoas foram roubadas e enganadas pelo BES, sendo que há casos em que nada foi dito nem dada ordem de compra de papel comercial e o dinheiro foi retirado sem consentimento do titular da conta (caso que vi em mãos), foi furtado, o que é crime e, aqui os tribunais terão de aplicar as leis. Restava era que os envolvidos esclarecessem melhor esta questão, e não ter de se esperar pelas decisões judiciais, pois, em alguns casos, terão de ser quase que obrigatoriamente demolidoras, censurando determinados comportamentos do Banco e seus agentes, que por serem tão evidentes, não poderão ter outro desfecho.
sábado, 8 de agosto de 2015
Desorientação Socialista
A recente polémica dos cartazes, em que foram colocadas pessoas nas fotografias que nem sequer deram autorização (sendo que uma delas já tornou público que vai apresentar queixa junto das autoridades) demonstra um amadorismo político, que, é pouco compreensível do maior partido da oposição.
Recentemente, todos assistimos ao "esbulho" socialista em torno das listas para deputados à A.R, em que os deputados atiraram-se literalmente uns aos outros em jogo de palavras pouco bonito de ver, onde em causa estavam 4.000 a 5.000 euros por mês, e, para quem vive da política e dela serve-se, como maioria, foi quase uma espécie de vale tudo, onde pouco de positivo se viu e ficou demonstrado e a nu que mais espectáculos destes podiam surgir, derivado da qualidade dos seus protagonistas.
António Costa foi desde cedo completamente engolido pelo aparelho partidário do PS, onde antes de se candidatar, tinha ligações que jamais podia romper ou pensar cortar, o que lhe dificultou a vida e foi um erro ter deixado a "clientela" apoderar-se da sua liderança. Este caso do "esbulho" foi um caso típico em que perdeu completamente o controlo do partido. Mas se alguns entendem que aí não foi suficiente, com esta história dos cartazes não há dúvidas que perdeu esse controlo, a não ser que entendam que foi António Costa quem esteve por detrás da construção destes cartazes, o que não acredito, ou acho pouco plausível, porque nos partidos sempre existiram pessoas para aconselhar a liderança. Como é possível num partido como o partido socialista se cometer um erro desta magnitude, ao usar pessoas sem autorização das mesmas? Como é possível, no meio de centenas ou milhares de pessoas assalariadas no partido e com funções específicas, cometerem o erro de colocar cartazes que remontavam a 2011, altura em que era o PS que estava no Governo?
Mas a falta de reacção e o silêncio perante tal erro ainda pode ser mais demonstrativo de que este PS não está bem, e já não é de hoje. Um erro desta magnitude, no mínimo, tinha que ter uma resposta imediata e clara, porque estamos a falar de pessoas, e, se nem quando falamos de pessoas, dos portugueses, o partido dá explicações ou esclarece, jamais pode sequer pensar em governar nestas condições. Aliás, é difícil de entender esta forma de fazer política do "silêncio" ou do "no momento oportuno falarei", quando existe um dever de resposta, porque estamos a falar de cargos de natureza temporária, que indirectamente (alguns mesmos directamente) pertencem ao povo, e estes representam-no.
António Costa deixou-se encruzilhar no discurso político instalado de "arremesso", de debate pouco inteligente ou quase mesmo "vazio" que afasta os portugueses, quando devia impor qualidade no discurso, porque tinha qualidade e perfil para isso, mas nada disso aconteceu, e, chegamos mesmo a vê-lo nos discursos de "arremesso" a dizer mal deste ou daquele, quando o PS necessitava era de clarificar suas políticas e debater temas importantes para o país, mas todos nos lembramos de questões "chave" onde o PS (já com António Costa ao leme) meteu o "rabinho entre as pernas" e deixou-se estar calado.
António Costa certamente não perdeu as qualidades que tinha antes de ir para presidente do partido socialista, mas foi engolido completamente pelo aparelho partidário e, aliado a isso, tem demonstrado uma completa falta de liderança política (essencial para governar um país), num partido, onde a cada dia que passa, cada "tombo" é maior que o anterior, e assim continuando, pode ser que chegue o dia em que caia mesmo de um precipício e já não se consiga levantar, porque na política, o tempo não pára e os erros pagam-se caros.
sexta-feira, 7 de agosto de 2015
Cemitério para animais
Formidável. Nunca tinha visto e visitado um cemitério para animais. Mostra o carinho e a amabilidade pelas gentes que trata bem os animais. Foi tão bom ver as declarações nas campas dos seus donos, porque mostram e revelam o amor que existe pelos melhores amigos do homem, como diz uma expressão antiga.
Nesta campa, onde o "dog", que viveu de 1950 a 1954, para além da declaração deliciosa do seu dono, há uma frase interessante e ao mesmo tempo refletiva: "Quanto mais conheço as gentes, mais gosto dos animais". Quem gosta, trata e ama animais sabe bem o que significa esta frase e tenho a certeza que identifica-se com ela, seja parcialmente ou totalmente. Porque não esta ideia não ser espalhada e replicada pelo país? Acho que teria sucesso, porque cada vez mais as pessoas tratam melhor os animais e perceberam que ali existe alguém que temos que respeitar e amar, como uma pessoa.
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Médicos de Família
Incentivos para médicos de família que aceitem ficar com mais doentes? Um médico de família ficar com 2500 utentes, quando o limite de 1900 utentes atribuído em 2012 já tinha sido aceite em regime excepcional?
A primeira coisa que me vem à cabeça é "disparate". Aliás até custa acreditar, porque sem dúvida que Paulo Macedo é um dos bons ministros do Governo e uma pessoa competente, que aqui, infelizmente, e perante o que se sabe, teve uma medida infeliz.
Em primeiro lugar, incentivar os médicos de família atuais a aumentar as suas listas de 1900 para 2500 utentes, recebendo mais €741 euros brutos, quando no país temos médicos jovens a necessitar de encontrar a sua vaga de emprego (e se não existissem, crie-se mais vagas nas universidades de medicina), parece-me um erro. Aliás, esta ideia de sobrecarga de horários, juntamente com a ideia das horas extraordinárias e até da "acumulação" de funções representa bem uma forma de governar que foi característica de uma/umas certas gerações no nosso país, e que parece não ser abandona e ter resistências intemporais.
Em segundo lugar, acho que quem trabalhou nesta medida, esqueceu-se do papel do médico de família e da sua limitação de funções, que tem acentuado e baixado significativamente a sua eficácia médica, ou seja, a fraca qualidade de muitos médicos de família. Hoje, e à medida que a medicina foi evoluindo, o papel do médico de família diminuiu, e, infelizmente, muitos serviços não souberam adaptar-se a essa mudança, talvez pelo, de sempre, problema principal: dinheiro. O ponto de partida deve ser sempre o paciente, e se queremos uma abordagem centrada na pessoa e orientada para o indivíduo, aumentar o números de utentes não irá melhorar o serviço, pelo contrário, irá piorar. Hoje, já se pensou porque razão muitas das pessoas que têm médico de família, não recorre a este quando tem um problema de saúde (existe muita gente que não o faz) ? E se tiver um problema, já se pensou se existem mecanismos práticos de os próprios clínicos saberem orientar o paciente aquando da sua própria limitação clínica ? Já se pensou porque muita gente só recorre ao médico de família para aspectos passar receitas ou outros aspectos de formalidade médica? Já se pensou porque razão numa consulta de medicina familiar cada vez há menos comunicação com o doente? Já se pensou porque razão há cada vez menos interacção entre o médico e o paciente? Já se pensou porque razão a opinião do clínico já não é vista como sacrossanta? A medicina familiar acompanhou e adaptou-se a essa mudança de opinião? O papel do médico de família é um papel importante na comunidade, mas só será eficaz se for avaliado e adaptar-se à mudança e evolução com qualidade e orientado para o paciente. Haverá poucas dúvidas de que, se a qualidade continuar a cair e o papel do médico de família não mudar, principalmente na adaptação a esta nova autonomia do paciente no seu processo de decisão clínica e tomada de decisões, as pessoas cada vez mais continuarão a instrumentalizar o seu médico de família, e, nos casos em que tiverem possibilidade, deixarão mesmo de recorrer a este.
Em terceiro lugar, a questão do próprio incentivo em si e de uma espécie de gratificação por ter mais consultas ao final do dia, quando isso em nada significa qualidade, é um retrocesso. Aliás, imaginem uma pessoa que está a passar mal, vai ao médico e o médico precisou de estar ali com ela 2 horas, será justo não premiar este médico, quando ele esteve a fazer seu trabalho e teve ajudar o doente ? E vai-se premiar outro porque deu consultas a um ritmo épico, umas 50/60 por dia, mas não conseguiu ser competente e cumprir com os objectivos da medicina familiar, nem com o seu papel enquanto médico de família. Não me ocorre outra palavra a não ser "disparate".
Por vezes há medidas que mais valiam nem sair do papel, e esta é uma delas, que, para sermos justos, nem ao papel devia ter chegado.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Tribunal de Penafiel
Foi no tribunal judicial de Penafiel que assisti a algo de que, apenas teoricamente tinha conhecimento. Já tinha assistido num ou outro tribunal a coisas de pequena dimensão problemática ao nível das condições de trabalho, mas aqui foi deveras constrangedor, porque não havia mesmo condições de trabalho. A meritissima magistrada do Ministério Público, que diga-se que fez um esforço louvável, em audiência prévia de tentativa de conciliação com os arguidos e advogados num processo crime, nem um local conseguiu para o efeito, tendo mesmo de colocar todos os presentes numa pequeníssima sala, colocando lado a lado os arguidos, que ainda se lembravam e bem da "pancadaria" que houve, sendo que, inevitavelmente, existiu falhas de memória, como é normal nestas situações. Aliás, houve mesmo um "surto" de amnésia na sala. Mas o que é de realçar é que, enfiados todos numa sala, com um calor tórrido, não havia ar condicionado e as janelas abertas apenas aumentavam o calor já sentido na sala. Para além disso, todos ficaram de pé e ao assinar os documentos (porque não houve desistência da queixa criminal da nossa parte), quase que não chegava o papel, porque até esse era contabilizado.
Bem, se, por um lado, há coisas que vão bem no país e num bom caminho, há outras que não vão num bom caminho e precisam de mudar de rota, porque por aqui vão dar a uma estrada sem saída, e depois talvez se tenha de voltar para trás ou construir de novo, destruindo o que de mal foi feito. Era bom que algo fosse feito para melhor, como tanto reivindicou a magistrada na audiência, pela justiça, pelos seus agentes e pelos cidadãos.
quinta-feira, 23 de julho de 2015
Rui Rio e Belém
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| Rui Rio |
Gostava de ver Rui Rio a Primeiro-Ministro de Portugal. Talvez possa ser um "erro" estratégico Rui Rio ser candidato presidencial, isto porque tenho poucas dúvidas que daria um excelente Primeiro-Ministro de Portugal, porque tem um perfil de que o país precisa, com provas dadas na Câmara Municipal do Porto. Poucas dúvidas terei que também será um bom Presidente da República, mas acho que o país precisaria mais de um Primeiro Ministro com este perfil e valor. Na entrevista dada à Rtp, quando lhe perguntam se já decidiu a sua candidatura a Belém, este responde: "Daniel, estou a ponderar, porque fazer uma campanha custa dinheiro e não quero ficar a dever a ninguém e só avanço se tiver dinheiro ou financiamento, independentemente de ter o apoio ou não do partido". Quantos políticos falam e agem desta forma em Portugal?
quarta-feira, 22 de julho de 2015
Proposta Deputado António Filipe
Foi hoje a votação final na Assembleia da República o novo estatuto da ordem dos advogados. A proposta sobre a "remuneração do estágio", apresentada pelo deputado do PCP, António Filipe, foi chumbada. O curioso é que, por exemplo, um dos deputados que votou contra não o fez de acordo com a sua consciência, porque já chegou a tornar pública a sua ideia, e mais grave, já tive oportunidade de o ouvir pessoalmente, e tinha uma opinião firme nesta matéria, contrária à do seu voto. Nestas matérias, mais que partidos ou pessoas, deve imperar a nossa consciência, o nosso saber. A proposta do deputado António Filipe sobre a obrigatoriedade de remuneração do estágio de advocacia dificilmente poderia ser rejeitada se imperasse o bom senso. Mas, é do PCP, e mesmo que seja uma boa proposta, não pode ter um voto a favor de outra bancada, porque o nosso sistema está totalmente partidarizado. Mas fica o registo de uma boa proposta do deputado António Filipe.
domingo, 19 de julho de 2015
domingo, 12 de julho de 2015
Saída Temporária da Grécia?
Bem, quando o bom senso devia ser um imperativo nas reuniões com a Grécia, eis que uma das propostas é: "a saída temporária da Grécia por um período de 5 anos". Quem não tiver acompanhar o que se passa na União Europeia, diria que tudo isto é uma brincadeira, onde as consequências são impossíveis de quantificar. Num momento em que todos deviam lutar por um "acordo", defendendo a Europa, a Alemanha faz uma proposta infeliz e que diz muito desta liderança europeia. Vamos acreditar que esta proposta foi um "desvario" alemão, porque caso seja ponderada e discutida, e , mais grave, aceite, seria o fim da Europa, que não acredito que seja aceite pelos restantes estados membros. Esta proposta é um apelo à desunião, quando as propostas deviam ser um apelo à união.
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Escravidão Moderna
Um dia, a história fez-nos chegar ao conhecimento os tempos da escravatura, em que um escravo (ser humano) era visto como mercadoria. Desde 1836, altura em que foi abolida a escravatura, que tal palavra não se fazia ouvir nos corredores do mercado de trabalho em Portugal.
Entraram hoje em vigor as novas regras do CPAS (Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores), que obrigam, todos os inscritos na Ordem dos Advogados a pagar, já no próximo ano, 191 euros mensais (escalão mais baixo obrigatório) e 242 euros em 2020, independentemente de o advogado ganhar 250 euros mensais ao final do mês ou ganhar 20.000 euros mensais. Quando soube disto, pensei que não fosse possível tal "atrocidade", mas o incrível é que estas coisas (e não queria dizer isto mas torna-se inevitável) começam a só ser possíveis mesmo num país como Portugal, onde só uma completa "ignorância" pode levar alguém aprovar um diploma deste tipo, desta forma tão infeliz e ingénua.
Mas como é que podem obrigar, por exemplo, um advogado que ganhe pouco, ou mesmo um advogado estagiário que, por exemplo não ganha ou que ganha uns "trocos" a pagar tanto como um advogado que aufere um salário "chorudo" ao final do mês? Antes disso, como pode alguém pagar se não auferir rendimento? Será que por este andar qualquer dia os sem abrigo vão ter de pagar IRS pelas esmolas que recebem a arrumar carros?
Uma coisa começa a ser certa cada vez mais: alguém vai ter de pagar estas injustiças e estas novas formas de escravatura moderna, que se vão acumulando na sociedade portuguesa, e que eram perfeitamente evitáveis.
segunda-feira, 29 de junho de 2015
Sábias palavras
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| Cavaco Silva |
Bem, se as coisas estavam agitadas e num ambiente de turbulência em detrimento da questão grega, com as declarações do nosso presidente Cavaco Silva, pelo menos ao nível da aritmética e astrologia, ficamos mais descansados, a fazer fé no que foi dito. Em primeiro, quando o nosso presidente diz: "Se a Grécia sair ficam 18". Depois de ouvir estas palavras, lembrei-me também que se a minha avó não morresse, ainda hoje estava viva. Em segundo, quando diz: "O euro não vai fracassar, é uma ilusão o que se diz. O crescimento económico português não será afectado". Já no passado, quanto ao caso BES, o Sr. Presidente teve sábias palavras, principalmente quando disse: "Portugueses podem confiar no BES".
domingo, 28 de junho de 2015
Tragédia Grega
Em outrora da história, foi Ésquilo quem inaugurou a tragédia grega. Hoje, com o programa de financiamento a terminar na próxima terça-feira, a pergunta urge: quem o fará desta vez? de quem é a (ir)responsabilidade política? Ultimato Europeu ou iniciativa grega? Há lugar para o diálogo? O país aguenta até dia 05 de Julho, dia do referendo? É uma decisão sensata ou dilatória?
O que define um grande político é a capacidade de predizer aquilo que vai acontecer amanhã, daí a uma semana, no mês e ano seguintes. E ter a capacidade, no fim, de explicar porque não aconteceu nada assim. Era bom que se antecipasse o que aí vem, evitando, o que cada vez se torna mais provável, à medida que as horas avançam: bancarrota grega. Pouco sabemos sobre o que passa ao pormenor em Bruxelas. Soube-se que o Syriza queria aplicar uma taxa de 12% sobre lucros das empresas acima de 1 milhão; reforma do IVA (manter escalões, onde por exemplo, o mais baixo, cobre medicamentos); aumentar o IRC e aumentar a contribuição de solidariedade (só para quem tem rendimentos anuais acima 12 mil euros). O governo grego afirma no documento que apresentou em Bruxelas que a maior fonte de receitas será obtida através da reforma do IVA, e é aqui um dos pontos que gerou controvérsia. Bruxelas não aceitou, pedindo que aumentassem a taxa sobre a energia para 23% e aumentassem a taxa sobre os medicamentos, bem como impostos incidissem mais sobre as pessoas, e não sobre as empresas. Mas isso é como pedir a uma Testemunha de Jeová para fazer uma transfusão de sangue. Estamos a falar de um partido de esquerda radical, que tem uma ideologia, e obviamente não podemos estar à espera que as propostas fossem muito diferentes das apresentadas, bem que algumas até podiam ser mais radicais, e foram defendidas dentro do Syriza. Alguma surpresa? Não parece. Será que a Europa estava e está preparada para implementar novas políticas alternativas à política atual ? Também não parece. Mas chegar aqui, em termos políticos, seria uma inevitabilidade (alternativas políticas), mas não seria inevitável haver um consenso que evitasse mais uns tempos de turbulência na Europa.
O referendo político, mesmo havendo um "sim" ou um "não", poderá não ser a melhor solução, e indicia que algo vai mal no seio do próprio parlamento grego, principalmente na bancada do Syriza, e aí poderá estar a origem desta iniciativa. A sua legitimidade não se questiona, mas lançar mão deste instrumento apenas neste momento (a 3 dias do programa de financiamento terminar) é pouco sensato. E qualquer um dos cenários é no mínimo "embaraçoso", Caso ganhe o "não", a Grécia poderá ter de sair mesmo do Euro, a não ser que tudo o que se passa em Bruxelas seja uma encenação, que não podemos acreditar. Se ganhar o "sim", vamos ter um Governo a negociar com Bruxelas propostas com as quais não concorda, o que é insustentável em termos políticos.
Professor Marcelo Rebelo de Sousa
No programa alta definição (programa conduzido de forma excelente pelo Daniel Oliveira), o convidado desta semana foi o professor Marcelo Rebelo de Sousa, e que bom foi ouvi-lo professor.
Destacou que é no "dar" que está a razão de existir, que na vida há coisas milhões de coisas pouco importantes que nos fazem perder tempo. Lembrou das pessoas que estão doentes, que estão nas fases críticas e terminais da suas vidas, da importância que é dar valor a estas pessoas. Como o percebo e concordo professor. A grande riqueza da vida é saber dar valor mesmo às coisas importantes e que nos fazem felizes, e não perder tempo com esses milhares de coisas menos importantes. Quantos de nós não perde tempo com essas coisas? Acho que todos já o fizemos e temos de aprender e a cada dia que passa saber dar valor ao que realmente merece o nosso valor e encarar de forma normal as coisas menos importantes, porque também aí está a capacidade de sermos inteligentes e conseguir utilizar a inteligência de uma forma sublime, educacional e com elevação.
domingo, 21 de junho de 2015
PS de (Cha)Co(s)ta
Sem dúvida, este será um caso de estudo político. Como é que alguém que já chegou a ter a maioria absoluta em sondagens (ver :http://www.jn.pt/paginainicial/nacional/interior.aspx?content_id=4187336), pode agora estar a perder as eleições para a maioria PSD/CDS?
António Costa tinha uma boa imagem junto da opinião pública e era apreciável a sua maneira de estar na política (porque tinha qualidades e um percurso interessante) , mas a partir do momento em que passou a ser líder do PS, a gestão da sua imagem e a forma de fazer política mudou e tornou-se muito fraca, tendo aniquilado em parte as possibilidades de ganhar eleições. Em primeiro, na escolha das pessoas. Rodeou-se da "velha guarda" , alguns nomes que já nem o coveiro se lembrava. Ir buscar algumas pessoas demonstrou que seria "mais um", igual a tantos outros, que bebia o sistema partidário como ninguém e a ambição era partidária e não nacional. António Costa tinha um posicionamento no PS como Rui Rio tem no PSD, mas perdeu esse crédito de alguma independência que as pessoas viam nele e a prova de que esse crédito existia está nas primeiras sondagens de 2014, onde davam a maioria absoluta ao PS, Em segundo, confrontado perante a opinião pública para tomar posição sobre diversas matérias, adiou sempre a resposta, contornando a mesma, demonstrando e passando a imagem de que não queria comprometer-se com "nada", o que passou a imagem de calculista político. Em terceiro, no que concerne a propostas e ideias (a parte que correu melhor mas veio tarde e não apaga os erros anteriores), aqui as coisas correram um bocado melhor, principalmente no momento da apresentação, onde há coisas que merecem elogio, mas, o problema veio posteriormente no esclarecimento de António Costa sobre os pontos do programa. Quando questionado, demonstrava sempre fraca argumentação e remetia para terceiros esclarecimentos. Em quarto e por fim, o discurso político (talvez ponto crucial). Tem um discurso pouco emotivo e que está longe das pessoas, onde revela dificuldade em ser ouvido e mostra pouca vontade e garra em mudar as coisas, porque o discurso está longe de ser nacional. Um discurso onde os portugueses não se revêem, com ziguezagues constantes, pouco credível (o que não acontecia antes de ser líder do PS) e confuso. Basta lembrar a posição relativamente ao caso da Grécia, onde inicialmente colocou-se do lado de Tsipras, e mais tarde, para se afastar desse radicalismo, tornou o seu discurso próprio radical, ao afirmar que afinal "Tsipras era um tonto".
A política deve ser feita para as pessoas, e quando esta é feita mais a pensar no partido do que no país, o resultado é um cartão vermelho ao candidato, mesmo que este até tenha qualidades, porque tem de demonstrar naquele momento. Não vence quem ganha uma ou duas batalhas, mas sim quem ganha a guerra. E se António Costa entrou perto da maioria absoluta, em pouco tempo tudo mudou e já está em risco de perder as eleições, e mais grave ainda, ser alvo de chacota política por aqueles que esperaram por este momento: apoiantes de António José Seguro.
sábado, 20 de junho de 2015
Impasse Grego
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| Yanis Varouf akis e Alexis Tsipras |
Num país onde, após 2008, o ajustamento levou à queda de 37% nos salários; queda de 48% nas pensões; onde o número de funcionários públicos diminuiu 30%; o consumo caiu 33% e o défice 16%, por sua vez, disparou o desemprego para os 27%; o trabalho não declarado atingiu os 34%; a dívida pública ultrapassa 180% do PIB; a pobreza e a fome tiveram aumentos associados a estados de guerra e a capacidade produtiva deixou de existir. Perante isto, será que administrar o mesmo antibiótico ao doente é uma boa solução? Admitindo que é preciso tomar antibiótico, será que utilizar o mesmo do passado (sabendo que não resultou) é aceitável? Impressiona ver pouca gente discutir os efeitos do antibiótico aplicado anteriormente e a sua pouca ou quase nula eficácia. O debate centra-se em duas saídas: pagar ou não pagar, desviando-se do principal problema: futuro grego.
domingo, 14 de junho de 2015
CONFAP
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| Confederação Nacional das Associações de Pais |
A Confederação Nacional de Associação de Pais veio defender que os alunos deveriam apenas ter um mês de férias no Verão. Mas a ideia é repensar a escola para o bem dos alunos ou a ideia é ter onde deixar os filhos nas férias de Verão?
A escola precisa ser pensado no seu todo, desde do tempo em que os alunos passam na sala de aula, passando pela forma de ensinar, até aos métodos de avaliação aos alunos e professores. Mas, para isso é preciso haver vontade e dinheiro. Primeiro, porque a escola pública está cada vez mais pobre, e, não vale a pena andar com "floriados" nesta questão, porque quando não há investimento, é difícil conseguir proporcionar boas condições aos alunos e melhorar seus desempenhos escolares. A ideia de haver apenas um mês de férias tem de ser "compensatória" para os alunos, porque serão sempre eles os beneficiados ou prejudicados, e acho que tem valer mesmo a pena, caso contrário, se for para ter onde os deixar, daqui a pouco será que vamos ter alguém a defender que no Natal seja apenas dia de férias o 24 e 25 de Dezembro? Tem de se acabar com a ideia de haver estas "decisões" que eram prática no passado, onde decide-se sem pensar nos destinatários, e sem ponderar se haverá aceitação dos seus destinatários: alunos.
Acho que, por exemplo, esta ideia seria interessante, se ao encurtar os três meses de férias para 1, os dois meses fossem para contacto com empresas (inclusivé atividades); visitas culturais ou de estudo; concursos (com convidados para estimularem desde cedo a criatividade como acontece nos E.U.A.); voluntariado; programas de integração com a comunidade e estruturas locais; etc. Acho que a ideia deve ser sempre a pensar no aluno.
A CONFAP tem ideia que quando fala num maior "aproveitamento dos alunos fora das paredes da sala de aula" tem noção que isso não acontece essencialmente por falta de dinheiro? Por exemplo, porque razão a escola pública não promove a prática de todos os desportos como acontece no privado (inclusivé pagando para irem representar escola internacionalmente, como no caso do surf acontece em certos colégios)? Porque razão não promove mais visitas e viagens aos alunos? Porque não oferece mais apoio escolar aos alunos? Porque razão não trata todos os alunos por igual? Porque razão não promove conferências nacionais e internacionais nas escolas?
Mas claro que o único problema não reside no dinheiro. Em segundo estão as pessoas e o modelo de gestão. Acho que devia-se alargar as escolas às empresas, e permitir que nos seus modelos de gestão estejam presentes empresas. Os atuais modelos de gestão estão esgotados e os resultados não são animadores. Lembro-me ter andando em escola pública, e nos anos que lá passei, se tentar olhar para grandes alterações sofridas na escola, não consigo lembrar, a não ser terem "pintado" 2 pavilhões e tudo se mantinha igual no resto. Mas isto também tem muito a ver com a visão e a estratégia definida para o ensino pela tutela, que nestes anos (e parece continuar) olha apenas para resultados nos finais dos semestres, o que é uma visão cada vez mais ultrapassada.
sábado, 6 de junho de 2015
Greve dos Enfermeiros
Desta vez, senti a greve, porque bateu-me à porta. Já o disse, mas volto a dizer: se há área em que o Estado não pode prescindir da sua presença e garantir os direitos básicos a todos que precisam deles, essa área é a da saúde.
Cheguei ao Hospital, dirigi-me à recepção, onde fui informado que teria consulta marcada para as 15 horas, mas seria por outro médico. Aguardei pela minha vez, e, quando chamaram o meu nome, dirigi-me à consulta, onde tinha três médicos a receber-me. Entrei, cumprimentei educadamente os médicos, e após esse cumprimento, ouvi do outro lado o seguinte: "Em primeiro, já deve saber que o médico não está, e só poderá agora vir daqui a duas semanas, porque foi ele que o operou e só ele pode decidir o que fazer quanto ao seu tratamento. Quanto ao curativo, como sabe há greve e não temos enfermeiros para lhe fazerem o curativo ". Respondi o seguinte: "Coloque-se na minha situação e na dos demais doentes que aqui estão, acha que vou esperar mais duas semanas, após ter sido operado, quando já estou há 15 dias imobilizado? ". Não tiveram resposta, e ficaram imobilizados mentalmente, dizendo apenas que nada podiam fazer e teria que voltar noutro dia ao Hospital (comportamento negligente). Saí da consulta, fui à recepção, onde aceitaram devolver o dinheiro se quisesse, porque eu não tive uma consulta e expliquei isso, as quais amavelmente (sem culpa nenhuma, coitadas) compreenderam e informaram também que o médico não viria mais em princípio, ou seja, as pessoas todas que ali estavam e tinham sido operadas por aquele médico e que iriam voltar daqui a duas semanas para a consulta, já não seria com o médico que as operou. Após sair do Hospital, como sabia onde o médico estava (e tinha como lá ir e com quem falar para ir lá), consegui ir ter a outro Hospital onde mesmo estava, e, consegui ser atendido, fazer o curativo e resolver o meu problema, mas a verdade é que os restantes doentes tiveram de ir para casa, e, alguns irão mesmo só daqui a 2 semanas ao Hospital (consequência do comportamento negligente anterior), podendo agravar o seu estado de saúde, porque quando estive com o médico, ele disse-me: "Sim, tínhamos mesmo hoje de fazer o curativo e começar o tratamento".
Perante isto, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses já admitiu continuar a fazer mais greves enquanto não houver melhores condições de trabalho, principalmente valorização da carreira de enfermagem. Mas, e apesar de serem compreensíveis os argumentos, não haverá outras e melhores formas de conseguir reivindicar seus direitos sem atingir os doentes, que são sempre, directamente, os afectados? Esta "banalização" da greve não poderá ser ela própria perigosa e virar-se contra quem a promove, a longo prazo, se não houver um limite?
Quanto aos serviços mínimos, que a lei obriga, algo falhou, e não foram cumpridos, porque naquele Hospital, não havia um enfermeiro ao serviço. Aqui, o Sindicato dos Enfermeiros vangloria-se e justifica-se no acordo de 20 anos que existe para prestação desses serviços mínimos. Mas, houve falhas e o Governo devia ter utilizado, com base na lei, a requisição civil, porque o cumprimento dos serviços mínimos é uma obrigação imposta por lei, e que quando não é cumprida, deve o Governo lançar mão da requisição civil.
A greve, até agora não conseguiu alterações nas condições de trabalho dos enfermeiros (que era a finalidade) mas conseguiu degradar as condições de saúde de muitos doentes.
Perante isto, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses já admitiu continuar a fazer mais greves enquanto não houver melhores condições de trabalho, principalmente valorização da carreira de enfermagem. Mas, e apesar de serem compreensíveis os argumentos, não haverá outras e melhores formas de conseguir reivindicar seus direitos sem atingir os doentes, que são sempre, directamente, os afectados? Esta "banalização" da greve não poderá ser ela própria perigosa e virar-se contra quem a promove, a longo prazo, se não houver um limite?
Quanto aos serviços mínimos, que a lei obriga, algo falhou, e não foram cumpridos, porque naquele Hospital, não havia um enfermeiro ao serviço. Aqui, o Sindicato dos Enfermeiros vangloria-se e justifica-se no acordo de 20 anos que existe para prestação desses serviços mínimos. Mas, houve falhas e o Governo devia ter utilizado, com base na lei, a requisição civil, porque o cumprimento dos serviços mínimos é uma obrigação imposta por lei, e que quando não é cumprida, deve o Governo lançar mão da requisição civil.
A greve, até agora não conseguiu alterações nas condições de trabalho dos enfermeiros (que era a finalidade) mas conseguiu degradar as condições de saúde de muitos doentes.
terça-feira, 2 de junho de 2015
Avaliação dos Professores
Desta vez, foi Bill Gates a defender uma ideia cada vez com mais adeptos, a qual partilho , de que a melhor forma de avaliar os professores não é através de um mero resultado, de um "passou" ou "reprovou", de um "fraco" ou "muito bom", mas sim dar-lhes uma avaliação que permita melhorar a sua prática docente e que isso tenha efeitos na sua relação com o aluno. Quantos os professores que passam nas ditas provas de avaliação e posteriormente não conseguem ter uma boa prática docente? Não conseguem ter impacto positivo junto dos alunos? Não conseguem ter uma metodologia de sucesso? Não conseguem melhorar o seu ensino ou mais grave ainda, não conseguem perceber que precisam de melhorar a sua prática docente?
No vídeo, vemos que umas das professoras utiliza um vídeo na aula (uma das ferramentas usadas para o melhoramento da sua prática docente) e explica como isso a ajuda nas suas próprias reflexões de ensino, nas notas que toma, e o mais importante de tudo: no seu crescimento pessoal enquanto professora.
Este é o caminho, capacitar os professores com ferramentas úteis para estes melhorarem a sua prática docente, e encontrar formas de avaliação entre os alunos (que avaliam os professores) e os professores (que avaliam os alunos), porque os resultados são espelho das boas práticas.
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