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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Disparates sobre Refugiados

  





  Bem, pensava que era apenas no Natal que se compartilhavam fotos do sem-abrigo, mas afinal percebi que também quando se fala de refugiados, é reavivada a memória e trazida a lembrança daqueles que andam vagueando pelas ruas de Portugal. Pena é que a lembrança seja apenas usada e trazida como arma de arremesso, e não como forma de mudar algo que já existe ou para melhorar a vida das pessoas onde molham a palavra. Os sem-abrigo são um problema social localizada em certas cidades do país, que tem muitas pessoas que todos os dias, no terreno, tentam melhorar e mudar a vida dessas pessoas. Por exemplo, o projeto "Welcome Home", que transforma sem abrigos em guias turísticos das cidades é um deles. Essas pessoas que compararam ou criticaram quem defende ou defendeu os refugiados com o exemplo dos sem abrigo já fizeram algo ou fazem para melhorar a vida dos sem abrigo? Comparar o problema dos refugiados com o dos sem abrigo é mesquinho, porque responder a um problema, não tem como consequência não responder ao outro. E aqui no caso dos sem abrigo é um mau exemplo, porque há boas respostas sociais no terreno, e falam com desconhecimento de causa. No caso dos refugiados, não há respostas nenhumas (estão ainda a ser preparadas).
   Mas, infelizmente os disparates estenderam-se  também a algumas pessoas que defenderam o acolhimento dos refugiados, nomeadamente no caso da União das Misericórdias e no caso da Cáritas. O caso da Cáritas é muito grave, e, aqui sim é talvez um dos únicos casos que vi que merece veementemente contestação, por ser um autêntico disparate. O disparate veio da boca do presidente da Cáritas, quando veio defender "a entrega das casas que por má sorte e sofrimento dos portugueses foram devolvidas ao bancos, fossem postas à disposição dos refugiados, sendo um grande gesto de altruísmo". Às vezes nem dá para acreditar nestas soluções propostas, por serem tão disparatadas. Se alguma vez isto acontecesse, haveria certamente tumultos sociais e, aqui com nítida sustentação, porque uma coisa é ajudar, outro coisa diferente é tirar a quem precisa para ajudar outrem que também precisa. Mas ainda há pouco tempo, antes das férias judiciais, foi votada uma proposta de lei para protecção da casa de morada de família e foi chumbada. A indiferença às questões da família em Portugal já não é de agora, e devia ser olhada como um caso sério pelos portugueses (mas não é, e na maioria dos casos por manipulação da informação e falta de debate na opinião pública sobre as propostas levadas a discussão e votação na A.R pelos partidos políticos), e, quando essa indiferença vem de uma instituição como a Cáritas, a preocupação ainda devia ser maior. O outro disparate veio da União das Misericórdias, quando questionado sobre a capacidade de acolhimento, disse: "A questão financeira não foi objecto das misericórdias. Veremos como isso se faz, o dinheiro sempre se arranja". Esta declaração acontece quando, em sentido contrário, todos tentam reunir esforços e parcerias para acolher os refugiados de forma concertada e dentro das suas possibilidades. Veja-se o exemplo de Penela, onde estão a tentar apoio das Nações Unidas, já têm o apoio da ADFP (Assistência para Desenvolvimento e Formação Profissional) e SEF, bem como estão a tratar de várias despesas serem pagas com candidaturas a fundos comunitários.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

John MacCain não merecia


Donald Trump



  Donald Trump, candidato republicano à presidência dos E.U.A., ao seu estilo, teve mais uma infelicidade, sendo que, desta vez, desrespeitou a própria América e sua história, ao dizer que John MacCain não pode ser considerado herói de guerra. Disse: "ele é um herói porque foi capturado. Eu gosto é de pessoas que não se deixam prender". Devemos respeitar todas as pessoas, mas quando falamos de pessoas que estiveram na Guerra a lutar pelo seu próprio país, o dever ainda consegue ser mais elevado, porque aceitaram morrer pelo país. E só quem não conhece a história de John MacCain pode dizer tal infelicidade. Eu conheço a sua história de luta na guerra do Vietname em Hánoi, onde cheguei a poder ver documentado inclusivé a cela onde esteve em condições degradantes, desumanas, e onde foi brutalmente torturado (colocados em jaulas ou mesmo cobertos com terra até à cabeça e deixados pelos guardas vietnamitas ali durante dias ao relento) , tendo ficado várias vezes inconsciente, devido a esses atos de tortura. Lembro-me de ver também o relato de um companheiro seu também capturado e feito prisioneiro que de estar tantos dias sem comer, não se conseguiu levantar da jaula e ali adoeceu. O dia 15 de Março de 1973 foi talvez o dia mais importante da sua vida, porque foi o dia da liberdade, tendo chegado aos E.U.A. com apoio de muletas, ficando com deficiências e feridas para a vida inteira. Deu a vida pelo seu país, e só foi capturado porque o avião onde seguia em solo já vietnamita foi atingido e teve aterrar em emergência, sendo imediatamente cercado. Depois de se conhecer a história de John MacCain, não acredito que haja alguém, inclusivé Donald Trump que possa voltar afirmar, em plena consciência, que John MacCain não pode ser considerado herói de guerra. 


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Humanidade levada com as águas

Aylan Kurdi, de 3 anos, a criança síria refugiada que partiu da guerra  tentando chegar à ilha grega de Kos



   Esta imagem é um símbolo da crise migratória e é daquelas em que um ser humano de verdade fica quase sem palavras, restando apenas apelo à humanidade de quem possa fazer algo, um apelo que vai sendo ouvido às pingas, e isso custa vidas diariamente. Mas independentemente de todas as questões políticas e soberanas (porque cada país tem poder soberano dentro suas fronteiras), será que não se entende que este é um drama humanitário, é preciso agir "já" e que quem foge à guerra, como o caso desta criança, tem o direito a ser acolhida na Europa por nós todos e nós temos a obrigação de fazer algo para as receber ? 
   Aylan Kurdi fugia de Kobani, onde vivia, para fugir ao conflito entre o Estado Islâmico e as forças curdas, tentando chegar à Grécia, mas ficou pelo caminho, na Turquia, na praia de Bodrum. 
   O jornal britânico "Independent" questiona e bem : "Se estas imagens com um poder extraordinário de uma criança síria morta levada a uma praia não mudarem as atitudes da Europa em relação aos refugiados, o que mudará?".

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Boa Decisão

  
Pedro Santana Lopes




   Santana Lopes tomou a decisão de desistir da candidatura a Belém. Penso que foi uma decisão acertada, de quem está a fazer um grande trabalho na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (sem dúvida a pessoa certa no lugar certo), e, que, embora tenha valor, não seria o candidato com mais hipóteses de vencer. Parece unânime que aquele que terá mais hipóteses de vencer e que estará melhor posicionado é Marcelo Rebelo de Sousa.


domingo, 30 de agosto de 2015

Cortina de Ferro Húngara e Búlgara

  


Hungria



  É esta a Hungria que queremos inserida na União Europeia, que tanto nos custou a construir? Onde está o respeito pelos valores de uma Europa ainda "normativa"? Como é possível a Europa suportar as medidas que o Governo Húngaro está tomar, como por exemplo, a construção de um muro que divide o país da Sérvia? Será a crise migratória actual a gota que faltava na divisão europeia?
   Em tempos, a história lembra-nos que, também outrora foi construído um muro na Alemanha, o Muro de Berlim, que dividiu o país, a Alemanha Ocidental da Oriental, com a finalidade também de evitar e parar o fluxo de refugiados, onde havia ordens para matar a quem tentasse escapar. Foram 28 anos dramáticos, onde perderam-se milhares de vidas humanas. Hoje, também para parar o fluxo de refugiados, sendo que aqui a sua "chegada" ao país, a Hungria ignora a Europa e toma medidas inadmissíveis, como esta ao construir o muro, e prepara-se para tomar ainda mais medidas como responder com "gás lacrimogéneo" perante a invasão dos migrantes. Mas infelizmente, esta ideia não é apenas Húngara e também foi seguida pela Bulgária que construiu um muro na fronteira com a Turquia, para também impedir a entrada de imigrantes.
   É preocupante o renascimento de ideias já aplicadas no passado, com efeitos devastadores, que não resolveram o problema e que ficou provado que não foram uma boa solução, e hoje nem sequer deviam ser discutidas, quanto mais aplicadas e seguidas por determinados países, aqui os de leste.
   Este é o caminho mais fácil, porque ao impedir e matar os refugiados que tentem entrar num país pode diminuir ou atenuar o problema, mas não o resolve, e mesmo para quem acredita que poderá resolver, será sempre de uma forma que esta Europa já não aceita e deve mostrar isso a quem tenta ressuscitar estas ideias trágicas do passado. Mas felizmente, e por outro lado, já vimos que os principais países da Europa já reagiram com duras críticas a estas medidas, como o caso da Alemanha e da França, o que é um bom sinal.


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Eleições Legislativas







  Hoje, António Costa admitiu descer as taxas moderadoras na saúde. Imediatamente assistimos a algumas reacções de "deita abaixo" puro, remetendo para o tradicional governo anterior ou posterior. Não sei se a ideia de António Costa é eleitoral ou não, mas que este tema terá que ser tratado por quem chegar ao Governo, disso acho que não há muitas dúvidas, até porque a diferença de qualidade entre o público e privado na saúde é cada vez maior, e o preço elevado das taxas moderadoras leva as pessoas a pensar antes de escolher ir ao público, a não ser nos casos em que não exista mesmo alternativa. 
   Em vez de assistirmos aos tradicionais ataques partidários já sem criatividade e brilho (ataques a governos anteriores e atuais), à escolha dos putativos candidatos à presidência da república (que terá interesse logo após as legislativas) , talvez fosse bom entrarmos num cenário de discussão de ideias para as eleições legislativas, de temas importantes para o país (que é o que interessa aos portugueses) e tentar perceber e debater como vamos criar mais emprego; combater desemprego e pobreza; dar resposta ao envelhecimento da nossa população; pagar a dívida; baixar défice; reformas que temos de fazer nas diversas áreas; aumentar poder de compra das famílias; aumentar competitividade das empresas; crescermos economicamente; etc.

sábado, 22 de agosto de 2015

Tauromaquia

 






   Em 1836, as touradas foram proibidas em Portugal, durante o reinado de Dona Maria II, por serem consideradas um divertimento bárbaro e impróprio das nações civilizadas, que seria unicamente para habituar os homens ao crime e à ferocidade. Como é que hoje, em 2015, ainda é permitido este espectáculo/tradição em mais de 100 municípios nacionais? Será que faz parte do património cultural português?
   As touradas dividem opiniões e dividem gerações. Por um lado, há quem sustente tal espectáculo pela tradição, pelo costume das terras, ignorando por completo o animal em si mesmo, antes instrumentalizando-o para o espectáculo. Por outro lado, e cada vez mais, são aqueles que defendem que deviam ser abolidas as touradas, pelo sofrimento e maus tratos causados ao animal.
  Em 2011, a Federação Portuguesa das Associações Taurinas apresentou na Assembleia da República, na Comissão de Educação Ciência e Cultura, um documento onde apresentava a importância das touradas no nosso país. No início do documento sustentam a posição de ser a favor das corridas de toiros com o argumento de que ao destruírem a Tauromaquia, destroem um símbolo da superioridade da humanidade sobre a animalidade. No documento, defendem que não é tortura, dizendo que "torturar é fazer sofrer um ser que não se pode defender, com o proposito de tirar um benefício sem qualquer risco. As corridas de toiros dão um duelo, um combate onde o toiro deve lutar e mostrar a sua natureza e o homem só pode aceitar participar nesse combate se aceitar pôr a sua vida em risco, não sendo comparável com a verdadeira tortura, como a que sofre, por exemplo, o prisioneiro político". Também negam que pode ser considerado uma bárbarie porque isso "pressupõe algo sem regras, sem educação, rude. Ora, a Corrida de Toiros é um ritual, perfeitamente regulado, onde cada gesto, cada passo, cada atitude tem um significado preciso e valorado. Nada tem, por isso,de bárbaro nem se compara com as verdadeiras barbaridades, como o assassínio ou mutilação indiscriminada de homens, mulheres e crianças que ainda hoje acontecem". É afirmado que a "Corrida de Toiros é,também, de uma riqueza estética inestimável, pois o toureiro cria beleza através de uma dança com a morte, transformando a natureza bruta, a linha recta, o movimento incontrolável, em curvas poéticas e temporizadas. E, a todas as outras artes, o toureio acrescenta esta dimensão única da verdade, da autenticidade, da realidade. Na Corrida de Toiros, a vida é sublimada porque, precisamente, ela pode aí ser tirada". Defendem que "a Corrida de Toiros é, antes de mais e sobretudo, uma Festa. A nossa época, mais do que qualquer outra, precisa de festas. A nossa modernidade faz-nos cada vez mais individualistas, fechados sobre nós próprios, no trabalho ou em casa. Vivemos assoberbados por esta necessidade de cumprir obrigações, de respeitar códigos e regras, sobrando-nos muito pouco tempo para estarmos com a família, e menos ainda para nos inserirmos na comunidade – muitos já só o fazem através de redes sociais. E é na festa que muitos dos membros da comunidade têm essa hipótese de interagirem entre si, de se reencontrarem, porque a festa se faz na rua, em público, em conjunto".
   Na minha opinião, a manutenção deste espectáculo e tradição em volta do culto do toiro faz-me regredir na evolução dos tempos, aos tempos negros da humanidade, em que homens e animais se confrontavam numa arena para gáudio de milhares de espectadores e não poder aceitar uma tradição que nasceu e cresceu nesses tempos onde também era permitido esquartejar pessoas, e, onde queimavam-se pessoas em volta de rituais e tradições, onde o povo assistia e gostava do que via. Os argumentos utilizados pelos protoiro são discutíveis e pouco sustentáveis. Um dos primeiros argumentos é a demonstração da superioridade humana sobre a natureza animal,defendendo que não é tortura, porque é um duelo. Esta posição é pouco sustentável, porque, hoje em dia, em primeiro, já não existe essa ideia de superioridade humana sobre a natureza animal como existiu em tempos arcaicos da nossa história e, depois, os espectáculos acontecem em praças de toiros onde o toiro é completamente dominado e não tem sequer hipótese de se defender, sendo cercado e limitado. A prova disso é ver o famoso espectáculo de Pamplona onde soltam os toiros e estes chegam mesmo a ferir e matar pessoas, o que raramente acontece numa praça de toiros, pois aqui ele está cercado e limitado nos seus movimentos, levando com bandarilhas, que lhe ferem e causam dor. Os protorios afirmam também que a corrida de toiros é de uma estética inestimável porque toureiro cria riqueza através da dança com a morte. Isto é uma defesa filosófica, que pouco tem de discussão, pois pode ter sempre defesa, porque apoia-se na abstração ou subjetividade. Mas quando a defesa de tal espectáculo se sustenta na riqueza da morte de um animal é algo preocupante e que deve ser censurada. Também chegam afirmar que é uma "festa", com a qual ninguém discorda, mas dizer que o povo necessita deste tipo de festas para interagir entre si é exagerado, porque são muitos aqueles que são contra as touradas e cada vez menos os que são a favor. E já foi mais uma prática popular do que é hoje, porque já foi o tempo em que as corridas de toiros pertenciam à plebe, sendo hoje festas também da nobreza, onde o espetáculo é mais arrojado (feito em praças com requinte) , deixando de ser um exclusivo popular, como ainda muitos tencionam fazer valer. Defender as touradas é defender os maus tratos a animais, e, pactuar com um espectáculo que é arcaico e nos faz remontar aos tempos mais negros da história da humanidade, onde a morte na arena é aplaudida e incentivada pela plateia que assiste. Hoje, embora no código civil ainda sejam consideradas coisas, já existe mais respeito pelos animais e o respeito pelo seu sofrimento começa a fazer parte de uma forma de pensar de muitas gentes.




sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Lesados BES

 





   Como é possível não haver, sequer, uma palavra para estas gentes? Será que a degradação da imagem do banco, com estas sucessivas manifestações e ataques plenamente justificados ao banco não são suficientes para o estudo de uma solução? 
   Serão processos que irão durar anos a resolver nos tribunais, mas independentemente da medida de resolução do Banco de Portugal tomada no dia 3 de Agosto de 2014 estar ou não de acordo com a jurisprudência do Tribunal de Justiça da União Europeia (onde existem sentenças contrárias ao procedimento adoptado pelo Bdp na resolução deste caso BES), acho que já devia ter havido uma palavra para estas gentes, a bem de Portugal e da imagem do Novo Banco. E, haver entre os lesados, pessoas emigrantes (como já foi provado), que não sabiam ler nem escrever, algumas agora que passam mal, sem quase dinheiro para comer, quando tinham, por exemplo, 500 mil euros no banco de poupanças, e não fazer-se nada ou não haver uma palavra chega a ser muito mau para quem assiste, aqui os portugueses, familiares, amigos e advogados das vítimas. 
   Acho que aqui o próprio Estado, uma vez que também emprestou dinheiro ao Novo Banco (juntamente com os restantes bancos), devia ter uma palavra para estas pessoas, porque a falta de solução para esta questão só vai atrasar o problema, e, para além de jamais fazer os lesados desistir, só piora a imagem do Novo Banco, que vive de ter ou não clientes, e, à medida que o tempo passa, os clientes são cada vez menos, e esta postura de todos os envolvidos, principalmente o Bdp, não favorece a credibilidade e confiança no banco.
   Depois de mais um dia que passou, quem quer ser cliente do Novo Banco? Poucos ou duvido que alguns, e amanhã, ainda serão menos, porque ainda pouco ou nada foi esclarecido, apenas há a certeza de que muitas pessoas foram roubadas e enganadas pelo BES, sendo que há casos em que nada foi dito nem dada ordem de compra de papel comercial e o dinheiro foi retirado sem consentimento do titular da conta (caso que vi em mãos), foi furtado, o que é crime e, aqui os tribunais terão de aplicar as leis. Restava era que os envolvidos esclarecessem melhor esta questão, e não ter de se esperar pelas decisões judiciais, pois, em alguns casos, terão de ser quase que obrigatoriamente demolidoras, censurando determinados comportamentos do Banco e seus agentes, que por serem tão evidentes, não poderão ter outro desfecho.


sábado, 8 de agosto de 2015

Desorientação Socialista






   A recente polémica dos cartazes, em que foram colocadas pessoas nas fotografias que nem sequer deram autorização (sendo que uma delas já tornou público que vai apresentar queixa junto das autoridades) demonstra um amadorismo político, que, é pouco compreensível do maior partido da oposição. 
    Recentemente, todos assistimos ao "esbulho" socialista em torno das listas para deputados à A.R, em que os deputados atiraram-se literalmente uns aos outros em jogo de palavras pouco bonito de ver, onde em causa estavam 4.000 a 5.000 euros por mês, e, para quem vive da política e dela serve-se, como maioria, foi quase uma espécie de vale tudo, onde pouco de positivo se viu e ficou demonstrado e a nu que mais espectáculos destes podiam surgir, derivado da qualidade dos seus protagonistas. 
   António Costa foi desde cedo completamente engolido pelo aparelho partidário do PS, onde antes de se candidatar, tinha ligações que jamais podia romper ou pensar cortar, o que lhe dificultou a vida e foi um erro ter deixado a "clientela" apoderar-se da sua liderança. Este caso do "esbulho" foi um caso típico em que perdeu completamente o controlo do partido. Mas se alguns entendem que aí não foi suficiente, com esta história dos cartazes não há dúvidas que perdeu esse controlo, a não ser que entendam que foi António Costa quem esteve por detrás da construção destes cartazes, o que não acredito, ou acho pouco plausível, porque nos partidos sempre existiram pessoas para aconselhar a liderança. Como é possível num partido como o partido socialista se cometer um erro desta magnitude, ao usar pessoas sem autorização das mesmas? Como é possível, no meio de centenas ou milhares de pessoas assalariadas no partido e com funções específicas, cometerem o erro de colocar cartazes que remontavam a 2011, altura em que era o PS que estava no Governo? 
   Mas a falta de reacção e o silêncio perante tal erro ainda pode ser mais demonstrativo de que este PS não está bem, e já não é de hoje. Um erro desta magnitude, no mínimo, tinha que ter uma resposta imediata e clara, porque estamos a falar de pessoas, e, se nem quando falamos de pessoas, dos portugueses, o partido dá explicações ou esclarece, jamais pode sequer pensar em governar nestas condições. Aliás, é difícil de entender esta forma de fazer política do "silêncio" ou do "no momento oportuno falarei", quando existe um dever de resposta, porque estamos a falar de cargos de natureza temporária, que indirectamente (alguns mesmos directamente) pertencem ao povo, e estes representam-no. 
    António Costa deixou-se encruzilhar no discurso político instalado de "arremesso", de debate pouco inteligente ou quase mesmo "vazio" que afasta os portugueses, quando devia impor qualidade no discurso, porque tinha qualidade e perfil para isso, mas nada disso aconteceu, e, chegamos mesmo a vê-lo nos discursos de "arremesso" a dizer mal deste ou daquele, quando o PS necessitava era de clarificar suas políticas e debater temas importantes para o país, mas todos nos lembramos de questões "chave" onde o PS (já com António Costa ao leme) meteu o "rabinho entre as pernas" e deixou-se estar calado. 
     António Costa certamente não perdeu as qualidades que tinha antes de ir para presidente do partido socialista, mas foi engolido completamente pelo aparelho partidário e, aliado a isso, tem demonstrado uma completa falta de liderança política (essencial para governar um país), num partido, onde a cada dia que passa, cada "tombo" é maior que o anterior, e assim continuando, pode ser que chegue o dia em que caia mesmo de um precipício e já não se consiga levantar, porque na política, o tempo não pára e os erros pagam-se caros. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Cemitério para animais




   Formidável. Nunca tinha visto e visitado um cemitério para animais. Mostra o carinho e a amabilidade pelas gentes que trata bem os animais. Foi tão bom ver as declarações nas campas dos seus donos, porque mostram e revelam o amor que existe pelos melhores amigos do homem, como diz uma expressão antiga. 
   Nesta campa, onde o "dog", que viveu de 1950 a 1954, para além da declaração deliciosa do seu dono, há uma frase interessante e ao mesmo tempo refletiva: "Quanto mais conheço as gentes, mais gosto dos animais". Quem gosta, trata e ama animais sabe bem o que significa esta frase e tenho a certeza que identifica-se com ela, seja parcialmente ou totalmente. Porque não esta ideia não ser espalhada e replicada pelo país?  Acho que teria sucesso, porque cada vez mais as pessoas tratam melhor os animais e perceberam que ali existe alguém que temos que respeitar e amar, como uma pessoa.


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Médicos de Família

 








   Incentivos para médicos de família que aceitem ficar com mais doentes? Um médico de família ficar com 2500 utentes, quando o limite de 1900 utentes atribuído em 2012 já tinha sido aceite em regime excepcional? 
   A primeira coisa que me vem à cabeça é "disparate". Aliás até custa acreditar, porque sem dúvida que Paulo Macedo é um dos bons ministros do Governo e uma pessoa competente, que aqui, infelizmente, e perante o que se sabe, teve uma medida infeliz.
   Em primeiro lugar, incentivar os médicos de família atuais a aumentar as suas listas de 1900 para 2500 utentes, recebendo mais €741 euros brutos, quando no país temos médicos jovens a necessitar de encontrar a sua vaga de emprego (e se não existissem, crie-se mais vagas nas universidades de medicina), parece-me um erro. Aliás, esta ideia de sobrecarga de horários, juntamente com a ideia das horas extraordinárias e até da "acumulação" de funções representa bem uma forma de governar que foi característica de uma/umas certas gerações no nosso país, e que parece não ser abandona e ter resistências intemporais.
   Em segundo lugar, acho que quem trabalhou nesta medida, esqueceu-se do papel do médico de família e da sua limitação de funções, que tem acentuado e baixado significativamente a sua eficácia médica, ou seja, a fraca qualidade de muitos médicos de família. Hoje, e à medida que a medicina foi evoluindo, o papel do médico de família diminuiu, e, infelizmente, muitos serviços não souberam adaptar-se a essa mudança, talvez pelo, de sempre, problema principal: dinheiro. O ponto de partida deve ser sempre o paciente, e se queremos uma abordagem centrada na pessoa e orientada para o indivíduo, aumentar o números de utentes não irá melhorar o serviço, pelo contrário, irá piorar. Hoje, já se pensou porque razão muitas das pessoas que têm médico de família, não recorre a este quando tem um problema de saúde (existe muita gente que não o faz) ? E se tiver um problema, já se pensou se existem mecanismos práticos de os próprios clínicos saberem orientar o paciente aquando da sua própria limitação clínica ? Já se pensou porque muita gente só recorre ao médico de família para aspectos passar receitas ou outros aspectos de formalidade médica? Já se pensou porque razão numa consulta de medicina familiar cada vez há menos comunicação com o doente? Já se pensou porque razão há cada vez menos interacção entre o médico e o paciente? Já se pensou porque razão a opinião do clínico já não é vista como sacrossanta? A medicina familiar acompanhou e adaptou-se a essa mudança de opinião? O papel do médico de família é um papel importante na comunidade, mas só será eficaz se for avaliado e adaptar-se à mudança e evolução com qualidade e orientado para o paciente. Haverá poucas dúvidas de que, se a qualidade continuar a cair e o papel do médico de família não mudar, principalmente na adaptação a esta nova autonomia do paciente no seu processo de decisão clínica e tomada de decisões, as pessoas cada vez mais continuarão a instrumentalizar o seu médico de família, e, nos casos em que tiverem possibilidade, deixarão mesmo de recorrer a este.
   Em terceiro lugar, a questão do próprio incentivo em si e de uma espécie de gratificação por ter mais consultas ao final do dia, quando isso em nada significa qualidade, é um retrocesso. Aliás, imaginem uma pessoa que está a passar mal, vai ao médico e o médico precisou de estar ali com ela 2 horas, será justo não premiar este médico, quando ele esteve a fazer seu trabalho e teve ajudar o doente ? E vai-se premiar outro porque deu consultas a um ritmo épico, umas 50/60 por dia, mas não conseguiu ser competente e cumprir com os objectivos da medicina familiar, nem com o seu papel enquanto médico de família. Não me ocorre outra palavra a não ser "disparate".
    Por vezes há medidas que mais valiam nem sair do papel, e esta é uma delas, que, para sermos justos, nem ao papel devia ter chegado.




terça-feira, 4 de agosto de 2015

Tribunal de Penafiel

  





   Foi no tribunal judicial de Penafiel que assisti a algo de que, apenas teoricamente tinha conhecimento. Já tinha assistido num ou outro tribunal a coisas de pequena dimensão problemática ao nível das condições de trabalho, mas aqui foi deveras constrangedor, porque não havia mesmo condições de trabalho. A meritissima magistrada do Ministério Público, que diga-se que fez um esforço louvável, em audiência prévia de tentativa de conciliação com os arguidos e advogados num processo crime, nem um local conseguiu para o efeito, tendo mesmo de colocar todos os presentes numa pequeníssima sala, colocando lado a lado os arguidos, que ainda se lembravam e bem da "pancadaria" que houve, sendo que, inevitavelmente, existiu falhas de memória, como é normal nestas situações. Aliás, houve mesmo um "surto" de amnésia na sala. Mas o que é de realçar é que, enfiados todos numa sala, com um calor tórrido, não havia ar condicionado e as janelas abertas apenas aumentavam o calor já sentido na sala. Para além disso, todos ficaram de pé e ao assinar os documentos (porque não houve desistência da queixa criminal da nossa parte), quase que não chegava o papel, porque até esse era contabilizado.  
   Bem, se, por um lado, há coisas que vão bem no país e num bom caminho, há outras que não vão num bom caminho e precisam de mudar de rota, porque por aqui vão dar a uma estrada sem saída, e depois talvez se tenha de voltar para trás ou construir de novo, destruindo o que de mal foi feito. Era bom que algo fosse feito para melhor, como tanto reivindicou a magistrada na audiência, pela justiça, pelos seus agentes e pelos cidadãos.


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Rui Rio e Belém

  
Rui Rio



   Gostava de ver Rui Rio a Primeiro-Ministro de Portugal. Talvez possa ser um "erro" estratégico Rui Rio ser candidato presidencial, isto porque tenho poucas dúvidas que daria um excelente Primeiro-Ministro de Portugal, porque tem um perfil de que o país precisa, com provas dadas na Câmara Municipal do Porto. Poucas dúvidas terei que também será um bom Presidente da República, mas acho que o país precisaria mais de um Primeiro Ministro com este perfil e valor. Na entrevista dada à Rtp, quando lhe perguntam se já decidiu a sua candidatura a Belém, este responde: "Daniel, estou a ponderar, porque fazer uma campanha custa dinheiro e não quero ficar a dever a ninguém e só avanço se tiver dinheiro ou financiamento, independentemente de ter o apoio ou não do partido". Quantos políticos falam e agem desta forma em Portugal?


quarta-feira, 22 de julho de 2015

Proposta Deputado António Filipe



António Filipe




   Foi hoje a votação final na Assembleia da República o novo estatuto da ordem dos advogados. A proposta sobre a "remuneração do estágio", apresentada pelo deputado do PCP, António Filipe, foi chumbada. O curioso é que, por exemplo, um dos deputados que votou contra não o fez de acordo com a sua consciência, porque já chegou a tornar pública a sua ideia, e mais grave, já tive oportunidade de o ouvir pessoalmente, e tinha uma opinião firme nesta matéria, contrária à do seu voto. Nestas matérias, mais que partidos ou pessoas, deve imperar a nossa consciência, o nosso saber. A proposta do deputado António Filipe sobre a obrigatoriedade de remuneração do estágio de advocacia dificilmente poderia ser rejeitada se imperasse o bom senso. Mas, é do PCP, e mesmo que seja uma boa proposta, não pode ter um voto a favor de outra bancada, porque o nosso sistema está totalmente partidarizado. Mas fica o registo de uma boa proposta do deputado António Filipe.


domingo, 19 de julho de 2015

TEDxLisboa

domingo, 12 de julho de 2015

Saída Temporária da Grécia?

   




   Bem, quando o bom senso devia ser um imperativo nas reuniões com a Grécia, eis que uma das propostas é: "a saída temporária da Grécia por um período de 5 anos". Quem não tiver acompanhar o que se passa na União Europeia, diria que tudo isto é uma brincadeira, onde as consequências são impossíveis de quantificar. Num momento em que todos deviam lutar por um "acordo", defendendo a Europa, a Alemanha faz uma proposta infeliz e que diz muito desta liderança europeia. Vamos acreditar que esta proposta foi um "desvario" alemão, porque caso seja ponderada e discutida, e , mais grave, aceite, seria o fim da Europa, que não acredito que seja aceite pelos restantes estados membros. Esta proposta é um apelo à desunião, quando as propostas deviam ser um apelo à união.


quarta-feira, 1 de julho de 2015

Escravidão Moderna

   





   Um dia, a história fez-nos chegar ao conhecimento os tempos da escravatura, em que um escravo (ser humano) era visto como mercadoria. Desde 1836, altura em que foi abolida a escravatura, que tal palavra não se fazia ouvir nos corredores do mercado de trabalho em Portugal.
   Entraram hoje em vigor as novas regras do CPAS (Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores), que obrigam, todos os inscritos na Ordem dos Advogados a pagar, já no próximo ano, 191 euros mensais (escalão mais baixo obrigatório) e 242 euros em 2020, independentemente de o advogado ganhar 250 euros mensais ao final do mês ou ganhar 20.000 euros mensais. Quando soube disto, pensei que não fosse possível tal "atrocidade", mas o incrível é que estas coisas (e não queria dizer isto mas torna-se inevitável) começam a só ser possíveis mesmo num país como Portugal, onde só uma completa "ignorância" pode levar alguém aprovar um diploma deste tipo, desta forma tão infeliz e ingénua.
   Mas como é que podem obrigar, por exemplo, um advogado que ganhe pouco, ou mesmo um advogado estagiário que, por exemplo não ganha ou que ganha uns "trocos" a pagar tanto como um advogado que aufere um salário "chorudo" ao final do mês? Antes disso, como pode alguém pagar se não auferir rendimento? Será que por este andar qualquer dia os sem abrigo vão ter de pagar IRS pelas esmolas que recebem a arrumar carros?
   Uma coisa começa a ser certa cada vez mais: alguém vai ter de pagar estas injustiças e estas novas formas de escravatura moderna, que se vão acumulando na sociedade portuguesa, e que eram perfeitamente evitáveis.


segunda-feira, 29 de junho de 2015

Sábias palavras


Cavaco Silva




  Bem, se as coisas estavam agitadas e num ambiente de turbulência em detrimento da questão grega, com as declarações do nosso presidente Cavaco Silva, pelo menos ao nível da aritmética e astrologia, ficamos mais descansados, a fazer fé no que foi dito. Em primeiro, quando o nosso presidente diz: "Se a Grécia sair ficam 18". Depois de ouvir estas palavras, lembrei-me também que se a minha avó não morresse, ainda hoje estava viva. Em segundo, quando diz: "O euro não vai fracassar, é uma ilusão o que se diz. O crescimento económico português não será afectado". Já no passado, quanto ao caso BES, o Sr. Presidente teve sábias palavras, principalmente quando disse: "Portugueses podem confiar no BES".


domingo, 28 de junho de 2015

Tragédia Grega


Ésquilo, o pai da tragédia grega





   Em outrora da história, foi Ésquilo quem inaugurou a tragédia grega. Hoje, com o programa de financiamento a terminar na próxima terça-feira, a pergunta urge: quem o fará desta vez? de quem é a (ir)responsabilidade política? Ultimato Europeu ou iniciativa grega? Há lugar para o diálogo? O país aguenta até dia 05 de Julho, dia do referendo? É uma decisão sensata ou dilatória? 
  O que define um grande político é a capacidade de predizer aquilo que vai acontecer amanhã, daí a uma semana, no mês e ano seguintes. E ter a capacidade, no fim, de explicar porque não aconteceu nada assim. Era bom que se antecipasse o que aí vem, evitando, o que cada vez se torna mais provável, à medida que as horas avançam: bancarrota grega. Pouco sabemos sobre o que passa ao pormenor em Bruxelas. Soube-se que o Syriza queria aplicar uma taxa de 12% sobre lucros das empresas acima de 1 milhão; reforma do IVA  (manter escalões, onde por exemplo, o mais baixo, cobre medicamentos); aumentar o IRC e aumentar a contribuição de solidariedade (só para quem tem rendimentos anuais acima 12 mil euros). O governo grego afirma no documento que apresentou em Bruxelas que a maior fonte de receitas será obtida através da reforma do IVA, e é aqui um dos pontos que gerou controvérsia. Bruxelas não aceitou, pedindo que aumentassem a taxa sobre a energia para 23% e aumentassem a taxa sobre os medicamentos, bem como impostos incidissem mais sobre as pessoas, e não sobre as empresas. Mas isso é como pedir a uma Testemunha de Jeová para fazer uma transfusão de sangue. Estamos a falar de um partido de esquerda radical, que tem uma ideologia, e obviamente não podemos estar à espera que as propostas fossem muito diferentes das apresentadas, bem que algumas até podiam ser mais radicais, e foram defendidas dentro do Syriza. Alguma surpresa? Não parece. Será que a Europa estava e está preparada para implementar novas políticas alternativas à política atual ? Também não parece. Mas chegar aqui, em termos políticos, seria uma inevitabilidade (alternativas políticas), mas não seria inevitável haver um consenso que evitasse mais uns tempos de turbulência na Europa.
 O referendo político, mesmo havendo um "sim" ou um "não", poderá não ser a melhor solução, e indicia que algo vai mal no seio do próprio parlamento grego, principalmente na bancada do Syriza, e aí poderá estar a origem desta iniciativa. A sua legitimidade não se questiona, mas lançar mão deste instrumento apenas neste momento (a 3 dias do programa de financiamento terminar) é pouco sensato. E qualquer um dos cenários é no mínimo "embaraçoso", Caso ganhe o "não", a Grécia poderá ter de sair mesmo do Euro, a não ser que tudo o que se passa em Bruxelas seja uma encenação, que não podemos acreditar. Se ganhar o "sim", vamos ter um Governo a negociar com Bruxelas propostas com as quais não concorda, o que é insustentável em termos políticos.


Professor Marcelo Rebelo de Sousa

 
Marcelo Rebelo de Sousa




   No programa alta definição (programa conduzido de forma excelente pelo Daniel Oliveira), o convidado desta semana foi o professor Marcelo Rebelo de Sousa, e que bom foi ouvi-lo professor.
   Destacou que é no "dar" que está a razão de existir, que na vida há coisas milhões de coisas pouco importantes que nos fazem perder tempo. Lembrou das pessoas que estão doentes, que estão nas fases críticas e terminais da suas vidas, da importância que é dar valor a estas pessoas. Como o percebo e concordo professor. A grande riqueza da vida é saber dar valor mesmo às coisas importantes e que nos fazem felizes, e não perder tempo com esses milhares de coisas menos importantes. Quantos de nós não perde tempo com essas coisas? Acho que todos já o fizemos e temos de aprender e a cada dia que passa saber dar valor ao que realmente merece o nosso valor e encarar de forma normal as coisas menos importantes, porque também aí está a capacidade de sermos inteligentes e conseguir utilizar a inteligência de uma forma sublime, educacional e com elevação.


domingo, 21 de junho de 2015

PS de (Cha)Co(s)ta

 






  Sem dúvida, este será um caso de estudo político. Como é que alguém que já chegou a ter a maioria absoluta em sondagens (ver :http://www.jn.pt/paginainicial/nacional/interior.aspx?content_id=4187336), pode agora estar a perder as eleições para a maioria PSD/CDS?
  António Costa tinha uma boa imagem junto da opinião pública e era apreciável a sua maneira de estar na política (porque tinha qualidades e um percurso interessante) , mas a partir do momento em que passou a ser líder do PS, a gestão da sua imagem e a forma de fazer política mudou e tornou-se muito fraca, tendo aniquilado em parte as possibilidades de ganhar eleições. Em primeiro, na escolha das pessoas. Rodeou-se da "velha guarda" , alguns nomes que já nem o coveiro se lembrava. Ir buscar algumas pessoas demonstrou que seria "mais um", igual a tantos outros, que bebia o sistema partidário como ninguém e a ambição era partidária e não nacional. António Costa tinha um posicionamento no PS como Rui Rio tem no PSD, mas perdeu esse crédito de alguma independência que as pessoas viam nele e a prova de que esse crédito existia está nas primeiras sondagens de 2014, onde davam a maioria absoluta ao PS, Em segundo, confrontado perante a opinião pública para tomar posição sobre diversas matérias, adiou sempre a resposta, contornando a mesma, demonstrando e passando a imagem de que não queria comprometer-se com "nada", o que passou a imagem de calculista político. Em terceiro, no que concerne a propostas e ideias (a parte que correu melhor mas veio tarde e não apaga os erros anteriores), aqui as coisas correram um bocado melhor, principalmente no momento da apresentação, onde há coisas que merecem elogio, mas, o problema veio posteriormente no esclarecimento de António Costa sobre os pontos do programa. Quando questionado, demonstrava sempre fraca argumentação e remetia para terceiros esclarecimentos. Em quarto e por fim, o discurso político (talvez ponto crucial). Tem um discurso pouco emotivo e que está longe das pessoas, onde revela dificuldade em ser ouvido e mostra pouca vontade e garra em mudar as coisas, porque o discurso está longe de ser nacional. Um discurso onde os portugueses não se revêem, com ziguezagues constantes, pouco credível (o que não acontecia antes de ser líder do PS) e confuso. Basta lembrar a posição relativamente ao caso da Grécia, onde inicialmente colocou-se do lado de Tsipras, e mais tarde, para se afastar desse radicalismo, tornou o seu discurso próprio radical, ao afirmar que afinal "Tsipras era um tonto".
   A política deve ser feita para as pessoas, e quando esta é feita mais a pensar no partido do que no país, o resultado é um cartão vermelho ao candidato, mesmo que este até tenha qualidades, porque tem de demonstrar naquele momento. Não vence quem ganha uma ou duas batalhas, mas sim quem ganha a guerra. E se António Costa entrou perto da maioria absoluta, em pouco tempo tudo mudou e já está em risco de perder as eleições, e mais grave ainda, ser alvo de chacota política por aqueles que esperaram por este momento: apoiantes de António José Seguro. 
    


sábado, 20 de junho de 2015

Impasse Grego




Yanis Varouf
akis e Alexis Tsipras



  Num país onde, após 2008, o ajustamento levou à queda de 37% nos salários; queda de 48% nas pensões; onde o número de funcionários públicos diminuiu 30%; o consumo caiu 33% e o défice 16%, por sua vez, disparou o desemprego para os 27%; o trabalho não declarado atingiu os 34%; a dívida pública ultrapassa 180% do PIB; a pobreza e a fome tiveram aumentos associados a estados de guerra e a capacidade produtiva deixou de existir. Perante isto, será que administrar o mesmo antibiótico ao doente é uma boa solução? Admitindo que é preciso tomar antibiótico, será que utilizar o mesmo do passado (sabendo que não resultou) é aceitável? Impressiona ver pouca gente discutir os efeitos do antibiótico aplicado anteriormente e a sua pouca ou quase nula eficácia. O debate centra-se em duas saídas: pagar ou não pagar, desviando-se do principal problema: futuro grego.


domingo, 14 de junho de 2015

CONFAP

  
Confederação Nacional das Associações de Pais





 A Confederação Nacional de Associação de Pais veio defender que os alunos deveriam apenas ter um mês de férias no Verão. Mas a ideia é repensar a escola para o bem dos alunos ou a ideia é ter onde deixar os filhos nas férias de Verão?
   A escola precisa ser pensado no seu todo, desde do tempo em que os alunos passam na sala de aula, passando pela forma de ensinar, até aos métodos de avaliação aos alunos e professores. Mas, para isso é preciso haver vontade e dinheiro. Primeiro, porque a escola pública está cada vez mais pobre, e, não vale a pena andar com "floriados" nesta questão, porque quando não há investimento, é difícil conseguir proporcionar boas condições aos alunos e melhorar seus desempenhos escolares. A ideia de haver apenas um mês de férias tem de ser "compensatória" para os alunos, porque serão sempre eles os beneficiados ou prejudicados, e acho que tem valer mesmo a pena, caso contrário, se for para ter onde os deixar, daqui a pouco será que vamos ter alguém a defender que no Natal seja apenas dia de férias o 24 e 25 de Dezembro? Tem de se acabar com a ideia de haver estas "decisões" que eram prática no passado, onde decide-se sem pensar nos destinatários, e sem ponderar se haverá aceitação dos seus destinatários: alunos. 
   Acho que, por exemplo, esta ideia seria interessante, se ao encurtar os três meses de férias para 1, os dois meses fossem para contacto com empresas (inclusivé atividades); visitas culturais ou de estudo; concursos (com convidados para estimularem desde cedo a criatividade como acontece nos E.U.A.); voluntariado; programas de integração com a comunidade e estruturas locais;  etc. Acho que a ideia deve ser sempre a pensar no aluno.
   A CONFAP tem ideia que quando fala num maior "aproveitamento dos alunos fora das paredes da sala de aula" tem noção que isso não acontece essencialmente por falta de dinheiro? Por exemplo, porque razão a escola pública não promove a prática de todos os desportos como acontece no privado (inclusivé pagando para irem representar escola internacionalmente, como no caso do surf acontece em certos colégios)? Porque razão não promove mais visitas e viagens aos alunos? Porque não oferece mais apoio escolar aos alunos? Porque razão não trata todos os alunos por igual? Porque razão não promove conferências nacionais e internacionais nas escolas? 
    Mas claro que o único problema não reside no dinheiro. Em segundo estão as pessoas e o modelo de gestão. Acho que devia-se alargar as escolas às empresas, e permitir que nos seus modelos de gestão estejam presentes empresas. Os atuais modelos de gestão estão esgotados e os resultados não são animadores. Lembro-me ter andando em escola pública, e nos anos que lá passei, se tentar olhar para grandes alterações sofridas na escola, não consigo lembrar, a não ser terem "pintado" 2 pavilhões e tudo se mantinha igual no resto. Mas isto também tem muito a ver com a visão e a estratégia definida para o ensino pela tutela, que nestes anos (e parece continuar) olha apenas para resultados nos finais dos semestres, o que é uma visão cada vez mais ultrapassada.




sábado, 6 de junho de 2015

Greve dos Enfermeiros

 





   Desta vez, senti a greve, porque bateu-me à porta. Já o disse, mas volto a dizer: se há área em que o Estado não pode prescindir da sua presença e garantir os direitos básicos a todos que precisam deles, essa área é a da saúde.
   Cheguei ao Hospital, dirigi-me à recepção, onde fui informado que teria consulta marcada para as 15 horas, mas seria por outro médico. Aguardei pela minha vez, e, quando chamaram o meu nome, dirigi-me à consulta, onde tinha três médicos a receber-me. Entrei, cumprimentei educadamente os médicos, e após esse cumprimento, ouvi do outro lado o seguinte: "Em primeiro, já deve saber que o médico não está, e só poderá agora vir daqui a duas semanas, porque foi ele que o operou e só ele pode decidir o que fazer quanto ao seu tratamento. Quanto ao curativo, como sabe há greve e não temos enfermeiros para lhe fazerem o curativo ". Respondi o seguinte: "Coloque-se na minha situação e na dos demais doentes que aqui estão, acha que vou esperar mais duas semanas, após ter sido operado, quando já estou há 15 dias imobilizado? ". Não tiveram resposta, e ficaram imobilizados mentalmente, dizendo apenas que nada podiam fazer e teria que voltar noutro dia ao Hospital (comportamento negligente). Saí da consulta, fui à recepção, onde aceitaram devolver o dinheiro se quisesse, porque eu não tive uma consulta e expliquei isso, as quais amavelmente (sem culpa nenhuma, coitadas) compreenderam e informaram também que o médico não viria mais em princípio, ou seja, as pessoas todas que ali estavam e tinham sido operadas por aquele médico e que iriam voltar daqui a duas semanas para a consulta, já não seria com o médico que as operou. Após sair do Hospital, como sabia onde o médico estava (e tinha como lá ir e com quem falar para ir lá), consegui ir ter a outro Hospital onde mesmo estava, e, consegui ser atendido, fazer o curativo e resolver o meu problema, mas a verdade é que os restantes doentes tiveram de ir para casa, e, alguns irão mesmo só daqui a 2 semanas ao Hospital (consequência do comportamento negligente anterior), podendo agravar o seu estado de saúde, porque quando estive com o médico, ele disse-me: "Sim, tínhamos mesmo hoje de fazer o curativo e começar o tratamento".
   Perante isto, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses já admitiu continuar a fazer mais greves enquanto não houver melhores condições de trabalho, principalmente valorização da carreira de enfermagem. Mas, e apesar de serem compreensíveis os argumentos, não haverá outras e melhores formas de conseguir reivindicar seus direitos sem atingir os doentes, que são sempre, directamente, os afectados? Esta "banalização" da greve não poderá ser ela própria perigosa e virar-se contra quem a promove, a longo prazo, se não houver um limite?
    Quanto aos serviços mínimos, que a lei obriga, algo falhou, e não foram cumpridos, porque naquele Hospital, não havia um enfermeiro ao serviço. Aqui, o Sindicato dos Enfermeiros vangloria-se e justifica-se no acordo de 20 anos que existe para prestação desses serviços mínimos. Mas, houve falhas e o Governo devia ter utilizado, com base na lei, a requisição civil, porque o cumprimento dos serviços mínimos é uma obrigação imposta por lei, e que quando não é cumprida, deve o Governo lançar mão da requisição civil.
   A greve, até agora não conseguiu alterações nas condições de trabalho dos enfermeiros (que era a finalidade) mas conseguiu degradar as condições de saúde de muitos doentes.


terça-feira, 2 de junho de 2015

Avaliação dos Professores









   Desta vez, foi Bill Gates a defender uma ideia cada vez com mais adeptos, a qual partilho , de que a melhor forma de avaliar os professores não é através de um mero resultado, de um "passou" ou "reprovou", de um "fraco" ou "muito bom", mas sim dar-lhes uma avaliação que permita melhorar a sua prática docente e que isso tenha efeitos na sua relação com o aluno. Quantos os professores que passam nas ditas provas de avaliação e posteriormente não conseguem ter uma boa prática docente? Não conseguem ter impacto positivo junto dos alunos? Não conseguem ter uma metodologia de sucesso? Não conseguem melhorar o seu ensino ou mais grave ainda, não conseguem perceber que precisam de melhorar a sua prática docente?
   No vídeo, vemos que umas das professoras utiliza um vídeo na aula (uma das ferramentas usadas para o melhoramento da sua prática docente) e explica como isso a ajuda nas suas próprias reflexões de ensino, nas notas que toma, e o mais importante de tudo: no seu crescimento pessoal enquanto professora. 
   Este é o caminho, capacitar os professores com ferramentas úteis para estes melhorarem a sua prática docente, e encontrar formas de avaliação entre os alunos (que avaliam os professores) e os professores (que avaliam os alunos), porque os resultados são espelho das boas práticas.



sexta-feira, 29 de maio de 2015

Missionários Nepal


Nepal



  Missionários uma vez, missionários toda a vida. "Só hoje senti que o rumo a seguir me levava para longe. Senti que este chão já não tinha espaço para tudo que foge. Não sei o motivo para ir, sei que não posso ficar. Não sei o que vem a seguir, mas quero procurar. Hoje deixei de tentar erguer os planos de sempre. Aqueles que são para outro amanha que há-de ser diferente. Não quero levar o que dei, nem sequer o que é meu. Hoje parece vai estar um pouco de céu. Só hoje esperei já sem desespero que a noite caísse. Nenhuma palavra foi hoje diferente do que já se disse. E há uma força a vencer". 
   Estamos juntos :)


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Espectáculo Marinho e Pinto

   
Marinho e Pinto




   Bem, mudou de cidade, mas mesmo assim mantém a caravana em Portugal. Numa altura em que manter um circo e a sua tradição não é tarefa fácil, Marinho e Pinto continua a aposta e, mesmo mudando os artistas, não abdica de vingar nas suas lides. Desta vez o espectáculo foi no Partido Democrático Republicano e a entrada era livre, em que, o aparecimento de uma lista concorrente foi o motivo da sua fúria, que, surpreendentemente não se conteve e quase deitava tudo a perder e perdia a compostura, revelando mesmo a sua pessoa, que, ainda poucos conhecem, porque estes "tiques ditatoriais" são apenas uma amostra. Quando viu a lista concorrente, com um número significativo de pessoas, assustou-se e disse mesmo que queriam "tomar o partido", ou não terá sido antes o mau hábito de quem não suporta concorrentes e quer tudo à sua maneira e feitio? E o mais cómico foi acusarem a igreja maná de tentar à "força" levar eleitores a votar e à última hora, não aceitando esses membros. Então não são todos iguais perante a lei ? Esta xenofobia não atrai espectadores, e têm ter cuidado, até porque a multiculturalidade só traz benefícios e riqueza ao discurso, mas talvez as pessoas estejam-se aperceber que a ideia não é essa, mas sim tomar o poder a qualquer custo, seja a passar por cima de quem for, rejeitando as etnias e aniquilando os concorrentes. Bem, não há forma deste triste espectáculo acabar.

    

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Ramadi, Iraque

  
Conquista da cidade de Ramadi no Iraque pelo Estado Islâmico





    Desta vez foi a conquista da cidade de Ramadi, que estrategicamente, é uma vitória que coloca os sunitas do Estado Islâmico perto da capital Bagdade, o que representa um perigo iminente para a comunidade internacional e toda a sua estratégia. Se à derrota dos E.U.A até ao momento, é esta, e Obama aqui vai ter de repensar a política no Iraque, porque, se chegar o dia em que não haja outra solução a não ser enviar militares, já será um falhanço. Se houve falhanço assumido e reconhecido dos E.U.A, esse ocorreu em 2003 com a invasão do Iraque, mas agora a situação é outra e incomparável com 2003. E, as consequências que daí advieram foram o surgimento da Al-Quaeda e do ISIS, sendo que este último foi formado por ex- membros Al-Quaeda, sendo que o líder o ISIS foi líder da Al-Quaeda em 2010. No Iraque, o ISIS tem resistido (diga-se de uma forma algo fácil e surpreendente) aos ataques aéreos da comunidade internacional e aos ataques dos militares iraquianos (que não têm capacidade) e continuam avançar a cada dia que passa, cometendo atrocidades e massacres em massa. Em Ramadi o massacre já contabiliza 500 mortos. Não deixa de ser inquietante assistir a esta incapacidade internacional, que, está a falhar, e, perceber que a mudança de estratégia não acontece porque vive assombrada pelo medo de se voltar a falhar, um medo que teve um tempo e uma história, que pouco ou nada tem a ver com a actual.


Velho Autoritarismo Policial

  
Polícia agride Adepto em Guimarães





   Era o jogo que podia dar ao título ao Benfica, e, mais uma vez, Guimarães foi palco de "pancadaria", "furtos", "ofensas à integridade física", houve de tudo como na mercearia da Dona Deolinda. Até o "Rambo" andava à solta em Guimarães. Mesmo não sendo o dos "filmes", causou estragos e abusou do uso da força. Embora tenha desiludido quando fugiu para casa do pai, porque o "Rambo" dos filmes nunca desiste e quando bate em alguém, depois não foge, dá a cara. Independentemente de haver adeptos que não souberam comportar-se (como era previsível ou não? com quanto tempo se preparam estes jogos?), jamais a autoridade policial deve ser substituída pelo autoritarismo policial. Isto parecia previsível e foi notório (ainda mais para quem esteve no estádio de Guimarães) que a polícia arriscou cometer falhas graves, e não teve "mão" nem soube controlar a situação, nem estava preparada para os adeptos que vieram de Lisboa (o que surpreende). O polícia "Rambo" de Guimarães (que pelos vistos já tinha uns quantos processos) agrediu um adepto que estava com um filho e com o pai de uma forma bárbara (que configura crime), comportando-se como um marginal e não como um polícia. São estas maçãs podres que infectam a nossa sociedade e apodrecem os nossos sistemas, neste caso o policial que devem ser deitadas foras. E, porque há polícias excelentes e que fazem um excelente trabalho e são um exemplo, por esses, devemos deitar fora estas maçãs podres do sistema policial, que tencionam "desenterrar" o velho autoritarismo policial, que tanto mal fez ao nosso país em outrora na história..
 



sábado, 16 de maio de 2015

Bullying

  
Bullying




  O paradigma atual diz-nos que temos dividir a palavra crime da palavra bullying, mas não será apenas uma questão de tempo? Porque razão já houve proposta governativa e não se avançou? Porque razão há partidos que já apresentam propostas há 10 anos e não são aprovadas? 
   Atualmente, e infelizmente, o bullying ainda não é crime. Mas é já um vício antigo dos fracos, que se apoderam da fragilidade do inimigo para ameaçar ou forçar alguém a fazer algo. Só que há bullyings e bullyings. Quem já não passou por tal situação ou assistiu? Quem não se lembra de chamar Mrs. Bean a uma colega da escola ou quem não se lembra de em certas escolas se chegar ao sétimo ano e ter de ir à pia ou ao poste (chegar mesmo a ser identificado e recebido na escola pelos mais velhos) ? 
  Deve-se criminalizar, mas não chega. O problema tem a ver com a carência grave de meios humanos para prevenir e acompanhar e intervir sobre o fenómeno da violência em meio escolar. E para essa prevenção, a criação de mais gabinetes (como foi enunciado numa das propostas apresentadas) acho que pode ser um dos caminhos de resolução, se houver um acompanhamento mais personalizado do aluno, porque criar gabinetes ou colocar um psicólogo com 1000 ou 2000 alunos não é solução, nem se a função for ter consultas meramente de apoio, sem atrair ou responsabilizar o aluno. A ideia terá de ser atuar em contexto escolar e também fora da escola, sendo um acompanhamento permanente, que possa estar mais perto de resolver o problema, e não atenuá-lo, porque a ideia deve ser resolver e solucionar o problema do aluno. 
    Quando estive envolvido no projeto "Porto de Futuro", que ajudava crianças com dificuldades escolares (onde cada uma tinha uma "espécie" de tutor), uma das coisas pelas quais o projeto funcionava bem tinha a ver com a sinalização das crianças e todo o trabalho que era feito nesse campo, chegando sempre ao conhecimento do tutor tudo sobre o menor (lembro-me por exemplo do caso de um miúdo que chegou à escola com um olho pisado e já tínhamos informações do que tinha acontecido, quem e como foi). Aqui, também me parece que a sinalização dos "agressores" (bullying) nas escolas deve merecer um trabalho individual e deve ser uma das apostas, com uma fiscalização apertada e descrita quase diária, e atuando antecipadamente, ou seja, ter equipas especializadas a trabalhar nesse problema.
     A nível político, não se entende como ainda não foi criminalizado o bullying e como foi abolida a discussão sobre o tema em algumas bancadas (há quem não esqueça o tema). Há partidos que apresentam propostas há dez anos sobre o tema, como o CDS, tendo o PS apresentado uma proposta durante o Governo Sócrates que acabou mesmo por caducar, com a razão de que os meios de prevenção existentes eram insuficientes. Proposta essa que foi rejeitada pelos partidos mais à esquerda. Mas, se por um lado, quer-se mais prevenção, não podemos ignorar que também deve haver repressão, medidas repressivas e a criminalização do bullying não deve ser posta em causa nem confundida com a necessidade da existência de medidas preventivas.
    Talvez já seja tempo de deixarmos de pronunciar a palavra "bullying" isoladamente, e, passarmos a falar e pronunciar a palavra como "crime de bullying", passando a ser da família de palavras do "crime", e marcar presença no Código Penal, punindo seus responsáveis.



terça-feira, 12 de maio de 2015

Não se explica



Santuário de Fátima
 


É Fé. Não se explica, sente-se e vive-se. Nós cristãos caminhamos juntos, porque há alguém que nos ensina a viver, a dar e a receber. 

sábado, 9 de maio de 2015

Reino Unido: O Golpe dos Conservadores


David Cameron, líder do partido dos conservadores e Primeiro-Ministro do Reino Unido





   Uma dupla do vitória do partido dos conservadores no Reino Unido. A primeira junto dos eleitores, e, a segunda junto de todas as sondagens, que apontavam para uma disputa renhida entre os trabalhistas e os conservadores, quando o resultado final ditou a maioria absoluta com 39% dos votos para partido de David Cameron, elegendo 331 deputados. Faz lembrar, num paralelismo com Portugal, o que se sucedeu com o CDS nas últimas eleições, que também as sondagens lhe apontavam resultados pouco animadores, e no final, houve surpresa na hora do voto. Para lembrarmos tal surpresa equiparada a estas últimas eleições britânicas, temos de remontar aos tempos da segunda guerra mundial, em que Churchill, após vencer a guerra, foi derrotado inesperadamente nas urnas.
    Destas eleições, deve-se destacar também a derrota do Ukip e do eurocepticismo , um partido anti europeu , que tinha obtido um excelente resultado nas eleições europeias e agora só elegeu um deputado, o que é um bom sinal para o país. O seu líder tem uma visão fechada nas suas fronteiras, onde não consegue pensar além dessas barreiras, instrumentalizando e ridicularizando a europa para ganhar votos. Tinha mesmo um slogan : "Votar no Ukip é um voto para deixar a União Europeia". Talvez seja bom não esquecer aqui a promessa de David Cameron, que prometeu, se ganhasse as eleições, fazer o referendo sobre a permanência do Reino Unido na UE.
    Outra das surpresas da noite foi a ascensão do partido nacionalista escocês, que elegeu 56 deputados dos 59 disponíveis, quando anteriormente tinha apenas 6 na Câmara dos Comuns. Este resultado fez rapidamente esquecer a derrota dos escoceses quando do referendo sobre a independência do seu país. Uma das promessas que o seu líder já fez saber foi que vai pressionar David Cameron para cumprir a promessa do referendo sobre a permanência do Reino Unido na UE. Para esta vitória contribuiu a pesada derrota dos trabalhistas, que também aqui tinha uma presença histórica, que cada vez mais esvanece no tempo.
    Pelo contrário, a derrota dos trabalhistas não foi uma surpresa tão inesperada como se apontava, porque o seu líder era pouco carismático e a sua oposição fraca, onde não conseguiu impôr-se nas políticas mais importantes na defesa dos trabalhadores, sendo que, mesmo em alguns casos, não abria "jogo" sobre posições em determinadas matérias (uma "moda" de alguns políticos), que o feriu e acabou por o golpear na hora do voto. Faz mesmo lembrar o caso de António Costa em Portugal, que quando foi eleito tinha alguma popularidade juntos dos eleitores, e que tem vindo a sofrer vários "sismos" pela forma pouco hábil como não defende nem cativa a sua classe (eleitores) e pela incrível e censurável falta de tomada de decisão sobre determinadas matérias, essenciais para a vida do país. O desnorte do partido trabalhista foi visível essencialmente quando, numa aproximação ao Ukip (que defende com unhas e dentes essa bandeira) defendeu o controlo da imigração no Reino Unido. Isto foi uma das coisas que elucidou bem que o partido navegava em águas perigosas, longe dos seus e perdido sem rumo e direcção. Desde que Gordon Brown abandonou o cargo em 2010, o partido não conseguiu fazer mais e melhor. Podendo mesmo recuar mais tempo, acho que Tony Blair ainda mais faz lembrar e assombrar o partido, porque conseguiu entrar no seu eleitorado de uma forma muito inteligente, tendo sido primeiro ministro durante 10 anos, até 2007. Se pensarmos na forma como Tony Blair derrotou John Major, lembremos o famoso modelo para século XXI, onde tinha o grande slogan: "trabalho para os que podem trabalhar e assistência para os que não podem trabalhar", onde deu especial atenção à educação e à saúde, entrando no seu eleitorado de uma forma triunfal.