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quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Ficção Britânica





Há uns tempos, li: "O Brexit está a destruir a democracia Britânica". O modelo parlamentar britânico foi, em tempos, uma referência das democracias modernas. Actualmente, posto em causa, voltou a respirar um pouco de alívio, mas apenas isso: um suspiro. O simbolismo da Magna Carta é, mais que ontem, tão vivo como necessário, para avocar a si a importância da limitação de poder e do respeito pela lei. No passado, eram os "barões" a exigir ao rei aceitar o documento "artigo dos barões", onde imponham limites ao poder real, mais tarde a conhecida Magna Carta. Hoje, a própria vitalidade democrática britânica, automaticamente limita o poder governativo?. Boris Johnson achava que poderia alcançar o poder absoluto através da manipulação política, mas esqueceu-se de controlar, primeiramente, o seu próprio partido. A passagem de Philllip Lee para a bancada dos democratas liberais pode ser apenas a primeira janela abrir-se de um quarto em pantanas, onde o mesmo tece duras críticas : "Está a pôr a vida das pessoas em risco de forma desnecessária e está a tentar obter um Brexit prejudicial sem princípios". Pena é que o líder do partido trabalhista, Corbyn tenha demonstrado não ser o líder que o partido trabalhista necessita, não tendo convencido ninguém e pouca esperança os cidadãos britânicos têm em si, e isso tem contribuindo para a fraca oposição, que já poderia ter feito muito mais e ter outras vitórias. Veja-se que numa das reuniões entre os líderes da oposição, uma das soluções possíveis seria a formação de um parlamento alternativo, o que é completamente descabido. Mas, não parece que Boris Johnson vá abdicar de continuar a fazer uso de todos os expedientes legais e dilatórios para não debater o Brexit, e tentar uma saída da União Europeia sem acordo. O grande problema será sempre o referendo de 2016, que foi decisão dos britânicos, ao invés, seria possível revogar tal lei e evitar a saída. Será sempre o jogo do rato e do gato, em que mesmo que, de um lado legislem para obrigar o governo a estender o prazo, por exemplo, do outro lado o governo poderá sempre travar posteriormente as obrigações perante a U.E. O cenário de eleições antecipadas é perigoso, e pode reforçar ainda mais Boris Johnson, que jogará com a vontade popular expressa no referendo e o travão parlamentar. 
Esperemos que, acima de tudo, ninguém cale as vozes em democracia, porque isso significa calar e silenciar o Reino Unido. 

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Exposição ou abandono de crianças





Bem, talvez seja coincidência minha ou não, mas tenho ficado parvo com a quantidade de pais ou familiares que colocam em perigo a vida de crianças, deixando-as dentro dos carros, por vezes, em bermas das estradas ou até em parques de estacionamentos, onde facilmente podem ser raptadas. Talvez por desconhecimento legal, antes ético e moral, o façam sem qualquer consciência do perigo e da situação indefesa em que colocam tais crianças. Deviam saber que quando têm crianças têm o dever de vigiar as mesmas e não expor estas a situações de perigo, como são aquelas em que deixam crianças sozinhas dentro dos carros. É um crime de exposição e abandono punido com pena de prisão até 5 anos, mas é primeiramente um crime moral, porque de acordo com as regras de boa conduta, ninguém deve deixar as crianças dentro dos carros, sem estarem acompanhadas, ou seja, sozinhas.
Quero acreditar que seja coincidência, mas já são demais os casos que visualizo tal disparate moral e criminal.


terça-feira, 20 de agosto de 2019

Alexandre Soares dos Santos, um exemplo.





Foi uma personalidade ímpar, não por ser um dos homens mais ricos (que aí existem muitos), mas por tudo o que foi e construiu, e por aquilo também que lutou para que fosse diferente para melhor, mas que não conseguiu. Hoje, todos choram a sua morte, inclusive aqueles que não o podiam ver (o mundo está assim), mas o que importa é o legado da pessoa, e aí distinguiu-se e nunca deixou de dizer aquilo que pensava. Não foi por acaso que apenas em 2017, depois de tudo o que fez pelo país, é que recebeu a condecoração das mãos de Marcelo Rebelo de Sousa. É irónico quando temos um país cheio de condecorados - alguns que já chegaram afirmar que nem sabem como receberam a medalha - os melhores não o serem a tempo. Bastou-me estar na presença deste senhor uma vez para perceber que estava perante alguém com uma capacidade e talento empresarial forte e diferenciador, e com um carácter individual de eleição, que soube aliar o compromisso empresarial à responsabilidade social de um forma sublime, com distinção. Acompanho algumas das suas obras sociais, desde da Fundação Francisco Manuel dos Santos, passando pelo projecto Semear ao Arco Maior, no Porto, dirigida tão bem pelo professor Joaquim Azevedo da Universidade Católica, onde ajudam a retirar crianças da rua e a conseguir com que estas prossigam os estudos com êxito, com algumas semelhanças com o projecto "Porto de Futuro" em que estive envolvido em 2008, que ajuda também crianças sinalizadas a estudar e não abandonar a escola. A sua intervenção cívica era limitada aqueles que o ouviam (eu era um deles), simplesmente porque dizia o que pensava, e são muito poucos aqueles que dizem o que pensam em Portugal. Um dos temas que o preocupava ultimamente era o distanciamento das populações (pessoas) face aos problemas do país, sendo sem dúvida algo que merece uma reflexão profunda na sociedade.
Foi um servidor da comunidade, e isso para além de ser papel de qualquer cristão, é também papel de alguém com grande carácter.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

E.U.A. - Pena de Morte!






Jamais será um tema consensual. Donald Trump fez regressar a pena de morte a nível federal (já sendo uma prática de vários estados, como por exemplo, no famoso estado do Texas), depois de um hiato temporal de 16 anos. E já existem execuções marcadas para Dezembro. O que pensar sobre isto?
À primeira vista, numa análise informal, rejeitamos qualquer aplicação de pena capital. Um dos argumentos de defesa de quem rejeita tal pena capital é impedir o regresso da lei de talião (olho por olho, dente por dente), de modo a evitar as condenações com base na vingança, e não na recuperação do indivíduo. Mas aqui é que está o cerne da questão: há ou não uma aposta dos estados nessa recuperação do indivíduo (prevenção especial), de forma a evitar a prática de mais crimes no futuro e com objectivo de reintegrá-lo na sociedade, a chamada ressocialização? Os estudos efectuados na maioria dos países tendem a reagir negativamente, demonstrando que ainda são poucos os avanços nesse aspecto, e que, a ressocialização anda como o caracol, devagar e devagarinho. Em Portugal, são cada vez mais os presos a estudarem e trabalharem nas prisões, mas ainda estamos longe de serem a maioria. E quando chegamos à parte da liberdade condicional do recluso, aqui os números são muito negativos, e levam a que muitos juízes (quando pedidos são efectuados pelo recluso) nem sequer pensem duas vezes na sua rejeição. Mas é sempre difícil comparar a aplicação de pena de morte entre países, devido aos níveis de criminalidade e a muitos outros factores, alguns mesmo vergonhosos, como o caso das Filipinas ou Coreia do Norte, onde a mesma é instrumentalizada pelo poder político.
Hoje, cerca de 170 dos 193 países que integram a ONU já aboliram a pena de morte, não esquecendo que a China continua a ser o país onde há mais aplicação da pena de morte, mas como o Governo não divulga os dados, não existem dados oficiais. Ao lado da China, estão países como o Irão, Paquistão, Iraque, Arábia Saudita, E.U.A, Filipinas, Bielorrússia, Gana, Japão, Malásia, Afeganistão, Egipto, Tailândia, Taiwan, Vietname, Sudão, Sudão do Sul, Botsuana, Somália, Singapura, Coreia do Norte.
Não podemos esquecer que em determinados países esta pena capital atinge os mais pobres e apenas determinadas etnias. Noura Hussein, uma jovem sudanesa, foi condenada à morte, em maio de 2018, por ter matado o homem com quem foi forçada a casar quando este tentou violá-la. Após uma onde de indignação generalizada a nível global, a sentença foi alterada e passou para 5 anos de prisão.  Noura Hussein disse: “Fiquei em absoluto choque, quando o juiz me disse que tinha sido condenada à morte. Não fiz nada para merecer morrer. Não podia acreditar no nível de injustiça, especialmente para as mulheres. Nunca imaginei ser executada antes desse momento. A primeira coisa que me veio à cabeça foi ‘Como é que as pessoas se sentem quando são executadas? O que fazem?’. O meu caso foi especialmente difícil porque, na altura da condenação, a minha família renegou-me. Estava sozinha, a lidar com o choque.” Também convém lembrar o caso recente do brasileiro Rodrigo Gularte condenado à morte na Indonésia por tráfico de droga (factos praticados em 2004, quando tentou entrar no país com cocaína dentro de 8 pranchas de surf). Cheguei acompanhar este caso através da cena internacional, e chocou a forma como as autoridades indonésias trataram o Rodrigo. O governo brasileiro tentou de tudo, mas a Indonésia não cedeu e foi executado (por fuzilamento) em 2015. Nem o pedido de transferência para o hospital psiquiátrico foi aceite no decorrer do seu processo, alegando que os especialistas estavam comprados pela defesa. Este processo teve acontecimentos irreais, de um verdadeiro país de quinto mundo.
Há cerca de 5 anos atrás, estive com um juiz norte-americano que já tinha aplicado três ou quatro penas de morte. Falamos sobre o assunto, disse que era tendencialmente contra na maioria dos países, porque entendia que era um instrumento político em muitos países. O mesmo disse o que faria no seguinte caso: " um homem vai a um apartamento onde decorre uma festa de 18 anos de uma rapariga, e esfaqueia 3 raparigas. Depois disso desloca-se para fora do apartamento e tendo visto as 3 jovens ensanguentadas a pedir socorro no meio da estrada, vai buscar o carro e atropela as mesmas, passando várias vezes por cima dos seus corpos, certificando que estariam mortas". Depois disto, disse não me chocava a pena de morte ao caso concreto, mas a prisão perpetua sem possibilidade de qualquer tipo de liberdade, ou seja, apodrecer na prisão (se for a trabalhar para o país melhor), seria uma pena com outro alcance, não podendo afirmar que seria mais ou menos justa.
Infelizmente, na maioria dos países onde existe pena de morte, são constantes as violações dos direitos humanos, a corrupção é uma epidemia e a pena é instrumentalizada pelo poder político. Ou seja, mesmo que no limite, e olhando para todo o panorama judicial de um determinado país, se entendesse que a pena de morte poderia ser aplicada a casos extremos, que envolvesse, por exemplo mortes com um grau de violência substancialmente elevado, isso não seria possível aplicar num país que não tivesse uma democracia estável, que assegure direitos aos cidadãos, que é o caso da maioria dos países onde é praticada a pena de morte.






domingo, 16 de junho de 2019

Sobre 10.06.19





Hoje, o discurso de João Miguel Tavares ainda faz correr tinta. Foi um bom discurso, talvez um pouco mais arrojado que os normais e enfadonhos discursos do tradicional 10 de Junho. Mas não passou disso. E devia servir de exemplo para a democracia, de alguém que ali vai e profere um discurso. Algumas das reacções (até além fronteiras) são apocalípticas, e revelam que ainda estamos longe de aceitarmos bem qualquer tipo de discurso.

domingo, 26 de maio de 2019

Eleições Europeias: Abstenção 70%.




O que dizer das Eleições Europeias em Portugal? Amanhã já ninguém se lembra. Foi talvez das eleições mais pobres intelectualmente a que assisti. A abstenção de 70% representa bem que os políticos continuam a viver isolados das pessoas, sem conseguir cativar os seus concidadãos. Só a Bulgária ou a Eslovénia conseguem ter níveis semelhantes. Como é possível haver campanha para as eleições europeias sem se debaterem temas europeus? Foi possível em Portugal. Uma campanha miserável, que no limite pode ser considerada como uma falta de respeito para com os portugueses.
Em 1975, após anos de ditadura, a abstenção era de aproximadamente 7%. Hoje é de 70%. A diferença está nas pessoas, nos políticos. 

sábado, 18 de maio de 2019

Nasrin Sotoudeh

Nasrin Sotoudeh


Nasrin Sotoudeh, detida em Junho de 2018, foi recentemente condenada a 38 anos de prisão e 148 chicotadas no Irão por defender as mulheres e ter protestado contra as leis que obrigam o uso do véu em público. O Parlamento Europeu já tinha atribuído o prémio Shakarov a Nasrin pela sua luta em defesa dos direitos humanos, mas infelizmente isso não chega nem chegou. Cheguei acompanhar o seu trabalho junto das minorias, e o que esta advogada tem feito no seu país em defesa das mulheres e das minorias é algo fantástico e merece o apoio de todos, principalmente neste momento em que foi condenada, num acto egoísta e de pura intenção de silenciar uma das vozes mais activas e mais eficazes na luta dos direitos das mulheres, que tanta falta faz no Irão.
Nasrin esteve muito tempo sem conseguir exercer advocacia, mas quando conseguiu, foi defender jovens condenados à morte, em mais um gesto assinalável. Ontem, lutava pela liberdade dos outros. Hoje, em detrimento disso, luta pela sua própria liberdade, e em sofrimento. 
Quem puder assinar a petição "Liberdade para Nasrin Sotoudeh" deve fazê-lo (https://www.amnistia.pt/peticao/liberdade-para-nasrin-sotoudeh/), porque Nasrin Sotoudeh é a voz das mulheres no Irão, e, a sua luta jamais deve acabar. 

Ultraje José Berardo





Depois de assistir à inquirição parlamentar do Sr. Comendador Berardo, só pensei: "como é que não houve nenhum deputado que impedisse com voto de protesto a continuidade desta audição"? Mas, há que assumir que este senhor foi sincero na parte em que disse que não é parvo e que quem lhe atribuíu crédito é que não o deveria ter feito. Verdade. Só que temos que distinguir o comportamento indigno prestado nesta comissão e insultuoso a todos os cidadãos portugueses das afirmações proferidas sobre a C.G.D., que em alguns pontos, foram muito graves. Uma das suas melhores afirmações: "Os bancos é que vieram oferecer dinheiro para comprar acções". Gostava de ver esses documentos que o mesmo afirma possuir onde os bancos propõem esse investimento, que, a ser verdade, é de uma gravidade inqualificável. Porque é que a C.G.D nunca pediu garantias? É curioso.  É que no meio de todos os comportamento indignos, há coisas que foram ditas muito graves e que que têm ser analisadas, porque, no que respeita ao bancos, tudo se diz, mas nada se apura. Porque será? 
A investigação da revista Sábado do período semanal de 9 a 15 de Maio de 2019 explica em parte onde andam os milhões concedidos pela C.G.D. e de tantos outros bancos, e, porque perante tudo isso, poucas ou nenhumas são as acusações e condenações.



domingo, 5 de maio de 2019

Hoje, os professores. E amanhã?


BE, PCP, CDS E PSD 


Depois da anunciada reposição da contagem integral do tempo de serviço congelado aos professores (proposta conjunta com votos PSD, CDS, BE E PCP), o Ministro da Defesa já veio a público defender a possibilidade da reposição do tempo de serviço aos militares. 
Quem assiste de fora a tudo isto, quase fica sem palavras, não pelo assunto em si, mas pela forma como este foi, é e continua a ser tratado por todos os intervenientes políticos. Tudo começa com uma votação na especialidade, em que BE e PCP se aliam ao CDS e PSD para à sucapa ver se conseguiam agradar a uma parte do seu eleitorado. Revelaram que nem para moletas servem. E que só enganam quem quer ser enganado. O PSD e o CDS (ao votar desta forma) revelaram incoerência o que defenderam no passado, e, mais grave, juntaram-se ao BE e PCP, que eles sempre criticaram quando defendiam essa contagem de reposição do tempo integral dos professores. 
No meio disto, António Costa conseguiu também contribuir para as fracas prestações, ameaçando com a demissão caso a proposta seja aprovada em votação final global. Esta dramatização em nada favorece o clima instalado, apenas aumenta a incerteza, e, se for jogada política, alguém acabará por recuar, e aí serão tiradas ilações.
Cada vez mais é um problema de qualidade política o que enfrentamos. Um país que já teve nomes como Adelino Amaro da Costa, Sá Carneiro ou Álvaro Cunhal, entre tantos outros que engrandeceram a política portuguesa.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Eleições em Espanha


Santiago Abascal - Líder VOX


As eleições legislativas em Espanha foram, mais uma vez, um aviso à Europa. Foram as eleições legislativas mais participadas da história da democracia de Espanha, que é de louvar. Não houve surpresas na eleição de Pedro Sánchez, que era uma eleição aguardada, que obrigará a uma coligação com os partidos de esquerda. A grande surpresa da noite foi o VOX (partido de extrema direita como a Espanha designa - que tenho as minhas dúvidas em qualificar como tal) ter conseguido eleger 24 deputados para o parlamento. Entrou no eleitorado do PP, que perdeu metade dos deputados. E a pergunta surge: porquê? Porque os políticos actuais não encontram soluções para os problemas actuais, e, o discurso de afastamento e próximo de radicalismo é a lufada de ar fresco para muitas classes sociais. A Europa continua sem conseguir resolver os seus problemas (que são mais políticos que financeiros), como por exemplo, a crise dos migrantes, e isso gera que discursos anti-imigração entrem em qualquer eleitorado sem necessidade de qualquer base de sustentação, a não ser a falta de acção de uma Europa perdida no meio de um imbondeiro. 

terça-feira, 23 de abril de 2019

Perseguição aos Cristãos





Os recentes ataques no Sri Lanka colocam a nu um problema sério: a perseguição aos cristãos. Embora a escolha do local tenha também sido relacionada com o facto de lá viverem milhares de pessoas da etnia Tamil. A questão: é o fim do Daesh? Porquê o Cristianismo? Porquê o dia de Páscoa? Todos recordam o fim da Al-Qaeda (uma espécie de resistência extremista à invasão norte-americana do Iraque)? Foi o fim da Al-Qaeda que deu início ao Daesh no ano 2007, com maior parte seus membros a transitarem para este novo grupo terrorista. E agora, com o anunciado fim do Daesh, o que virá a seguir? E o que aconteceu aos membros do Daesh que deixaram a Síria? Se nada for feito a nível internacional para identificar e perceber o destino dos membros do Estado do Califado Islâmico (Daesh), os problemas não irão desaparecer e ataques como estes do Sri Lanka podem voltar a acontecer. 
Mas, nada foi por acaso, nem foi uma simples retaliação (como a comunicação social anunciou) dos atentados na Nova Zelândia às mesquitas. Os cristãos sempre foram o alvo e são a religião mais perseguida actualmente. Na Síria os cristãos foram brutalmente perseguidos e mortos por este grupo, sem qualquer piedade. Os massacres foram constantes, e estas perseguições aos cristãos é pouco aceitável, e a falta de acção dos governos e da própria ONU em situações de emergência gerou um "costume" que tem de ter um fim. Que seja a bem.



segunda-feira, 8 de abril de 2019

Importância das palavras de Marcelo


Marcelo Rebelo de Sousa


Num momento em que quase toda a gente já falou sobre o nepotismo, salvam-se as palavras do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa. Tirando Marcelo (que foi incisivo e pragmático), houve um pouco de tudo, no ataque público político, que pouco ou nada ajudou a melhorar o vazio legal. Até Cavaco Silva veio falar, quando estava tão bem calado. Decide intervir quase sempre quando não deve, e mesmo quando o faz, pouca coisa acrescenta ao debate público. Qualquer intervenção sua é crispada, soa a ataque e a acerto de contas com questões passadas. 
Todos negaram a possibilidade de uma solução legal, justificando que se trata de uma questão ética. Mas se houvesse ética, não havia este excesso de relações familiares nos sucessivos governos. Já todos os portugueses perceberam que não vai lá com uma melhor "ética política", nem com auto-regulação e códigos de conduta, mas sim com um diploma legal. A solução aplicada em França é razoável e equilibrada, e trouxe mais transparência à sociedade política francesa. É curioso ter sido apenas Marcelo o único a defender tal solução. É curioso, só isso. Daí a importância de termos Marcelo Rebelo de Sousa. O anterior já tinha metido os pés pelas mãos (como o fez agora numa intervenção completamente desnecessária) e jamais defendia tal solução. 

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Acesso ao poder por via social






Cada vez mais Portugal é uma país onde as oligarquias proliferam e estão em pleno desenvolvimento, afectando de forma severa e permanente o acesso ao poder de todos aqueles que não sejam oligarcas, que não pertençam a grupos de poder, os designados grupos privilegiados, que estão directamente relacionados com o poder económico, político e social. O contexto, desde a crise de 2008, favoreceu o desenvolvimento e o nascimento de variados oligarcas, sem qualquer exigência ou rigor na sua selecção. Havia um dirigente político que falava constantemente no "elevador social" e na sua importância em democracia. As recentes ligações familiares governativas são um exemplo para perceber a criação destes circuitos fechados. A banalização e a normalidade com que os próprios protagonistas lidam com tais situações é preocupante. As oligarquias políticas já são um "costume" no nosso país, em que os políticos trabalham em detrimento de certos interesses e grupos, excluindo outros. E assumem-se, privilegiando os seus em detrimento dos demais. Só que, o problema escondido no meio de todos estes pequenos grupos políticos e económicos, é o problema social, das oligarquias sociais, que tendem a colocar os seus em lugares de reconhecimento público ou com acesso ao poder central ou local. As oligarquias sociais (pessoas pertencentes a famílias com grande poder económico - apenas económico) estão a suceder-se e a reservar e avocar para si mesmo o acesso ao poder. Existem sinais na sociedade dessa implementação e desse crescimento, nomeadamente através do uso do poder público, e da finalidade na sua instrumentalização para atingir objectivos e interesses pessoais. As oligarquias políticas estão a estreitar essas ligações com as oligarquias sociais, e, se há muito anos atrás, o filho do carpinteiro e o filho da operária fabril em Portugal (sem ferir susceptibilidade, apenas exemplos) poderiam ter uma estrada para aceder um dia ao poder, isso está aos poucos a esvanecer-se, e, afecta todo o sistema democrático, que vai apodrecendo alimentando-se destes barris quase vazios de tudo e cheios de quase nada. 

Retrato dos Tempos

Maus-Tratos

   Quando pensamos que a mentalidade deslizou e racionalizou-se, afinal ainda não chegou a todos. A denúncia é o que dispomos, ainda que longe da eficácia pretendida, merece o aplauso e deve ser o nosso modo de agir perante situações de maus-tratos a animais. Mais uma caso para: defesanimal@psp.pt

quarta-feira, 27 de março de 2019

Nepotismo sem reservas







Recentemente, no Irão, o genro do presidente foi afastado do Governo após acusações de nepotismo (favorecimento de uma pessoa em função do seu parentesco). O caso teve um impacto fortíssimo nas redes sociais, com uma campanha iniciada em 2017 #bons genes, numa referência às declarações proferidas por um filho de um político reformador, que tinha atribuído o seu sucesso nos negócios e na política aos bons genes que teria recebido dos seus pais. 
Em França, o parlamento francês aprovou a proibição de contratação de familiares de deputados e ministros, interditando os empregos para a "família próxima", com pena de prisão até 3 anos e multa de 45 mil euros para quem não cumprir. Se contratar outra pessoa de um circular familiar mais afastado, há uma obrigação de declaração, nomeadamente no caso de emprego cruzado: empregar um colaborador que seja familiar de outro ministro ou outro eleito. 
Um exemplo fora da Europa e outro cá dentro da Europa. O nepotismo sempre existiu e existe em Portugal. E nos dias de hoje, atingiu elevada mediatização devido ao seu descaramento sem reservas por parte dos seus intervenientes. O nepotismo dentro das nossas fronteiras explica, em parte, a dificuldade de evoluirmos em diversos sectores, e, realizarmos as necessárias reformas. A utilização abusiva de diversos titulares de orgãos do Estado para colocar pessoas por favor familiar e não profissional é uma epidemia que talvez apenas possa mudar com medidas como, por exemplo, a implementada em França (ir mais além, estendendo a toda administração pública, com excepções comprovadas de mérito profissional). Na França, proibiram (e bem) a contratação de familiares de deputados e ministros, mas deviam ir mais além, porque o problema estende-se a toda administração pública. Se esta medida fosse implementada em Portugal, teríamos uma limpeza governamental e muitos deputados teriam de abandonar a Assembleia da República, porque são imensas as ligações familiares entre políticos no nosso país, e estende-se a todos os partidos. E os picos desta epidemia estão não apenas no poder central, mas também local, onde se enquadram, por exemplo as autarquias locais e diversas instituições públicas. As autarquias locais (merece outra reflexão à parte) praticam o nepotismo em todo o seu poder estendido e implementado, ou seja, maioria colocam as pessoas por favor (não por mérito profissional), e estendem esses favores a todas as ligações estabelecidas no município, promovendo essas pessoas, em detrimento da promoção do interesse próprio das populações (que deveria ser ter os melhores pelo mérito profissional e não os piores por razões de parentesco). Estas práticas de nepotismo acabam já de forma natural por afastar as pessoas mais capacitadas para estes órgãos, promovendo a estagnação da sociedade, ao invés da sua evolução. 
Não pensei que o Xiismo fosse ter de ser um exemplo para Portugal, mas ainda não vi em Portugal nenhuma medida contra o nepotismo como a tomada no Irão em 2018. Começar por combater o nepotismo seria olhar para a França e seguir o seu exemplo. Mas, com a quantidade de políticos no ativo colocados e empregues por razões de parentesco (nomeadamente deputados e membros de governo - que são aqueles que directamente podem mudar algo), e pelos interesses instalados e cruzados implementados, duvido - actualmente - da vontade em proibir ou combater tais práticas e da sua eficácia.

terça-feira, 26 de março de 2019

Ennio Morricone


Ennio Morricone

Aos 90 anos, é uma força viva entre nós. Despede-se do palco com a "60 Years of Music World Tour", e estará em Lisboa no dia 06 de Maio. No ano passado, estava a tentar ver locais onde iria actuar fora de Portugal para poder assistir ao seu concerto, e, surpreendentemente, vem a Portugal. Caso para dizer: simplesmente fantástico :)



Educação: formar pela incompetência!





Não quero acreditar no que li, nem sequer em tal hipótese: "alunos do ensino profissional vão poder ingressar no ensino superior sem exames nacionais"? A ideia é que quem termine o ensino secundário através do curso profissional tenha uma forma de acesso diferente, definida pela instituição. E pretendem que entre em vigor já no próximo ano lectivo. Este Ministro da Ciência e Tecnologia foi o mesmo pretendeu atribuir mestrados a todos aqueles que eram anteriores ao regime de Bolonha. Esta medida (e desculpem o populismo) é uma vergonha, mas o mais grave na medida está no facto de ser a instituição a definir os critérios para o aluno entrar no ensino superior (já que não terá os exames nacionais). Portugal aprende ou aprendeu algo com o passado? Nada. Tivemos casos gravíssimos de universidades que atribuíram licenciaturas a pessoas sem estas terem efectuado as cadeiras suficientes ao abrigo de critérios implementados pelas próprias, e este Ministro quer atribuir às instituições que vão ministrar os cursos profissionais que sejam estas a definir os critérios, numa porta aberta para um regresso ao passado. Esta ideia de facilitar o acesso ao ensino superior pela via da incompetência e pela falta de estudo é, infelizmente uma prática que acontece ao longo dos anos (com algumas interrupções - mudanças de governos), e, só desprestigia o país. 
Quando vemos que o país tem muita gente formada em universidades (algumas feitas à medida) pouco ou nada prestigiadas (sem exigência e rigor), já com regimes suficientes (com várias opções) excepcionais para quem pretende estudar mais tarde, ou até ingressar no ano zero (para depois ter acesso logo ao primeiro ano sem fazer, por exemplo, exames nacionais), agora os objectivos passam por arranjar ainda mais formas e alternativas ao modelo normal de acesso ao ensino superior. 
Em Portugal, não se resolvem problemas, adensam-se os mesmos. Há pouco, um vencedor do prémio Nobel afirmava: "como é possível um país como Portugal com tão poucos licenciados não os conseguir colocar no mercado de trabalho? Alguma coisa de grave se passa". Isto é que deveria ser alvo de reflexão, mas dá mais trabalho. Há muito que este é um dos maiores problemas do país: a economia não acompanha as pessoas que se formam e os sucessivos governos pouco ou nada têm feito relativamente a isso. Os debates juntos das universidades são fundamentais e a procura de soluções em conjunto com empresas e todos intervenientes no processo de selecção dos licenciados é crucial para inverter rumo das coisas. 
Somos o país das psicólogas a trabalhar em caixas de supermercados; das licenciadas em acção social a trabalhar nas limpezas; etc, e continuamos a querer formar pessoas em catadupa sem olhar para o principal problema: a sua colocação no mercado de trabalho. Existem universidades que estão ao nível do lixo no mercado de trabalho, e gostaria de saber se continuar a permitir aumentar o número de licenciados nessas faculdades vai ser benéfico para o país. 
Esta medida é igual às novas oportunidades, com uma diferença: aqui está a porta aberta para o ensino superior sem qualquer exigência e rigor. Esta medida é um perigo e um péssimo sinal à sociedade.
Se não fosse verdade, diria que seria uma brincadeira uma medida desta pobreza intelectual.


segunda-feira, 18 de março de 2019

Fim do Sérgio do Fojo


Sérgio do Fojo



Foi com surpresa que todos aqueles que, por proximidade, por natalidade, ou por qualquer outra razão de ligação ao local, ficaram ao saber da morte do Sérgio do Fojo. Foram muitas as vezes que surgia aquela questão : "são 3 da manhã, onde é que vamos agora beber um copo?". E aí lá surgia aquela voz no meio da multidão: "Vamos ao Fojo". E era impossível não ser bem recebido pelo amigo Sérgio e toda a sua simpatia e hospitalidade. Se há coisa que merece ser lembrada deste senhor é isso mesmo: a cortesia no trato e a palavra sempre amiga num bom ou mau momento. Ficam as saudades e os bons momentos passados no bar do Fojo, com este amigo.

domingo, 10 de março de 2019

Maternidade e Desigualdade Laboral





   Recentemente, estive envolvido numa discussão sobre esta temática, que merece algumas reflexões. Ninguém pode negar que uma das razões das mulheres serem discriminadas no trabalho tem a ver com a questão da maternidade. Uma das questões em discussão foi se um homem não deveria ser obrigado a utilizar uma licença de paternidade de duração igual àquela que uma mãe está obrigada? Na licença parental exclusiva do pai, este é obrigado apenas a gozar 15 dias úteis, sendo os restantes 10 facultativos. No caso da licença parental exclusiva da mãe, independentemente de esta poder gozar antes do parto, é obrigatório o gozo de seis semanas após o parto. Será que obrigar a utilização de uma licença de paternidade de duração igual àquela que uma mãe está obrigada pode ajudar a diminuir a desigualdade laboral entre homens e mulheres? A questão gira em torno disto. Saber se na hora de contratar, a entidade empregadora deve encarar como problemático um trabalhador vir a ter um filho, seja ele homem ou mulher (porque ainda não acontece, mesmo com esta lei actual)?  Já estive num local de trabalho onde uma mulher ficou grávida, teve de licença e no fim da licença, quando voltou já estava outra pessoa no seu lugar. Teve mais uns meses, acabou o contrato, não renovaram e foi embora. Como eu, já muita gente presenciou, infelizmente, situações similares. Existe discriminação, mas aos poucos estamos a evoluir neste aspecto, e, não posso negar que quanto mais igualdade existir neste ponto, mais próximos podemos estar de a maternidade deixar de ser um factor de discriminação no mercado laboral. Embora - e não parecendo desajustada a actual lei - o caminho deve fazer-se tendo presente a cultura laboral existente em Portugal, que em parte ainda é pouco evoluída neste aspecto, em comparação com outros países.


sexta-feira, 8 de março de 2019

Malala Fund


Crianças Sírias 


O "Malala Fund" tenta lutar contra as barreiras que impedem mais de 130 milhões de meninas em todo o mundo de frequentarem a escola. Uma das coisas incríveis deste trabalho espectacular de Malala é o facto de querer ensinar a estas meninas e mulheres jovens os seus direitos e como saber utilizar no quotidiano para defesa dos seus interesses. Neste momento actua no Afeganistão, Brasil, Índia, Nigéria, Síria e Paquistão. Por vezes, não chega existir dinheiro, é preciso saber canalizar esse dinheiro para os fins correctos, que chegue a quem precisa e possa mudar suas vidas. Por exemplo, na Síria, a luta faz-se na redução do casamento infantil. Ao invés, na Nigéria a luta é em ajudar as meninas que vivem sob ameaça do Boko Haram a frequentarem a escola.
Qualquer pessoa pode fazer um donativo em: https://malala.org/

1909- 2019 - faz sempre sentido o dia e a palavra: Mulher.





Embora tenha sido apenas designado pela ONU em 1975, como dia Internacional da Mulher o dia 08 de Março, as suas origens remontam a 1909, em que nos Estados Unidos da América uma classe de operárias do vestuário saíram à rua para uma manifestação contra as más condições de trabalho e desigualdade entre homens e mulheres. Actualmente, no mundo actual em que vivemos, ainda faz sentido a luta das mulheres, e, a ONU devia mesmo ir mais longe, e, aumentar o tempo de celebração, com campanhas mais fortes e eficazes pelo mundo, porque continuamos assistir a uma desvalorização do papel da mulher e uma diminuição dos seus direitos, o que não pode ser aceitável em pleno século XXI.
Em Portugal, continua a ser impressionante e humilhante os números da violência doméstica sobre as mulheres, mas as soluções esvanecem no tempo. O ponto de viragem está na educação, nos valores, na moralidade das pessoas, na ética. Talvez a curto prazo não haja outra solução mais eficiente de ataque ao problema que não seja aumentar a moldura penal do crime, e, a longo prazo, reformular e estruturar todas as medidas já em vigor preventivas do crime, e, ter meios de resposta mais eficientes e de proximidade com os cidadãos, nomeadamente, de protecção da vítima, que continua a ter receio na denúncia, e, muitas vezes, ainda não sabe como denunciar.
Neste dia, este ano escolhi o livro da Malala, que comprei há pouco tempo: "Eu, Malala", o grande exemplo da luta da mulher pelo direito à liberdade e à educação. Admiro-a e hoje existe um antes de Malala no Paquistão e um depois de Malala. Como diz: "O meu desejo é chegar a todas as pessoas que vivem na pobreza, às crianças que são forçadas a trabalhar e a todos os que sofrem por causa do terrorismo ou por não irem à escola. O meu desejo era chegar a todas as crianças a quem as minhas palavras pudessem dar coragem para que fizessem ouvir os seus direitos. Peguemos nos nossos livros e nas nossas canetas. São as nossas armas mais poderosas. Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo. O meu objectivo ao escrever este livro foi o de erguer a minha voz em nome de milhões de meninas em todo o mundo a quem é negado o direito de ir à escola e a realizar o seu potencial".

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Pedrógão Grande: a impunidade.





Ninguém entende o que se está a passar. O silêncio consome os inúmeros crimes praticados pelos responsáveis políticos que estiveram envolvidos na tragédia de Pedrógão Grande. Foram milhares os portugueses que doaram bens e contribuíram monetariamente para ajudar todas as pessoas vítimas dos incêndios. Mas, ao fim deste tempo todo, os testemunhos vivos relatam a ajuda que nunca chegou, os armazéns onde os bens estão a deteriorar-se e a distribuição injusta de apoios a quem nunca precisou deles. Há relatos de pessoas queimadas que tiveram de interromper os tratamentos porque não tinham dinheiro para continuar os mesmos, e, ao invés, com conivência de titulares de cargos públicos, outros aproveitaram para trocar "barracas" por casas novas. Os indícios de vigarice e trafulhice entram pelos olhos dentro de qualquer cidadão. Não podemos deixar que a impunidade prevaleça perante a miséria alheia, nem que responsáveis políticos usem e abusem dos seus cargos, com a consciência da sua irresponsabilidade, que, no limite, está limitada, não politicamente, mas criminalmente, porque ainda somos um estado de direito.
Onde está o Ministério Público perante as suspeitas da prática de crimes praticados por responsáveis políticos e titulares de cargos públicos? 


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Guerra Civil no Iémen



Iémen: campo de Al Rebat


   O conflito no Iémen tem tido pouca visibilidade, devido à pouca cobertura dos meios de comunicação social, mas a guerra, que já dura há mais de 4 anos tem feito milhares de mortos e implementou a miséria humana, num momento em que se vislumbra uma pequena luz ao fundo do túnel. Esta luz deve-se ao possível acordo alcançado entre as forças governamentais iemenitas e os rebeldes Houthis para abandonarem o porto de Hodeidah. Este porto é onde entram os bens no país, sendo essencial para a entrada de ajuda humanitária. Mesmo assim, é preciso aguardar, para perceber se o acordo será cumprido, uma vez que o cessar-fogo assinado a 18 de Dezembro foi quebrado. Os números são assustadores. Estamos a falar de um país onde 80% da população precisa urgentemente de assistência e protecção humanitária.
A ajuda humanitária é a única esperança de sobrevivência para milhares de pessoas iemenitas. É inaceitável que milhares de toneladas de comida esteja apodrecer num armazém no mar vermelho, por não ter forma nem ser seguro chegar ao local, ao Iémen. Esta informação da comida a deteriorar-se foi dada pelo chefe humanitário da ONU, Mark Lowcock, e revela as poucas soluções encontradas até ao momento para inverter esta situação de emergência.  A ONU anunciou que vai convocar para dia 26 de fevereiro o evento de comprometimento de alto nível para a crise humanitária no Iémen, de forma a dar resposta às necessidades humanitárias. Enquanto isso, hoje já morreram mais pessoas. Amanhã irão morrer muitas mais. O tempo é escasso, e é necessário agir. Quanto mais dias passarem, mais pessoas morrerão. 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Juiz Neto de Moura





O Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, com voto de qualidade, foi quem teve de desempatar a votação entre pena de multa ou advertência ao juiz Neto de Moura, e optou pela pena mais leve, a mera advertência. Entendeu que houve uma "violação do dever de correcção" por parte do juiz nas palavras proferidas, no caso da mulher que, depois de cometer a traição, foi agredida com uma moca de pregos pelo marido e sequestrada e violada pelo amante.
No acórdão em discussão, pode ler-se o que foi dito: "O adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem. Sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte. Na Bíblia, podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida com a morte. Ainda não foi há muito tempo que a lei penal (Código Penal de 1886, artigo 372.º) punia com uma pena pouco mais que simbólica o homem que, achando sua mulher em adultério, nesse ato a matasse"; "Foi a deslealdade e a imoralidade sexual da assistente que fez o arguido X cair em profunda depressão e foi nesse estado depressivo e toldado pela revolta que praticou o acto de agressão, como bem se considerou na sentença recorrida. Por isso, pela acentuada diminuição da culpa e pelo arrependimento genuíno, podia ter sido ponderada uma atenuação especial da pena para o arguido X. As penas mostram-se ajustadas, na sua fixação, o tribunal respeitou os critérios legais e não há razão para temer a frustração das expectativas comunitárias na validade das normas violadas"; "O adultério da mulher é uma conduta que a sociedade sempre condenou e condena fortemente (e são as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras) e por isso vê com alguma compreensão a violência exercida pelo homem traído, vexado e humilhado pela mulher".
Uma advertência não é a sanção adequada para alguém que desvalorizou os casos de violência doméstica sobre as mulheres, reduzindo o papel da mulher ao de uma escrava do homem, sem direitos, oriunda de qualquer plebe.
Num momento em que a violência doméstica continua assolar o nosso país, como o crime mais praticado em Portugal, decisões como esta, e mais grave, linhas de raciocínio desta índole devem envergonhar-nos a todos enquanto nação.
Não poderia haver outra decisão que não fosse a de aplicar a pena mais grave. Assim, continuamos a não ter pessoas com coragem para tomar decisões que defendam, neste caso em particular, os direitos básicos de qualquer cidadão, sejam eles homens ou mulheres. 


terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Retratos do Tempo


Violência Doméstica 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Venezuela: início do fim de Nicolás Maduro


Nicolás Maduro 



   Já existe uma certeza na Venezuela: o futuro será sem Nicolás Maduro. O presidente que ninguém reconhece (com excepção dos seus famintos partidários), numas eleições em Maio de 2018 que foram tudo menos transparentes e independentes. Eleições essas onde mais de metade da população não foi votar e o governo impediu os seus opositores de votar. A Venezuela é hoje um país à beira do abismo, que empobrece a cada dia que passa, onde o seu presidente governa, desde 2013, com poderes especiais, e faz asneira atrás de asneira. Há muito, que, por exemplo, vários economistas recomendam que Nicolás Maduro abandone o controle de preços e que acabe com o subsídio à gasolina, cujos preços ao consumidor, na Venezuela são os mais baixos do mundo, e que custa ao governo aproximadamente 12 bilhões dólares ao ano (disparando a taxa de inflação, desconhecendo por completo o significado de super hábito). Mas isso implica perda de votos nas suas bases de apoio, e, devido a isso, abdica do interesse nacional, e refugia-se numa ideologia Marxista que já não é uma pura ideologia, mas um delírio. A milhares de kms do socialismo e sem porta aberta a Marx, o vazio ditatorial, rodeado por um conjunto de camaradas fiéis, que nunca desertaram, é o que resta de um regime a cair aos poucos. Uma das últimas medidas foi aumento do salário mínimo (já em desespero), mas impacto não foi sentido, pois foi comido pela inflação, e as dificuldades mantiveram-se e agravaram-se. Prefere alimentar o seu delírio e a ideia demagógica de uma guerra económica contra o capitalismo, para esconder e omitir toda a sua política económica desastrosa que levou e continua a levar o país à miséria.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Quadratura do Círculo: último dia.





Desde dos tempos da faculdade que assisto ao programa da Sic Notícias "Quadratura do Círculo", à quinta-feira à noite, às 23 horas. É o único programa político a que assisto, e que tem uma qualidade ímpar na sociedade portuguesa, pela independência dos protagonistas, bem como pela inteligência, saber e conhecimento. À pouco tempo no New York Times, debatia-se precisamente a escolha de analistas políticos para debater os temas da sociedade e discutia-se a dificuldade em conseguir obter a independência desejada no momento da escolha, sob pena de não ter a audiência planeada, derivado da exigência cada vez maior do leitor, e da própria sociedade da informação, que pressiona o leitor para uma escolha mais exigente. 
Espero que não seja o fim, mas apenas a mudança de canal. Quem gosta de política e de um debate com elevação, gosta da Quadratura do Círculo. Um elogio aos protagonistas, que merecem, pela qualidade dos debates.


segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

"Por favor, parem o Brexit e fiquem connosco"


Câmara dos Comuns 

   Até ao momento, Theresa May tem sido uma desilusão. Acho impensável um país como o Reino Unido estar a "brincar com o fogo" numa situação tão delicada como a que se encontra neste momento. O dia 29 de Março está a chegar e a saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo e sem período de transição seria (a consumar-se) uma catástrofe, de dimensões imprevisíveis. A Sra. May tinha vários planos, mas o que todos vemos é que só existia um e esse foi rejeitado em catadupa pelo parlamento. Não quer um novo referendo, porque entende que seria contrariar os resultados do primeiro obtido e poderia abrir um precedente perigoso, mas, mesmo podendo discutir, refere que não avançaria no parlamento. Na mesma linha, rejeita também a hipótese de suspender o artigo 50.º do Tratado de Lisboa, por ela activado em Março de 2017 para iniciar as negociações da saída. Ou seja, Theresa May não tem um plano de saída, e não quer um novo referendo nem suspender o artigo 50.º. Não suspendendo o artigo 50.º, no dia 29 de Março o Reino Unido deixará de fazer parte da U.E.
Mesmo perante a recusa de Bruxelas para renegociar o acordo chumbado, Sra. May pretende apresentar aos deputados britânicos o mesmo acordo (com alterações pontuais) que foi chumbado, não havendo um plano B. Uma das alterações (veja-se bem como isto anda) passa por isentar cidadãos europeus do pagamento de uma taxa de 65 libras quando se candidatarem a visto de residência permanente no Reino Unido após o Brexit. 
Retirar um país como Reino Unido do livre comércio, tem consequências económicas nefastas, e não se pode retirar uma fábrica que está em Inglaterra para colocá-la noutro país de um dia para o outro, com todos os custos que isso suporta.
Num momento em que a Câmara dos Comuns está mais dividida do que nunca quanto à saída da U.E, com posições diferentes dentro do mesmo partido, Theresa May demonstra pouco espaço para negociação, ao mesmo tempo que não apresenta nenhuma solução. Faltam apenas 67 dias, e, aqui não podia deixar de frisar as tão assertivas palavras da alemã Annegret Kramp (que sucede a Merkel na CDU): "Por favor, parem o Brexit e fiquem connosco. Vamos ter saudades de ir ao pub, de beber chá com leite, mas acima de tudo dos nossos amigos do outro lado do Canal". 





domingo, 30 de dezembro de 2018

Deportação de Taibeh

Taibeh Abbasi


Taibeh foi levada pelos pais do Afeganistão antes mesmo de nascer. Fugiram da guerra, da fome e da miséria. Tinha o sonho de ser médica e foi na Noruega que encontrou esse lugar para sonhar e estudar. Mas tudo mudo quando o governo norueguês tomou a decisão de deportar Taibeh e toda a sua família. O Afeganistão continua a ser um país onde diariamente raptam pessoas, há ataques indiscriminados e confrontos entre grupos armados. Ainda recentemente a Alemanha referiu que o Afeganistão é um sítio inseguro, mortal. Taibeh é uma aluna brilhante e todos os seus professores revelam que seria uma excelente médica. Caso seja deportada, cairá a esperança e o sonho de ser médica, e os seus direitos serão restringidos, ou mesmo suspensos, num país onde as mulheres não são respeitadas. Como Taibeh, são vários aqueles que estão a ser deportados na Europa, sem qualquer análise ou estudo. Só num ano, foram deportadas quase 10.000 pessoas. Este desrespeito dos líderes europeus pelos refugiados e migrantes revela bem a falta de liderança e de uma política capaz de reverter situações de emergência, como a crise dos refugiados. Já assinei a petição, na esperança que Taibeh não seja deportada para o Afeganistão e que possa seguir e concretizar o seu sonho na Europa.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Passividade verga-se a costume





   Somos um povo passivo, onde a maioria da população ganha o miserável salário mínimo, mas, mesmo assim, o tempo de trabalho tira-lhes o tempo que precisavam para reflectir sobre tal injustiça de viver com tão pouco, e de poderem fazer algo para inverter o rumo dos acontecimentos. Conseguiu-se banalizar discursos e todo o tipo de actos em defesa dos direitos das pessoas. O descrédito tem uma razão de ser: a obsoleta partidarização dos direitos básicos das pessoas. O facto de serem sempre os mesmo a defender os mesmos direitos, por incrível que pareça, tornou-se um "costume" apodrecido, que ninguém valoriza, e em vez de mobilizar, desmobiliza e enfraquece o poder da própria democracia. Basta aqui lembrar, por exemplo, o caso do Partido Comunista que, é capaz de ir para a rua defender os direitos básicos das pessoas que acabaram de ser despedidas de uma empresa, ou defender a redução do preço dos combustíveis, ao mesmo tempo que aprova em plenário, na assembleia da república a redução do Iva para 6% para as touradas. São prioridades. Ou o caso do Bloco de Esquerda, que é contra a especulação imobiliária, mas depois tem deputados do seu partido a praticá-la no seu esplendor, e a tirar rendimentos prediais de valor considerável. Em Portugal, nenhum partido representa o povo português na sua essência, e isso explica, em parte, esta passividade.
Os problemas da sociedade não desapareceram, basta para isso ir ao terreno e verificar que existem, apenas estão mais escondidos. O agravamento dos impostos à classe média; aumento do desemprego; redução verbas para fins sociais; indiferença perante a juventude; o preço dos combustíveis; preço dos bens essenciais; portagens; falta de soluções concretas para o envelhecimento da população; ajudas aos mais pobres e mais frágeis; etc. Alguém (que seja do norte do país como eu) já pensou por exemplo, a quantidade de portagens que existem na zona da Maia (não havendo alternativa quando existe trânsito ou acidentes - que acontecem com bastante frequência -, já não falando quando existem obras), ou mesmo as portagens da A28 que ligam Esposende à Póvoa, em que a alternativa é ir por um descampado de pedras e pedregulhos, em labirintos de semáforos até encontrar uma saída. 
Aqui ao lado, em França, a famigerada "greve dos coletes amarelos"congelou os aumentos dos combustíveis e da luz. A estes protestos juntaram-se grupos de extrema direita e extrema esquerda, que têm muita força em França. Isto levou a que Macron fosse obrigado, a partir de dia 15 de Dezembro, a promover um debate sobre impostos e despesas públicas, com vista a alcançar soluções concretas. França é um exemplo para a Europa. É um erro achar que isto foi mero acaso. São vários os governos em França que têm sido humilhados sempre que tentam pôr à prova medidas que afectam o nível de vida da população. E agora o problema agrava-se, porque já se provou na Europa que quanto menos dinâmica for a economia, mais esta é castigada por impostos. Veja-se o caso de Portugal, que foi castigado durante anos, e não houve significativas melhoras no nível de vida das pessoas.
A diferença é que em França as pessoas não são passivas nem são subordinadas aos costumes apodrecidos que, sempre que existe uma greve ou uma manifestação, ou até, um movimento das pessoas, rapidamente se juntam, e avocam a si a luta, inviabilizando o crescimento da luta e, essencialmente, impedindo a mobilização. Mais grave, instrumentalização essas lutas, que, já são encaradas pelos sucessivos governos como verdadeiros "costumes" (práticas constantes e podres), que nada fazem e deixam fazer.
A passividade verga-se ao costume, ou seja, as pessoas habituaram-se ao costume de serem sempre os mesmos a instrumentalizarem as lutas em Portugal, e mesmo esse costume estando apodrecido (e actualmente faz parte do Governo - falo aqui dos partidos de esquerda), as pessoas são passivas, não reagindo às injustiças, que são gritantes em Portugal, mas estão escritas em letras pequenas.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Homenagem ao Dr.Carvalho Guerra





Daqui a 40 ou 60 anos, tenho a certeza que a Universidade Católica terá uma estátua em homenagem ao Dr. Carvalho Guerra, pelo fabuloso e extraordinário contributo que deu em vida à Universidade Católica do Porto, e, sobretudo, pelas suas qualidades humanas. Foi, sem dúvida, e ainda é o pai da Universidade Católica do Porto. Contribuiu para o crescimento da sabedoria humana de uma forma sublime. É uma pessoa distinta, que soube dar ao Centro Regional do Porto da UCP aquilo que lhe faltava: sentido de missão. E que distingue esta universidade de todas as outras. 
Com Carvalho Guerra aprendi que a vida será sempre um sítio melhor se soubermos partilhar, se soubermos olhar para o outro e poder dar a mão. Aprendi que não existe limites para o sonho. Que qualquer um que ali se forma pode ser amanhã CEO numa grande empresa e no dia a seguir trabalhar num bar de praia, e depois voltar novamente a ter sucesso. Aprendi a não ser alguém por ter um estatuto, mas sim por ser aquilo que sou enquanto pessoa. Aprendi que nunca seremos um exemplo, por muito bons que sejamos tecnicamente ou até reconhecidos, se não tivermos alguma qualidade humana. 
Quando nos corredores da Universidade alguém dizia que na conferência do senhor X, ia falar inicialmente o Dr. Carvalho Guerra, a sala enchia, toda a gente ficava de pé, para o ouvir. Fosse para contar as suas experiências com o amigo Mário Soares, ou fosse para contar as vezes que andava pelas ruas do porto ajudar quem mais precisava. Só não marcava presença quando estava impossibilitado, porque valia sempre a pena ouvir alguém que dava gosto ouvir, e aprendia-se sempre qualquer coisa, porque a sua transparência, humildade, saber, ética, moral, transbordavam e contagiava qualquer um.
"Nós somos o que partilhamos". "Os homens não morrem quando deixam de viver. Os homens morrem quando deixam de amar, quando deixam de fazer aquilo que gostam". Ouvir isto é saber que estamos em casa, numa casa que fica eternamente nossa, porque ali somos todos um só. 



quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Iémen, um outro mundo


Iémen


Um país em guerra civil desde 2015, onde está instalada a anarquia, consequência da Primavera Árabe. De um lado o presidente Abdo Hadi, que é reconhecido pela comunidade internacional, e do outro lado os rebeldes xiitas huthi. As resoluções do conselho de segurança da ONU, sobretudo a última proposta pelo Reino Unido, para a passagem, sem obstáculos da ajuda humanitária, não têm sido eficazes, e a morosidade de todo este processo só agrava o problema, e, a cada dia que passa, mais crianças morrem à fome. Ninguém respeita a lei humanitária no Iémen, e, mais uma vez, assistimos à incapacidade dos Estados e da comunidade internacional em reverter esta situação. Ainda recentemente foi interrompido o abastecimento de produtos de primeira necessidade, empurrando milhares de pessoas para a fome e para a miséria. Isto agravou o risco de doenças, sobretudo da cólera. 
O Iémen fica situado numa zona geoestratégica muito importante, ao lado da Arábia Saudita (com quem divide a sua maior fronteira), e é uma porta para Ásia e África. Esperemos que este interesse geoestratégico, principalmente pela imponente força da Arábia Saudita sobre o Ocidente, não seja um impeditivo de denúncia de toda a miséria e fome no Iémen, onde metade da população já passa fome, e se nada for feito, poderá ter consequências imprevisíveis. 
Neste mundo, o que se passa no Iémen é mesmo de outro mundo. 

05.03.2001 - Ponte Hintze Ribeiro


Ponte Hintze Ribeiro - Entre-os-Rios - Castelo de Paiva

Em 2001, o país assistia a uma das maiores tragédias da sua história, onde morreram 59 pessoas, na queda da ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios. É bom lembrar, infelizmente devido a uma tragédia que marcou todos os portugueses, que houve alguém, que soube de imediato avocar a si as responsabilidades políticas, que foi o Jorge Coelho, à data Ministro do Estado e do Equipamento Social, onde afirmou: "A culpa não pode morrer solteira nesse sentido têm que se tirar as consequências políticas. Não ficaria bem com a minha consciência se continuasse". Foi uma atitude digna, de alguém que soube perceber o cargo que ocupava, não por ter alguma responsabilidade pessoal nos acontecimentos, mas pela responsabilidade política, que essa já era impossível de apagar. 
Agora a tragédia bateu à porta de Évora, numa ponte que ligava Borba a Vila Viçosa, e morreram duas pessoas e três estão desaparecidos. Mas, até ao momento, ninguém tem responsabilidade no sucedido. 
Como dizia Winston Churchill: "A vida dá lições que só se dão uma vez". Mas, mesmo assim, há quem não queira aprender com o passado, nem sequer abrir os olhos perante o presente.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Touradas, IVA a 56%.





  Acredito que, daqui a uns anos, ninguém se vá lembrar destes debates de aceitar ou não que um homem atire ferros contra um animal em sofrimento, sob um manto de pessoas aplaudir. Tenho vergonha de saber que existem pessoas neste país que defendem práticas do tempo da idade média, ou seja, as touradas. Há quem entenda que é uma questão cultural, mas trata-se de uma questão civilizacional, e, permitir este acto hediondo é regredir no tempo, e não aceitar a evolução, é ficar fechado em torno de um vazio intelectual, que, voluntariamente não quer aceitar que o mundo em que vivemos é um mundo diferente, e que não deve aceitar este espectáculo ridículo e ancestral, que faz lembrar os piores tempos da nossa história. Nestas discussões em torno da tauromaquia, consegue-se perceber que evoluímos e estamos a evoluir em muitos aspectos, mas, por outro lado, percebe-se que ainda há costumes da nossa sociedade que teimam em não desaparecer naturalmente, porque há forças maiores que o impedem, mas espero que existam pessoas de pulso firme que acabem de vez com este espectáculo degradante que são as touradas. 
   Se não for possível acabar, para já com este circo hediondo, pelo menos que seja taxado, não a 23% (que é o máximo), mas a 56% (crie-se uma taxa única). Discutir a possibilidade de baixar para 6% é uma aberração. Quando temos pessoas pessoas que não conseguem levar um animal doméstico a um veterinário por não terem dinheiro, onde o IVA é 23%, como não conseguem ter dinheiro para comprar ração, que também é a 23%. E aqui ao lado na vizinha Espanha, estes produtos alimentares pagam apenas 10%. E querem ter um IVA a 6% para ver um animal com farpas?

sábado, 10 de novembro de 2018

Nova Caledónia



Nova caledónia

Canacos


A questão era saber se os 175 mil eleitores deste fantástico e deslumbrante arquipélago e território francês desde 19853 (que se situa a 18 mil km de Paris), queriam emancipar-se da França e tornarem-se independentes, num momento em que o mundo assiste a uma "febre" de independentismo, que acordou povos adormecidos, mas que aqui já vinha do acordo de Noumea, assinado em 1998 (que estabelecia que a França permitisse aos habitantes da nova Caledónia decidirem se queriam ou não tornar-se independentes). A questão fez soar os alarmes em Paris, porque estamos a falar de umas ilhas onde se concentram quase um terço das reservas mundiais de níquel. A vitória foi de 56,4% contra 43,6%, e o líder independentista já afirmou que irá reivindicar um novo referendo nos próximos dois anos. A palavra decisiva no referendo como seria de esperar, afinal não coube aos canacos, uma etnia milanésia, que representa 40% da população.
Não deixa de ser interessante este referendo, porque, se de um lado a ideia seria emancipar-se da França, por outro lado, a acontecer, cairia sob a influência da China.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Ubiquidade ou Aleive?




Bem, não se tratasse de um orgão de soberania, que é a Assembleia da República, e talvez não fosse isto um tema, mas o disparate é tal, que não pode, e bem, ser olvidado. Quando estava a ler a entrevista no jornal expresso do deputado do PSD José Silvano, não queria acreditar no que estava a ler, mas, infelizmente, começa a ser normal que diversos deputados não sejam um exemplo para o país, e isto é preocupante. O deputado, formalmente, não faltou a nenhuma das 13 reuniões plenárias realizadas no mês de Outubro, mas, na verdade, foi descoberto que, pelo menos num dos dias, estava em Vila Real, ao mesmo tempo que a sua senha tinha sido validade na reunião de plenário. Alguém entrou no seu computador, introduziu a senha e registou a sua presença. O mesmo ao jornal expresso afirma: "Alguém pode ter validado. Eu não validei. Não sei justificar", fazendo passar a ideia que não sabia de nada, que fizeram tudo nas suas costas. São uns malandros aqueles que assinaram por si sem este saber de nada. Olha que não se faz. Ou seremos todos uns fiéis ingénuos? A falta estaria sempre justificada por estar em "trabalhos políticos", mas a diferença é que não receberia os € 69,19 euros de ajudas de custo a que teria direito por viver fora da área metropolitana de Lisboa.
Um péssimo exemplo, de alguém que, para além de fazer o papel de mau aluno, não assume o erro depois de ter sido chamado atenção e tenta ludibriar os demais quando os factos são incontestáveis.