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sexta-feira, 3 de abril de 2020

Covid-19 - Estado de Emergência

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Um longo caminho para a liberdade


"Para quem está na prisão o tempo parece nunca mais passar, mas o mesmo não acontece com os que estão cá fora. Esta realidade saltou-me os olhos quando recebi a visita da minha mãe, na Primavera de 1968. Já não a via desde a conclusão do Processo de Rivónia. As mudanças ocorridas a pouco e pouco e quando vivemos entre a família mal damos conta delas. Mas quando não se vê alguém durante muito tempo, a transformação pode ser um choque. De repente, a minha mãe pareceu-me muito velha. Já não via o meu filho e a minha filha desde antes do julgamento. Entretanto tinham-se tornado adultos, a crescer sem mim. Mas embora tivessem crescido, creio que os tratei como se fossem as mesmas crianças que tinha deixado quando fora encarcerado. Eles tinham mudado, mas eu não".

Nelson Mandela - "Um longo caminho para a liberdade" (páginas 418 e 419)


Covid-19 - Esquecidos




As crises têm um efeito devastador naqueles com pouca capacidade económica: anula essa pouca capacidade existente e torna-os automaticamente indigentes na sociedade. Em 2008, a crise económica agravou problemas estruturantes da sociedade portuguesa, que vinham acentuar-se com o tempo, como por exemplo, a falta de emprego. E a resposta do Estado, ao nível de políticas de emprego público (por exemplo, os estágios para os jovens) foi ineficaz e de curto prazo, não resolvendo em nada o problema. Aqueles que não tinham emprego, a par daqueles que perderam o emprego com uma idade avançada (onde existe maior dificuldade de inserção laboral - ex: a partir dos 40 anos) e os idosos de baixa condição social foram esquecidos e atirados para o limiar da pobreza, tendo muitos não aguentado e descendo abaixo desse limiar, passando fome, perdendo a sua dignidade humana. É preciso evitar novamente a suspensão da dignidade humana de qualquer pessoa, seja qual for a sua condição social. Mas há algo inquietante que é ininteligível mas para alguns parece facilmente inteligível: porque é que os mais pobres não estão em primeiro lugar? 

segunda-feira, 30 de março de 2020

Covid 19 - Bill Gates

Covid-19 - 30.03




Ontem, a D.G.S decidiu explicar que o miúdo de 14 anos que morreu em Ovar poderia não estar relacionado com o coronavírus, mesmo tendo dado positivo. E durante 1 hora e 30 minutos tentaram defender isso. Mas qual a finalidade de discussão de um caso isolado como inconclusivo para a opinião pública? E mais grave, qual a necessidade de defender hipóteses médicas de causas derivadas de outras doenças já preexistentes? Talvez até a mensagem mais forte seria que a morte fosse de coronavírus, ou mesmo não sendo, que todos os indícios revelam isso, porque é a verdade. Graças ao comunicado de ontem (a tentar negar a morte por coronavírus do miúdo de Ovar, estando esta a ser investigada), hoje são vários os cidadãos com psoríase que temem pela vida e ficaram alarmados, depois das declarações de ontem da D.G.S.


sexta-feira, 27 de março de 2020

Covid-19 - Bafejo holandês

Wopke Hoekstra - Ministro das Finanças da Holanda


Países baixos ou Holanda? Vá, decidam-se porque já ninguém tem paciência para essa indecisão voluntária e fastidiosa. Seja como for, não apagará o país da droga. O recente bafejo do ministro das finanças holandês sobre Espanha - pedindo uma investigação de apuramento da incapacidade orçamental espanhola para enfrentar o coronavírus - é a prova de que a velha teia de aranha europeia nunca desapareceu, está bem viva. Há um adágio popular que é uma verdade imperativa: "Deus fez o mundo e o holandês a Holanda".

terça-feira, 24 de março de 2020

Covid-19 - 24.03





Nas estimativas da Universidade Católica, a economia portuguesa pode recuar 10% a 20%, quando era previsto um excedente orçamental de 0,2% para 2020. Um bom trabalho que foi feito e que estava a ser desenvolvido por Portugal e que merece esse elogio. No pior cenário da anterior crise económica, não passou dos 4%. Países como Portugal têm obrigatoriamente ter ajuda europeia imediata, sob pena de a economia entrar em declínio automático e sem motores. Mas, os sinais europeus são equivalentes a um ponteiro parado ou avariado, que toda a gente pergunta as horas e não existe resposta, porque ele parou no tempo. Nem o facto de termos conhecimento do recente incidente diplomático entre a República Checa e a Itália - onde foram desviadas 700 mil máscaras que iam para Itália pela República Checa - faz levar o relógio a um relojoeiro para o colocar a funcionar de vez. 

Covid-19 - Espanha


Pandemia 1918 - Vírus H1N1


Quando falas com pessoal que está em Espanha e percebes à distância a dimensão do problema, é inevitável o contágio aos restantes países, nomeadamente do sul da Europa. Há relatos de profissionais desesperados a apelarem e suplicarem por equipamentos de protecção individual, quando já são 5.400 os profissionais infectados. E o problema é de tal forma dimensionado que já não conseguem dar resposta, por exemplo, a coisas tão básicas como a falta de empregadas de limpeza para recolher o material infectado que se avoluma pelos hospitais. É impossível não lembrar a gripe espanhola de 1918, que matou milhões de pessoas em todo o mundo, com início a Março de 1918 até Agosto de 1999.

segunda-feira, 23 de março de 2020

Covid-19 - 22.03





Bem, começa a ser martirizante ouvir a Direcção-Geral de Saúde sobre o (não) uso das máscaras. O apelo está repleto de uma sensação de descontracção, de desresponsabilização, de serenidade, de normalidade, de crença em palavras platónicas. As marginais estiveram cheias este fim-de-semana. Mas tudo seria melhor se estivessem sem máscaras e sem qualquer tipo de protecção individual. É um pouco inquietante perceber que a D.G.S gaste todas as suas energias a tentar que a população não use as máscaras (erradamente), ao contrário do que acontece em todos os outros países, e não tente alocar uma épica percentagem dessa energia gasta para conseguir efectuar testes a todas as pessoas com sintomas e fiscalizar sanitariamente todo o território nacional.

sábado, 21 de março de 2020

Covid-19 - Agradecimento





Não podemos desesperar perante o desafio que temos hoje. Não é um desafio fácil de resolver, nem vai ser resolvido rapidamente, mas vamos superar. Antigamente, a história ensinava o valor da liberdade, escrevia o nome de todos aqueles que lutaram pela liberdade expressão e imprensa, liberdade de deslocação, liberdade de informação, liberdade de escolha de profissão, liberdade de consciência, liberdade de aprender e ensinar, de poder estudar e ser alguém na vida, tendo origens humildes. Na década de 60 e 70 davam aulas sobre a liberdade, em tempos de ditadura, presos políticos e exilados. As pessoas eram perseguidas e a imprensa era vítima de censura. Havia desigualdade social, que limitava acesso à saúde e educação a todos aqueles que disponham de meios económicos reduzidos. O direito de emigração passou a ser quase um dever para muitos que tiverem atravessar as nossas fronteiras para lutar por uma vida melhor, acima de tudo uma vida digna para si e suas famílias, que aqui não tinham nem podiam ter. O 25 de Abril foi a prova de que com luta, determinação e empenho todos conseguimos. Nunca demos tanto valor a ir tomar café à beira mar ou a ir a um restaurante com a namorada. Estamos no meio de uma crise contra um inimigo invisível, que ameaça destruir cada um de nós a cada dia que passa. Mas acreditamos e lembramos com gratidão e humildade aqueles bravos homens e mulheres que estão a lutar nos hospitais e estabelecimentos de saúde contra esta pandemia, que arriscam suas vidas por nós, com a consciência que não poderão todos ser salvos. São os guardiões dos nossos direitos fundamentais e a eles devemos a reposição da nossa liberdade, se conseguirmos proteger a nossa vida.  Respeito, muito respeito pelo vosso trabalho. Força e coragem. Obrigado.
Vamos vencer. Deus vos abençoe e abençoe Portugal.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Covid-19 - 21.03





A Direcção-Geral de Saúde deixou de ter credibilidade nas suas declarações públicas. Depois de várias declarações inicialmente a desvalorizar o vírus, agora pedem às pessoas para não usarem máscaras ou luvas, porque não sabem usar e só seria útil se todos usassem e como não temos essa cultura não resulta. Outro argumento foi que não haveria máscara e luvas para todos. Bem, todos os países, excepto Portugal, devem ser uma cambada de malucos e obstinados, porque usam máscara e luvas. Vejam lá que alguns deles conseguiram evitar a propagação do vírus porque obrigaram a população toda a usar máscara e luvas. Por exemplo, em Macau isso foi uma das principais razões do sucesso invocado para evitar a propagação do vírus. Se a Direcção-Geral de Saúde não quer que os portugueses adquirem máscaras ou luvas para evitar que não falte aos profissionais de saúde, deve assumir essa posição e isso é uma questão diferente. Se há pessoas que não sabem usar as máscaras ou as luvas, talvez alguém devesse ensinar essas pessoas (principalmente mais idosos) a usar, ao invés de insultar culturalmente o povo. E são várias as pessoas que correm atrás destes pensamentos que merece um exercício de senso comum. Eu não sou médico. Mas faço um exercício de senso comum: se antes de sair de casa, lavar e desinfectar as mãos; colocar as luvas e a máscara e dirigir-me a um supermercado, eu não estarei mais protegido que a dona Augusta que está sem máscara e sem luvas (no pressuposto que chego a casa e a primeira coisa a fazer é tirar as luvas correctamente e isolar num local próprio, sem nunca ter contacto com a cara e desinfectar as mãos)? Negar a sua eficácia é um autêntico disparate. Outra coisa é negar o uso incorrecto, mas não foi isso que a DGS fez, e deveria ter feito. A DGS desaconselhou o seu uso por as pessoas não saberem usar. Eu uso luvas e máscara quando vou ao supermercado e irei usar. E não sendo médico (embora vivendo com uma namorada da área) aconselho todos a usarem, porque não sabemos quem está ou não infectado.

Covid-19 - 20.03





É um momento excepcional, que exige medidas excepcionais. Não esqueço a reunião que tive numa empresa têxtil há pouco menos de duas semanas, em que a preocupação em torno da escalada da pandemia era mais que uma preocupação vulgar, era uma questão de sobrevivência. O rosto do gerente (que estava no terreno), a par dos rostos de empregadas têxteis com famílias e filhos para criar demonstravam que sem um apoio financeiro a curto prazo a possibilidade de fechar as portas é uma realidade. Não chega as linhas de crédito, o dinheiro tem chegar a estas empresas micro, pequenas e médias empresas e de forma ágil, ultrapassando burocracias e apoiando e fiscalizando. E impedir que os bancos façam fortunas à custa desta situação, aproveitando a situação frágil das empresas e das pessoas. Caso contrário, quando chegar, pode ser tarde.
O comércio parece ter sido esquecido, não existiram medidas. Duvido, por exemplo, que uma cabeleireira que vive do seu ganha pão, e tenha sido forçada legalmente a fechar o seu estabelecimento, aguente muito tempo sem qualquer tipo de apoio.
As pessoas não foram protegidas e isto poderá ter graves consequências e será uma questão a ser revertida a curto prazo, sob pena de estarmos abrir uma fissura em plena crise sanitária. Há países a suspender as prestações ao banco, tendo um impacto imediato na vida as pessoas. É pouco aceitável que Portugal não tome medidas a esse nível. A desprotecção das pessoas em detrimento de um lobismo bancário tradicional não será perdoada pelas pessoas.

quinta-feira, 19 de março de 2020

Covid-19 - 18.03





O Presidente da República tomou a decisão de declarar o estado de emergência, nos termos da Constituição da República Portuguesa. Foi uma boa decisão, que até podia ter sido antecipada. É uma caso nítido de calamidade pública, daí ser um estado de excepção e haver necessidade desta declaração, que dá margem de manobra ao governo. Foi um bom discurso de Marcelo em Belém e de António Costa na Assembleia da República. Mas continua a ser perplexo vislumbrar nos aeroportos as autênticas portas-abertas a todo e qualquer tipo de cidadão sem controlo, esteja ou não infectado, a par do incumprimento de diversas entidades no que respeita ao cumprimento de regras de protecção individual dos seus trabalhadores.

quarta-feira, 18 de março de 2020

Covid-19 - 17.03





Numa ida ao Continente para adquirir bens de primeira necessidade, reparei que há muita falta de informação e que há pessoas realmente conscientes da importância do flagelo e outras ainda inconscientes da capacidade destruidora do vírus. Mas o que impressionou foi perceber que ali estavam trabalhadores esquecidos pela sua entidade patronal, desprotegidos, abandonados à sua sorte, servindo apenas para a contabilização de números ao final do dia. Vi funcionários que colocavam fitas no chão por onde milhares de pessoas passam sem qualquer tipo de protecção: sem luvas, e, operadoras de caixa em situação similar, sendo uma fonte de propagação e disseminação do vírus. Se, por um lado temos portugueses de uma excepcionalidade ímpar, a cumprirem as recomendações impostas a nível nacional, por outro, temos empresas que só irão cumprir tais recomendações à força, com imposições legais.

terça-feira, 17 de março de 2020

Fake News


Eleição de Donalld Trump à presidência dos E.U.A.


As fake news (informação distorcida, não filtrada) são cada vez mais um perigo para o jornalismo e para a ciência. O fenómeno ressuscitou recentemente com a eleição de Trump para a presidência dos E.U.A e com o Brexit, em que foram disseminadas notícias falsas, com intuito de influenciar os resultados finais. Embora, por exemplo, já em 2003 a invasão do Iraque tivesse encontrado a sua justificação numa fake news: terem armas de destruição maciça. Existem poucas dúvidas que Hilary Clinton foi a real vencedora das eleições americanas, e os E.U.A perderam a oportunidade de ter uma brilhante mulher à frente do país. As redes sociais são os locais ideais para criar e difundir opiniões, porque não existe diálogo, e tais ideias são difundidas, sem apurar a verdade. 
Neste era da pós-verdade, onde uma opinião vale mais que um facto, há uma despreocupação com a verdade, com a informação que é recebida e compartilhada. A recente fake news é sobre o facto de o Ibuprofeno agaravar a infecção da covid-19. Não podemos deixar que uma fake news valha mais que uma opinião científica. Temos de combater este flagelo da manipulação das notícias falsas. Isto é um perigo para a ciência e para a humanidade. Basta lembrar quando Trump afirmou que até as vacinas são um mal para o mundo, quando está comprovado cientificamente que erradicaram no passado doenças que mataram milhares de pessoas. O Estado deve agir e aplicar multas fortes a empresas que difundam notícias falsas, como acontece já em alguns países. Há empresas que vivem das fake news e ganham milhões à custa da difusão destas notícias, aproveitando a desinformação e instrumentalizando o cidadão sem informação.
A regulação privada deve ser uma das soluções, obrigando os agentes privados, como por exemplo o facebook, a fazer chegar aos cidadãos informação verídica, impedindo a disseminação arbitrária e anárquica de qualquer tipo de notícia. Mas, a literacia digital pode ser outras das soluções, em que os cidadãos seja dotados de instrumentos que lhe permitam distinguir o que é verdade daquilo que é mentira.
Parabéns ao Bernardo Ferrão da Sic, pelo excelente trabalho desenvolvido no programa Polígrafo, que devia ser um exemplo a seguir pelos restantes órgãos de comunicação social. A luta e o combate às fake news passa por iniciativas destas onde seja apurada a verdade, e um facto valha mais que uma opinião.

domingo, 15 de março de 2020

Covid-19 ao segundo


1918-1920: Gripe Espanhola

Num momento sensível e complicado, as declarações de António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa não foram felizes nem foram as necessárias para o país. António Costa referiu que não devemos gastar todas as munições imediatamente, com receio de "cansar" a população. O sul da Europa está um desastre e a nossa vizinha Espanha está à beira do colapso em determinados hospitais. Como qualificar tal declaração? Felizmente, ainda não temos vítimas mortais, mas isso não deve ser um indicador para atrasar uma devida e urgente prevenção. E isso passa obrigatoriamente pelo fecho de fronteiras e por declarar o estado de emergência, sendo esta última uma competência do Presidente da República expressa na Constituição da República. Marcelo esteve mal ao convocar o conselho de estado, atrasando uma decisão inadiável e que pode ter efeitos graves e nefastos. António Costa e Marcelo não tomaram decisões, num momento em que essas decisões são fundamentais para evitar o colapso do país. 
Não podemos aceitar que seja exigido a um país inteiro que fique em casa, quando do outro lado vemos, por exemplo, um aeroporto de Lisboa com aglomerado de pessoas e um aeroporto do Porto onde qualquer um entra sem qualquer controlo. Ao mesmo tempo que fecham escolas e determinados serviços e outros continuam de portas abertas sem qualquer razão aparente. Há milhares de pessoas infectadas que não sabem que estão, que continuam achar que uma tosse significa pouco ou que, mesmo existindo, esta não é seca ou não é acumulável com a febre, logo não é Covid-19. O Covid-19 espalha-se ao segundo e não há tempo para adiar decisões à hora, quanto mais ao dia, que terá efeitos imprevisíveis a nível negativo. Os portugueses fechados em casa a lutar pelo país e a lutar contra este vírus não compreendem tal adiamento nem o podem aceitar.
Os indicadores revelam o pior, mas esperemos o melhor.


quarta-feira, 11 de março de 2020

Coronavírus





Quando vais a um centro de saúde visitar a tua estimada médica de família, e ao entrares no estabelecimento de saúde, reparas que na fila para consultas e marcação está um aglomerado de pessoas, e no meio, vislumbras um homem a tossir sem parar, e está tudo bem. Alguém o avisa que pode ser coronavírus, ao que responde: "é só tosse". Tudo ficava mais descansado, caso não fosse um dos alertas da doença, que exigia não uma visita ao centro de saúde, mas sim um contacto para a linha médica disponível (808 24 24 24). Portugal tem pessoas fantásticas e deslumbrantes, mas também tem pessoas com pequenas e alternadas fendas intelectuais na consciência dos seus deveres cívicos.

Harvey Weinstein



Uma sentença inesperada, ao alcance de sistema como o norte-americano. O mínimo era 5 anos, que foi a estratégia e objectivo da defesa, mas foi fixada nos 23 anos. Este caso é um exemplo da força dos movimentos, aqui do movimento "me too" (luta contra assédio e agressão sexual). Um dos testemunhos que impressionou foi de Gwyneth Paltrow, ao adjectivar Harvey como monstro, pormenorizando momentos temporais sem consentimento. A força dos movimentos e o poder das redes sociais na transmissão das mensagens é um poder real da nova forma de viver em sociedade, com o aspecto positivo de chegar a um número elevado de pessoas, mas um dos aspectos negativos pode ser a contaminação da informação para influenciar resultados ou decisões, ou a instrumentalização dessa informação para atingir um fim contrário ao que deve ser o correcto. Este movimento foi decisivo, porque possibilitou que mais pessoas relatassem os casos de abuso sexual sofridos por várias mulheres e "auxiliassem" a decisão final. Mas, se para a opinião pública estes casos são de simples decisão (o acusado é sempre culpado) para quem defende ou decide tais casos, na maioria, há uma complexidade à volta do consentimento, em Portugal em torno do "acto sexual de relevo", que nem sempre permite chegar perto da verdade. E, mesmo havendo decisão, não significa que tenha sido descoberta a verdade. O abuso sexual é um vírus, sobretudo alimentado por razões financeiras e estabilidade ao nível de emprego, que impede a vítima de o denunciar. E movimentos como este, se forem bem utilizados, podem ser uma ajuda para todas as vítimas de abuso sexual.





terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Brasileiros em Portugal




Um dia destes são mais que os portugueses em Portugal. 

Nota: O número de brasileiros a viver em Portugal subiu 43%, segundo o SEF. Em 2019, foram emitidos mais 20.417 títulos de residência do que no ano anterior. Se nos anos 80, a imigração resultava de um crescimento controlado e com viagem de regresso, hoje tudo parece diferente, e o regresso não parece ser uma ambição, como por exemplo, acontecia nessa década.

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Ana Gomes




Foi uma sobrevivente. Muitos, muitas vezes pensaram: "Cala-te Ana Gomes". Talvez um dia escreva sobre todas as pressões que sofreu para silenciar a sua voz. A maioria, infelizmente, no seu lugar, teria mantido o silêncio em troca de algo. Não foi a única a criticar o investimento angolano. Quando toda a gente tinha medo de falar de Eduardo dos Santos e do seu governo, por exemplo, já individualidades como José Pacheco Pereira, isoladamente, na extinta quadratura do círculo da sic (programa de política) , criticava a origem do dinheiro e do investimento vindo de Angola, tendo sido ameaçado. A questão: quantas pessoas foram silenciadas e receberam para ficar silenciadas (por acção e omissão)?

domingo, 19 de janeiro de 2020

Paciência de Rio




Não há muito para dizer da vitória de Rio, porque é uma repetição de outra eleição já discutida e uma crença do adversário no provérbio popular: "água mole em pedra dura tanto bate até que fura". Mas ainda não foi desta que furou, e perante tanto vazio de ideias de oposição interna, resta a Rio ter uma paciência ilimitada. 

sábado, 18 de janeiro de 2020

Pobreza energética






Não existem muitos dados sobre a pobreza em Portugal, mas as novas realidades estão a mudar e mais uma vez, o silêncio é o gerador e a semente que cresce a cada dia, havendo uma natural incapacidade de mudar o rumo e inverter tais situações. Quantos são aqueles que não têm dinheiro para aquecer suas casas no Inverno? O Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge referiu que, em 2018, a gripe e as baixas temperaturas causaram 3700 mortes, das quais 397 relativas ao frio. São situações de pobreza energética, que devem e merecem reflexão, que não é solucionada com reduções de facturas, mas com respostas reais para sectores mais frágeis e vulneráveis. A tarifa social não resolve o problema. Olhando para outros países, já são vários aqueles que têm tomado medidas de combate a esta nova realidade, e, medidas de autoconsumo são uma das melhores soluções para defesa das pessoas perante os elevados preços da energia. Talvez seja um dos problemas que pode ter mesmo benefícios múltiplos a todos os níveis e, principalmente, melhorar a qualidade de vida das pessoas.

domingo, 12 de janeiro de 2020

Paulo Gonçalves: um dos nossos.


Paulo Gonçalves - 12.01.20



Que notícia triste. Bem, Esposende tem tido um final de ano trágico, e infelizmente, o seu início continua. No final do ano que passou, perdi um amigo, o Aires Coelho, aos 35 anos, quando tinha uma vida toda pela frente. Ainda há momentos em que acredito que talvez tenha sido tudo ficção e amanhã já toda a gente se encontre como antigamente, a beber um copo ali numa esplanada qualquer, perante umas boas gargalhadas, mas não. Aconteceu, houve o desaparecimento.
Não era amigo de Paulo Gonçalves, mas tinha muitos amigos que tiveram o privilégio de ter Paulo Gonçalves na sua lista de amizades. E, ainda há pouco tempo tive com um que contava-me a generosidade dele quando lhe pediu uma coisa em concreto, e que ele era inexcedível nesse aspecto. Quem é de Esposende, torna-se inevitável não acompanhar todo o seu percurso brilhante, mas, particularmente, o Dakar de 2016, para mim, ficará sempre na memória como um dos maiores exemplos de sempre de um desportista em competição. Em 2016, no Dakar, Paulo Gonçalves parou junto do austríaco Mathias Walkner, quando este sofreu uma grave queda, e abdicou da prova para ajudar o outro. Pensei para mim: isto só está ao alcance de pessoas com grande humanidade, pessoas mesmo boas, daquelas que vale mesmo a pena conhecer. Deixa um legado que jamais irá esvanecer no tempo. Acho que ficará para sempre uma coisa na mente de todos aqueles que por esta ou aquela razão se cruzaram com ele: será sempre um dos nossos, e foi um orgulho para todos.

domingo, 22 de dezembro de 2019

Canção de Embalar de Auschwitz






Cada vez que leio mais sobre Auschwitz mais incrédulo fico com as atrocidades de todos aqueles que faziam parte do regime. Custa acreditar. Concluída a leitura de "Canção de embalar de Auschwitz", fica a ideia de que, mesmo no escuro e na imensidão da incerteza sobre um futuro inexistente, é possível oferecer resistência à falta de humanidade do outro. Helene Hannemann, enfermeira e ariana alemã, que teve 5 filhos com um cigano, foi enviada em 1943 para Auschwitz com a família. Uma distinta e admirável mulher que conseguiu criar esperança no pior sítio do mundo, ou seja, criar uma creche no meio do terror e da morte anunciada, e nunca deixou de lutar pelo direito das crianças: das suas e dos outros. Mas as atrocidades de Mengele (médico e oficial do regime nazi em Auschwitz) são algo impossível de deixar indiferente qualquer comum dos mortais (duvido da sanidade mental) . A descrição de algumas das suas experiências são inacreditáveis, a própria forma como abria pessoas e as cozia em carne viva incomoda os olhos de um leitor normal. Faz doer a alma pensar no sofrimento provocado de livre arbítrio. Helene quando o regime começou a perder poder viu as crianças da creche ficaram sem comida, começaram a escassear os recursos e fez tudo o que podia e não podia para inverter a situação. E perante isso, propuseram que ficasse livre, mas sem filhos e marido, por serem ciganos. A mesma nunca abdicou sua luta: não os abandonarei. Morreram todos nas câmaras de gás. Incrível o que esta mulher fez para humanizar ou evidenciar (por mínima que fosse) a possibilidade de existência de humanidade em pessoas do regime nazi, em prol de um bem comum e superior: as crianças.


quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Reino Unido: lugar inóspito?





Uma vitória inquestionável, mas previsível do Partido Conservador Britânico. Uma Europa, nomeadamente Bruxelas, que não soube e ainda não sabe lidar com os novos ventos partidários, porque habituaram-se aos comodismos da política caseira, sem olhar pela janela: uma janela aberta que permitiu semear o aparecimento de discursos heróicos, inspirados em fanatismos. Mas, um dos maiores contributos para a inexistência de discurso de oposição no Reino Unido chama-se Jeremy Corbyn, líder do partido trabalhista. Eu também (sendo contra o Brexit) não quereria Jeremy Corbyn se votasse no Reino Unido. Nem no parlamento. Como é possível ninguém ter conseguido vislumbrar o vazio de oposição ao longo destes anos e a falta de carisma perante um Boris carismático e com discurso ideológico, sem deixar cair principal bandeira: saída da União Europeia. Nisso tem mérito e ignorar a vitória eleitoral seria o pior. Boris venceu porque as pessoas votaram nele. E sejamos sinceros: já toda a gente estava farta desta indecisão política. Enquanto seu principal adversário nem sim nem sopas. Só que, os britânicos estão a navegar em águas europeias ainda, pensando que os problemas existentes se resolvem com a casa mais vazia. Os britânicos acreditam que os sucessivos e permanentes ataques terroristas, por exemplo, são criados pela imigração, e Boris soube capitalizar isso (uma nota: mas resolve-se o problema actual da imigração como? Aceitam-se os médicos, os advogados, as dentistas, os engenheiros, os enfermeiros, ou seja, as pessoas que auferem bons salários e que na óptica nacionalista, criarão bom ambiente e riqueza para o país, e manda-se embora as empregadas de limpeza, os ciganos, os empregados, os lixeiros, etc? O meu livro actual de horário nobre é "Canção de Embalar de Auschwitz", de Mário Escobar. Por vezes, parece que estou algures em 1938, pelo menos em discurso. Mas depois adormeço e tudo não passa de sonho. Quero acreditar nisso).
A única certeza: a 31 de Janeiro o Reino Unido sairá da União Europeia. 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Ódio a Greta Thunberg


Greta Thunberg


É impossível ficar indiferente a Greta Thunberg, seja pela negativa (no que ouvimos dos outros), seja pela positiva (no que ouvimos dela). Bem, acho que inqualificável ou censurável não chega para qualificar e adjectivar algumas declarações públicas proferidas acerca de Greta pelos principais líderes mundiais. Bolsonaro qualificou Gretha de "pirralha". Porque? Porque Gretha alertou, e bem, para a luta dos povos indígenas e demonstrou preocupação com o assassínio de líderes nativos no Brasil. Também Donald Trump gozou com Greta, entre outros tantos. Estas críticas são feitas a uma adolescente de 16 anos, que luta contra alterações climáticas, que é um dos maiores desafios actuais da humanidade: só. O destilar de ódio a que todos assistimos perante uma adolescente de 16 anos faz pensar como vai este mundo e os valores morais (em pleno declínio) que conseguimos alcançar ao fim de tantos anos de luta, muitos aqui já não estão. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Regime do Maior Acompanhado



Resultado de imagem para DEFICIENTE MAIS AUTONOMIA




Já passou algum tempo que entrou em vigor a lei do Regime do Maior Acompanhado, e parece que ainda existe muita falta de informação, o que é pena, porque estamos perante uma reforma civilizacional e um dos maiores avanços legislativos em Portugal. Hoje, é possível dizer que uma pessoa deficiente é igual a qualquer outra, e quantos eram os casos de familiares a pedir ao tribunal para declarar a pessoa incapaz de reger o seu património para que pudessem receber em nome delas, por exemplo, pensões e afins de natureza patrimonial. O mais perturbador é ouvir alguém de um serviço público (que tinha o dever de conhecer a lei) aconselhar uma pessoa idosa a falar com um familiar, porque terá de ser este a reger seu património, e que ela não poderá decidir nem poderá fazer nada. Isto é pouco aceitável, mas, pelos vistos, a falta de conhecimento estende-se a pessoas que têm obrigação e o dever de conhecer as alterações legislativas, sob pena de estarem aconselhar alguém erradamente, numa matéria de risco e tão sensível como esta. A lei mudou e ainda bem. Hoje, uma pessoa que se encontre impossibilitada de exercer, plena e conscientemente, os seus direitos ou cumprir seus deveres, pode requerer junto do tribunal as medidas de acompanhamento necessárias, sendo analisado caso a caso. E pode indicar quem cuidará de si se um dia precisar, o que é uma mudança radical e permite evitar situações claras de abuso por parte de familiares. Qualquer pessoa, mesmo que não tenha nenhuma doença, problema comportamental ou deficiência, pode, prevenindo uma eventual situação de acompanhamento, fazer uma espécie de declaração de vontade, que será um mandato, em qualquer cartório notarial. Há uma autonomia destas pessoas que não existia antes, daí ser grave ouvir pessoas aconselhar outras sob o regime antigo dos interditos e inabilitados. 

sábado, 30 de novembro de 2019

Extraordinário Gran Vikas





Gran Vikas é simplesmente das pessoas mais extraordinárias que existe. Desde que conheci o seu trabalho, há bastantes anos, que foi impossível não deixar de acompanhar, e, o que o mundo precisa é de pessoas que entendam as suas comunidades e procurem responder às suas necessidades, estando junto delas, ouvindo-as e envolvendo as mesmas nos processos de construção da comunidade. É incrível todo o trabalho que tem feito pela sua pobre comunidade na Índia. Impossível esquecer quando os governantes para resolver o problema das mortes em idade precoce na comunidade colocaram sanitas na comunidade e os habitantes foram beber água, porque não sabiam para o que serviam. O que para uns é simples, para outros é complexo, e vice-versa. Cada vez mais o mundo actua assim: longe das pessoas, do contacto, da proximidade. Talvez esta seja uma das razões para não resolvermos os grandes problemas da humanidade. Mas se houverem mais Gran Vikas, mais próximos estaremos da solução. Todo o seu fantástico trabalho pode ser acompanhado em https://www.gramvikas.org/.





terça-feira, 19 de novembro de 2019

Xenofobia a Jorge Jesus





São 23:00 horas, joga o Flamengo, e parece ser cada vez uma hora sagrada. Há uns tempos, quem diria que estaria diante da televisão a ver jogos do Flamengo de madrugada ou no dia a seguir, assistindo ao resumo do jogo? Tem um nome: Jorge Jesus. Ou melhor: estar num quarto de hotel, ligar para a recepção a pedir para mudar para o canal X, onde joga o Flamengo, e perceber que afinal são vários aqueles que já anteciparam o pedido. Mas será que existe o reconhecimento justo de todos os brasileiros pelo seu extraordinário trabalho ou este reconhecimento é apenas aparente (consumido pela xenofobia)?
Bem, não tinha ideia que o Brasil fosse um país tão xenofobo ou tivesse (melhor dizendo) ainda cinzas de comportamentos xenófobos, e isso é deplurável, em todos os sentidos. No último jogo do Flamengo, um jornalista chegou mesmo a tentar criticar Jorge Jesus, com questões complexas, claramente numa tentativa de rebaixar Jorge Jesus, só por não ter estudos e não ser brasileiro. Treinadores como Renato Gaúcho (Grémio), Vanderlei Luxemburgo (Vasco da Gama) ou Alberto Valentim Neto (Botafogo) deviam estar envergonhados pela forma como criticaram e rebaixaram Jorge Jesus, colega de profissão. A imprensa brasileira e alguns treinadores brasileiros que têm vindo desde do início a criticar Jorge Jesus deviam aprender que ser estrangeiro não é ser inimigo. Esse tempo pertence ao passado. O Brasil é um país magnífico, e é pena que, ainda tenhamos assistir a manifestações e comportamentos xenófobos, principalmente perante portugueses, como tem acontecido perante Jorge Jesus.
Jorge Jesus tem feito um trabalho maravilhoso. É impossível ficar indiferente ao trabalho que tem feito no Brasil. Para quem gosta de futebol, ver o flamengo jogar é um prazer. E o respeito tem ser transversal a todo o Brasil, porque a competência está lá, e quando a elevação acontece por mérito, merece o respeito de todos, sem distinção. Independentemente de tudo, Jorge Jesus saberá sempre que Portugal estará sempre a seu lado e no Brasil, cada vez serão mais aqueles que o apoiam, mesmo que ainda existam pequenos Bolsonaros entrincheirados, preparados para a qualquer momento, atacar o inimigo: o estrangeiro.



terça-feira, 12 de novembro de 2019

Magai Matiop Ngong





Aos 15 anos, Magai Matiop Ngong, no Sudão do Sul foi condenado à morte, e encontra-se aguardar a execução no corredor da morte. Chocante. O crime foi acidental. Magai disparou para o chão em detrimento de uma discussão entre um primo e um vizinho, e a bala fez ricochete e feriu mortalmente o seu primo. Em 2017, o juiz condenou-a à morte por enforcamento. Não teve direito a advogado. Só com a intervenção das Nações Unidas foi possível ter contacto com um advogado. Segundo o direito internacional e ao abrigo das leis do Sudão do Sul (por incrível que possa parecer) ninguém pode ser condenado à morte se tiver menos de 18 anos.
Não se executam crianças. Continuamos a falhar a nível internacional, a todos os níveis. Pensar, em pleno século XXI, que existem países que condenam crianças à pena de morte é perturbador. E constatar o não acesso aos seus direitos mais básicos, como ter direito a um advogado, é silenciar a dignidade humana. Que tremenda injustiça.

Espanha: PSOE e Podemos?





No fim, quem decide são as pessoas. Os eleitores espanhóis deram, mais uma vez, uma lição aos políticos: entendam.se. Parece terem chegado ao fim as maiorias absolutas no sul da europa e uma nova era de pactos e coligações exige dos políticos entendimentos patriotas. Em abril, ficou tudo bloqueado e não houve entendimentos para uma maioria parlamentar. Agora, depois de atacaram-se mutuamente, o PSOE e Podemos vão finalmente chegar a um acordo (mesmo assim, são 155 deputados contra os 176, ou seja, necessitam ainda de mais apoios) ? Isto que revela que as divergências políticas existem até ao limite da sobrevivência política. Mas acreditar neste acordo para quem conhece minimamente os dois partidos é como acreditar num num elefante andar de mota.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

John Bercow


John Bercow


Ainda não saiu e já deixa saudades. Faz parte de uma casta de políticos puros, que fazem sempre falta na política. O Parlamento Britânico vai silenciar-se por momentos com o desaparecimento da mítica presença e carismática voz de ordem de John Bercow. Engraçada e curiosa a forma como termina a sua carreira política deixando muitos na incerteza política sobre as suas convicções actuais. Li na imprensa britânica que até há quem o coloque mais perto do partido trabalhista. Bem, um político de direita não pode ter ideias de esquerda ou aprovar ideias de esquerda (se forem boas como John Bercow chegou a apoiar) que é logo retirado das suas origens e colocado no lado oposto. 

domingo, 27 de outubro de 2019

sobre Camarate





Quando soube da morte de Freitas do Amaral, uma das primeiras coisas em que pensei foi: perdeu-se um dos maiores opositores à falta de investigação ao caso Camarate. Faltava-me ler um dos últimos livros do mesmo sobre o caso, que já o consegui fazer para poder reforçar a estranha inércia e a rebuscada resolução criminosa (indícios da forte possibilidade de ter havido crime - que foi confirmado pela 10.º comissão de inquérito ao caso). Não deixou tudo o que sabia, mas o que deixou do que sabia sobre o caso é o essencial, que permite a todos perceber porque razão foi, em parte, afastado pela esquerda (que nunca o quis por vir da direita) e pela direita (por ter ido para a esquerda), e porque tentou ser um dos políticos mais silenciados da sociedade portuguesa. Diogo Freitas do Amaral sabia demais sobre o caso Camarate. Nunca afirmou que foi crime, nem nunca afirmou que foi acidente, mas colocou todos os indícios que o aproximava de atentado. Mas nunca percebeu porque o Ministério Público arquivou o processo sem investigar, nem porque razão o mesmo não foi a julgamento. Porque razão não investigaram José Esteve ou Lee Rodrigues (principais suspeitos de colocarem uma bomba no avião)? 
Diogo Freitas do Amaral insistiu nas informações trocadas entre a Scotland yard e as autoridades portuguesas. A polícia inglesa andava atrás de Lee Rodrigues e informou a Portugal da presença deste suspeito nos serviços de manutenção da TWA, no aeroporto de Lisboa no dia 04.12.1980 e de que se tratava de um indivíduo perigoso em armas e explosivos. Ele é detido no dia 11 (pelas autoridades inglesas) e recusa-se sempre a falar de Camarate. José Esteves tinha um passado ligado ao tráfico de armas e chegou a ser interceptado com armas e explosivos pela PJ mas nunca foi investigado. Freitas do Amaral esteve envolvido nesta troca de informações, chegando a receber telegramas do embaixador português em Londres que desapareceram. 
A 10.º comissão de inquérito (2015) referiu e concluiu que a queda do avião deveu-se a um atentado, mas isso não chega. Falta rigoroso inquérito ao desaparecimento de variados documentos e sobre correspondência oficial trocada entre vários organismos, entre eles, por exemplo, os acima referenciados, que envolveu Freitas do Amaral, e, mais grave, os que dizem respeito à exportação de material de guerra para o Irão. Muita coisa ficou por apurar.
Uma investigação que ficou por fazer. Os autores imediatos estão identificados, mas foram protegidos estranhamente por um grupo organizado, que teve um único fim. Os autores mediatos deixaram pontas soltas ao longo do tempo. Basta lembrar do duplo homicídio de José Moreira (dono do avião Cessna que transportou Sá Carneiro e Amaro da Costa) e sua mulher em 1983, a poucos dias de revelar no Parlamento tudo o que sabia sobre o caso, sendo testemunha central. Os autores mediatos (que mandaram praticar o atentado) tornaram-se intocáveis, foram peritos de uma das mais bem sucedidas resoluções criminosas (planeamento do atentado).




quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Labirinto das promessas políticas





Hoje, todos na União Europeia, não apenas os britânicos, pagam o preço da promessa eleitoral de David Cameron (referendo sobre saída União Europeia realizado em 2016). Mas, parece que a palavra "promessa" já não tem a força de 2016, quando houve o referendo. As sucessivas promessas de saída com acordo de Theresa May e agora as promessas de Boris Johnson de saída com ou sem acordo parecem poderem não passar de promessas, porque os prazos terminam e iniciam-se outros, nem chegam a ser renovados. O último avanço foi aprovação pelo parlamento britânico do princípio de acordo de Boris com Bruxelas, mas o avanço é esse mesmo: um princípio de acordo. Era previsível tal dificuldade, porque o mais importante não são esses princípios de acordo (que já deviam existir há muito), mas sim dar corpo, em termos substanciais, à saída propriamente dita, ou seja, o Reino Unido está preparado, para amanhã, sair da União Europeia? Ninguém acredita, excepto Boris Johnson.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Hillary Clinton





Sem dúvida, uma das piores coisas que aconteceu à América: não ter eleito Hillary Clinton. Seguramente, muitos, se fosse actualmente, depois da previsível inacção e falta de capacidade de Trump, mudariam a sua opinião e elegeriam Hillary Clinton (que um dia, daqui a muitos anos, talvez se saiba quem realmente foi o real vencedor das polémicas eleições de 2016). Uma enorme mulher, que tive o privilégio de conhecer, e que, não teve oportunidade de mostrar o grande contributo que poderia ter dado à América, porque deturparam a sua imagem e enganaram os americanos, ao passarem a imagem de uma pessoa que não era a de Hillary Clinton. Gostava e espero que se recandidate em 2020 para bem da América e do Mundo. Um mundo com Hillary Clinton na presidência dos E.U.A. será um mundo melhor. 

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Curdos Sírios


Combatentes Curdas Sírias


Hà pouco tempo atrás, quase diariamente ouvíamos falar do Daesh, e, se, isso deixou de acontecer (pelo menos ficou suspenso), deve-se em grande parte aos curdos sírios, às unidades de protecção do povo. Basta lembrar a tão badalada conquista de Raqqa pelos curdos, que era um bastião do Daesh. Os E.U.A. apoiavam os curdos sírios na luta contra o Deash, mas recuaram nesse apoio, e decidiram retirar as suas tropas da Síria. Trump, demonstrando mais uma vez que não está preparado (e talvez nunca tenha estado) para ser Presidente dos E.U.A., justifica-se da impressionante e medíocre forma perante tal retirada: "Nós gastamos um volume absurdo de dinheiro ajudando os curdos, em termos de munição, armas, dinheiro, salários, eles atuaram sim ao lado dos Estados Unidos contra o Estado Islâmico, mas os curdos "estão lutando por sua terra". E, para falar a verdade, eles nem "nos ajudaram na Segunda Guerra Mundial, não nos ajudaram na Normandia, por exemplo". Perante o sucedido, a Turquia não esperou nem um minuto e pôs em marcha o tão desejado e planeado massacre contra os curdos sírios. Os E.U.A., nas mãos do inexperiente e medíocre presidente, tomaram esta decisão sem calcular as consequências, esquecendo que a Turquia dificilmente cumprirá uma possível promessa feita (que até ao momento ninguém sabe), como contrapartida. Este conflito entre Turquia e curdos tem décadas,e, a prisão de Abdullah Ocalan (líder do PKK preso desde 1999, que defendia criação de um estado independente curdo na Síria) não ficou esquecida e será mais uma chama para um conflito, que, dependendo da posição Russa, poderá ter dimensões terríveis. 
Cada vez mais tenho a ideia que Trump não representa a América, porque isto não é nada, isto é uma traição aos curdos sírios que dificilmente um país como os E.U.A. levava a cabo. O congresso americano não deve ter medo. A França, Reino Unido e Alemanha não podem não agir perante isto, e devem manter o apoio aos curdos, como assim foi decidido pela coligação internacional

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Oi Cavaco Silva?





Cavaco Silva, à imagem dos seus aliados políticos, veio a público criticar Rui Rio e indicar o nome de Maria Luís Albuquerque para a sucessão no PSD. Bem, Cavaco Silva deixou-nos com uma das piores imagens políticas dos últimos anos, depois de ter conseguido alguns feitos, que não chegaram para manter patamares mínimos de credibilidade política. Agora, triste não foi o resultado eleitoral, porque esse já aconteceu no passado e o mesmo não teceu tais comentários. Triste é ver alguém que foi líder do PSD a intervir, mais uma vez, com objectivos pessoais, deixando os interesses nacionais para segundo plano, e mais grave, indicar pessoas que jamais poderão ser melhores que o actual líder. Ou alguém acha (sem ser na brincadeira) que Maria Luís Albuquerque é melhor candidata a primeira-ministro do que Rui Rio? Há pessoas que não percebem que o seu tempo político terminou e que as suas intervenções são meras insignificâncias tuteladas por um tempo que já não as qualifica sequer, mas rejeita automaticamente.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Legislativas 2019





Viragem? Poucos dúvidas restam. Quando os votos no pequenos partidos, acrescentando os nulos e os brancos contabilizam 15%, significa que poderá ser o início de uma viragem do sistema político português. Esse número em 2002 era de 3%, e foi sempre subindo. As questões são variadas, os medos são muitos, mas uma coisa é inegável: todos lá chegaram com os votos dos portugueses, embora uns com mais liberdade de escolha e de expressão, e outros com menos liberdade de escolha e expressão. Uns com mais tempo de antena, e outros com menos. Uns com mais simpatia mediática, e outros com menos. Uns com mais ideias, outros com menos. Mas, será que depois do naufrágio à direita (sobretudo no CDS), a esquerda conseguirá a união tão desejada ou, ao invés, teremos uma retracção do Bloco e jogo estratégico do PCP perante o PS, instrumentalizando-o mas jamais sentando-se a seu lado como foi apanágio estes anos?
Quanto à esquerda, os resultados não foram surpresa, com excepção do Livre e do PAN. O PS venceu, como era esperado. A geringonça, na sua globalidade correu bem, e isso seria muito difícil de destronar. Aumentou o número de deputados, mas não conseguiu o suficiente para poder formar maioria com o PAN ou o Livre, como era sua intenção. Assim, precisará sempre do Bloco ou do PCP, ou, no limite, do PSD. 
O Bloco manteve-se. Continua a cativar o seu eleitorado em torno de uma figura carismática: Catarina Martins. E caso assim continue, dificilmente perde o seu eleitorado, a não ser quando a líder sair, um bocado à imagem do que aconteceu com Paulo Portas, no CDS. 
O PCP, à esquerda, foi aquele que teve o pior resultado, perdendo vários deputados, e revelando, mais uma vez, que a sucessão terá de ser debatida no seio dos seus, caso contrário, poderá voltar a ter mais insucessos. Não por culpa de Jerónimo de Sousa, porque foi e é um líder com carisma, mas pelo desgaste da sua imagem e de todos os que o rodeiam. A política, como dizia Ronald Reagen deve ser encarada como um cargo temporário, e não como uma carreira para a vida toda. E aí Portugal é um mau exemplo, onde tem imensas pessoas que viveram e vivem exclusivamente da política.
O PAN foi um dos vencedores da noite. Há muita gente que lida mal com o surgimento e o crescimento deste partido, mas ele foi e é bom para o sistema democrático. Ajudou a sensibilizar o país para questões pouco debatidas e mais importante - com pouco interesse em ser discutidas pelos partidos de regime - e isso tem o seu mérito. Não podemos confundir as coisas, embora existam coisas utópicas e que necessitam de trabalho, acho que a sensibilização para determinadas questões é positivo, sem radicalismos. Por exemplo, refiro-me à medida de acabar com a carne na cantina da Universidade de Coimbra. Tem haver porporcionalidade e adequação das medidas, e acima de tudo, estudo.
O Livre também foi um dos vencedores, porque conseguiu eleger um deputado. Tem ideias similares aos partidos que já existem, como o aumento do salário mínimo nacional, e centra-se muito nas questões ambientais.
No que diz respeito à direita, houve um naufrágio. No PSD, Rui Rio é uma pessoa de valor, que fez um bom trabalho no Porto e fez o trabalho possível neste momento no PSD. Teve e tem sempre lutar contra aqueles que, dentro do seu próprio partido, o querem ver dali para fora. Isso custa, porque o PSD é um ninho de gatos, onde todos têm as unhas afiadas para atirarem-se uns aos outros. O PSD, se tivesse ficado com outro líder da equipa de Passos Coelho, teria um resultado pior que o actual. Rui Rio mexeu com muitos interesses instalados, com lugares garantidos, com nomeações já pré-seleccionadas, com cadeiras destinadas, com promessas e dádivas já acordadas, e isso tem um preço, num partido completamente dividido como o PSD. Mesmo assim, não conseguiu impedir tudo, nomeadamente na escolha dos candidatos, que estes fossem em lugares elegíveis, porque a máquina acaba sempre por funcionar. Mas fez o que podia.
O CDS foi o grande derrotado da noite. Assunção Cristas esteve bem ao sair, mas esteve mal ao não perceber que isto que aconteceu era previsível, e um grande político é aquele que consegue perceber as coisas antes delas acontecerem, e ela não foi capaz. O CDS há muito que detinha um discurso inflamado, de ataque vazio à esquerda, em certos momentos, sem qualquer tipo de nexo e parece que não conseguiam vislumbrar a realidade à sua volta. Por exemplo, lembrar nas eleições europeias, o discurso de Assunção Cristas e o seu candidato, sempre no ataque, no aproveitamento político, sem tomar posição sobre temas importantes do país, revelava que as coisas já não estavam bem. E a colagem ao PSD, sempre deixando no ar possíveis acordos e candidaturas conjuntas, demonstrou e foi sinónimo de fraqueza e esgotamento político. 
O Iniciativa Liberal foi outro dos vencedores, ao eleger um deputado. Um partido que pretende ganhar o espaço do CDS, mas que duvido que apenas assim seja, pois a crescer, levará também muitos sociais democratas.
O CHEGA foi outros dos vencedores, ao eleger um deputado. Aqui há um certo medo, mas parece exagerado, porque estará sozinho. Mas, se analisarmos no seu conjunto, acho que, independentemente de, como a maioria, não me rever nas suas políticas (algumas completamente descontextualizadas da realidade e do século XXI), há coisas positivas que poderá trazer, como por exemplo, a denúncia dos vícios típicos de um sistema político tradicional sem mudanças há 40 anos, e se hoje chegam à Assembleia da República, é também pela fraca linhagem política dos partidos tradicionais, incapazes de convencer os portugueses.
A Aliança foi um dos derrotados, porque não conseguiu eleger o seu líder Santana Lopes. Acho que faltou ideias novas e transformadoras ao partido, e, acima de tudo, faltou um distanciamento do PSD nessas mesmas ideias, que não passaram para os portugueses. Santana Lopes merecia mais, e, em comparação com alguns que entraram, é injusto, porque a sua imagem política não condiz com a pessoa que é. Basta ver o que fez pelos sítios por onde passou. É de enaltecer a sua coragem, e é pena que não tenha sido eleito. Depois disto, fica difícil.





quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Diogo Freitas do Amaral, legado de um democrata-cristão





Dificilmente existiria CDS se não existisse Diogo Freitas do Amaral. E o CDS jamais poderá negar essa evidência, e não será um minuto de silêncio a homenagem justa, porque um fundador merece mais, e mais que não seja, o respeito pela história. Hoje, se ainda existem muitas pessoas pessoas que votam CDS é graças a estes, que num determinado tempo, souberam fazer política com elevação e determinação. É ao Adelino Amaro da Costa, que foi figura ímpar na democracia, e principalmente no CDS. É graças ao Lucas Pires. É graças ao João Morais Leitão. É graças ao Adriano Moreira, entre outros. É graças a muitos autarcas, entre eles por exemplo o de Esposende, o Engenheiro Losa Faria. Sim aqueles fiéis que votam sempre no partido é graças a estes políticos referenciados, que lutavam por convicções e valores, o que foi esvanecendo com o tempo. Basta olhar para o CDS actual, que não tem a capacidade de chegar às pessoas, não existe ligação com o eleitorado, esses eleitores que estão a desaparecer, acompanhados pelo desaparecimento das suas figuras históricas. E essa falta de capacidade de chegar até às pessoas ilustra bem a pouca ligação à história, e talvez isso resulte na provável pobre homenagem a alguém que merecia uma grande homenagem, pelo que fez e ajudou a fazer.
Será recordado como um independente, mais um dos poucos que restam e restavam e tanta falta faz a uma democracia. Um dia perguntei a António Lobo Xavier se tinha pago o preço pela sua opinião independente e o mesmo referiu que nunca sentiu isso. Mas, nunca tendo perguntado o mesmo a Freitas do Amaral, acho e tenho a ideia que este pagou esse preço, infelizmente. 
Era um dos que restava (depois da ida de Sá Carneiro, Cunhal e Mário Soares), um pai da democracia portuguesa, que perdera o último que liderou o projecto político após revolução dos cravos, aliado ao inegável e inestimável contributo académico que deixou na área do Direito, onde foi um distinto, que poderia ter tido outro percurso, não tivesse pago o preço da sua independência.
Fica o legado de um puro democrata-cristão.


quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Ataque injustificado aos Juízes






Em Portugal, existem 4 órgaos de soberania, sendo um deles os Tribunais. Os restantes são o Presidente da República, a Assembleia da República e o Governo. Destes todos, até agora, só ouvimos falar e discutir os tribunais, mais especificamente, o salários dos juízes, como se estes fossem culpados de algo. Ultimamente, tem existido e alastrado um discurso perigoso sobre os salários dos juízes, que já não é de hoje. O último a falar foi o PSD, comparando inclusive um estagiário juiz a um professor com muitos anos de carreira. 
Bem, não podia ter sido dado pior exemplo (e surpreende até de quem proferiu tal afirmação), porque não se compara um juiz a um professor. São profissões distintas e carreiras distintas, e, muito menos se compara um estagiário juiz a um professor com anos de carreira. Primeiro, um juiz estagiário é comparado a juiz de anos de carreira e não a um professor, e, mesmo que assim quisessem comparar, nunca devia ser para cortar no juiz estagiário mas sim em subir o professor de anos de carreira. Mas é a mentalidade. Em segundo, um juiz pode e deve ganhar mais que um primeiro ministro, e todos (desde dos estagiários aos de topo) deviam ganhar mais que qualquer político em exercício de funções (talvez aqui aceitasse a excepção dos que estivessem a exercer funções governativas - destes ganharem tanto como certos juízes mas nunca à contrario). Em terceiro, o grau de responsabilidade de um juiz é de tal forma elevado, que pode colocar em risco a democracia de um país, se não forem acautelados os seus interesses de uma forma séria e justa, e jamais um juiz pode ganhar menos do que os salários actuais. Seria um perigo para a democracia. Talvez aqueles (que são políticos na maioria) que criticam os salários dos juízes, devessem olhar antes para, por exemplo, os salários dos assessores políticos, os salários dos chefes de gabinetes e os salários dos demais cargos políticos inventados pelos mesmos, que na maioria dos casos são um exagero e completamente desproporcionais às funções exercidas e seus graus de responsabilidade. Quantos assessores políticos estão, por exemplo, por essas casas políticas do país a ganhar 2.500 euros líquidos sem saber ler e escrever? Que auferem tal vencimento tendo como responsabilidades um conjunto de "não responsabilidades" ou um vazio intelectual? E perante isso, estão preocupados com os salários dos juízes?
Por vezes, parece uma brincadeira ou uma ilusão de pura fantasia que se ouviu algures num imbondeiro.



quarta-feira, 11 de setembro de 2019

11 de Setembro de 2001





Passaram 18 anos sobre o terrível e tenebroso 11 de Setembro. A maldade não teve limites. Talvez o tempo faça apagar da memória de muitos, mas será impossível apagar da memória daqueles que recordam, que têm memória e que um dia viram na televisão uns aviões a embater nas famosas torres gémeas, nos E.U.A. O mundo deixou de ser o mesmo. Há uns 5 anos atrás, ainda era notícia e recordavam-se os atentados terroristas de 11 de Setembro, essencialmente por respeito a todas as suas vítimas. Mas, mesmo que assim não fosse, faz parte da história. Houveram milhares de mortos em detrimento desse atentado e posteriormente, quando os E.U.A. invadiram o Iraque e Afeganistão. Ainda recentemente assisti a uma conferência de Marcus Luttrell (ex. SEAL), o único sobrevivente da operação Red Wings, que ocorreu durante a guerra no Afeganistão em 2005, onde houveram 16 baixas, onde pedia que não se esqueça todos aqueles que lutaram pelo país contra o terrorismo. Não é bom olvidar o 11 de Setembro de 2001, porque ele estará para sempre nas nossas memórias e porque foram milhares aqueles que perderam as suas vidas ali e além - na luta contra este terrorismo.


quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Ficção Britânica





Há uns tempos, li: "O Brexit está a destruir a democracia Britânica". O modelo parlamentar britânico foi, em tempos, uma referência das democracias modernas. Actualmente, posto em causa, voltou a respirar um pouco de alívio, mas apenas isso: um suspiro. O simbolismo da Magna Carta é, mais que ontem, tão vivo como necessário, para avocar a si a importância da limitação de poder e do respeito pela lei. No passado, eram os "barões" a exigir ao rei aceitar o documento "artigo dos barões", onde imponham limites ao poder real, mais tarde a conhecida Magna Carta. Hoje, a própria vitalidade democrática britânica, automaticamente limita o poder governativo?. Boris Johnson achava que poderia alcançar o poder absoluto através da manipulação política, mas esqueceu-se de controlar, primeiramente, o seu próprio partido. A passagem de Philllip Lee para a bancada dos democratas liberais pode ser apenas a primeira janela abrir-se de um quarto em pantanas, onde o mesmo tece duras críticas : "Está a pôr a vida das pessoas em risco de forma desnecessária e está a tentar obter um Brexit prejudicial sem princípios". Pena é que o líder do partido trabalhista, Corbyn tenha demonstrado não ser o líder que o partido trabalhista necessita, não tendo convencido ninguém e pouca esperança os cidadãos britânicos têm em si, e isso tem contribuindo para a fraca oposição, que já poderia ter feito muito mais e ter outras vitórias. Veja-se que numa das reuniões entre os líderes da oposição, uma das soluções possíveis seria a formação de um parlamento alternativo, o que é completamente descabido. Mas, não parece que Boris Johnson vá abdicar de continuar a fazer uso de todos os expedientes legais e dilatórios para não debater o Brexit, e tentar uma saída da União Europeia sem acordo. O grande problema será sempre o referendo de 2016, que foi decisão dos britânicos, ao invés, seria possível revogar tal lei e evitar a saída. Será sempre o jogo do rato e do gato, em que mesmo que, de um lado legislem para obrigar o governo a estender o prazo, por exemplo, do outro lado o governo poderá sempre travar posteriormente as obrigações perante a U.E. O cenário de eleições antecipadas é perigoso, e pode reforçar ainda mais Boris Johnson, que jogará com a vontade popular expressa no referendo e o travão parlamentar. 
Esperemos que, acima de tudo, ninguém cale as vozes em democracia, porque isso significa calar e silenciar o Reino Unido.